Como funciona a Teleconsulta e suas limitações no Brasil

Por Dr. José Aldair Morsch, 22 de abril de 2020
Teleconsulta: o que é, como funciona e limitações no Brasil

A teleconsulta surgiu para prestar um atendimento remoto ao paciente que tem dificuldade para se locomover até onde o médico atende. O atendimento médico a distância revolucionou a medicina juntamente com o telediagnóstico.

A saúde 4.0 impulsionada pela tecnologia tem promovido avanços importantes na atenção à saúde, inclusive no Brasil.

Com a teleconsulta, a troca de informações entre médico, paciente e outros profissionais da saúde é facilitada.

Ela também pode ser especialmente útil para clínicas e hospitais de áreas remotas, como você vai ver ao longo deste artigo.

A partir de agora, vou falar sobre as aplicações da teleconsulta no Brasil e no mundo, com destaque para seus impactos em populações locais.

Se você tem interesse pelo tema ou curiosidade ainda sobre assuntos como telediagnóstico e telemedicina, recomendo que acompanhe a leitura até o fim.

O que é teleconsulta?

Teleconferência médica

O que é e como funciona uma teleconsulta?

Em suma, teleconsulta é uma modalidade de consulta médica realizada a distância, com o auxílio da tecnologia da informação e comunicação, usando prontuário eletrônico em nuvem com videoconferência.

Ou seja, na teleconsulta, médico, paciente e outros profissionais de saúde não se encontram no mesmo local físico, todo o processo é realizado no meio digital.

Especialidades médicas como radiologia, dermatologia, pneumologia, psicologia, neurologia e distanciamento social podem se beneficiar dessa modalidade.

O atendimento remoto é possível graças à utilização da internet, de aplicativos e de plataformas on-line.

Alguns serviços também consideram suas centrais de agendamento como teleconsulta.

É o caso da central da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia/GO, responsável pelo agendamento de consultas básicas.

De qualquer forma, existe um consenso, no Brasil, de que a consulta telepresencial deve ser aplicada para melhorar o atendimento na atenção básica, tanto no serviço público quanto privado.

Qual a importância da teleconsulta?

A teleconsulta é uma modalidade que oferece benefícios tanto para o profissional de saúde quanto para os pacientes, ao passo que para os médicos, permite atender uma quantidade maior de pessoas, uma vez que possui processos otimizados.

Por exemplo, ao acessar o prontuário eletrônico, ele tem acesso a todo o histórico do indivíduo, incluindo exames antigos, não sendo necessário realizar as mesmas perguntas em cada consulta.

A modalidade também permite que ele amplie o seu acesso, ou seja, o médico deixa de atender apenas pessoas que moram perto da clínica, por exemplo.

Isso porque a teleconsulta, por ser realizada totalmente à distância, permite que o atendimento seja oferecido inclusive para pessoas que residem em outros países.

Esse mesmo ponto é benéfico pensando no paciente, visto que ele passa a ter acesso a atendimento especializado mesmo morando em regiões distantes.

Esse é uma das maiores dificuldades no Brasil, já que cidades remotas não contam com hospitais e clínicas com infraestrutura completa para todos.

Logo, a teleconsulta surge como uma alternativa para promover a democratização do atendimento.

Ela também agiliza os diagnósticos, evitando que os pacientes tenham que encarar filas e um longo período de espera para conversarem com um médico e, assim, iniciar o tratamento mais adequado.

Como funciona a teleconsulta?

Atendimento médico telepresencial

Como funciona a teleconsulta?

Em suma, a teleconsulta pode ser realizada entre médico e paciente ou entre médico e outro profissional de saúde, a fim de esclarecer dúvidas.

Quando um profissional pede orientação a um especialista quanto ao diagnóstico ou resultado de exames, esse ato também é chamado de segunda opinião ou teleinterconsulta.

Em contrapartida, considerando a interação entre as partes envolvidas, a teleconsulta pode ser síncrona ou assíncrona.

A forma síncrona indica um atendimento imediato, com perguntas sendo feitas e respondidas em tempo real.

Para tanto, é necessário contar com um software, aplicativo ou plataforma que permita a realização de chamadas em vídeo, áudio ou a troca de mensagens instantâneas.

Já a forma assíncrona se refere ao atendimento realizado em horários diferentes, através de tecnologia que permita o envio de questões e respostas em algumas horas ou dias.

Esse formato costuma ser empregado quando não há urgência nas respostas, ou mesmo em situações que não exigem a interação direta, como na telerradiologia.

Ou seja, não devemos confundir com telediagnóstico, onde o especialista interpreta os exames à distância, como acontece na Telemedicina radiológica.

A telerradiologia corresponde à aplicação de tecnologias da informação e comunicação (TICs) em radiologia, resultando na interpretação de exames e emissão de laudos a distância.

Qual é a diferença em relação à consulta presencial?

Primordialmente, a grande diferença entre a teleconsulta e os atendimentos tradicionais é que não há contato físico entre o médico e o paciente.

Essa é a única exceção. Ademais, todas as boas práticas da medicina são mantidas durante a consulta à distância. 

Em atendimentos mais simples ou de rotina, o especialista analisa normalmente as queixas do paciente e determina suas orientações.

Já nas situações em que há necessidade de exame físico ou contato com o indivíduo em tempo real, algumas adaptações são feitas. 

Isso pode incluir desde a solicitação prévia de exames para posterior consulta, até o apoio de equipe técnica local para a realização de procedimentos básicos durante o atendimento.

Em todos os casos, a teleconsulta funciona como uma “ponte”. Ou seja, ela elimina barreiras geográficas e permite um contato mais próximo com os especialistas.

Isso vale tanto para quem precisa de acompanhamento médico constante, quanto para quem vive em áreas longes de grandes centros especializados, precisa tirar dúvidas imediatas de saúde, realizar triagens, sanar emergências em tempo real, e assim por diante. 

Qual a diferença entre teleconsulta, telemedicina e telessaúde?

diferença entre teleconsulta, telemedicina e telessaúde

Eventualmente, é comum ouvirmos falar desses três conceitos em conjunto, ou até como se fossem sinônimos, mas há diferenças — e a principal é a dimensão de cada um desses serviços.

Começando pela teleconsulta, consulta remota ou teleatendimento, podemos considerá-la como um braço da telemedicina.

Como define o Conselho Federal de Medicina (CFM), telemedicina é o exercício da Medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde.

Um formato muito utilizado em épocas de isolamento social é a teleorientação para pacientes que não podem se deslocar até um serviço de saúde.

Aplicados à saúde pública, esses recursos geraram um conceito mais amplo: a telessaúde.

telessaúde é um campo abrangente e estruturado, desenvolvido para romper barreiras geográficas com o uso das tecnologias da informação e comunicação nos vários modelos de atendimento em saúde.

Ao falarmos em telessaúde, estamos nos referindo à educação à distância em saúde, atendimento multiprofissional em zonas remotas, monitoramento de pacientes crônicos, utilizando diversas plataformas médicas.

Além da telemedicina, a telessaúde inclui tele-educação sanitária ou em saúde, redes de investigação e tele-epidemiologia, bem como redes de administração e gestão em saúde.

Conheça as modalidades de teleconsulta

A teleconsulta pode ser realizada em diferentes modelos, conforme explico adiante neste artigo (no item sobre legislação).

O primeiro tipo é a teleorientação. Como o nome sugere, ele serve para orientar os pacientes sobre suas condições de saúde. Isso funciona como uma consulta simples, que pode servir tanto para prestar cuidados básicos de assistência, quanto para possíveis encaminhamentos. 

Em seguida, a outra modalidade é de telemonitoramento. Nela, os indivíduos têm suas doenças ou parâmetros acompanhados remotamente. Isso funciona como um facilitador para quem precisa de supervisão médica contínua, como idosos, gestantes, portadores de doenças crônicas, etc.

Por fim, há a teleinterconsulta. Sua finalidade é aproximar médicos de diferentes especialidades em prol de melhores intervenções para os pacientes. No contato à distância, os profissionais podem trocar informações e opiniões, seja para apoio diagnóstico ou auxílio terapêutico.

Entenda melhor como a legislação e os conselhos determinam e lidam com cada situação nos próximos itens. 

Principais benefícios da Teleconsulta?

1. Aumento na acessibilidade à saúde

teleconsulta feita por um geriatra

Um dos principais benefícios da teleconsulta está na democratização do serviço, possibilitando o atendimento em várias cidades, até as muito pequenas

Em primeiro lugar, embora a constituição brasileira garanta aos cidadãos o direito pleno à saúde, na prática, enfrentamos dificuldades na distribuição de médicos.

A maioria deles — principalmente os especialistas — se concentra nas grandes cidades, o que dificulta a assistência a municípios menores.

Com a teleconsulta, no entanto, esse mesmo oncologista consegue suprir pequenas demandas de várias cidades com o atendimento remoto.

Isso desafoga os grandes centros, leva o atendimento aonde antes não era possível e gera mais empregos, tanto no setor público quanto no privado.

2. A Qualidade do atendimento por teleconsulta não é afetada

Em alguns lugares há atendimento médico, porém, com profissionais pouco especializados ou habituados com determinadas patologias de alta complexidade.

Nesses casos, há duas opções a seguir: optar pelo atendimento mais generalista ou tentar uma consulta com um especialista — que, muitas vezes, está distante com altos custos de deslocamento para o setor público e privado.

Com a teleconsulta, é possível ter esse atendimento especializado sem sair do lugar e sem perder qualidade, quando comparado ao atendimento presencial.

Além disso, a tecnologia permite a discussão de vários profissionais em um mesmo caso, aumentando os focos no paciente.

É possível, portanto, garantir um atendimento de maior qualidade, multiprofissional e centrado no paciente.

3. A segurança de dados ao usar a teleconsulta é mantida

videoconferencia médica

Na teleconsulta é possível garantir que apenas os médicos e profissionais envolvidos no processo recebam os dados do paciente, através da criptografia.

No início da disseminação da telemedicina, acreditava-se que a segurança de dados seria um ponto negativo dessa nova tecnologia.

Afinal, o risco de haver vazamento de informações sobre os pacientes sempre foi um fator de questionamentos.

Com as recentes tecnologias de criptografia de ponta a ponta, é possível garantir que apenas os médicos e profissionais envolvidos no processo recebam os dados do paciente.

Nesse método, os dados são incompreensíveis em todo o caminho intermediário, necessitando de uma “chave” para serem decifrados.

Em outras palavras, essa chave só existe no computador do médico que a recebe.

Embora haja riscos de perda de dados, eles são muito pequenos — menores, inclusive, que o risco de vazamento de dados existente no atendimento físico.

Nessa modalidade tradicional, há o perigo de extravio de prontuários, perda de exames ou troca de informações.

Com a teleconsulta, os erros humanos envolvidos no processo são minimizados, visto que um software controla rigorosamente a acurácia dos dados.

4. Redução de custos para médicos e pacientes

O uso do ambiente digital é um dos principais redutores de custos, atualmente.

Na telemedicina, não é diferente: interconsultas com especialistas, que antes seriam muito caras, podem ser barateadas com a tecnologia para buscar um parecer médico.

Afinal, haverá múltiplos profissionais à disposição, forçando o preço das consultas para baixo.

Todavia, os contratantes não são os únicos que economizam com as teleconsultas.

Atualmente, muitos médicos optam por trabalhar em várias cidades ao mesmo tempo, maximizando seus ganhos financeiros.

Isso gera gastos com transporte, acomodação e alimentação durante a viagem, abatendo parte de seus lucros.

Com as teleconsultas, no entanto, esses mesmos médicos podem ocupar sua carga horária sem se preocupar com os gastos intrínsecos ao deslocamento.

Com isso, tanto eles quanto os pacientes saem economizando, no final.

5.Centralização dos dados num único prontuário em nuvem

Atender um paciente por Whatsapp, zoom, google hangouts ou qualquer outro meio de videoconferência não é teleconsulta.

Todo o atendimento deve ser registrado em um prontuário eletrônico que permita ao profissional dar seguimento ao atendimento presencial assim que possível.

Casos de processos jurídicos são melhor conduzidos e a própria defesa profissional fica respaldada com essa ferramenta.

6.A Plataforma de Telemedicina oferece ainda o Telediagnóstico

Não basta fazer consulta presencial e teleconsulta.

Inúmeras empresas que desenvolvem prontuário eletrônico em nuvem adicionaram a teleconsulta, porém, não é o suficiente para um atendimento pleno do paciente.

Além da consulta ou teleconsulta, o paciente necessita realizar exames e a clínica que utilizar uma plataforma que integre tudo estará muito á frente no mercado.

Atenda o paciente presencial ou por teleconsulta e marque os exames na sua clínica.

Realize os exames e envie os arquivos para interpretação de especialistas à distância usando o telediagnóstico.

7.O médico pode usar a Prescrição digital para enviar ao paciente

O problema de receitar medicamentos à distância foi resolvido já a algum tempo com a prescrição digital, porém, só está sendo efetivamente utilizada no momento em que realizamos o atendimento médico à distância.

No prontuário eletrônico em nuvem está disponível a prescrição digital com geração da receita digital por meio de um QR code que é enviado ao celular do paciente e aceita nas farmácias que tem validação usando a internet.

Esse sistema evita uso de receitas falsas e ainda auxilia na emissão de atestados médicos também assinados digitalmente para beneficiar o paciente que é atendido de forma não presencial.

Qual a situação da teleconsulta no Brasil?

Teleatendimento médico realizado em home office

Teleconsulta no Brasil

Embora com restrições, a teleconsulta tem sido utilizada com sucesso por serviços públicos e privados no país.

Um dos trabalhos de referência está no Rio Grande do Sul, no âmbito do programa TelessaúdeRS, que faz parte de uma iniciativa nacional.

Como relata esta reportagem, 90 mil consultorias (teleconsultas) por telefone já foram feitas entre médicos gaúchos e de outros Estados, com índice de resolução de 62%.

Na sala de teleatendimentos da iniciativa, há 53 profissionais — médicos de 15 especialidades, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos e nutricionistas —, prontos para solucionar dúvidas.

A ação conseguiu reduzir 47% da fila de espera por especialistas no interior gaúcho, que passou de 170 mil para 90 mil em cinco anos.

Graças a esses resultados, o serviço de regulação da fila de espera foi replicado em outras cidades, como Rio de Janeiro (RJ), Manaus (AM), Maceió (AL) e Brasília (DF).

Contudo, vale dizer que ações em teleconsultoria acontecem desde a década de 1990 no país.

Uma das primeiras iniciativas foi implantada em 1994.

Na época, a Rede Sarah começou um programa de videoconferência para troca de informações entre a sua rede de hospitais do aparelho locomotor.

Já em 1999, o Hospital Sírio-Libanês criou uma sala dedicada às teleconferências em saúde.

Nos anos 2000, o Hospital Materno-Infantil de Recife trocava informações com o Saint Jude Children Research Hospital, em Memphis (EUA).

Números de 2020 no Brasil

Devido à pandemia do Coronavírus — que levou à criação de uma lei extraordinária ampliando o acesso à telemedicina, teleconsulta e teleatendimento no Brasil (mostraremos ela ainda neste conteúdo) —, o número de pacientes atendidos de forma remota cresceu substancialmente

O Governo no Ceará, por exemplo, utilizou a modalidade para esclarecer a população em relação à doença, evitando deslocamentos desnecessários para hospitais.

Composto por 107 profissionais de saúde, o chamado Plantão Coronavírus atendeu 61 mil usuários, levando a uma economia de R$ 2.623.131,65 para os cofres públicos.

No SUS, apenas entre março e abril, 5,7 milhões de brasileiros procuraram por este serviço, com a intenção de avaliar se seus sintomas eram os do COVID-19. 

Neste mesmo período, a estimativa dos planos de saúde é que a busca por consultas virtuais tenha crescido até 15 vezes.

Teleconsulta pelo SUS

A necessidade de melhorar o atendimento na atenção básica motivou o serviço público a criar uma iniciativa para regular a telessaúde — e, por consequência, a teleconsultoria.

Em 2007, o Governo lançou o Projeto Nacional de Telessaúde que mais tarde se tornou o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes.

Ele funciona a partir de núcleos estaduais, intermunicipais e regionais, que desenvolvem e ofertam serviços específicos para trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).

Esses núcleos são coordenados pelas Secretarias de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e da Atenção à Saúde (SAS).

A teleconsultoria é uma das quatro frentes do Telessaúde Brasil Redes, junto ao Telediagnóstico, Teleducação e Segunda Opinião Formativa.

Como mencionei no tópico acima, devido à pandemia, a procura pela teleconsulta cresceu substancialmente.

Prevendo esse avanço, o Ministério da Saúde criou em 1º de abril de 2020 o TeleSUS, justamente para avaliar os sintomas iniciais das pessoas à distância.

Até o mês de junho, o TeleSUS atendeu 73,3 milhões de brasileiros, sendo que 25 milhões concluíram o atendimento.

Além disso, cerca de 1,8 milhão realizaram a teleconsulta com profissionais de saúde — considerada a etapa mais avançada desse serviço, em que a pessoa de fato possui os sintomas e precisa de uma acompanhamento mais próximo.

No TeleSUS há ainda a o atendimento reverso, em que os profissionais entram em contato com as pessoas para avaliar o seu quadro de saúde.

Em abril e maio, foram feitas 67 milhões de tentativas de contato, enquanto em junho, 7,1 milhões.

Legislação da Teleconsulta no Brasil

Abaixo descrevo um breve histórico sobre a Teleconsulta no Brasil e como é vista atualmente.

Os principais órgãos que regulam a teleconsulta no país são o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina.

Como base legal, há o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes, regido pela Portaria MS nº 2.546/11.

Em 2015, o Ministério da Saúde publicou diretrizes para as empresas que desejam participar do Programa, através da Nota Técnica 50.

O texto afirmava que, para realizar teleconsultas, os núcleos precisam ter profissionais capazes de esclarecer dúvidas sobre manejo, condutas e procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho.

A teleconsulta síncrona pode ser feita por meio de chat, webconferência ou videoconferência, ou via telefone gratuito (0800).

A forma assíncrona devia permitir o envio e o recebimento de mensagens off-line, respondidas em até 72 horas.

Já no que tange ao CFM, a Resolução 1974/2011 estabelecia critérios para a propaganda e comunicação em Medicina.

O texto impõe limitações aos serviços de teleconsulta no país.

Porém, libera a orientação, por telefone, de médicos a pacientes que já atenderam pessoalmente, para esclarecer dúvidas sobre medicamentos e outros assuntos.

Ainda em no ano de 2018, O CFM – Conselho Federal de Medicina, através da resolução  (CFM) nº 2.227/18 autorizou a realização de teleconsultas, porém, no mesmo mês voltou atrás e revogou a resolução e deixou em aberto várias reuniões de Conselhos Regionais de Medicina para adequar a norma.

Atualização em 2020

Por fim, o OFÍCIO CFM Nº 1756/2020 – COJUR enviado pelo Presidente do Conselho Federal de Medicina ao então ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandeta, orienta a necessidade e legalidade de atendimento a distância de pacientes usando a Telemedicina enquanto durar a Pandemia de Coronavirus.

Além da teleconsulta, o ofício permite que a telemedicina aconteça nas seguintes atividades:

  • Teleorientação, para que profissionais da medicina realizem à distância a orientação e o encaminhamento de pacientes em isolamento;
  • Telemonitoramento, que consiste no ato realizado sob orientação e supervisão médica para monitoramento ou vigência à distância de parâmetros de saúde e/ou doença;
  • Teleinterconsulta, visando a troca de informações e opiniões entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

A experiência de uso da Plataforma de Telemedicina tem mostrado que esse modelo de atendimento a distância veio para ficar para muitas especialidades da Medicina.

Dessa forma, a coerência e regularização da atividade vai permitir a adesão permanente da atividade em prol da saúde coletiva.

Limitações da Teleconsulta no Brasil

Nos tópicos anteriores, você viu que não há a permissão da teleconsulta entre médico e paciente  pela legislação nacional em caráter regular.

Essa proibição está expressa na Resolução 1974/2011, mas nem sempre foi assim.

Resolução 1.643/2002, um dos primeiros consensos do CFM sobre o assunto, dava autonomia ao médico para decidir, ou não, utilizar ferramentas de telemedicina no atendimento ao paciente.

Sete anos depois, a Resolução CFM 1.931/2009 proibiu a prescrição de tratamento e outros procedimentos médicos sem que o paciente seja examinado diretamente.

As únicas exceções acontecem em casos de urgência ou emergência, quando o atendimento ocorre também posteriorente pessoalmente.

Mais atual, a Resolução CFM 1.974/2011 reforçou a proibição anterior, vedando a substituição à consulta médica presencial.

Nesse contexto, também há proibições ao diagnóstico e à prescrição em redes sociais ou em qualquer meio de comunicação em massa ou a distância.

Existem, ainda, normas mais recentes, como o parecer CFM 14/2017, o qual abre a possibilidade de utilização do WhatsApp e de plataformas similares na comunicação entre médico e paciente, em caráter privativo.

Em resumo, o texto especifica que essa comunicação serve para enviar dados ou tirar dúvidas com colegas, não podendo substituir consultas presenciais, para complementação diagnóstica ou acompanhamento de doenças.

Exceção temporária

Em 2020, porém, a possibilidade da realização de teleconsulta se ampliou, graças à necessidade de oferecer um atendimento ágil e remoto às pessoas em meio à pandemia.

Entretanto, essa regra possui caráter temporário, com duração enquanto o estado de calamidade permanecer.

Da mesma forma, isso significa que não há uma regra sobre a prática que pode voltar a limitar-se à consulta entre médicos, visando uma segunda opinião.

Afinal, a esperança é que, após esse período de teste, seja percebida a importância que ela tem para oferecer atendimento especializado à distância, fazendo com que Conselhos, governo e demais profissionais da saúde entrem em um consenso quanto a oferecê-la — mesmo que com regras específicas. 

O que os conselhos dizem sobre a teleconsulta?

Além das questões estabelecidas pelo CFM, que expliquei logo acima, outros conselhos também possuem determinações e regras próprias para a realização de teleconsulta. Confira:

Conselho Federal de Nutricionistas (CFN)

Por meio da Resolução CFN nº 666, estipulada para liberar a teleconsulta de nutricionistas durante a pandemia, os profissionais da área também podem atender remotamente. Contudo, isso deve ocorrer em uma plataforma própria do conselho, o e-Nutricionista. 

Acima de tudo, para atuar na modalidade, é necessário ter inscrição ativa no Conselho Regional de Nutricionistas da região de atuação e se cadastrar no sistema. Além disso, é obrigatório apresentar ao paciente o termo de esclarecimento de teleconsulta do CFN. 

Conselho Federal de Psicologia (CFP)

A teleconsulta para psicólogos é liberada desde 2012, por meio da Resolução CFP nº 11. Em 2018  ela apresentou atualizações, com a Resolução CFP nº 11, que permite sessões remotas sem um número limite de consultas. 

Uma nova atualização ocorreu  em 2020, justamente por conta da pandemia, bem como ela garantiu ainda mais flexibilidade para os profissionais da área atuarem à distância. Como resultado, o conselho também exige cadastro em um sistema de telemedicina próprio, o e-Psi. 

Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa)

A regulamentação de teleconsulta para os fonoaudiólogos já era esperada há alguns anos, mas foi acelerada pela pandemia. A liberação veio com a Resolução CFFa nº 580 de 2020, que exige a assinatura de um termo de consentimento do paciente para atendimento remoto. 

Além disso, o CFF disponibiliza aos profissionais associados uma plataforma para a prática, a HiTalk. Dessa forma, seu diferencial é o alinhamento à regulação estadunidense de proteção de dados de saúde, a Health Insurance Portability and Accountability Act.

Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO)

Os terapeutas ocupacionais e os fisioterapautas também podem utilizar a telemedicina. Isso foi garantido desde março de 2020, tanto para a teleconsulta quanto para o telemonitoramento, graças à Resolução nº 516 do COFFITO.

De acordo com o conselho, os profissionais da área têm autonomia para determinar os casos e os pacientes que podem receber acompanhamento remoto e em quais situações há necessidade estrita de atendimento presencial.

Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)

Por fim, os enfermeiros têm liberação para a teleconsulta apenas durante a crise de saúde gerada pela Covid-19, a exemplo das previsões estipuladas pelo CFM. Isso é o que determina a Resolução Cofen nº 634/2020.

Nesses casos, os atendimentos à distância possuem direcionamentos específicos, realizados nos casos em que há a necessidade de consultas de enfermagem, prestação de esclarecimentos e orientações ou encaminhamentos ao paciente. 

Qual a situação da teleconsulta no mundo?

A teleconsulta, inclusive entre médico e paciente, está presente em diversos países há décadas, ao passo que no Japão e na Austrália, permite-se a prática desde os anos 1990.

Segundo estudo publicado no British Journal of Dermatology, 37.207 consultas entre dermatologistas e médicos da família foram realizadas na Holanda, entre 2007 e 2010.

Como resultado, 74% dos encaminhamentos físicos ao dermatologista não foram necessários e houve redução estimada de custos de 18%.

Este outro artigo destaca que os Estados Unidos estão avançados quanto à teleconsulta: 19 dos 50 Estados permitem a consulta remota entre médico e paciente, sem restrições.

Apenas três Estados norte-americanos exigem outro profissional de saúde junto ao paciente durante a realização da teleconsulta.

Também ocorre a consulta virtual entre pares, para troca de informações.

Na Europa, 24 entre os 28 países têm legislação sobre teleconsulta, sendo que 17 deles permitem a interação direta entre médico e paciente.

Já na América Latina, o México foi o pioneiro no investimento em telemedicina e teleconsulta para comunidades rurais, em 2001.

Todavia, a pandemia também mudou o cenário da teleconsulta à nível global.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma série de restrições acerca da prática foram suspensas, assim como algumas regras de proteção de dados, visando ampliar a oferta de consultas remotos.

A França viu o número de teleconsultas subir de 10 mil por semana em março de 2020 para 1 milhão na segunda semana de abril.

O COVID-19 também fez disparar as consultas online no NHS — sistema público de saúde britânico —, que contabilizou grande parte de 1,2 milhão de consultas diárias sendo realizadas nesse formato.

Outro país que se destacou nesse período foi Taiwan, que votou a legalidade temporária da telemedicina assim que o surto da doença começou na China, desafogando os hospitais e unidades básicas de saúde.

Como é a aplicação da teleconsulta em outras profissões?

Enfermeiros, fonoaudiólogos, psicólogos e seus respectivos conselhos de classe têm legislações que fazem referência à teleconsulta.

Nesse sentido, o Conselho Federal de Psicologia está à frente dos demais, tendo regulamentado diversas modalidades de atendimento remoto.

Resolução CFP 011/2012, dedicada aos serviços por meios tecnológicos de comunicação a distância, permite orientação, aplicação de testes e atendimento eventual remoto.

O Conselho Federal de Enfermagem só aprova a prescrição remota em casos de urgência ou emergência.

A Resolução COFEN 0487/2015 veda aos enfermeiros o cumprimento de prescrição médica a distância em quaisquer outras situações.

Segundo a Resolução CFFa 427/2013 (Telessaúde em Fonoaudiologia), fonoaudiólogos podem prestar atendimento a distância ao paciente.

Porém, deve ser apenas para orientação, esclarecimento de dúvidas e condutas preventivas.

Contudo, avaliação clínica, prescrição diagnóstica ou terapêutica a distância ficam vedadas.

Quais as soluções e inovações para o Brasil?

Telemedicina como solução em tecnologia e inovação na saúde do Brasil

Médico fazendo atendimento do paciente através da Teleconsulta

Claramente percebemos que a saída para resolver o problema no atendimento médico no Brasil está no uso da Telemedicina.

Além de dimensões continentais, o Brasil apresenta muitas áreas remotas e de difícil acesso, nas quais faltam especialistas.

O resultado é um impacto nos gastos com a saúde.

As internações por causas sensíveis ao primeiro nível de assistência respondem por um terço das internações públicas.

Em 2013, por exemplo, elas representaram 17,4% do custo anual com internações hospitalares no SUS.

Em outras palavras, naquele ano, R$ 1,97 bilhão foi gasto com internações.

Experiências reais têm mostrado que essa questão pode ser solucionada ou pelo menos amenizada com serviços de telemedicina.

Por meio da segunda opinião de médico especialista prestada por empresas de telemedicina, clínicos e outros profissionais podem oferecer diagnósticos mais assertivos através da consulta online.

A segunda opinião médica também vale para a interpretação de exames realizados em zonas remotas.

Com o apoio da telemedicina, estabelecimentos de saúde ganham, ainda, um reforço na emissão de laudos médicos, que pode ser feita a distância.

Basta que um médico ou técnico treinado realize os exames com um aparelho digital e compartilhe os dados via plataforma de telemedicina.

Em seguida, especialistas qualificados analisam a suspeita clínica, informações do exame e do paciente e registram suas conclusões no laudo on-line.

A assinatura do documento, acontece digitalmente sendo disponibilizado na mesma plataforma.

Todo esse processo leva poucos minutos, conferindo como resultado, agilidade e confiabilidade para os laudos.

Como disponibilizar a Telemedicina para os pacientes?

Coloque o link da sua agenda de médicos no seu site e ainda sincronize sua agenda com o Portal da Telemedicina Morsch para atender nossos pacientes.

Ao desenvolver a Plataforma da Telemedicina Morsch, procuramos pensar em como o paciente poderia ter acesso á essa ferramenta fantástica e a solução veio com a criação de um Marketplace médico.

Disponibilizamos para todas as clínicas e médicos um ambiente dentro da nossa plataforma médica online onde os pacientes que procuram por teleconsulta no google e chegam ao Portal da Telemedicina Morsch, possam marcar a sua teleconsulta através de um link que o leva para este Marketplace.

Na página de médicos e clínicas o paciente terá a sua disposição os nomes de clínicas e médicos de sua região e ainda de todo o Brasil para marcar uma teleconsulta direto na agenda do profissional.

Esta solução irá reduzir os espaços vazios das agendas de todos os clientes que utilizarem os serviços da Telemedicina Morsch.

Obviamente o cliente também poderá disponibilizar um link da sua agenda de médicos no seu próprio site e também compartilhar nas suas redes ou enviar por Whatsapp.

Nesse sentido, o pagamento das teleconsultas ocorre dentro da plataforma, sem nenhuma burocracia ou necessidade de outras ferramentas do próprio cliente.

Quais recursos são necessários para a realização de teleconsulta

Para oferecer teleconsulta, é preciso contar com uma plataforma de telemedicina que possua funcionalidades como prontuário médico e laudo à distância.

Geralmente, na etapa de triagem e primeira consulta, o contato pode ocorrer via telefone ou chat, pois a intenção é realizar algumas perguntas que permita direcionar melhor o atendimento.

Posteriormente, requer a realização de uma videochamada, permitindo visualizar também o paciente para a promoção de um diagnóstico mais preciso.

Sobretudo, no caso, o ideal é que o sistema ofereça todas as modalidade de atendimento, cabendo ao profissional selecionar a maneira mais adequada para o paciente em questão.

Além desse recurso, é essencial possuir uma internet com boa velocidade, permitindo que a teleconsulta flua adequadamente.

Passo a passo para uma teleconsulta de sucesso

Agora que você já sabe como disponibilizar a teleconsulta para os pacientes e quais os requisitos para isso, confira um breve resumo do passo a passo necessário para aderir à modalidade no seu consultório:

  1. Escolha uma boa plataforma de telemedicina. Ela deve ter sólidos protocolos de segurança, estar alinhada à LGPD para respeitar o sigilo médico dos dados e oferecer ferramentas completas para prestar os atendimentos;
  2. Cheque as regras dos planos de saúde para teleconsulta. Apesar de ANS obrigar as operadoras a cobrirem a modalidade, verifique como isso funciona no seu plano e as possíveis limitações. Assim, você evita problemas e frustrações junto aos pacientes;
  3. Oriente o paciente sobre o funcionamento da plataforma, indique a escolha de um ambiente silencioso para que o atendimento corra bem, recomende o uso de um fone de ouvido, explique as possíveis limitações e preste os esclarecimentos necessários para que tudo ocorra da melhor maneira possível. Ofereça também um termo de consentimento para confirmar que a pessoa está ciente de tudo. 
  4. Prepare o seu próprio ambiente. Você também deve ter um ambiente silencioso, reservado e que respeite o sigilo do paciente. Seu computador deve ter uma boa câmera, um microfone de qualidade e uma conexão rápida de internet;
  5. Preencha o prontuário eletrônico com os dados necessários. Para respeitar os parâmetros do seu conselho, registre todos os dados clínicos da teleconsulta, além da data, hora e tecnologia usada no atendimento e seu número de CRM. Além disso, garanta o arquivamento seguro das informações na plataforma;
  6. Coloque-se à disposição após a teleconsulta. Informe os horários em que você poderá tirar dúvidas via mensagem ou novas videochamadas. Também mantenha um canal aberto para sanar as eventuais demandas do paciente e tenha bons canais de comunicação para que o paciente sinta-se sempre amparado.

Como integrar os horários de clínicas físicas com uma plataforma de teleconsulta?

A melhor forma de integrar a agenda do médico e, assim, evitar que os horários coincidam é adquirindo uma plataforma de telemedicina.

Neste caso, mesmo as consultas físicas passam a ser agendadas de forma online, otimizando e facilitando uma série de processos.

Na plataforma da Telemedicina Morsch, por exemplo, o mesmo especialista pode oferecer as duas modalidades de atendimento — cabendo ao paciente selecionar o tipo que ele deseja assim que acessa a página de agendamento.

Além disso, no momento em que ele seleciona o dia e hora da consulta, automaticamente a agenda do profissional atualiza-se — permitindo uma melhor organização da rotina.

Conclusão

Teleconsulta: o que é, como funciona e limitações no Brasil

Médica atendendo idoso por teleconsulta

Neste artigo, falei sobre as aplicações e limitações da teleconsulta no Brasil.

Igualmente apresentei exemplos em que aplicou-se a  telemedicina, com resultados promissores, reduzindo filas e melhorando o atendimento na assistência básica.

Esses benefícios estão ao alcance de todos, porém, não é suficiente usar apenas um prontuário eletrônico com teleconsulta para resolver esses problemas.

Precisamos de uma ferramenta completa, que forneça o prontuário eletrônico em nuvem juntamente com o telediagnóstico para centralizar todo o atendimento do paciente.

A Telemedicina Morsch procurou seguir exatamente essa estratégia e vem trabalhando desde 2005 em sua Plataforma para oferecer exatamente essas funções.

Temos experiência com os mais diversos ramos do atendimento e trabalhamos na vanguarda do Telediagnóstico e do prontuário eletrônico com Teleconsulta.

Somos a única empresa de Telemedicina no Brasil que integra todos os serviços de atendimento à distância na área de Teleconsulta e Telediagnóstico, bem como o compartilhamento do seu Marketplace médico com os clientes e pacientes que necessitam da teleconsulta.

Atualmente, prestamos serviços digitais para mais de 1000 clínicas em todo o Brasil, centralizando o atendimento em uma única plataforma digital, com mais de 100 médicos especialistas na área de Telediagnóstico.

Deixe que a Telemedicina Morsch dê o suporte para que sua clínica ou hospital ofereça um serviço completo de Telemedicina.

Portanto, faça já seu orçamento e aproveite os benefícios da Telemedicina!

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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