O que é câncer de mama, como diagnosticar e prevenir?

Por Dr. José Aldair Morsch, 28 de setembro de 2021
O que é câncer de mama, como diagnosticar e prevenir?

Você provavelmente concorda que outubro é um mês especial. Afinal, trata-se de uma ocasião em que toda a sociedade se une em prol do combate ao câncer de mama.

Para você ter ideia, dados do INCA estimam 66.280 casos da doença até o final de 2021. Ou seja, quanto mais pessoas atuarem contra ela, menores serão suas consequências negativas.

Evidentemente, entender o que é câncer de mama e quais cuidados ele exige é algo a ser reforçado ao longo de todo o ano.

Dessa forma, os esforços de conscientização do Outubro Rosa garantem foco mundial ao tema, e são indispensáveis para incentivar o autocuidado, bem como a busca pelo diagnóstico precoce.

Mas afinal, por que é importante detectar a patologia o quanto antes? Como ela se manifesta? Quais os fatores de risco? Como é feito o tratamento? E as chances de cura?

A fim de contribuir com o Outubro Rosa e manter você por dentro de todas as particularidades sobre o assunto, preparei este artigo com os detalhes mais importantes sobre ele.

Acompanhe e descubra tudo o que você precisa saber a respeito do câncer de mama. 

O que é câncer de mama?

O câncer de mama ocorre como qualquer neoplasia maligna. Em outras palavras, as células da região se multiplicam de forma desordenada, o que pode ocorrer por diferentes fatores. 

Em todos os casos, o resultado é a ocorrência de um tumor, que tem potencial de espalhar-se e de invadir outros órgãos. 

Quanto à manifestação, existem diferentes tipos de câncer de mama. Enquanto alguns crescem rapidamente, outros têm desenvolvimento mais lento. 

Quando realiza-se o tratamento  adequado e precoce, o prognóstico tende a ser positivo. Contudo, a doença pode ser fatal. 

Vale mencionar que a patologia não é exclusiva das mulheres. Em situações mais raras, pode ocorrer câncer de mama em homens.

Entretanto, voltando às informações do INCA que mencionamos na introdução, apenas 1% do total de casos atingem o sexo masculino. 

Em relação à mortalidade, o Instituto Nacional de Câncer ainda aponta a soma do último levantamento anual, que em 2019 foi 18.295. 

Do total citado, 18.068 das mortes ocorreram em mulheres. Já os homens tiveram 227 dos quatros fatais.

Primeiramente, antes de entender melhor os sintomas, métodos preventivos e tudo sobre o câncer de mama em geral, veja abaixo quais são os seus principais tipos. 

Tipos de câncer de mama

Tipos de câncer de mama

Conforme mencionei acima, os tipos de câncer de mama podem ser diversos. Isso também faz com que seu padrão de desenvolvimento e agressividade varie. Os principais são:

  • Carcinoma ductal invasivo (CDI): trata-se do câncer de mama mais comum entre as mulheres. Ele corresponde a um tipo mais avançado de tumor, que depois de começar na glândula produtora de leite, já se espalhou para fora dela e pode criar metástases;
  • Carcinoma lobular in situ (CLIS): é o segundo tipo mais recorrente. Ele tende a estar em fase inicial, localizado nas glândulas produtoras de leite. Por isso, o tratamento é mais fácil e a agressividade baixa;
  • Carcinoma ductal in situ (CDIS): também é um tipo de câncer de mama em fase inicial. A diferença é que ele se desenvolve nos ductos. A exemplo do caso anterior,  apresentam chances elevadas de cura;
  • Carcinoma lobular invasivo (CLI): raro e difícil de diagnosticar, mais severo e normalmente associado ao surgimento de câncer no ovário;
  • Carcinoma inflamatório da mama: como no tipo anterior, é um câncer de mama mais agressivo que os demais. Sua ocorrência é ainda mais rara que a do CLI.

Os casos que listei acima são os que mais merecem atenção. Porém, existem outros ainda mais raros e potencialmente graves. Os principais exemplos incluem o carcinoma tubular, medular e mucinoso, além do tumor filoide maligno. 

Acima de tudo, independentemente dos tipos e causas do câncer de mama, alguns sinais sempre exigem alerta. Descubra quais são eles no próximo item. 

Principais sintomas do câncer de mama

Muitas mulheres acreditam que o câncer de mama dói, e que isso facilitaria a identificação da doença.

Nas fases iniciais, o tumor costuma não gerar nenhum tipo de dor. Além disso, as alterações só começam a surgir na medida que ele cresce, dificultando o diagnóstico precoce. 

Nesse sentido, veja abaixo quais são os sinais de câncer de mama que mais exigem atenção:

  • Mudança na forma ou no tamanho da mama;
  • Surgimento de um espessamento ou nódulo, próximo da mama ou na região da axila;
  • Endurecimento ou enrugamento da mama;
  • Alterações gerais no aspecto da mama, no mamilo ou auréola;
  • Secreção saída do mamilo;
  • Sensibilidade mamilar;
  • Inversão do mamilo para dentro da mama;
  • Sensações estranhas, como rubor, calor ou inchaço na mama.

Tenha em mente que a ocorrência de um ou mais sintomas de câncer de mama não significa exatamente que você tem a doença.

Contudo, esses indicadores exigem sempre que um médico seja procurado para realizar exames de rotina e confirmar ou não o diagnóstico. 

Fatores de risco do câncer de mama

Junto dos sintomas, é fundamental ter atenção aos fatores de risco do câncer de mama. Os principais deles relacionam-se a:

  • Sedentarismo;
  • Sobrepeso ou obesidade depois da menopausa;
  • Idade avançada, especialmente depois dos 50 anos;
  • Consumo de contraceptivos hormonais;
  • Ocorrência da menopausa após os 55 anos de idade;
  • Não ter filhos;
  • Ter a primeira gestação depois dos 30 anos de idade;
  • Tabagismo ou consumo excessivo de álcool;
  • Histórico familiar de câncer de mama ou de ovário;
  • Realização de reposição hormonal por mais de 5 anos;
  • Ocorrência da primeira menstruação antes dos 12 anos;
  • Presença de variantes genéticas, principalmente nos genes BRCA1 e BRCA;
  • Exposição em excesso à radiação ionizante. 

Logo depois de identificar algum sintoma ou fator de risco (o que inclui simplesmente estar em idade avançada), é fundamental buscar por uma consulta médica para garantir o diagnóstico precoce.  

 Fatores de risco do câncer de mama

Veja nos itens seguintes como identificar o câncer de mama por meio de algumas recomendações e exames específicos para a doença. 

Porque é importante o diagnóstico precoce?

Você provavelmente já ouviu falar muito sobre o câncer de mama no Outubro Rosa. Durante as campanhas de conscientização, o foco principal é o diagnóstico precoce.

Isso ocorre porque, quanto antes a doença for confirmada, maiores as chances de completa recuperação.

Para reforçar esse fato, dados divulgados pela Pfizer apontam que 95% dos casos diagnosticados precocemente têm cura. 

Em primeiro lugar, todas as mulheres devem ser incentivadas a conhecer seus corpos. Isso independe da idade e visa que elas saibam o que é normal e o que não é em suas mamas.

A ´princípio, como a maioria dos tumores gera pequenas alterações físicas, perceptíveis ao toque ou à visão, a maior parte deles é identificada inicialmente via autoexame de câncer de mama.

Outro ponto de suma importância é que todas as mulheres entre os 50 e 69 anos de idade façam a mamografia de rastreamento a cada dois anos, por exemplo.

Nesse contexto, a recomendação é do Ministério da Saúde, com base nas orientações da Organização Mundial da Saúde. 

Depois do autoexame de câncer de mama ou da mamografia de rastreamento, outros procedimentos são fundamentais para confirmar o diagnóstico. Conheça eles abaixo. 

Como identificar câncer de mama?

Depois que uma área anormal é identificada pela paciente, ou que a mamografia de rotina apontou alterações, é preciso que o médico confirme ou descarte o diagnóstico de câncer.

Antecipadamente, o profissional deve levantar o histórico clínico e depois realizar uma análise física. Em seguida, é direito da paciente ser submetida a alguns exames, que podem incluir:

  • Mamografia digital: mais minuciosa que a mamografia de rastreamento, ela obtém imagens eletrônicas de raios-X, que também são coletadas com o auxílio de placas que comprimem as mamas durante alguns segundos, mas que conferem melhor capacidade de análise via sistema;
  • Ressonância magnética: voltada a alguns tipos de tumores não detectados pela mamografia. Ela também digitaliza as imagens dos tecidos, que permitem imagens mais detalhadas de regiões do seio;
  • Ultrassonografia: complementar às análises anteriores, e serve para determinar se o nódulo presente na mama é sólido ou preenchido por líquido. Trata-se de uma análise feita com ondas de alta frequência, que também geram imagens digitais;
  • Biópsia: quando o diagnóstico está praticamente confirmado, o médico realiza a biópsia na etapa final para ter certeza da conclusão. Nele, remove-se uma parte do tecido da mama que passa por análise para identificar células cancerígenas.

Após a definição do diagnóstico, outros exames ainda podem ser necessários. Isso pode incluir análises de outras regiões do corpo para determinar se o câncer se espalhou, por exemplo, ou ainda testes de receptores para saber se o tumor é sensível à terapia hormonal. 

Como resultado, vale citar ainda que existe a opção de mamografia para homens, direcionada aos pacientes do sexo masculino que tenham suspeitas da doença (que apesar de mais raras, também podem ocorrer, conforme expliquei logo no início deste artigo). 

Sobre o tratamento do câncer de mama

O câncer de mama tem tratamento que pode variar bastante de acordo com o perfil e as condições de cada paciente. 

Então, com base nas conclusões obtidas nos exames, do tipo de tumor e dos próprios estágios do câncer de mama, os métodos de combate podem incluir:

Hormonioterapia

Em resumo, trata-se de uma intervenção recomendada apenas para os casos em que o tumor esteja associado à atividade anormal de alguns hormônios femininos, como é o caso do estrogênio. 

Nessas situações, procura-se suprimir o fornecimento hormonal às células tumorais, de forma a inibir ou eliminar sua proliferação e crescimento.

Quimioterapia

Como em outros cânceres, é um tratamento baseado no uso de medicamentos extremamente potentes, que visam controlar, inibir ou mesmo destruir o crescimento de células anormais. 

Nesse sentido, não há um momento determinado para a aplicação dessa etapa, tudo depende do diagnóstico médico. Em alguns casos realiza-se a quimioterapia antes da retirada do tumor via cirurgia, ou ainda depois como complemento e também controle.

Terapia alvo

Também baseada no uso de medicamentos específicos, que por sua vez têm como função atacar segmentos das células cancerígenas. 

Sobretudo, isso geralmente envolve proteínas específicas, que geram o crescimento celular anormal e o surgimento do tumor.

Radioterapia

Corresponde ao tratamento mais comum para tumores que não ressecam totalmente ou que retornam após a cirurgia. A radioterapia baseia-se na emissão de radiação na área, que inibe ou elimina o crescimento das células cancerígenas. 

Alternativas para pacientes

Todos os tratamentos aqui citados têm cobertura pelo SUS. Isso também tem validade para  opções cirúrgicas, como mastectomias e de reconstrução mamária. 

De acordo com a lei nº 12.732, de 2012, todo paciente com neoplasia maligna pode realizar o primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde.

Para isso, estipula-se  o prazo de até 60 dias a partir do dia da confirmação do diagnóstico em laudo para procurar o tratamento.

Como você pôde perceber, o câncer de mama tem cura. Em suma, isso depende de uma ou várias modalidades de tratamento combinadas.

Alternativas para pacientes

Por sua vez, as intervenções ocorrem de acordo com cada caso. Tudo muda de acordo com a extensão, o tipo, a localização do tumor, entre outros fatores semelhantes.  

Como prevenir o câncer de mama?

A prevenção do câncer de mama não é considerada de forma direta. Isso porque, relaciona-se a doença pode a diversos fatores, sendo que muitos deles não podem ser controlados.

De acordo, o Ministério da Saúde afirma existem métodos preventivos específicos, voltados ao controle dos fatores de risco e ao estímulo dos sistemas de defesa do organismo. 

Considerando que a falta de atividades físicas, o excesso de peso e o consumo não moderado de bebidas alcoólicas são fatores comportamentais relevantes, é preciso ter atenção a eles.

Segundo aponta o MS as chances de câncer de mama são reduzidas em quase 30% se forem mantidas boas condutas de alimentação, nutrição e práticas físicas. 

Nas pacientes com maiores fatores de risco para a doença, há a possibilidade de terapia de reposição hormonal. 

Mas, o procedimento é restrito a casos muito específicos e deve ser feito com controle médico rigoroso, pelo menor tempo necessário. A automedicação jamais deve ser considerada. 

Conclusão

Ao longo deste artigo, ressaltei que o câncer de mama tem cura e pode ser tratado com medidas pouco drásticas, desde que seja diagnosticado precocemente.

Entretanto para sucesso durante o tratamento, a prevenção e autocuidado são fundamentais. Sem esse acompanhamento a patologia pode ser extremamente severa, bem como gerar sérias consequências de saúde e até mesmo ser fatal.

Portanto, se você gostou do nosso conteúdo especial para o Outubro Rosa e de compreender todas as particularidades sobre o câncer de mama, não perca as próximas dicas e informações do nosso blog. Clique aqui para assinar a newsletter e compartilhe o texto com os seus amigos. 

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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