Telessaúde Brasil: o que é, como funciona, legislação e benefícios

Por Dr. José Aldair Morsch, 10 de outubro de 2018
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Se você ainda não conhece a Telessaúde Brasil, precisa ficar por dentro da oportunidade que se abre com ela.

Essa é uma ação nacional voltada à atenção básica à saúde, que tem aproximado organizações públicas e privadas, qualificando o atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Um dos pontos principais da iniciativa é dar apoio ao diagnóstico em regiões remotas do país.

Mas sua abordagem vai além, já que se volta até mesmo à educação médica.

Já pensou fazer cursos na telessaúde? Ou usar a teleconsultoria para esclarecer dúvidas?

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As possibilidades são muitas e é por isso que, neste artigo, vou explicar qual o objetivo final do Telessaúde Brasil Redes e mais.

Você vai conferir em detalhes o que é telessaúde e como funciona uma plataforma de telessaúde, sua história, objetivos e benefícios.

Também vai ficar por dentro de tudo sobre a telemedicina no Brasil, que tem contribuído de forma marcante para a detecção e monitoramento de doenças, lesões e outras condições médicas.

É chegado o momento de conferir como a tecnologia tem mudado para melhor a realidade da saúde no Brasil.

Boa leitura!

O que é telessaúde?

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Telessaúde é um sistema de prestação de serviços de saúde à distância, realizado com o auxílio das tecnologias da informação e comunicação (TICs).

De acordo com a estudiosa da área e autora do livro “Telessaúde no Brasil – conceitos e aplicações”, Angélica Baptista Silva, trata-se de uma nova maneira de pensar os processos de saúde, quebrando a barreira da distância a partir do uso das TICs.

Considerando esse conceito, a telessaúde é um campo bastante abrangente e estruturado.

Ela é formada por subáreas, como tele-educação sanitária ou em saúde, redes de investigação e tele-epidemiologia, redes de administração e gestão em saúde.

Inclui ainda a telemedicina, segmento que usa a internet, plataformas estruturadas e tecnologias de imagem, áudio e vídeo para ampliar a oferta a serviços como laudos médicos à distância e segunda opinião de especialistas.

Como destacado anteriormente, é também um programa nacional de qualificação do atendimento e da atenção básica à saúde, chamado de Telessaúde Brasil Redes – que você pode conhecer aqui.

História da telessaúde

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A história da telessaúde no mundo se confunde com a da telemedicina, já que esta área foi a primeira a fazer uso de tecnologias para transmitir informações médicas.

Nesse sentido, vale citar a invenção do estetoscópio eletrônico, em Londres, no ano de 1910, como um marco para a história da telessaúde.

No mesmo ano, Sidney George Brown publicou o artigo “A Telephone Relay”, no Journal of the Institution of Electrical Engineers.

No texto, ele contou sobre o desenvolvimento de repetidores, amplificadores e receptores que permitiam a transmissão de sinais por aproximadamente 50 milhas.

Invenções impulsionaram a tecnologia

Contudo, há registros ainda mais antigos, dando conta do uso da telemedicina já em meados do século XIX, quando foram inventados o telégrafo e a telegrafia.

Através desses aparelhos, médicos e outros profissionais começaram a transmitir laudos de exames radiográficos para locais distantes.

Já no fim daquele século, o recém-criado telefone impactou essa troca de informações, possibilitando a comunicação por voz.

As linhas telefônicas também serviram como base para redes de transmissão de dados.

Assim, era possível enviar resultados de exames como o eletrocardiograma, usando a rede telefônica e uma máquina de fax.

Mais tarde, um modem de computador facilitaria esse processo.

Também no fim do século XIX, o código Morse foi usado para o compartilhamento de informações médicas à distância.

Em seguida, o rádio serviu como um suporte importante no período da Segunda Guerra Mundial.

Registros mostram que, em 1946, ele conectava médicos localizados em estações costeiras ou na frente de batalha, a colegas em hospitais de retaguarda ou em navios.

Mais tarde, em 1967, Boston, nos Estados Unidos, foi a primeira cidade a receber um sistema completo e interativo de telemedicina.

Ele servia para avaliações de saúde de viajantes que passavam pelo posto médico do Aeroporto Internacional de Logan.

Telessaúde até na Lua

Também na década de 1960, voos espaciais impulsionaram o uso da videoconferência para aplicações em saúde.

Graças à transmissão de imagens e outras informações de astronautas em órbita, como pressão, ritmo respiratório e temperatura corporal, eles puderam ser monitorados e orientados por médicos durante a missão que levou o homem à Lua, em 1969.

Na época, os dados eram transmitidos por milhares de quilômetros, da aeronave até os centros espaciais, onde ficavam médicos da NASA, a agência espacial americana.

Telessaúde e telemedicina

Na Europa, o envio de informações sobre diagnósticos teve início nos anos 1970, gerando conexões entre a Groenlândia e a Dinamarca, por exemplo.

Por causa do inverno rigoroso, com temperaturas muito baixas e neve, a telemedicina ganhou relevância ao conectar pessoas isoladas, e se tornou uma ferramenta de saúde pública.

Nascia, assim, o conceito de telessaúde, o que inclui a telemedicina, mas não se limita a ela, como veremos mais à frente.

Na década de 1990, a telemedicina ganhou sua primeira publicação específica: o Telemedicine Journal and e-Health, publicado pela American Telemedicine Association (ATA), fundada em 1993.

A telessaúde no Brasil

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Os primeiros registros do uso da telessaúde no Brasil também coincidem com o uso da telemedicina.

Em 1994, a Rede Sarah começou um programa de videoconferência para troca de informações entre a sua rede de hospitais do aparelho locomotor.

Ainda em 1995, uma das empresas pioneiras no setor em território nacional, a Telecardio, começou a oferecer eletrocardiogramas à distância.

No ano seguinte, o Instituto do Coração (Incor) lançou seu serviço para interpretação de eletrocardiogramas enviados via fax por profissionais de outras localidades.

Já em 1996, o Incor inovou com a possibilidade de monitorar pacientes em casa, por meio do serviço ECG-Home.

A partir de então, uma conquista foi se somando à outra.

A primeira disciplina dedicada ao estudo da telemedicina nasceu na Universidade de São Paulo (USP), em 1997.

A seguir, foi criada a Rede Nacional de Informações em Saúde (RNIS).

Em 1999, foi a vez do Hospital Sírio-Libanês ter uma sala para teleconferências, e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) inaugurar um laboratório de telemedicina.

Já no século XXI, os avanços continuaram.

Um exemplo foi a parceria e troca de informações entre o Hospital Materno-Infantil de Recife e o Saint Jude Children Research Hospital, de Memphis, EUA.

 

Em Curitiba/PR, o hospital Santa Cruz iniciou um projeto de telepatologia e tele-educação.

Importante dizer ainda que ações do governo federal tiveram um papel importante na evolução da telessaúde no Brasil.

Um exemplo foi o Projeto de Telemática e Telemedicina em apoio à Atenção Primária no Brasil, encomendado pelo Ministério da Saúde em 2005.

A iniciativa envolveu 900 pontos de atenção primária, usando a telemedicina para auxiliar na capacitação dos profissionais de saúde.

Como funciona a telessaúde no Brasil

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Atualmente, o sistema de telessaúde possui regulamentação pelo Ministério da Saúde.

O órgão tem tomado à frente nesse segmento por meio de diversas ações.

Em 2006, criou a Comissão Permanente de Telessaúde e o Comitê Executivo de Telessaúde.

No mesmo ano, o projeto da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) começou a ser executado.

A ação levou conhecimento e infraestrutura de videoconferência para hospitais universitários, já na primeira fase.

Outra iniciativa marcante foi a criação do Programa Nacional de Telessaúde Brasil Redes, sobre o qual já comentei antes e que teve sua oficialização em 2007.

A iniciativa possibilitou parcerias com instituições públicas e privadas, a fim de ampliar e melhorar a assistência pelo SUS.

No próximo tópico, vou falar mais o programa.

O que é o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes?

O Telessaúde Brasil Redes é uma iniciativa do Ministério da Saúde para fortalecer e melhorar a qualidade do atendimento da atenção básica no SUS.

Ele é formado por núcleos estaduais, intermunicipais e regionais, os quais desenvolvem e ofertam serviços específicos para trabalhadores do SUS.

A ideia de integrar informação, ensino e qualidade no atendimento culminou na implementação do programa.

Chamada inicialmente de Projeto Nacional de Telessaúde, a iniciativa se tornou oficial através da Portaria do Ministério da Saúde nº 35, de janeiro de 2007, substituída pela Portaria MS nº 2.546, de 27 de outubro de 2011.

Em 2007, foi implantado um projeto piloto em apoio à atenção básica, envolvendo núcleos de telessaúde localizados em universidades de nove estados.

Seu objetivo no momento era apoiar a estratégia de saúde da família.

Cada núcleo recebeu equipamentos e investimentos para oferecer tele-educação e teleassistência, tendo a missão de inaugurar 100 pontos de telessaúde em cada estado.

As atividades foram bem-sucedidas em muitos núcleos, levando o Ministério da Saúde a ampliar o projeto, e lhe conferir o nome de Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes.

Serviços do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes

Como já destacado, os núcleos que fazem parte do programa oferecem serviços aos profissionais do SUS, os quais estão divididos em quatro frentes: Teleconsultoria, Telediagnóstico, Teleducação e Segunda Opinião Formativa.

Teleconsultoria

É a frente de informações do programa, criada para esclarecer dúvidas sobre ações de saúde e procedimentos clínicos.

Funciona de forma simples, com o envio de uma pergunta por profissional de uma unidade do SUS a um especialista do núcleo de saúde.

A questão pode ser encaminhada em tempo real (síncrona), via chat, webconferência, videoconferência ou por telefone.

Outra opção é a chamada assíncrona, quando a dúvida é enviada através de mensagens offline, que são respondidas em até 72 horas.

Telediagnóstico

Proposta para aumentar a oferta e o acesso aos laudos a distância, essa frente também reduz a necessidade de deslocamento de pacientes.

Primeiro, um profissional treinado, como um técnico em enfermagem ou em radiologia, realiza um exame para apoio no diagnóstico de doenças e lesões.

A unidade de saúde na qual o profissional se encontra possui estrutura, com equipamentos digitais, computadores e softwares capazes de digitalizar as imagens obtidas nos exames.

Esses dados, então, são compartilhados através de uma plataforma nacional de telediagnóstico, que também deve obedecer às exigências do Ministério da Saúde.

Por meio dela, um especialista do núcleo de telessaúde acessa e interpreta os dados, produzindo um laudo à distância.

Tele-educação

Esse serviço oferece atividades educacionais à distância, com o auxílio das tecnologias da informação e comunicação.

O núcleo de telessaúde desenvolve cursos, aulas, palestras e fóruns de discussão para, em seguida, compartilhar esses conteúdos com as unidades do SUS.

Segunda Opinião Formativa

Quando é necessária uma resposta especializada e consistente às questões clínicas, profissionais do SUS podem contar com esse serviço.

A resposta é sistematizada e tem base em revisões bibliográficas e evidências científicas.

O Ministério da Saúde possui critérios de relevância e pertinência para selecionar as teleconsultorias que podem atuar nessa frente.

Legislação e regras do governo sobre serviços de telessaúde

Como citei alguns tópicos atrás, a legislação que criou o então Programa Nacional de Telessaúde foi a Portaria MS nº 35/07.

Ela foi revogada pela Portaria MS nº 2.546/11, que redefiniu e ampliou a iniciativa, mudando seu nome para Telessaúde Brasil Redes.

O texto aborda a estrutura, serviços, gestão e funcionamento da iniciativa.

Também atribui responsabilidades aos núcleos, unidades de saúde do SUS e órgãos fiscalizadores, nos níveis estadual, municipal e regional.

Para detalhar os requisitos para participação e as atividades do programa, o Ministério da Saúde publicou diretrizes em 2015, através da Nota Técnica 50.

Nela, estão especificadas as exigências para os núcleos de saúde, separadas por serviços que desejam ofertar.

Benefícios da telemedicina e a telessaúde no Brasil

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Como afirma a Nota Técnica 50, o potencial do telediagnóstico está em ampliar o acesso a exames para populações em áreas de difícil acesso, onde não há especialistas para a laudagem.

O laudo a distância é possível graças à telemedicina, que une tecnologias específicas de diagnóstico à telecomunicação e tecnologias da informação.

Portanto, a telemedicina é uma parte importante do sistema de telessaúde no Brasil.

Além de facilitar o acesso a especialistas de diversas áreas, ela possibilita que unidades de saúde contem com uma segunda opinião qualificada, de forma ágil e segura.

Isso é possível graças à adoção de plataformas intuitivas e confiáveis, que permitem o compartilhamento dos dados gerados durante exames em tempo real e com total segurança, já que são armazenados em nuvem e não fisicamente.

Telemedicina Morsch como aliada à Telessaúde

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Para oferecer serviços em laudos a distância, as empresas devem contar com a infraestrutura adequada.

Isso envolve computadores com softwares atualizados, plataformas aprovadas pelo Ministério da Saúde e especialistas qualificados.

De acordo com a legislação vigente, os laudos online devem ser entregues em até 72 horas.

Na Telemedicina Morsch, há profissionais dedicados à elaboração de laudos a distância, o que confere rapidez ao processo.

Através de uma plataforma eficiente, os especialistas recebem os dados de exames, analisam as imagens e as interpretam, o que permite a emissão de laudos em apenas 30 minutos.

Outra vantagem é a redução de custos com a contratação de profissionais, cobertura de férias ou épocas com alta demanda por laudos.

Para unidades de saúde que não possuem equipamentos digitais, a Morsch também oferece aparelhos em regime de comodato (cedidos sem custos durante o período de contrato), resultando em uma importante economia.

Atualmente, estão disponíveis aparelhos para os seguintes exames:

Conclusão

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Neste artigo, falei sobre a telessaúde no mundo e em território nacional, com destaque para o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes.

Não resta dúvidas sobre a contribuição da telemedicina para viabilizar os serviços de telessaúde e melhorar a assistência oferecida aos brasileiros.

Se você deseja ampliar a oferta de serviços na sua clínica ou hospital, oferecendo laudos a distância, conte com a Telemedicina Morsch.

Entre em contato para saber mais sobre os serviços, que unem qualidade e agilidade e cabem no seu bolso.

Acesse o site para ficar bem informado sobre inovações e tecnologia na área da saúde.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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