Automedicação: entenda quais são os riscos e saiba como buscar orientação médica

Por Dr. José Aldair Morsch, 21 de maio de 2021
Automedicação

A automedicação faz parte da rotina de muitos brasileiros, principalmente para quadros comuns, como uma dor de cabeça ou sintomas de doenças virais.

Contudo, o uso indiscriminado de medicamentos é perigoso para a saúde, aumentando as chances de reações alérgicas, interações medicamentosas e problemas graves.

Dependendo do fármaco e da forma de uso, podem ocorrer agravamento de doenças, resistência bacteriana e até dependência química.

Daí a importância de conhecer os riscos e causas da automedicação, a fim de fazer uso seguro dos remédios e consultar o médico sempre que necessário, como explico ao longo do artigo.

Você ainda vai conferir dicas para agilizar o atendimento via consulta de telemedicina.

O que é automedicação?

Automedicação é o ato de usar medicamentos por conta própria, sem a orientação de um profissional ou receita médica.

Ou seja, quando você se automedica, está utilizando uma substância sem respaldo técnico, científico e profissional sobre a ação dela no seu organismo. 

Trata-se de uma atitude capaz de colocar a saúde e até a vida em risco

Isso porque o uso seguro de qualquer remédio depende do diagnóstico, da prescrição e do acompanhamento para o tratamento devido.

Normalmente as pessoas optam pela automedicação para aliviar alguma dor, desconforto ou sintoma inicial. 

Porém, um medicamento ingerido de forma inadequada pode agravar a doença ou condição

Assim, ele gera justamente o problema que o indivíduo procura combater. 

Além disso, todo remédio possui efeitos colaterais, que se não forem previstos em uma rotina correta de intervenção médica, podem gerar danos sérios ou até irreversíveis. 

Ainda, a automedicação pode mascarar sintomas importantes para o diagnóstico de patologias, o que prejudica seu tratamento precoce e sua recuperação.

Inclusive, caso o hábito de ingerir remédios sem prescrição seja recorrente, a pessoa pode se intoxicar ou criar resistência a certas substâncias.

Para você ter uma ideia, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) aponta que 9 em cada 10 brasileiros têm a automedicação como um hábito comum.

Por si só, esses indicadores revelam o quanto o tema é importante e merece máxima conscientização.

Quais as causas de automedicação?

A automedicação pode ser motivada por inúmeros fatores, mas a grande maioria deles está associada à ideia de que a prática é normal e inofensiva.

Geralmente, o que leva as pessoas a tomar remédios sem a devida orientação profissional inclui causas como:

  • Ampla disponibilidade de produtos farmacêuticos
  • Facilidade para a compra de remédios
  • Cultura de comodidade, associada ao consumo de fármacos
  • Noção de que a farmácia é um comércio de conveniência
  • Propagação equivocada de que certas condições podem ser tratadas com medicamentos sem comprovação científica
  • Grande difusão de informações médicas e de saúde na internet, seja em blogs, sites ou redes sociais.

Em relação ao último tópico, vale mencionar que, com a devida consciência e equilíbrio, o fato de as pessoas terem acesso a informações sobre saúde é algo positivo.

Porém, ele não pode ser confundido com a ideia de orientar seu próprio diagnóstico ou tratamento com base em uma pesquisa na internet. 

Afinal, a automedicação pode ser muito danosa e gerar diversos riscos, que explicarei com mais profundidade no item seguinte.

Medicamento sem indicação

A ampla disponibilidade de remédio leva as pessoas a tomar remédios sem a devida orientação

Quais são os maiores riscos da automedicação?

A automedicação pode gerar consequências ligadas à resistência a certas substâncias, interações, intoxicações, entre outros casos.

Certos perigos são mais recorrentes e merecem atenção especial. Saiba mais sobre eles a seguir:

Interações medicamentosas

A interação entre diferentes substâncias com finalidades específicas pode gerar reações diversas no organismo, que às vezes trazem ameaças.

Normalmente, um medicamento diminui o efeito do outro ou mesmo acentua a sua ação. Em ambos os casos, os danos ao paciente são significativos e podem comprometer o tratamento.

O risco de interação medicamentosa está presente entre pessoas que tomam remédios de uso contínuo e eventualmente ingerem outro medicamento, por exemplo, sem a devida prescrição.

Além disso, quem tem o hábito recorrente da automedicação pode se acostumar a tomar vários remédios, o que também desencadeia o problema.

Por exemplo, quem toma anticoncepcionais pode ter que evitar certas categorias de antibióticos.

Para evitar problemas, fale com o médico e o farmacêutico, que conhecem essas interações e podem estipular os melhores meios para um tratamento seguro.

Resistência a certas substâncias

As pessoas que ingerem frequentemente uma mesma substância podem gerar resistência à sua ação.

Trata-se de um fator que pode não se aplicar a todos os medicamentos. Porém, ele é muito presente nos antibióticos.

Dessa maneira, o medicamento não funciona como o esperado, e novas infecções se tornam mais acentuadas e resistentes em relação às que ocorreram anteriormente. 

Nessas situações, há o comprometimento dos tratamentos de maneira severa, com chances reais de óbito. 

Inclusive, foi assim que nasceram as superbactérias – que são cada vez mais comuns nos hospitais. 

Elas estão ligadas à pesquisa da OMS que citei anteriormente, a qual revelou a estimativa de 10 milhões de mortes anualmente por conta da resistência a medicamentos.

Falência hepática

A automedicação pode causar falência hepática, que corresponde à perda das funções do fígado.

Isso porque o processamento de grande parte dos remédios é feito nesse órgão. 

Sendo assim, ele pode ser sobrecarregado quando ingerimos uma substância em excesso ou na dose inadequada. 

A partir disso, há danos nas estruturas do fígado e ele deixa de cumprir suas funções adequadamente no organismo. 

Entre elas, estão a eliminação de toxinas, a coagulação e o metabolismo. Ou seja, são consequências graves e que podem trazer risco de morte. 

Agravamento de doenças

Também é importante ressaltar que a automedicação pode gerar o agravamento de certas condições de saúde. 

O motivo é simples: o uso de alguns remédios pode aliviar certos sintomas, que muitas vezes indicam um problema mais sério no corpo do paciente. 

Ou seja, ao mascarar sintomas, é mais difícil obter o diagnóstico para um tratamento adequado. 

Por exemplo, quando alguém sente dores de cabeça frequentes e toma analgésicos excessivamente, é possível que condições sérias como uma encefalite passem despercebidas. 

Dessa maneira, se adia a intervenção correta, e a condição se agrava até gerar danos mais sérios ao paciente.

Intoxicação

A combinação de certos fármacos, alimentos e bebidas e o uso de altas doses podem resultar em intoxicação medicamentosa.

Dependendo da substância ingerida, mesmo pequenas alterações na dosagem são capazes de provocar quadros de enjoo, tontura, confusão mental, falta de ar, coração acelerado e até reações alérgicas severas.

Está aí mais um motivo para evitar se automedicar, seguindo sempre a orientação de um profissional de saúde e as dosagens sugeridas pela bula do remédio.

Dependência

Fármacos que impactam o sistema nervoso central – formado por cérebro e medula espinhal – podem alterar sua atividade, condicionando o funcionamento adequado à presença do medicamento.

Esse quadro caracteriza a dependência química ou física, que desencadeia sintomas de abstinência quando a pessoa para de usar a medicação.

Nesse cenário, aumentam as chances de abuso e overdose, colocando a integridade, saúde e a vida do usuário em perigo.

Prevenir esses problemas requer atenção redobrada para o uso consciente de remédios tarja preta, que apresentam a dependência física e psíquica como efeito colateral.

Reações alérgicas

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e naproxeno, e antibióticos estão entre as classes de medicamentos que mais provocam reações alérgicas.

O quadro ocorre quando o sistema imunológico identifica erroneamente uma substância presente no remédio como nociva ao organismo, liberando histamina e outros compostos ao detectar sua presença.

Por consequência, surgem sintomas de alergia como:

  • Urticária, que causa coceira e vermelhidão 
  • Erupções na pele
  • Inchaço nos olhos e lábios
  • Dificuldades respiratórias devido a broncoespasmos (estreitamento dos tubos que levam o ar até os pulmões, chamados brônquios).

Em quadros graves, pode ocorrer anafilaxia, uma reação potencialmente fatal que leva à queda de pressão arterial, dificuldade extrema de respirar e perda da consciência.

Mascaramento de sintomas e atraso no diagnóstico

É considerável o risco de medicar sintomas por conta própria.

Nesse cenário, a tendência é demorar para buscar ajuda médica, o que resulta em atraso no diagnóstico e no tratamento corretos.

Ao tomar paracetamol ou ibuprofeno para se livrar de uma eventual febre, por exemplo, fica mais difícil identificar os sintomas de pneumonia, permitindo que a doença se agrave. 

Efeitos adversos graves

Hemorragias e doenças do fígado e dos rins severas, além de choque anafilático, são alguns efeitos colaterais graves e potencialmente fatais relacionados a fármacos de diferentes classes.

Geralmente, eles são raros, mas a frequência aumenta diante da automedicação, que é realizada sem aconselhamento e monitoramento médico.

Remédio sem indicação

As pessoas que ingerem frequentemente uma mesma substância podem gerar resistência à sua ação

Outros tipos de uso inadequado de medicamentos

Na grande maioria das situações, a automedicação está relacionada ao uso irracional de medicamentos.

Para entender o que o conceito significa, é importante compreender seu inverso, ou seja, o uso racional de medicamentos.

A definição mais apropriada pode ser encontrada no portal do Ministério da Saúde, que se apoia nas diretrizes da OMS para delimitar o tema.

De acordo com a instituição, o uso racional de medicamentos (URM) ocorre quando as pessoas recebem remédios apropriados às suas condições clínicas, por um período adequado e pelo menor custo possível (tanto para si quanto para a comunidade).

O Ministério da Saúde ainda aponta que o uso inadequado ou irracional de remédios está entre os maiores problemas mundiais de saúde.

Referindo-se novamente à OMS, o órgão destaca que mais da metade de todos os medicamentos são prescritos, vendidos ou dispensados inadequadamente.

Como se não bastasse, cerca de metade dos pacientes não utilizam os remédios da maneira correta. 

Dito isso, o uso irracional de medicamentos se divide em cinco tipos, que são:

  1. Ingestão abusiva de medicamentos, também chamada de polimedicação
  2. Automedicação inadequada, às vezes feita com medicamentos que exigem prescrição médica
  3. Uso excessivo de medicamentos injetáveis, em vez da ingestão de remédios ingeridos por via oral
  4. Prescrição medicamentosa em desacordo com as diretrizes clínicas
  5. Inadequação do uso de remédios antimicrobianos, quando administrados em doses erradas ou contra infecções não-bacterianas. 

Veja na sequência como obter assistência com qualidade e agilidade.

Consulte um especialista para a medicação correta

Neste ponto do artigo, está claro que a automedicação deve ser interrompida o quanto antes pelas pessoas. 

Sempre que uma dor for sentida ou qualquer outra condição de saúde, reconhecida, é imprescindível passar em consulta médica

Isso porque o profissional de saúde é capaz de identificar as causas do problema, apontar a melhor solução e os meios de tratamento que garantem a segurança do paciente.

O apoio de um profissional também evita que certas patologias sejam mascaradas, permitindo que os sintomas e doenças recebam o tratamento correto.

Além de dar mais segurança, tranquilidade e eficiência no uso de remédios, os médicos observam a eventual necessidade de um exame, estipulam ações paliativas ou preventivas, emitem atestados quando for o caso, e assim por diante. 

E o acesso à assistência médica ganha mais comodidade através da teleconsulta, como explico a seguir.

Como funciona a prescrição de medicamentos por teleconsulta?

Durante o teleatendimento, médico e paciente se encontram em uma sala virtual exclusiva dentro da plataforma de telemedicina, que garante o sigilo médico.

E que é equipada com uma série de ferramentas que viabilizam a prestação de cuidados médicos, como a prescrição eletrônica.

Após realizar o exame clínico, composto por entrevista (anamnese) e inspeção física, o médico pode formular a hipótese diagnóstica e recomendar o tratamento adequado.

O que pede o preenchimento da receita digital, encaminhamento e outros documentos liberados assim que a consulta online termina.

Eles podem ser encaminhados por e-mail ou aplicativos de mensagem, permitindo a apresentação da receita com QR Code para facilitar a compra de remédios nas farmácias.

O primeiro passo para acessar sua receita médica online é marcar uma teleconsulta no sistema Morsch, acessando a página de agendamentos.

Digite a especialidade desejada no campo de busca avançada e selecione o médico, dia e horário de sua preferência.

Em seguida, faça login ou cadastro na plataforma de telemedicina, preencha os dados pedidos, efetue o pagamento e o teleatendimento estará agendado.

Você ainda pode aproveitar o desconto de 30% em todos os teleatendimentos, usando o Cartão Morsch.

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Perguntas frequentes sobre automedicação

Veja, agora, respostas rápidas para questionamentos recorrentes sobre essa prática:

Quais são os tipos de automedicação?

Algumas modalidades dessa prática danosa são polimedicação (ingestão abusiva de medicamentos) e automedicação feita com medicamentos que exigem prescrição médica, assim como uso excessivo de medicamentos injetáveis e administração de antibióticos contra infecções não-bacterianas.

Como evitar automedicação?

Consultar o médico e o farmacêutico antes de usar qualquer remédio previne os riscos da automedicação.

Quais são os fatores associados à automedicação?

O uso indiscriminado de fármacos, muitas vezes, se deve à ampla disponibilidade de produtos farmacêuticos e à facilidade para a compra de remédios. Perigosa é a propagação equivocada de que certas condições podem ser tratadas com medicamentos sem comprovação científica, assim como a difusão de informações médicas e de saúde na internet.

Conclusão

A automedicação parece uma solução rápida e prática para certas dores, desconfortos ou problemas de saúde à primeira vista. 

Porém, ela gera consequências negativas e deve ser evitada.

Mesmo sendo comum entre os brasileiros, tomar remédios por conta própria compromete a saúde de forma severa. 

Além disso, trata-se de uma atitude que deve ser substituída pelas intervenções de um profissional de saúde.

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Referências bibliográficas

https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/automedicacao-e-um-habito-comum-de-90-dos-brasileiros/

https://brasil.un.org/pt-br/83018-doen%C3%A7as-resistentes-medicamentos-poder%C3%A3o-causar-10-milh%C3%B5es-de-mortes-por-ano-no-mundo

https://editoraime.com.br/revistas/rems/article/view/111

https://saude.sp.gov.br/coordenadoria-de-controle-de-doencas/noticias/27062024-medica-do-hspe-fala-sobre-sintomas-e-tratamentos-para-alergia-a-medicamentos

https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/daf/uso-racional-de-medicamentos

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin