O que é, para que serve e riscos do exame de angiotomografia

Por Dr. José Aldair Morsch, 19 de outubro de 2018
angiotomografia

A angiotomografia é um dos mais importantes exames para diagnóstico por imagens.

Ela torna possível estudar vasos sanguíneos sem submeter o paciente a procedimentos invasivos.

Não por acaso, o seu desenvolvimento trouxe grandes mudanças e oportunidades para várias especialidades médicas, principalmente para a cardiologia, mas não apenas para ela.

Há também angiotomografia cerebral, angiotomografia de tórax, angiotomografia coronariana, angiotomografia abdominal e outras, como irei detalhar a partir de agora.

Neste artigo, vou explicar o que é angiotomografia, como é feito o exame, quando é indicada e que vantagens oferece.

Você também vai conhecer opções de laudo à distância para um diagnóstico mais ágil.

O que é angiotomografia?

Angiotomografia é um exame de diagnóstico por imagem que usa um tomógrafo para evidenciar características de veias e artérias.

Ou seja, é uma modalidade de tomografia computadorizada, que usa radiação ionizante para captar imagens transversais de diversas partes do corpo, e as registra em pixels, os menores pontos em uma imagem digital.

A união entre as técnicas da tomografia e angiografia – exame que serve para conferir o estado de veias e artérias – deu origem à angiotomografia.

Ela representa uma evolução considerável, porque não implica em procedimento invasivo.

Já a angiografia convencional é realizada através da incisão de um tubo fino (cateter) na parte do corpo a ser observada, com injeção de uma grande quantidade de contraste.

Outro progresso marcante está na técnica usada para coletar as imagens do exame.

Enquanto a angiografia tradicional usa um aparelho de raio X, que produz apenas algumas radiografias, a angiotomografia gera centenas de cortes das estruturas anatômicas, a partir de ângulos diversos.

Isso possível graças ao tubo presente nos tomógrafos modernos, que é capaz de girar 360 graus ao redor do paciente.

Qual é a diferença para a angiotomografia computadorizada?

Como mencionei anteriormente, a angiografia convencional é feita por meio da incisão de um cateter e da injeção de grandes quantidades de contraste.

Nela, o mapeamento de determinada região do sistema circulatório é apoiada apenas por algumas poucas imagens de radiografia.

Por sua vez, a angiotomografia computadorizada proporciona um estudo das rotas venosas e arteriais por meio de um diagnóstico por imagem com recursos 3D, voltado apenas a uma região específica do corpo.

Desde os anos 80, a tecnologia transformou a forma com que as angiografias são feitas, graças à subtração digital.

Nela, o cateterismo à distância permite a visualização precisa dos caminhos das artérias. Isso garante:

  • Mais flexibilidade para a análise;
  • Acesso a diferentes ângulos de captação;
  • Possibilidade de retirar a imagem dos ossos.

Com este avanço, as cirurgias endovasculares sem cortes foram viabilizadas, ganhando aplicações de larga escala através de procedimentos como embolizações, angioplastias, endopóteses e implante de stent.

Seja na angiografia tradicional, ou na angiotomografia, o uso de raio-X e de contraste são fundamentais.

Porém, graças à tecnologia de angiotomografia computadorizada e com subtração digital, a emissão dos raios-X foi diminuída drasticamente, garantindo muito mais praticidade e segurança para médicos e pacientes.

Além disso, ao mesmo tempo em que amplia a precisão das regiões mapeadas, a nova técnica demanda um volume menor de contraste e anestésicos, garantindo menos desconfortos aos indivíduos durante sua realização.

Para que serve a tomografia com contraste?

A angiotomografia serve para investigar e identificar alterações na estrutura e no funcionamento dos vasos sanguíneos, de forma não invasiva.

Com ela, é possível diagnosticar doenças e outras condições que afetam o sistema circulatório, como obstruções de veias e artérias, ou aneurismas.

Vale destacar que o aneurisma ocorre quando um vaso sanguíneo se dilata além do normal. Ele costuma ser provocado pelo enfraquecimento das paredes desse vaso, doenças vasculares ou traumas.

Como citei acima, a angiotomografia representa um aprimoramento na aplicação de técnicas da angiografia convencional, podendo substituir esse procedimento.

Assim, o paciente não precisa ser submetido à incisão do cateter, eliminando complicações e a necessidade de internação para o exame.

Tipos de angiotomografia

Imagem de uma angiotomografia com contraste

Tomografia multislice de coronárias

Apesar de ser mais comum utilizar a angiotomografia para o estudo das veias e artérias coronárias, o exame pode ser indicado para investigações em diversas partes do corpo.

Tudo depende da suspeita clínica e histórico do paciente.

Vou falar sobre os principais tipos agora.

Angiotomografia do Crânio

Avalia os vasos sanguíneos de uma das áreas mais importantes do corpo.

Exame pode mostrar aneurismas cerebrais, permitindo que sejam tratados antes que causem complicações ou até a morte do paciente.

Sua indicação é para a avaliação de obstrução de artérias cerebrais, para a própria pesquisa de aneurisma e detecção de malformações vasculares.

A angiotomografia do crânio ganhou relevância para a identificação precoce do acidente vascular cerebral (AVC), revelando sangramentos e outras anomalias e possibilitando o tratamento de forma rápida.

Também chamado de derrame cerebral, o AVC resulta de problemas nas veias e artérias que levam o sangue à região cerebral, como rompimento ou entupimento desses vasos sanguíneos.

Angiotomografia Coronariana

Mostra a anatomia dos vasos presentes na região cardíaca, ou seja, as coronárias em imagens de alta resolução, sendo importante para diagnosticar obstruções e doenças.

Sua indicação é para pacientes com doenças cardíacas ou suspeitas de calcificação coronariana.

O cardiologista pode solicitar o exame, ainda, para avaliação do stent após a dilatação realizada no cateterismo e angioplastia.

A angiotomografia coronariana é usada, também, durante emergências, pois permite uma avaliação detalhada em minutos, principalmente quando o tomógrafo utilizado conta com muitos detectores.

Detectores de fótons são peças do tomógrafo que captam a radiação e a convertem em sinais elétricos.

A quantidade de detectores interfere na resolução das imagens registradas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, tomógrafos que possuem a partir de 64 colunas de detectores preenchem todos os pré-requisitos para a realização desse exame com a qualidade diagnóstica adequada.

Angiotomografia de Tórax

Quando realizada nessa área, a angiotomografia pode identificar problemas na aorta torácica, acúmulo de cálcio nas paredes dos vasos sanguíneos, aneurisma e estenoses.

Normalmente, o exame é solicitado para pacientes com doenças vasculares  ou para avaliações antes e depois da colocação de próteses.

Angiotomografia da Aorta

A aorta é a maior artéria do corpo humano, que tem como função transportar sangue rico em oxigênio pelo organismo.

Por isso, a angiotomografia costuma ser indicada separadamente, para estudo da aorta em cada uma dessas regiões.

A angiotomografia pode detectar aneurismas, dissecções, doenças inflamatórias, presença de trombos, dentre outros males que afetam a aorta.

Também serve para avaliação antes e depois da inserção de próteses.

Angiotomografia dos Membros Inferiores

Permite a identificação de insuficiência vascular periférica – quando a quantidade de sangue (e oxigênio) necessária para nutrir os membros inferiores não é suficiente.

A partir desse tipo de angiotomografia, também é possível estabelecer relações entre tumores, ossos, músculos e o sistema arterial.

Angiotomografia TEP

Esse procedimento estuda a evolução do tromboembolismo pulmonar, doença que provoca bloqueios nos vasos sanguíneos pulmonares.

Isso ocorre quando um trombo (coágulo formado por pedaços de gordura ou fragmentos de ossos, por exemplo) se solta das veias dos membros inferiores ou da pelve, e chega até os pulmões.

A angiotomografia TEP auxilia no diagnóstico precoce do tromboembolismo ou embolia pulmonar, evitando complicações como insuficiência respiratória, pneumonia (infecção do pulmão) e até a morte.

Angiotomografia do Abdômen

Por sua vez, a angiotomografia de abdômen estuda alterações na anatomia das veias e artérias presentes abaixo do tórax, inclusive a artéria aorta.

Trata-se de um procedimento indicado para avaliar doenças vasculares e também as condições pré e pós colocação de próteses.

Indicação da angiotomografia

A angiotomografia é indicada quando existe a necessidade de examinar veias e artérias de determinadas regiões do corpo.

Isso pode ocorrer devido à suspeita de aneurismas, estenoses, oclusões ou para acompanhamento preventivo de complicações vasculares após cirurgias.

Estenoses são estreitamentos anormais de vasos sanguíneos, que causam a diminuição na circulação de sangue pelo organismo.

Já oclusões são bloqueios no fluxo sanguíneo.

Não por acaso, uma das áreas mais estudadas por meio da angiotomografia é a região do coração.

Nesses casos, o exame é indicado para quem apresenta risco intermediário para doença arterial coronariana, medido a partir da avaliação de fatores como sintomas de dor torácica, hipertensão arterial e tabagismo.

A doença arterial coronariana ocorre quando as artérias que irrigam o coração são obstruídas por colesterol.

Pacientes que tenham feito testes anteriores com resultados inconclusivos, ou que não confirmem a suspeita clínica, também são candidatos à realização de angiotomografia.

Esses exames incluem teste ergométrico, ecocardiograma de estresse e cintilografia miocárdica.

Teste ergométrico ou teste de esforço é um exame que mede parâmetros cardíacos – como frequência cardíaca, ritmo cardíaco e pressão arterial – durante esforço físico, como uma corrida em esteira.

Ecocardiograma de estresse é uma ultrassonografia do coração realizada com o uso de medicamentos para visualizar a contração do músculo cardíaco durante esforço e em repouso.

Já a cintilografia miocárdica serve para analisar o fluxo sanguíneo nas artérias que irrigam o coração, a fim de diagnosticar problemas graves, como infarto.

Outras funções da angiotomografia coronariana incluem verificar o funcionamento de enxertos cirúrgicos (stents coronarianos), avaliar queixas de dor torácica no pronto socorro e investigar possíveis anomalias congênitas.

Quando o procedimento é obrigatório?

Vale ressaltar que a angiotomografia de coronárias teve sua cobertura ampliada pela ANS em 2014, com indicação prevista nas seguintes avaliações:

  • Pacientes que tenham quadro clínico e exames complementares conflitantes, com dúvidas diagnósticas presentes mesmo depois de exames funcionais para avaliação de isquemia;
  • Indivíduos com suspeita de anomalias nas coronárias;
  • Avaliação inicial de pessoas sintomáticas, com probabilidade pré-teste de 10% a 70% de acordo com os critérios de Diamond Forrester;
  • Detecção de doença coronária isquêmica naqueles com diagnóstico para insuficiência cardíaca recente, com dúvida sobre a etiologia da insuficiência;
  • Para pacientes com dor aguda no tórax e sintomas compatíveis com síndrome coronariana ou equivalente anginoso, sem marcadores de necrose miocárdica e alterações isquêmicas no eletrocardiograma.

Contraindicação da TC com contraste

De forma geral, a angiotomografia não é recomendada para pessoas que tenham alergia ao contraste iodado e também a gestantes.

Contraste é uma substância que aumenta a clareza das imagens registradas em exames por imagem, como radiografias simples e tomografias.

No caso das mulheres grávidas, a angiotomografia deve ser evitada para não expor o feto aos efeitos da radiação ionizante.

Existem também contraindicações para diabéticos que usam medicamentos com cloridrato de metformina, que pode gerar insuficiência renal aguda quando associados com iodo.

Os compostos iodados também são vetados para aqueles com hipertireoidismo manifesto e insuficiência renal.

Especialistas também não costumam indicar a angiotomografia coronariana quando há alta probabilidade de o paciente ter doença coronariana, identificada após avaliação clínica e a realização de outros exames.

Nesses casos, é comum que sejam indicados procedimentos invasivos, como cateterismo cardíaco e angioplastia (procedimento invasivo com catéter que corrige deformações nos vasos sanguíneos) e colocação de stent, um tipo de mola que mantém o vaso aberto depois da dilatação com balão.

O que é escore de cálcio das artérias coronárias?

Para dar apoio à angiotomografia, os médicos também solicitam a avaliação do escore de cálcio.

Ela serve basicamente para quantificar a calcificação coronariana, que é um importante indicador de aterosclerose nas artérias.

Além disso, o procedimento serve para agregar mais informações sobre a doença arterial coronariana de pacientes com risco intermediário, segundo o escore de Framingham.

Ou seja, o escore de cálcio serve para identificar aqueles que têm maiores riscos para eventos cardíacos, como angina e infarto, mesmo em situações assintomáticas.

Assim, um escore de cálcio normal pode indicar que o grau de risco do paciente é baixo, enquanto um escore elevado aumenta o risco em questão.

Porém, é importante destacar que apenas o escore baixo de cálcio não atesta que o paciente não possui riscos de doença arterial coronariana.

Mas como o escore de cálcio é feito?

O escore de cálcio é avaliado por meio de uma tomografia do tórax sincronizada a um eletrocardiograma.

Assim, é possível captar as imagens do paciente e medir o escore de Agatston, que define a quantidade total de cálcio coronário.

Por ter alta sensibilidade na captação das imagens, o equipamento de tomografia eleva significativamente a qualidade dos resultados e a precisão no acompanhamento do volume de cálcio nas artérias.

Assim como a angiotomografia, o procedimento é simples, não invasivo e demanda pequena incidência de radiação, garantindo total segurança aos pacientes.

Em grande parte das situações, o exame não exige jejum e nem o uso de contraste. Porém, existem casos em que o contraste é indicado para uma melhor visualização das imagens.

Normalmente, a avaliação do escore de cálcio leva apenas de 3 a 4 minutos. Mas, quando há a necessidade de contraste, esse tempo pode ser elevado de 10 a 50 minutos.

Nos resultados, os valores do escore de cálcio das artérias do coração podem ser demonstrados como absolutos ou com base nos padrões de referência para a idade, sexo e etnia do individuo em exame.

No caso dos valores absolutos, a análise indica alerta quando o escore ultrapassa 100 Agatston. Nos padrões de referência, a taxa que aponta problemas é acima de 75% para a mesma faixa etária e sexo.

Preparo da Tomo com contraste

Como o exame é feito com contraste, o paciente precisa estar em jejum completo por pelo menos quatro horas.

Não é recomendado ingerir bebidas com cafeína ou remédios para tratamento da disfunção erétil nas 48 horas anteriores à angiotomografia.

Pouco antes do exame, podem ser utilizados betabloqueadores – medicamentos que diminuem a frequência de batimentos cardíacos.

Como é feita a angiotomografia

Imagem de um sistema cardiovascular no corpo humano

Coração e vasos sanguíneos da base

A angiotomografia consiste, basicamente, em uma tomografia dos vasos sanguíneos.

Para que as imagens sejam registradas com clareza, é injetado contraste no vaso sanguíneo que será examinado.

A partir daí, é possível observar, além de fatores anatômicos, como a espessura e parte interna de artérias e veias, a trajetória percorrida pelo sangue.

Após se posicionar na mesa de exame e receber o contraste, o paciente precisa ficar imóvel.

Nessa etapa, o aparelho de tomografia é ligado, e se inicia o movimento de rotação do tubo de raio X ao redor da parte do corpo examinada.

O tubo emite a radiação necessária para captar imagens dos vasos sanguíneos, em especial durante a passagem do contraste.

Em seguida, a radiação atinge os detectores do tomógrafo, produzindo sinais elétricos que são transmitidos a um computador e, em seguida, transformados em imagens.

Quanto tempo demora um exame de TC?

O tempo de realização do exame pode variar de acordo com a indicação médica e área do corpo examinada, assim como alterações identificadas durante o procedimento.

Mas, em geral, a angiotomografia dura cerca de 10 minutos.

Quais informações podem ser obtidas por esse método com a angiotomografia?

De maneira geral, as informações obtidas na angiotomografia indicam:

Presença de placas calcificadas nas artérias coronárias

Quando a angiotomofrafia aponta a presença de placas calcificadas nas artérias coronárias, é possível determinar o grau de evolução da patologia aterosclerótica e ainda as chances de que um evento cardíaco ocorra dentro de um período de 5 a 10 anos.

Com isso, os médicos cardiologistas têm informações valiosas para intervir por meio de tratamentos intensivos junto aos pacientes com maiores chances de apresentar complicações cardíacas.

Presença de placas não calcificadas

As placas não calcificadas, também chamadas de placas de gordura ou placas moles, têm potencial de provocar obstruções nos vasos sanguíneos.

Com a angiotomografia, os cardiologistas podem quantificar o grau de obstrução e indicar o melhor procedimento a ser adotado pelo paciente.

Os graus de obstrução podem variar entre discreto, moderado ou importante.

Por meio deles, é possível ter precisão ao indicar os indivíduos ao cateterismo, angiopolastia ou até cirurgia cardíaca.

Já quando a condição não é detectada, graus mais baixos podem servir simplesmente para indicar tratamentos com medicamentos.

Resultados da angiotomografia

Como vimos antes, após a coleta de informações, sinais elétricos analógicos são enviados para um computador com software específico, que as transforma em imagens digitais.

Em um primeiro momento, elas estão em 2D, mas podem ser unidas para gerar imagens com realismo impressionante, coloridas e em 3D.

É este material que um médico especialista faz a interpretação dos resultados, o que pode ocorrer no local ou à distância, via telemedicina.

Se forem detectados problemas como obstruções, trombos ou rompimento de artérias ou veias, o paciente é encaminhado para avaliação e tratamento, de maneira rápida.

A angiotomografia também contribui para a prevenção de doenças nos vasos sanguíneos, já que mostra problemas como calcificação e acúmulo de gordura, mesmo em fase inicial.

Nesses casos, o paciente pode não apresentar complicações graves, mas vale iniciar ações preventivas.

Classificação

Recentemente, uma classificação semelhante ao BI-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System) vem sendo testada por serviços que realizam angiotomografia coronariana.

Essa classificação, chamada CAD-RADS (Coronary Artery Disease Reporting and Data System), foi apresentada em 2016 por entidades médicas norte-americanas, a exemplo da Sociedade Americana de Tomografia Cardiovascular (SCCT) e do Colégio Americano de Cardiologia (ACC).

Assim como a BI-RADS faz na mamografia, a CAD-RADS foi criada para padronizar os achados durante a angiotomografia, classificando-os em 5 categorias.

Cada uma delas considera o grau de estenose, localização, tipo de placa, presença de stent ou enxertos coronários e qualidade do estudo.

Quais as diferentes fases das doenças arteriais Ateroscleróticas?

Durante a análise das artérias na angiotomografia, elas podem se apresentar normais (sem indicadores de nenhuma doença), com patologia leve (mas sem quadro obstrutivo), com doença moderada (com obstrução parcial do fluxo sanguíneo), e ainda com patologia severa e obstrução total (com placa de aterosclerose e coágulos).

A doença carotídea aterosclerótica ocorre quando há estreitamento ou obstrução no fluxo de sangue das artérias carótidas, que são a principal fonte de sangue para o cérebro.

Essa obstrução pode ser gerada por placas de ateroma, formadas basicamente por substâncias como cálcio e gordura, e é chamada de aterosclerose.

Nesse tipo de quadro, pequenos coágulos ou fragmentos de gordura podem soltar-se das placas de ateroma e provocar derrames ou mesmo acidente vascular cerebral isquêmicos.

Segundo dados levantados em artigo do Hospital Albert Einstein, cerca de 15% dos AVCIs são provocados pela obstrução das artérias carótidas.

Normalmente, os fatores de risco para esse tipo de quadro incluem:

  • idade avançada;
  • hipertensão;
  • colesterol alto;
  • tabagismo;
  • diabetes;
  • histórico familiar;
  • obesidade e sedentarismo.

Como identificar os sintomas?

Nas fases iniciais da doença aterosclerótica da carótida, muitas vezes os pacientes não percebem nenhum sintoma.

Em grande parte dos casos, a primeira manifestação já ocorre por meio de um AVC, o que representa grandes riscos para os pacientes sem nenhum tipo de avaliação prévia.

Além disso, também é comum que os pacientes tenham ataques isquêmicos transitórios, que funcionam como “sintomas de aviso” para a doença que, por serem menos graves, muitas vezes não são investigados pelos pacientes.

Normalmente, os sinais mais comuns para esse tipo de caso incluem formigamentos em um lado do corpo, sensação de fraqueza, desequilíbrio, dificuldade de fala, compreensão e para caminhar, além de problemas para enxergar com um dos olhos.

Como os sintomas aparecem subitamente e passam em alguns minutos, é normal que eles sejam ignorados em muitas situações.

Porém, sempre que esse tipo de manifestação ocorrer, é preciso buscar por ajuda médica imediata, para que a avaliação das fases do problema seja precisa e o tratamento ideal seja ministrado antes que consequências mais graves surjam.

Quem interpreta os resultados da angioct?

No tópico anterior, destaquei rapidamente que um médico especialista é responsável por interpretar os resultados da angiotomografia.

Mas que especialista é esse? Na verdade, depende do tipo do exame, que varia conforme a área do corpo examinada.

Se for a região coronária, por exemplo, um cardiologista com especialização em radiologia será responsável pela interpretação.

De maneira geral, contudo, sempre um médico radiologista atua na análise dos resultados em uma angiotomografia.

Importante destacar que outros profissionais, como técnicos, podem acompanhar a realização do exame, mas não emitir laudos.

Riscos da tomografia com contraste

Esse exame envolve dois riscos principais: uso de contraste e radiação ionizante.

O uso de contraste pode causar reações alérgicas graves, inclusive choque anafilático.

Esse, por sua vez, provoca náuseas, vômitos, dificuldade respiratória e, se não for revertido rapidamente, até choque hemorrágico, levando à morte.

No entanto, os casos de reações alérgicas são extremamente baixos.

Já a radiação ionizante está relacionada a diversos tipos de câncer.

Embora a angiotomografia exponha o paciente a níveis baixos de raios X, eles têm efeito cumulativo.

Por isso, médicos devem indicar exames radiológicos com cautela.

Como a Telemedicina pode auxiliar na entrega do laudo de angiotomografias

Médico vendo resultado de exames em um portal de telemedicina em nuvem

Médico acessando exames na nuvem

O aparelho utilizado para a angiotomografia é moderno e capaz de gerar imagens digitais.

Portanto, esses exames podem se beneficiar de laudos à distância, produzidos graças ao avanço da telemedicina.

As imagens do exame e outras informações do paciente são armazenadas e compartilhadas em nuvem através de uma plataforma online.

Esse portal permite que especialistas acessem os dados de qualquer dispositivo conectado à internet. Para isso, basta que ingressem no sistema com seu login e senha.

Ali, visualizam os dados da angiotomografia minutos após a realização do procedimento, analisam as informações e registram suas conclusões em um laudo online.

Esse documento é assinado digitalmente, com toda a segurança e comodidade, e fica disponível para a unidade de saúde responsável pelo exame e, se for o caso, para os pacientes.

Dessa maneira, clínicas e hospitais têm acesso aos resultados em apenas 30 minutos.

Essa solução tem democratizado o acesso a laudos de qualidade, mesmo em locais remotos ou durante a ausência de especialistas, como em folgas, feriados e também durante plantões.

Conclusão

Neste artigo, falei sobre as aplicações e avanços promovidos pela angiotomografia, um exame de grande importância como diagnóstico por imagem.

Embora a realização do procedimento seja relativamente simples, a análise dos resultados depende de um médico especialista.

Nesse cenário, a telemedicina tem se apresentando como solução para obter laudos à distância e também uma segunda opinião qualificada.

Sua clínica, consultório ou hospital também pode oferecer a angiotomografia.

Conte com a Telemedicina Morsch para dar suporte à sua equipe, fornecendo laudos online com agilidade e qualidade.

Os técnicos responsáveis pela condução da angiotomografia também vão contar com materiais de capacitação, disponíveis 24 horas por dia na plataforma.

Entre em contato para conhecer essas e outras vantagens.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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