Radiologia Médica: o que é, qual a função e áreas de atuação

Por Dr. José Aldair Morsch, 5 de novembro de 2018
radiologia médica

Quando ouve falar em radiologia médica, muita gente a associa aos exames de raio X.

Essa é uma relação óbvia, mas limitada.

Conforme entendemos o que é radiologia, percebemos a sua real abrangência e importância.

Hoje em dia, há diversos aparelhos e métodos diagnósticos disponíveis para unidades de saúde.

A realidade atual é fruto de avanços consistentes na história da radiologia médica, mais recentemente, com novas possibilidades criadas a partir da sua combinação com tecnologias da informação e comunicação (TICs).

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Se você deseja saber mais sobre essa importante área na saúde, atuação dos profissionais e inovação na radiologia, não deixe de acompanhar este artigo até o fim.

Vou explicar o conceito, o que faz um médico radiologista e um técnico em radiologia, além de destacar os principais exames radiológicos e seus benefícios.

E para oferecer a você tudo sobre radiologia médica, também vou apresentar as contribuições da telemedicina para o avanço na atenção à saúde no Brasil.

Boa leitura!

O que é radiologia médica?

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O que é radiologia médica?

Radiologia médica é uma especialidade que usa diferentes tipos de radiação com fins diagnósticos e terapêuticos.

Além da aplicação na medicina, a radiologia é usada em vários outros segmentos, como odontológico, veterinário, metalúrgico, ambiental e até para esterilização.

Impulsionada por descobertas e investimentos em saúde, é uma das especialidades médicas que mais evolui, exigindo constante atualização dos profissionais que decidem por fazer carreira na área.

E tudo isso é só o começo.

A especialidade deve continuar crescendo nos próximos anos, a partir da invenção e aprimoramento de tecnologias empregadas no diagnóstico por imagem.

Nesse tipo de exame médico, inclusive, está um dos avanços mais expressivos da medicina mundial.

Breve história da radiologia médica

Tudo começa no ano de 1895, quando o físico alemão Wilhelm Conrad Rontgen descobriu o raio X e compartilhou suas observações no artigo “Sobre uma nova espécie de Raios”.

Em 22 de dezembro daquele ano, Roentgen comprovou que era possível usar os novos raios para tirar fotografias de partes internas do corpo.

Ele realizou a primeira radiografia, mostrando a mão esquerda de sua esposa, Anna Bertha Roentgen.

Após o procedimento, que durou cerca de 15 minutos, o físico revelou o filme radiológico e pôde ver os ossos e partes moles da mão de sua mulher.

A descoberta rendeu a Roentgen o Prêmio Nobel de Física em 1901.

Mais tarde, a radiação ionizante, utilizada nos equipamentos de raio X, deu origem a outros aparelhos, como tomógrafos e mamógrafos.

O que é um médico radiologista?

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Médico radiologista é um especialista na área de radiologia.

Esse profissional cursa a faculdade de Medicina e realiza residência médica em radiologia e diagnóstico por imagem.

Ou seja, o médico radiologista possui conhecimentos gerais em anatomia humana, tecnologias, formação e interpretação de imagens radiológicas.

Ele é o profissional habilitado a interpretar os resultados de um exame radiológico.

Qual é a função do médico radiologista?

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O médico radiologista pode atuar em duas grandes áreas: radiologia intervencionista ou diagnóstico por imagem.

Profissionais que atuam em radiologia intervencionista são capacitados para a realização de procedimentos invasivos com fins terapêuticos, como biópsia e angiografia.

Na biópsia, é coletada uma pequena parte de um tecido, que será analisada em laboratório, para investigar doenças, como câncer.

Já a angiografia é realizada através da incisão de um tubo fino (cateter) na parte do corpo a ser observada, injetando contraste para realçar tumores ou avaliar vasos sanguíneos como as coronárias durante um cateterismo cardíaco.

Mas a atuação mais popular do médico radiologista se dá no diagnóstico por imagem.

Nessa área, o especialista realiza análise crítica de pedidos de exames radiológicos, indicações de técnicas e materiais utilizados, interpretação das imagens e conclusões, que são registradas no laudo médico.

Para compor os laudos, o radiologista não apenas avalia as imagens registradas durante o exame, como também considera suspeitas do médico solicitante, dados clínicos e histórico do paciente.

É comum, ainda, que o radiologista atue tanto no diagnóstico por imagem quanto em procedimentos invasivos.

Isso depende da subárea escolhida pelo especialista, que geralmente é voltada para uma região do corpo.

Assim, existem radiologistas mamários, torácicos, músculo-esqueléticos, entre outros.

Diferença entre Médico Radiologista e Técnico em Radiologia

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Muitas pessoas confundem o médico radiologista com o técnico em radiologia, em especial porque ambos podem realizar exames de diagnóstico por imagem.

Mas são duas carreiras diferentes, começando pelo tempo de estudo e formação.

O curso técnico em Radiologia tem duração média entre dois e três anos, com foco na preparação e realização de exames.

Já o médico radiologista precisa estudar por, pelo menos, nove anos – seis anos para se graduar como médico, mais três para a especialização.

O técnico pode conduzir determinados exames, enquanto a análise e interpretação dos resultados é um ato privativo do médico radiologista.

Como se tornar um Médico Radiologista?

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Primeiro, é necessário cursar a graduação em Medicina.

No Brasil, o órgão que regulamenta a carga horária dos cursos superiores é o Ministério da Educação e cultura (MEC).

Para a formação de médicos, o MEC exige um mínimo de 7.200 horas, mas, em algumas instituições, a graduação pode durar até 9.000 horas.

Ou seja, o tempo mínimo para a conclusão do curso é de seis anos, e os alunos costumam ter que se dedicar em tempo integral aos estudos.

A grade curricular dessa graduação costuma ser dividida em três fases de dois anos cada.

Na primeira, os estudantes se aprofundam no conhecimento do corpo humano e suas funções, aprendendo sobre anatomia, genética, imunologia, entre outras matérias.

Na segunda parte, conhecida como etapa clínica, alunos de medicina se concentram nos conhecimentos sobre doenças, seus sintomas, prevenção e como combatê-las.

Durante os últimos dois anos, os graduandos começam a colocar o aprendizado em prática, atendendo em hospitais com a supervisão de médicos formados, chamados de preceptores.

Nessa fase, os estudantes têm contato direto com médicos de diversas especialidades e outros profissionais de saúde, além de atenderem pacientes.

Quando terminam a graduação, eles já podem atuar como clínicos gerais.

No entanto, terão que estudar por pelo menos outros três anos para se tornarem médicos radiologistas.

Essa é a duração mínima da especialização em Radiologia e Diagnóstico por Imagem, cuja disponibilidade em instituição superior precisa ser aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Radiologia convencional, uso de contraste, medicina nuclear e densitometria óssea são algumas técnicas abordadas durante a especialização.

Após concluir a especialização, o médico precisa passar pelas provas teóricas e práticas do exame de suficiência do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).

Quando aprovado, enfim, ele recebe o título de especialista em radiologia médica.

Áreas de atuação da radiologia médica

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Como já destacado, o médico radiologista atua no diagnóstico por imagem e/ou na radiologia intervencionista.

Os procedimentos invasivos costumam ser uma pequena parte do trabalho desse especialista, que tem no diagnóstico por imagem seu maior campo de atuação.

A seguir, conheça os principais segmentos e técnicas adotadas pelo radiologista.

Raios X

A tecnologia que deu origem à radiologia médica no fim do século XIX ainda tem grande importância.

Através da radiação ionizante, é possível tirar radiografias de diversas partes do corpo, evidenciando fraturas e outras anomalias.

Os aparelhos de raio X mais modernos são digitais e contam com recursos para diminuir a exposição à radiação.

Isso porque, apesar dos benefícios para o estudo da anatomia humana e tratamento de diversas patologias, a radiação ionizante está relacionada a diversos tipos de câncer.

Por isso, reduzir a exposição às radiações ionizantes, fruto da imaginologia diagnóstica ocupacional ou médica, é uma das estratégias da Organização Mundial da Saúde para prevenir o câncer em todo o mundo.

Tomografia computadorizada

Em 1972, o sul-africano Allan Cormack e o britânico Godfrey Newbold Hounsfield inventaram o primeiro tomógrafo.

Esse equipamento representou uma evolução a partir da tecnologia do raio X, já que, com o tomógrafo, é possível colher centenas de radiografias da área estudada.

O aparelho de tomografia conta com um tubo que gira 360º em torno do paciente, emitindo a radiação necessária para o registro de imagens.

Os tomógrafos mais modernos permitem, inclusive, que as imagens transversais sejam sobrepostas, formando registros em 3D.

Mamografia

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A radiografia das mamas é outro procedimento que utiliza radiação ionizante para captar imagens internas do corpo.

Atualmente, os mamógrafos digitais tornaram esse exame mais sensível.

Assim, é possível visualizar pequenas alterações no tecido mamário, como microcalcificações, que podem evoluir para doenças graves.

Uma delas é o câncer de mama, o segundo mais comum entre as mulheres de todo o mundo, com estimativa de 59.700 novos casos no Brasil em 2018, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Por sua eficácia, a mamografia é o principal exame para o rastreamento e detecção precoce do câncer de mama no Brasil.

Densitometria óssea

Doenças como a osteoporose, um enfraquecimento decorrente da diminuição na massa óssea, são detectadas com a ajuda desse exame.

A densitometria óssea usa um aparelho DEXA (Densitometria por Raios-X de energia dupla) para captar imagens em corte dos ossos, registradas a partir de diversos ângulos.

Ressonância magnética

O equipamento usado para essa técnica não usa radiação ionizante, e sim um campo magnético para colher imagens internas do organismo.

A ressonância magnética gera imagens extremamente precisas e de alta definição de órgãos e outras estruturas anatômicas.

Medicina nuclear

Essa especialidade usa materiais radioativos para fins diagnósticos e terapêuticos, tendo como principais exames a cintilografia e a tomografia por emissão de pósitrons (PET/CT).

Cintilografia é um exame que emprega radiofármacos absorvidos pelos órgãos, emitindo radiação que é captada pelo equipamento usado no exame.

Já a tomografia por emissão de pósitrons (PET/CT) é um teste que mostra a atividade metabólica de vários órgãos e sistemas do organismo.

Radiologia médica e a Telerradiologia

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A combinação com tecnologias da informação e comunicação resultou em avanços no campo da radiologia médica.

Um deles é a união entre a radiologia e a telemedicina, ou telerradiologia, que tornou possível a emissão de laudos radiológicos a distância.

A telerradiologia também expandiu o mercado de trabalho dos médicos radiologistas.

Agora, esses especialistas podem atuar exclusivamente na emissão de laudos à distância e segunda opinião médica.

A telerradiologia começou a ter uso clínico na década de 1980, graças à invenção da primeira versão da radiologia digital, chamada radiologia computadorizada ou indireta.

Essa tecnologia usa chassis que captam a radiação e digitalizam as imagens de exames radiológicos, por meio de um aparelho de scanner.

Na década seguinte, foi criada a radiologia digital direta, substituindo os chassis por detectores digitais, que enviam as imagens diretamente ao computador por meio de um software.

Como registram imagens digitais, tanto a radiologia indireta quanto a direta permitem que essas informações sejam compartilhadas por meio de uma plataforma de telemedicina.

Benefícios da Telerradiologia para os profissionais, para as instituições de saúde e para o paciente

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As vantagens são inúmeras.

O fato de a telerradiologia utilizar imagens digitais dispensa o uso dos filmes radiológicos (necessários para exames analógicos), implicando em menos impacto para o meio ambiente.

Isso porque os filmes necessitam de substâncias poluentes para que sejam revelados.

A manipulação incorreta de filmes radiológicos também pode danificar as imagens, prejudicando o diagnóstico.

Não precisar dos filmes significa, ainda, menor espaço físico para arquivamento das informações.

Com a telerradiologia, exames e dados clínicos do paciente ficam armazenados na nuvem, podendo ser acessados a qualquer momento por profissionais de saúde e pacientes.

Basta que tenham um dispositivo conectado à internet, login e senha da plataforma de medicina.

Esse acesso permite que radiologistas visualizem informações registradas nos exames quase em tempo real, agilizando a emissão dos laudos online.

Assim, os documentos com as conclusões médicas sobre os exames podem ficar prontos em apenas 30 minutos.

A partir de registros digitais, os especialistas contam com a vantagem de poder manipular as imagens, dando zoom ou aumentando o contraste, para observar melhor qualquer alteração ou suspeita.

Todos os laudos são assinados digitalmente, conferindo segurança e confiabilidade ao diagnóstico.

Através da telerradiologia, clínicas em locais remotos têm ampliado a sua oferta de exames e contribuído para amenizar a carência de médicos radiologistas no Brasil.

De acordo com a resolução CFM Nº 2.107/14, que regula a telerradiologia, apenas esses especialistas podem assinar o laudo de exames radiológicos.

Ao permitir que os documentos sejam assinados digitalmente, a telemedicina tem impactado a realidade de quem vive longe dos grandes centros urbanos.

Graças à tecnologia, esses pacientes não precisam mais se deslocar até centros de referência para obter laudos de qualidade.

Como a Telemedicina Morsch pode auxiliar na emissão de laudos a distância na Radiologia Médica

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Com profissionais experientes e tecnologia de ponta, a Telemedicina Morsch tem ajudado unidades de saúde que decidem contratar o serviço de laudos à distância.

Além do reforço nos diagnósticos, as equipes recebem orientação e suporte em tempo integral.

Assim, sua unidade de saúde não precisa contratar radiologistas para cobrir todo o período de atendimento.

A plataforma também facilita o treinamento de técnicos em radiologia para que realizem exames de diagnóstico por imagem, com conteúdos disponíveis 24 horas por dia.

Mas as vantagens não param por aí.

Hospitais e clínicas que não possuem aparelhos digitais podem economizar, optando pelo comodato.

Algumas empresas alugam os aparelhos e você pode contratar os laudos diretamente com a Telemedicina Morsch.

Nesse sistema, a unidade de saúde contrata uma quantidade de laudos à distância e pode usar dispositivos digitais sem custo adicional enquanto durar a parceria.

Conclusão

Neste artigo, falei sobre a atuação de profissionais e tecnologias que têm impactado a radiologia médica.

Nesse cenário, a telerradiologia se destaca, pois diminui os impactos da carência de especialistas qualificados para laudar exames radiológicos.

A adoção da telemedicina também traz vantagens para as clínicas, reduzindo custos com a contratação de radiologistas e a aquisição de equipamentos digitais.

Deixe que a Telemedicina Morsch dê o suporte para que sua unidade de saúde possa disponibilizar novos exames de imagem, oferecendo um serviço de qualidade.

Visite o site e entre em contato para saber mais.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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