A Telemedicina como empreendimento médico

Por Dr. José Aldair Morsch, 8 de janeiro de 2018
empreendimento médico

Praticamos a Telemedicina em nossas profissões diariamente pedindo a opinião de um colega a distância usando vários meios de comunicação, porém, nunca pensamos na telemedicina como empreendimento médico.

No passado, usávamos o que estava disponível como:

  • Telefone fixo,
  • celular,
  • correio tradicional para enviar um cartão de holter ou um rx para o especialista interpretar e emitir um parecer.

Não nos importando de esperar 15 dias pelo resultado. Algo impensável hoje!

Fax já era considerado um grande avanço para transmitir registros de eletrocardiograma.

Neste artigo vamos descrever a trajetória da Telemedicina como empreendimento médico e como você pode aproveitar essa especialidade.

Solicite um orçamento

A grande evolução da Telemedicina veio com o advento da internet

Rapidamente passamos a compartilhar informações por e-mail e não parou mais. Ao usarmos recursos como:

  • informática, 
  • internet, 
  • Whatsapp, 
  • Skype, 
  • webcam,
  •  Scanner,
  •  aparelhos médicos digitais, 
  • softwares em nuvem. 

Todo esse universo de tecnologia na medicina derivou a especialidade de telessaúde.

Com essa tecnologia médica, estamos levando a medicina para fora do hospital, do consultório, das clínicas, estamos dentro dos lares.

Neste momento, precisamos diferenciar as terminologias e entender a telessaúde e a telemedicina como empreendimento médico.

Neste artigo falo sobre os conceitos com mais ênfase

A telessaúde

É o nome dado ao modelo de atendimento completo a distância, seja com:

  • Monitoramento de pacientes crônicos,
  • cursos para médicos,
  • estudantes,
  • residentes,
  • pacientes,
  • aplicativos em smartphones,
  • prontuários eletrônicos em nuvem,
  • prescrição médica digital,
  • arquivos médicos em nuvem para guarda de documentos,
  • big data na saúde,
  • interpretação de exames médicos a distância,
  • teleconferências,
  • cirurgias robóticas a distância, 
  • e por aí vai. 

Num momento que precisamos especificamente de um exame feito a distância com interpretação e laudo de um especialista, entra…

A telemedicina

A telemedicina se encarregou especificamente do ambiente em nuvem relacionado aos exames médicos laudados a distância, um tipo de empreendedorismo médico inovador!

Para cada especialidade que usa a telemedicina foi incorporado o prefixo correspondente:

  • teleradiologia,
  • telecardiologia,
  • teleneurologia,
  • telepneumologia,
  • telepatologia,
  • teledermatologia,
  • telepsiquiatria. 
  • E muitas outras teles.

A partir do uso rotineiro da internet, todas as profissões reinventaram seu modelo de trabalho, ou seja, os dois  serviços andam lado a lado, no meio digital e no meio presencial,

Chamamos isso hoje de atendimento híbrido. 

Até quando? 

Enquanto existir a criatividade do ser humano para criar novos caminhos á partir da tecnologia e inventar novas profissões.

Vamos analisar alguns exemplos:

  • contador online,
  • franquias online,
  • educação a distância,
  • plataformas de venda de tickets,
  • e-commerce,
  • aplicativos diversos com integração em plataformas em nuvem,
  • youtubers,
  • blogueiros,
  • redatores de conteúdo para blogs,
  • marketing digital,
  • cursos online de faça você mesmo,
  • É uma imensidão de cenários…

As plataformas em nuvem e os aplicativos estão aí para provar que é possível usar o virtual de forma mais efetiva que o presencial

Como podemos ajudar um local distante como um posto de saúde sem recursos?

A necessidade de ter exames laudados por especialistas é uma constante em comunidades remotas, carentes de infra-estrutura e médicos para investigação de doenças consideradas de nível primário e secundário. 

Somos convidados no início de nossas carreiras a morar e trabalhar em regiões afastadas, com poucos recursos e a resposta é sempre negativa,

Os motivos? 

Todos nós sabemos, falta estrutura digna de atendimento.

Tudo é precário. 

Pensar em uma alternativa que resolva o problema dessas necessidades é a chave para uma oportunidade virar um negócio.

A telemedicina como empreendimento médico

A partir do momento que colegas de várias especialidades se unem, as possibilidades são infinitas.

A Telemedicina se mostra um excelente mercado como empreendimento médico.

Claro que isso é raro de acontecer num ambiente competitivo como o nosso, mas se isso acontecer, sabemos que os resultados são imensamente superiores quando comparados a um único colega tomando a iniciativa.

A internet possibilitou criar um ambiente virtual que agregasse praticamente todas as especialidades e quem ganha com isso?

Todos, o médico, clínica, hospital de uma área remota, o especialista logado na plataforma, o paciente, a sociedade.

A história da Telemedicina através dos tempos

A telemedicina começa oficialmente na NASA para monitorar sinais vitais e ritmo cardíaco dos astronautas na década de 60.

Na mesma década em Harvard testavam o envio de imagens de rx de um aeroporto junto com informações básicas do paciente para o plantonista do hospital fazer a triagem e decidir a transferência de ambulância.

Porém, a explosão da especialidade se deu nos últimos 20 anos, porém, ainda existem nações que desconhecem os benefícios.

Curiosamente, o uso é desigual no globo terrestre:

Há nações que desconhecem totalmente e outras que dependem completamente da Telemedicina como empreendimento médico.

Canadá e  Estados Unidos disparam no uso da Telemedicina,

Também em Países europeus como Inglaterra, Alemanha, França e Escandinávia.

  • Na Ásia seriam Japão, Coreia e Singapura.
  • Na África, por sua vez, há países que nunca ouviram falar, assim como lugares na Ásia e Oceania,
  • Exceto Nova Zelândia e Austrália (número um em telepsicologia no mundo).
  • A Groelândia depende totalmente da Telemedicina, dirigida a partir da Dinamarca.

Aproveitar a tecnologia e desenvolver uma plataforma de telemedicina em nuvem é uma forma de negócio digital, um tipo específico de empreendimento médico.

Regulamentação da Telemedicina como empreendimento médico

Qual a posição do CFM – A Telemedicina é legal?

Sim, a Telemedicina e a Telessaúde são legais, existem regulamentações aprovadas pelo CFM

RESOLUÇÃO CFM nº 1.643/2002 – Define e disciplina a prestação de serviços através da Telemedicina.

RESOLUÇÃO CFM Nº 1.821/2007 – Aprova as normas técnicas concernentes à digitalização e uso dos sistemas informatizados para a guarda e manuseio dos documentos dos prontuários dos pacientes, autorizando a eliminação do papel e a troca de informação identificada em saúde.

RESOLUÇÃO CFM Nº 1890/2009 – Define e normatiza a Teleradiologia.

RESOLUÇÃO CFM nº 1.983/2012 – Normatiza o CRM Digital para vigorar como cédula de identidade dos médicos inscritos nos Conselhos Regionais de Medicina.

DESPACHO SEJUR N. 194/2013 – “… a empresa que presta serviços de Telemedicina deverá ser registrada no Conselho Regional de Medicina onde está situada e mantém sua inscrição primária.

Desta forma, estaria dispensada de manter registro também nos demais estados da federação.”

Despacho de 2014 – regulamenta o uso de prescrição digital

Resumindo essas informações:

É permitido ao médico especialista interpretar exames a distância relacionados a sua especialidade, com registro no CRM do seu estado, podendo atender todo o Brasil.

Responde no mesmo princípio de sua atividade profissional feita presencialmente.

O médico do serviço que envia os exames em arquivos é também responsável e responde pela qualidade na execução dos exames e assume a conduta de acordo com a intepretação feita do laudo recebido na plataforma de telemedicina

É recomendado que o funcionário que realiza os exames seja pelo menos um técnico em enfermagem, que também responde pela qualidade dos exames realizados

Já foi descrito casos de pacientes que receberam até R$ 31 mil reais por danos morais sofridos em casos de exames mal feitos e não estou me referindo ao exame feito no modelo de telemedicina, ocorreu em clinica com o especialista presente.

E em relação a associação? Como se posiciona a telemedicina?

A necessidade de criar uma entidade Brasileira surgiu num congresso americano em 2001.

Os colegas que participaram, já em 2002 criaram o Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde.

Nos anos seguintes ocorreram congressos em Belo Horizonte, São Paulo e muitos outros estados.

Em 2005 ocorreu o décimo congresso mundial de Telemedicina em São Paulo e a teleodontologia entra como parceira.

Em 2016 é eleita nova diretoria e o conselho é transformado em Associação de Telemedicina e Telessaúde.

A telemedicina tem participação ativa na sociedade internacional de telemedicina e telessaúde onde o grupo é composto por 98 Países desde 2001

O que não é legal até o momento?

O especialista que trabalha com Telemedicina, mesmo sendo um empreendimento médico reconhecido, não está autorizado a realizar consultas a distância, podendo apenas dar consultoria para outros médicos que participam na intermediação do atendimento.

Lembro que o exército brasileiro testou em Niteroi – RJ com autoridades militares a transmissão holográfica em 3 D do paciente, mas ainda intermediado pelo clínico geral no local onde o paciente se encontra.

Também não é permitido realizar procedimentos a distancia, como na radiologia intervencionista, hemodinâmica, etc…

Exceções para a psicologia e psiquiatria que já foram autorizados atendimento a distancia pelos seus conselhos

Os caminhos percorridos para se tornar um empreendimento médico

A telemedicina tem seu início oficial em 1996 quando universidades iniciam estudos e trabalhos de mestrado baseados em rede e e-mail

Posteriormente investindo numa plataforma em nuvem de telemedicina, acompanhando a tecnologia cloud como tantos outros setores.

Hoje temos a Rute, rede universitária de Telemedicina composta de 124 instituições em todo Brasil.

Mas, ainda hoje temos colegas solitários laudando exames de sua especialidade por e-mail ou acesso remoto na máquina do cliente…

A aceitação nas zonas remotas ocorre em todos os níveis

A centralização do atendimento público com o Brasil redes e a Rute,  são áreas que mais se beneficiam.

Este mês o ministério da saúde anunciou um investimento de 1,5 bilhões durante o Hiss 2017 onde será integrado todo esse processo, com perspectiva de uma economia de 20 bilhões de pois de um ano de funcionamento.

As Clínicas e consultórios médicos utilizando a Telemedicina como empreendimento médico

A Telemedicina propiciou a inovação para vários segmentos da saúde.

Um clínico é capaz de expandir sua atuação no mercado de saúde de sua região oferecendo exames que até então eram impossíveis de ter acesso por não disponibilizar de suporte, de uma plataforma e de especialistas focados nesse mercado.

A medicina ocupacional assumindo um novo papel

Antes do advento da Telemedicina como empreendimento médico, os colegas com especialização em medicina do trabalho pediam os exames e os colaboradores eram encaminhados para os consultórios dos especialistas para realizarem os exames e depois levar para a empresa.

Era uma condição de ausências nas empresas para exames de rotina que custavam muito caro.

Agora o colega tem nas mãos um mercado muito vasto, onde monta sua clínica, contrata os aparelhos em comodato e faz tudo sozinho.

O médico ou o seu técnico em enfermagem realiza os exames dentro das empresas.

A Medicina Ocupacional adquiriu um espaço nunca antes sonhado e está melhorando a qualidade de vida e trabalho dos empregados com a Telemedicina, assumindo um papel central na atenção e realização dos exames.

As clínicas populares aproveitaram o momento

A maioria dos donos das Clínicas Populares não são médicos, são apenas investidores que aproveitaram a oportunidade de oferecer consultas e exames mais baratos para uma faixa da população que fica entre o SUS e os convênios.

Infelizmente não somos treinados para pensar em empreendimento médico, assim, segmentos que enxergam a oportunidade assumem o papel de criar alternativas de negócios que poderiam ser totalmente absorvidos pelos médicos.

Nos tornamos funcionários de empreendedores… quando deveríamos pensar como empreendimento médico exclusivo.

Isso vale para as Clínicas de Odontologia também, onde os donos que não são dentistas derivam para a Medicina e colocam exames e contratam a Telemedicina como parceira.

Outras áreas que nós médicos não nos damos conta são:

  • Farmácias,
  • clínicas de radiologia,
  • clínicas de fisioterapia,
  • enfermeiros que contratam o aparelho e cada dia visitam uma cidade da sua região com pacientes agendados

Mas o campeão eu deixo pro final:

Funerárias com plano de pacote para o enterro estão incluindo exames preventivos gratuitos, pensando em não perder o cliente tão cedo.

Imagine a situação de concorrência naquela cidade, clínicas contra funerárias, chega ser engraçado…

Sim, a clinica me liga e pede para eu cancelar o contrato com a funerária que está ganhando mercado…

No setor privado, os convênios que estão acordando para o melhor gerenciamento dos exames.

Sim, os convênios já estão disponibilizando setores com enfermeiros treinados para assumir os exames tendo a Telemedicina como parceira.

Sabemos que os maiores custos estão nos exames e procedimentos, encontrar essa alternativa é fundamental para manter a máquina funcionando.

No atendimento de consultórios, clínicas e hospitais não vai ser diferente.

Os administradores deixam de comprar os equipamentos, recebem em comodato das empresas de telemedicina e pagam pelos laudos a distância.

O que deu certo como empreendimento médico?

Acessibilidade de zonas remotas

Não podemos nos posicionar em relação a uma realidade vista pelos olhos dos médicos dos grandes centros, onde tudo está ao seu dispor.

Motivos pelos quais optamos em ficar nos grandes centros e esquecemos como os colegas clínicos atuam nas pequenas cidades.

A verdade é que é melhor ter uma ferramenta á disposição do que não ter nada.

Na urgência vale tudo!

Agilidade nos resultados dos exames

O desenvolvimento de plataformas de telemedicina em nuvem criou um novo mercado de atuação para muitos especialistas que deixaram de fazer plantões em hospitais, deixaram a internação e até fecharam seus consultórios para atuar exclusivamente como laudadores nas plataformas.

Isso significa ter um especialista em tempo integral para interpretar os exames e entregar os laudos.

O cliente acaba recebendo o resultado do exame em minutos, superando qualquer serviço que seja presencial

Colegas especialistas mudaram para outros Países, para morar e se especializar e com isso aproveitamos o fuso horário e fornecemos exames nas plataformas 24 horas por dia, oferecendo um sistema contínuo de entrega de exames em qualquer lugar que tenha internet.

Um novo mercado disruptivo na saúde

Quando falamos num novo mercado disruptivo, nos referimos a fazer o antigo de uma forma melhor, mais ágil, mais efetiva e de qualidade.

Atualmente caminham juntos os dois modelos de atendimento em exames, o presencial e o virtual,

Discutir sobre a qualidade, implica em avaliar tanto os serviços presenciais quanto digitais no que se refere a formação de cada colega.

Na prática, executar o exame é tarefa do técnico em enfermagem, nunca acompanhamos os exames, apenas pegamos no computador e laudamos.

Exceto claro quando temos alguma dúvida na forma que foi executado á partir da qualidade dos arquivos disponíveis.

Diante disso, o que muda para o formato digital?

Teoricamente nada, apenas sobram discussões sobre:

Os aparelhos utilizados, calibração, se são antigos, analógicos ou digitais, se são registrados na ANVISA, se os técnicos seguiram os protocolos, situação que se iguala em qualquer serviço convencional.

A evolução da Telemedicina como empreendimento médico

Os investimentos não se limitam a desenvolvimento de softwares em nuvem, de tecnologia em si.

É possível comodatar qualquer aparelho no ramo da saúde, aparelhos para UTI, bloco cirúrgico, e muito mais. E na telemedicina tem a vantagem de ainda receber a interpretação dos especialistas. 

Neste artigo comento sobre as vantagens e desvantagens do comodato

Esse movimento trouxe oportunidades para todos os estágios de atendimento na saúde.

O que deu errado como empreendimento médico?

Oportunismo

O ser humano é um copiador de tudo.

Muitos colegas entram no clima de revolução tecnológica e vislumbram uma oportunidade

Montam sua empresa de telemedicina como euquipe, ou seja, sozinho, tentando abraçar o mundo, tocando o consultório, internação, plantões, claro que isso não vai adiante.

Eles usam softwares simples com instalação no computador e levam embaixo do braço, com um monte de riscos, sem assinatura digital entre outros problemas.

Como o médico de praxe não sabe administrar o negócio, não precifica corretamente, não oferece um ambiente completo e o cliente final acaba desacreditando.

Por outro lado, por ser sozinho, calcula mal os valores, não inclui o seu trabalho, enxerga o modelo de negócio como um consultório, vai competir e traz os preços para algo impraticável numa empresa de telemedicina.

Pircaretagem

Sim, não é incomum muitos:

  • -Técnicos em informática que trabalharam para empresas de telemedicina,
  • -Biomédicos que acompanharam pesquisas na universidade,

Montam as empresas de telemedicina e contratam os especialistas para laudarem.

Novamente os médicos viram empregados de empreendedores…

Já fui convidado por esse tipo de empresa no passado para ser laudador e vasculhei como as coisas aconteciam.

Neste formato não há uma responsabilidade técnica da empresa com o cliente, e os resultados não são animadores

Não preciso dizer que isso não dá certo, não há compromisso do grupo de laudadores, os colegas não participam de grupos de discussão, não há comprometimento, os laudos são ruins, mas incomodam e atrasam o desenvolvimento de empresas sólidas e comprometidas com a especialidade…

Outro cenário que se forma são os fabricantes dos equipamentos que desenvolvem um software fechado para os seus aparelhos.

O especialista que compra o equipamento fica escravo do fornecedor, ganha a estrutura de telemedicina e novamente entra no problema da euquipe, e não pode aceitar outros aparelhos.

Sozinho ele se acha capaz de atender vários clientes, sem pensar que tem uma vida, fica doente, dorme a noite, tira férias, tem consultório, plantões, e o resultado já é previsível.

Vantagens do uso da Telemedicina

Especialistas disponíveis para laudar exames 24 horas por dia

Aproveitando a internet disponível em todo o planeta, os colegas especialistas podem morar em qualquer lugar e trabalhar na plataforma em tempo integral.

O fuso horário permite que colegas que morem em Países com diferença de 12 horas possam trabalhar durante o dia e disponibilizar com isso os exames noturnos no Brasil.

Imagine o clínico de plantão numa emergência ter o laudo de um eletrocardiograma, Rx ou de uma tomografia em minutos?

Centralização do atendimento na área de exames de um serviço

As plataformas de telemedicina disponibilizam prestação dos serviços de laudos de todas as especialidades.

Essa condição centraliza todos os laudos em um único lugar, disponibilizando para toda a equipe da clinica ou hospital:

Os exames antigos para comparação, uma segunda via, condutas anteriores de colegas que atenderam o paciente.

Integração com prontuário eletrônico

A possibilidade de integrar a plataforma de telemedicina com o prontuário eletrônico do consultório, clínica, hospital traz uma agilidade extraordinária.

O laudo do exame realizado é inserido automaticamente na pasta do paciente, sem intervenção humana, reduzindo trocas de exames, reduzindo tempo de entrega do laudo, o médico tem acesso ao prontuário em nuvem com qualquer dispositivo onde estiver e assim, consegue otimizar muito o seu trabalho.

Agilidade no resultado dos exames

A disponibilidade de uma equipe de laudadores em tempo integral é o sonho de qualquer serviço de saúde.

Poder disponibilizar o laudo do exame em minutos traz benefícios únicos para qualquer serviço de saúde.

O diagnóstico é feito de forma mais rápida, as doenças são tratadas de forma mais efetiva, sem a necessidade de testar condutas nas emergências.

O paciente não precisa aguardar dias o resultado, com isso a chance de resposta ao tratamento é muito superior.

Maior resolutibilidade de casos de média e alta complexidade

Precisamos lembrar que os colegas que laudam nas plataformas tem especializações e subespecializações, com condições e tempo de opinar sobre os diagnósticos, sugerindo condutas e exames necessários para complementação da investigação.

Os casos complicados são compartilhados com mais especialistas do grupo e aumenta ainda mais o grau de segurança do resultado.

Redução significativa da ambulâncioterapia

Sabemos que as cidades pequenas precisam diariamente levar os pacientes para centros maiores apenas para realizar exames que poderiam ser feitos na sua cidade.

Os custos públicos e privados com o uso da Telemedicina reduzem significativamente.

Uma segunda opinião de qualquer especialidade

Os colegas clínicos que recebem os laudos sabem que podem discutir o resultado do exame com o especialista através de um canal disponibilizado para isso.

A qualidade do atendimento primário se eleva consideravelmente no momento que o caso é discutido com o especialista.

Baixo custo dos laudos comparado ao serviço com especialista presencial

A informatização traz agilidade na interpretação dos exames, não precisa contratar o especialista em tempo integral e os cálculos apontam para uma redução de mais de 50% no custo do laudo usando a Telemedicina.

Qualidade na execução dos exames é duvidosa

O maior problema enfrentado com os clientes de zonas remotas está no grau de qualificação do técnico em enfermagem e dos próprios enfermeiros.

Mesmo disponibilizando cursos gratuitos no blog da Telemedicina onde ensina o passo a passo para realizar de forma correta o exame, a estatística mostra que de cada 10 novos clientes, apenas 1 estuda o conteúdo.

A preguiça mental é geral, a falta de tempo para treinamentos, o cansaço das jornadas de trabalho…

É necessário sempre uma assessoria do suporte para acesso remoto na máquina do cliente, abrir o curso no computador , pegar na mão, mostrar vídeos e ensinar.

Por se tratar de um curso a distância, sabemos que a qualidade final é duvidosa.

Observamos isso na qualidade dos exames enviados e regularmente é necessário reforçar os treinamentos.

Como controlar a qualidade?

Cobrando demonstrações da realização em videoconferência, fotos das posições dos eletrodos.

Depende da tecnologia e internet

Enquanto tudo funciona, ninguém elogia, ninguém faz manutenção preventiva nas máquinas e com isso as chances de terem interrupção do serviço é ainda maior.

Basta dar um problema no computador, cair sinal da internet que todo mundo pira e esse é um problema para todos.

Custo elevado de desenvolvimento e manutenção da plataforma

Manter uma plataforma de Telemedicina em dia, com atualizações semanais é caríssimo.

É necessário ter um bom domínio de programação, análise de sistemas, gerenciamento de dados, enfim, é uma especialidade que depende muito do nível de conhecimento em programação da equipe de TI.

Precisamos lembrar que o desenvolvedor age de acordo com o que pedimos, se não tivermos criatividade, projetos definidos, ouvirmos o cliente, nada sai do lugar.

Competição entre empresas de telemedicina

Nem sempre a competição é vantajosa.

No ramo da Telemedicina, o cliente final ainda busca o menor preço, não quer saber da tecnologia usada para oferecer o serviço, não importa a qualidade, o lucro é a prioridade.

É necessário acontecer problemas na entrega, na qualidade dos laudos, na agilidade do serviço para que o cliente contrate uma plataforma habilitada a oferecer o que promete.

Muitas vezes ele acaba falindo antes mesmo de resolver seus problemas com os laudos de baixa qualidade.

Já houve casos em que o cliente clonou o carimbo do médico que laudava e liberava os exames todos normais.

Acabou em processo…

Para solucionar o problema entra a assinatura digital.

É clássico no primeiro contato do cliente ver que a busca é pelo custo do laudo.

Passa uns meses e ele volta consciente do que realmente precisa para o serviço funcionar e não ter problemas.

Um exemplo é o exame ser mal executado por falta de treinamento adequado, o especialista dá um laudo com um resultado errado, baseado no registro do exame.

O paciente consulta com o especialista de outra cidade, repete o exame e não tem nada. Ele volta no serviço e mete a boca, além de desacreditar na região.

Custo elevado dos equipamentos médicos

Comprar um equipamento médico implica em desembolsar uma boa grana e isso pesa para quem está começando.

Se não tem clientes regulares fica ainda mais difícil ter o retorno do investimento.

O comodato tem ajudado muitos clientes, sendo uma média de 1 contrato com aparelho próprio do cliente e 9 em comodato.

Entendimento da proposta de valor do serviço

O cliente está vivendo um momento de achar que todos os serviços são iguais,

Que se tem a assinatura do especialista basta, então a negociação cai no preço e isso tem sido um ponto crucial na posição da telemedicina no mercado.

Observamos que nesse cliente que busca preço acaba entregando exames ruins e perde os contratos com as empresas e acaba falindo…

Acredito que vai um tempo para perceberem os modelos de serviços de telemedicina

Conhecimento limitado em informática do cliente

A procura pelo serviço de telemedicina inicia no técnico em segurança do trabalho, passando por enfermeiros, administradores de clínicas, médicos e vai até o hospital.

Entender o funcionamento da plataforma sempre depende do nível de conhecimento em informática e internet de cada um.

Como estamos falando de zonas remotas, é comum termos um problema de entendimento dos processos.

Nesses casos o suporte contínuo remoto é decisivo para o sucesso do cliente.

Acreditação por parte dos colegas do interior

Os colegas mais antigos que não tiveram contato com a telemedicina nas universidades tem resistência em aceitar a especialidade.

Ainda é comum muitos médicos de pequenas cidades acharem que é ilegal, não aceitando o serviço.

Normatização do serviço

Regras claras dos conselhos

As regulamentações apontam para a legalidade do ato de laudar exames a distancia, mas não esclarece os padrões, as certificações para todas as especialidades.

Não existe consenso sobre o ambiente tecnológico ideal para uma plataforma de telemedicina.

Ate o momento a ANVISA e o CFM validaram servidores PACS para imagens, prescrição digital e alguns prontuários eletrônicos em nuvem.

Muita coisa tem que acontecer para focar num esqueleto a ser seguido por todos, com regras de segurança, linguagem de programação.

Vai do bom senso de cada um e do que os especialistas estão assumindo no momento que aceitam laudar nas plataformas, visto que todos respondem pelos seus laudos.

Possibilidades

Perspectiva numa visão de governo

Precisamos ver a Telemedicina como uma ferramenta dentro da Telessaúde e não como algo individual.

A centralização numa plataforma em nuvem de telessaúde é fundamental para todos falarmos a mesma linguagem.

Num País continental, onde o sistema de saúde é caótico, conseguir centralizar o atendimento nesse formato vai trazer uma revolução em todas as áreas de atendimento.

Perspectiva numa visão de mercado empresarial

Disponibilizar uma integração para o serviço de saúde privado, seja convênio ou particular também trará uma grande revolução no atendimento geral

Aplicativos em smartphones na área da saúde

Os aplicativos sincronizados com os prontuários eletrônicos alimentando informações em tempo real sobre:

-Os medicamentos utilizados através de prescrição eletrônica

-Da tomada de medicamentos com aviso de horários e momento da recompra

Dos monitores:

  • -De níveis de pressão arterial,
  • -Ritmo cardíaco,
  • -Desfibriladores,
  • -Marcapassos
  • -Saturação de oxigênio,
  • -Glicemia,
  • -Dos monitores de atividades laborais
  • -Das atividades dos para-medicos como
  • -Fisioterapia,
  • -Fonoaudiologia,
  • -Nutrição,
  • -Serviço social, etc…

Das centrais de atendimento 24 horas por aplicativos com inteligência artificial para orientação dos pacientes recorrentes diminuindo internações

A farmácia tendo o acesso a prescrição e ajudando na fidelização e acompanhamento de medicações controladas

Aplicativos sincronizados com plataformas de orientação de saúde individual e empresarial com inteligência artificial e médicos como é o caso do Babylon na Espanha e do TNH no Brasil.

Big Data dentro do empreendedorismo médico

A vigilância líquida, um termo novo na sociedade, mostra justamente o controle das nossas vidas.

Reclamamos que somos invadidos, mas todos queremos segurança para nossas vidas, aceitamos os recursos da tecnologia na medicina que estejam a nosso favor.

Como?

O uso da tecnologia deixa rastros que são convertidos em dados, os dados coletados e centralizados que chamamos de Big Data.

Estamos caminhando para um modelo de prestação de serviços na internet totalmente baseado na interpretação dos dados e uso em todos os segmentos.

Na saúde, será possível integrar o resultado de um exame com toda a vida da pessoa que usa a internet:

  • -Medicamentos que comprou,
  • -Sintomas que compartilhou com os amigos nas redes,
  • -Produtos que comprou no supermercado,
  • -Exames que já realizou e estão arquivados na plataforma,
  • -Academias que frequenta,
  • -Epidemias da sua região,

Enfim, todos esses dados cruzados trarão muito mais informações para a tomada de decisão do especialista no momento de atender esse paciente.

Integrações mais complexas

Neste momento está sendo testado em São Paulo um modelo baseado em dados.

É um tipo de recurso utilizado dentro do empreendedorismo médico, voltado a economia para empresas e funcionários.

Empresas que possuem um número significativo de funcionários disponibilizam um cartão magnético para o colaborador que será usado em todos os pontos de pagamento com cartão ou mesmo compras na internet.

Os dados colhidos do usuário vão determinar os valores dos serviços que o colaborador contratar na sua vida pessoal e os próprios benefícios oferecidos pela empresa.

Exemplo

  • -Valor do plano de saúde
  • -Valor do seguro de vida
  • -Valor do plano odontológico
  • -Valor da academia
  • -Resultados dos exames de saúde ocupacional
  • -Doenças ocupacionais em acompanhamento

Todos esses dados cruzados poderão beneficiar ou inflacionar os custos dos serviços para o colaborador.

O cruzamento desses dados trará:

Descontos em muitos setores que ele utiliza e trará menos custos para a empresa que acompanha o seu colaborador mais de perto.

Em Portugal já existe a interligação do sistema de saúde penitenciário com a justiça, com isso os médicos terão acesso aos antecedentes clínicos dos detentos através da telemedicina, dando continuidade aos tratamentos prévios.

Inteligência artificial faz parte do empreendedorismo médico

Existem muitos conceitos sobre esse assunto, vamos esclarecer os principais:

Conceito de Inteligência Artificial

É o nome mais amplo da matéria. A partir daqui muita coisa pode se desdobrar.

É como falar Cardiologia sem especificar se é clínico, arritmologista, hemodinamicista, cirurgião cardiovascular;

Exemplo prático na nossa vida são os assistentes pessoais nos smartphones com comando de voz-

  • Siri do iphone
  • Bots de várias empresas de serviços, chamamos de chatbots

Machine Learning

Habilidade da máquina ou sistema aprender sem necessidade de programação;

Um exemplo prático é o aplicativo waze que combina uma série de dados para informar ao usuário sobre o tráfego e rotas preferenciais

Deep Learning

Envolve redes neurais mais profundas para o aprendizado.

Vejam que estamos falando de redes neurais na informática…

É esse o tópico do qual desdobra a aplicação prática de alguns dos exemplos anteriores.

Computação cognitiva

A computação cognitiva aglutina os conceitos de inteligência artificial e machine learning.

Fazendo com que a tecnologia seja capaz de processar informações de uma maneira cada vez mais próxima do cérebro humano.

Um grande destaque da computação cognitiva é o Watson, da IBM, um sistema sofisticado que já usa sua inteligência artificial para apoiar médicos no diagnóstico e tratamento do câncer, em análises financeiras e também já está sendo testado para aplicação no atendimento ao cliente, interagindo pelo telefone e respondendo dúvidas, por exemplo.

Alguns exemplos de pesquisa em Deep Learning

Rede Cortical Recursiva

O modelo incorpora insights da neurociência para ensinar ao programa como generalizar além do que lhe é ensinado no período de treinamento.

Trabalhando de forma mais parecida com o cérebro humano, o novo modelo tem a capacidade de aprender e generalizar usando relativamente poucos exemplos, especialmente em comparação com os modelos atuais de aprendizado profundo.

Ele é aproximadamente 300 vezes mais eficiente em termos de dados para Machine Learnig

Organismoide

Computação neuromórfica baseada no esquecimento.

Estamos falando de material quântico capaz de esquecer coisas triviais e focar no importante, como faz nosso cérebro.

Se trata de um tipo de cerâmica usada para fabricar transistores sinápticos.

Esse material reage com hidrogênio e na sua presença é capaz de expandir-se e na retirada do hidrogênio, ocorre o contrário.

Sim, mas e daí?

A resposta a cada ação na presença do hidrogênio é modificada de acordo com a resistência aplicada!

Esse comportamento é considerado incomum quando se observam vários comportamentos de resistência e será a base para essa tecnologia, onde é chamado de habituação,

ou seja, reações diferentes para o mesmo estímulo, sendo o mesmo comportamento de animais anencéfalos.

Computação quântica

IBM e MIT se unem para usar computação quântica no aprendizado de máquinas.

A tecnologia possui um poder de computação muito maior graças à sua capacidade de manter bits em múltiplos estados ao mesmo tempo.

Precisamos de supercomputadores para processar esses dados e além dessa tecnologia, já existem computadores sendo testados sem processadores e com velocidade muito superior aos atuais.

A computação tradicional, por sua vez, só pode ter bits que estão ligados ou desligados.

Inteligência Artificial na Telemedicina

Usando o conceito de Machine Learning, podemos entender que as Plataformas de Telemedicina se preparam para incorporar essas tecnologias.

Atualmente é possível interpretar uma tomografia nesse sistema em 15 segundos, imagine o número de vidas salvas quando aplicada no eletrocardiograma e na pesquisa de AVC nas emergências…

Quem usa AI em Telemedicina na prática?

Zebra Medical Vision – Zebra AI 1

Ests empresa Americana disponibiliza interpretação de Tomografia, ressonância, mamografias com inteligência artificial por $ 1,00 para os radiologistas

Para matar a curiosidade de como esta empresa faz isso, ela usa um modelo de interpretação de dados chamado de tensorflow que foi desenvolvido e está sendo aperfeiçoado por um grupo de pesquisadores há 2 anos, bancados pelas principais empresas digitais do planeta.

Quando falamos nessa tecnologia, a maioria se posiciona com insegurança, assim como entrar num carro autônomo que em breve estará na nossa garagem.

Percebemos que uma atividade médica convencional, presencial, migrou para a era digital e além de ser um empreendimento médico, aproveita a tecnologia para trazer mais segurança aos pacientes.

Até o momento tive contato com dois trabalhos bem conduzidos de comparação dos resultados do uso da AI para diagnosticar pneumonia comparado com os radiologistas e o resultado foi superior – desenvolvido em stanford.

Outro da minha área, testaram resultados de interpretação de ecg usando AI e na comparação com os resultados das interpretações dos cardiologistas, também foi superior.

A máquina não vai substituir o homem, vai ao contrário trazer mais segurança nos diagnósticos, associado a análise do Big Data.

A minha visão dos próximos 6 a 10 anos é bem otimista nos serviços de Telemedicina:

Próximos 3 anos, ou seja, até 2020, a busca pelo serviço de interpretação dos exames será a valorização do médico especialista laudando.

Nos 2 anos seguintes uma mistura de 50% optando por médicos e os outros 50% valorizando a AI

De 2022 em diante, ou seja, em 5 anos, sendo pessimista e jogando no máximo para 10 anos, ocorrerá cada vez mais a busca pela telemedicina com AI que oferecerá mais recursos.

O médico especialista ficará com a função de curador, monitorando o cenário virtual de aprendizado das máquinas e um consultor para os casos mais complexos em que a criatividade humana precisa estar presente, o uso do bom senso, trazendo várias opções de condutas, tendo o ser humano o papel decisivo de escolha.

Me refiro nesses casos como exemplo os estadiamentos em neoplasias, em acompanhamentos de evoluções de tratamentos e resultados, até termos uma base sólida de aprendizado em machine learning.

O trabalho com inteligência artificial é um aprimoramento constante, precisamos estar atentos a isso.

A criatividade é exclusiva do ser humano e não tem como um computador, pelo menos até o momento substituir essa qualidade humana.

Manter uma equipe de curadoria fixa será fundamental para preencher eventuais lacunas de conhecimento que apareçam nos supercomputadores, garantindo a excelência de resultados pretendida.

O conteúdo não esgota o assunto, mas acredito que traga uma visão geral do que estamos presenciando.

Aproveite para compartilhar nas suas redes!

Assine também nosso blog e receba conteúdos como esse no seu e-mail toda semana!

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

COMPARTILHE

Entre em contato por WhatsApp
Enviar mensagem pelo WhatsApp