Afinal, quais são as melhores – e piores – especialidades médicas?

Por Dr. José Aldair Morsch, 10 de dezembro de 2021
Afinal, quais são as melhores - e piores - especialidades médicas?

Você sabe quais são as melhores especialidades médicas para atuar e quais são as oportunidades oferecidas por cada área?

Quem é recém-formado, está prestes a se formar ou ainda considera uma carreira no setor da saúde certamente tem várias dúvidas relacionadas a essa questão.

As possibilidades profissionais disponíveis para os médicos são inúmeras. Isso é algo muito positivo e que amplia as possibilidades de atuação. Contudo, a variedade também pode tornar desafiadora a escolha de um segmento para tornar-se especialista.

Sabendo disso, elaborei este artigo com algumas das questões mais importantes sobre o assunto. 

A seguir, entenda a situação atual do mercado de trabalho, os requisitos das residências, as melhores especialidades médicas, padrões de remuneração, critérios para sua escolha e muito mais. Acompanhe.  

Qual é o mercado de trabalho para a Medicina? 

Primeiramente, antes de explorar as melhores especialidades médicas, é fundamental compreender como é o atual mercado da saúde no Brasil. 

Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, existem cerca de 502.475 médicos no país. A soma é de 2020 e representa 2,4 profissionais a cada mil habitantes. 

Para você ter ideia, a proporção é muito próxima à de países como Reino Unido, Canadá e Estados Unidos. Eles têm, respectivamente, 2,8, 2,7 e 2,6 médicos por mil habitantes. 

O volume de recém-formados é crescente

Em resumo, a média é de 10,4 recém-formados em medicina para cada 100 mil habitantes. São 342 escolas médicas e 35.622 novas vagas ofertadas anualmente.

O índice de formações é maior do que o de muitas nações. Isso inclui França (9,5), Chile (8,82), EUA (7,76), Canadá (7,7), Coreia do Sul (7,58), Japão (6,94), Israel (6,9), entre outros.

Espera-se que, em alguns anos, a proporção de recém-formados em medicina seja de 16 a cada 100 mil habitantes. Trata-se de uma média maior que a da OCDE e que hoje existe em países do Leste Europeu e em Portugal.

Levando todos esses dados em consideração, é fato que a oferta de médicos hoje é suficiente para atender a toda população do país. 

Entretanto, ainda há problemas na sua distribuição, uma vez que a maioria dos profissionais está concentrada nas grandes cidades. 

A distribuição é desigual

Ainda de acordo com o CFM, as cidades brasileiras mais desenvolvidas têm uma proporção muito maior que 3,5 médicos por mil habitantes (que é a média dos países da OCDE). 

Nas capitais, por exemplo, a média é de 5,65. Em algumas cidades, o número é ainda maior. Em Vitória, por exemplo, a proporção é de 13,71. Florianópolis tem 10,68 e Porto Alegre 9,94. 

Sobretudo, os problemas de distribuição são evidentes se considerarmos algumas capitais do Norte. Porto Velho, Boa Vista, Manaus, Rio Branco e Macapá têm, respectivamente, 3,28, 2,32, 2,30, 1,99 e 1,77 médicos por mil habitantes. Sua média é menor que a da OCDE. 

Portanto, apesar dos elevados índices nacionais, a necessidade de novos médicos formados ainda é constante. 

Nesse contexto, a demanda é principalmente nas especializações que contribuam para a promoção da saúde nacional e que contemplem áreas em que o déficit de atendimentos é maior. 

Tudo sobre residência e especialidade médica 

De acordo com a Resolução 2.221/18 do Conselho Federal de Medicina, a entidade atualmente reconhece 55 especialidades e 59 áreas de atuação.

Igualmente citei na introdução, isso pode tornar a escolha pelas melhores especialidades médicas algo bastante desafiador.

Do mesmo modo, para garantir uma escolha assertiva, em primeiro lugar é necessário conhecer os requisitos que o CFM considera para certificar os especialistas. 

Por meio dos Conselhos Regionais (CRM), a entidade reconhece os médicos como especialistas ao conceder o Certificado de Registro de Qualificação de Especialista.

O meio para receber essa certificação é a apresentação do certificado de conclusão de Residência Médica credenciada pela Comissão Nacional de Médicos Residentes (CNRM) ou o Título de Especialista concedido por Associação ou Sociedade Brasileira da especialidade em questão.

Nessas situações, a entidade deve ser filiada à Associação Médica Brasileira (AMB), bem como o edital do concurso para Título de Especialista deve seguir as normas e ser aprovado pela AMB. 

Como resultado, tanto o Título de Especialista, quanto a Residência, dão direito ao médico de registrar-se como especialista no CRM. Os certificados têm naturezas diferentes, e o profissional pode ter apenas um deles ou ambos. 

10 melhores especialidades médicas para atuar 

A fim de lhe auxiliar na escolha das melhores especialidades médicas, abaixo elenco 10 das áreas mais promissoras para você atuar.

Dessa maneira, em cada uma delas, aponto quais são as respectivas entidades filiadas ao CNRM e à AMB responsáveis pela certificação. Confira: 

Clínica Médica

Trata-se de uma área mais generalista e que é pré-requisito para outras especialidades clínicas. Nela, o especialista atua com uma visão ampla do paciente e trata doenças de diferentes complexidades. 

A formação dura 3 anos. O CNRM é do Programa de Residência Médica em Clínica Médica. Já o concurso do convênio AMB é da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

Pediatria

Em suma, a pediatria é uma especialidade voltada à atenção à saúde da criança e do adolescente. Ela atua em suas diferentes demandas, sejam elas preventivas ou curativas. 

Nessa área, a formação também é de 3 anos. O Programa de Residência Médica em Pediatria é o que garante o certificado do CNRM. Por sua vez, o concurso conveniado à AMB é da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Cirurgia Geral

Considerada acima de tudo uma das principais especialidades do CFM, a Cirurgia Geral é pré-requisito para diversos outros tipos de cirurgia, além disso realiza-se a divisão em duas áreas, a Cirurgia Básica e o Programa de Cirurgia Geral. Ambas duram, respectivamente, 2 a 3 anos.

O CNRM é ligado ao Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral. Já o concurso da AMB relaciona-se ao Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Ginecologia e Obstetrícia

A área de ginecologia e obstetrícia é voltada ao sistema reprodutor da mulher e presta acompanhamento e acolhimento em saúde durante a gravidez. 

Ginecologia e Obstetrícia

Trata-se de uma formação que dura 3 anos, sendo contemplada pelo Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia e que tem concurso do convênio AMB pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia.

 

Anestesiologia

Antes limitada apenas às cirurgias, agora a anestesiologia também demanda atualização constante em relação aos procedimentos pré e pós-cirúrgicos. 

Sua formação também dura 3 anos. O CNRM é do Programa de Residência Médica em Anestesiologia. Já o concurso conveniado à AMB é promovido pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia.

Medicina do Trabalho

Em suma, a medicina do trabalho visa promover a saúde, a prevenção contra acidentes e doenças, a qualidade de vida e os direitos dos pacientes nos ambientes em que trabalham. 

A formação dura 2 anos, sendo ministrada pelo Programa de Residência Médica em Medicina do Trabalho e tem concurso pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Ortopedia e Traumatologia

São especialidades unificadas que lidam com lesões, patologias e deformidades ligadas aos músculos, ligamentos, ossos, articulações e ao sistema locomotor como um todo. 

Igualmente, a realização ocorre pelo Programa de Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia. O concurso do convênio AMB é feito pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. A formação dura 3 anos. 

Cardiologia

Dentre as melhores especialidades médicas, essa é uma das mais conhecidas. Sua função é estudar e tratar patologias que atingem o coração e o sistema circulatório.

A formação leva 2 anos para ser concluída. O concurso reconhecido pela AMB é da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Já o Programa de Residência Médica em Cardiologia é o que garante o certificado CNRM.

Oftalmologia

Primordialmente voltada à saúde dos olhos, a oftalmologia exige dos profissionais precisão na prescrição de tratamentos, na realização de correções da visão e até em cirurgias. 

Oftalmologia

O concurso reconhecido pela AMB é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. O CNRM é do Programa de Residência Médica em Oftalmologia. Por sua vez, o tempo de formação é de 3 anos. 

Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Por fim, a radiologia é uma especialidade focada na realização de exames, que empregam radiações para permitir a visualização de estruturas, órgãos e ossos. 

A formação leva 3 anos. O concurso da AMB acontece através do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Já o CNRM ocorre por meio do Programa de Residência Médica em Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 

E as piores especialidades médicas, quais são? 

Portanto, além de conhecer as melhores especialidades médicas, você também precisa ficar atento às áreas menos atrativas à sua carreira.

Todavia, definir os “piores” segmentos também é algo difícil, pois esse critério é muito pessoal.

Isso porque, alguns profissionais podem considerar as áreas mais procuradas como “piores”, já que sua concorrência seria maior.

Em outros casos, são os segmentos com menor procura que podem ser vistos como “piores”, uma vez que sua baixa popularidade indicaria uma rotina profissional pouco atrativa.

Considerando que esses parâmetros são bastante individuais, julgo válido apresentar diferentes realidades de demanda.

Primeiramente, para começar, vamos às áreas mais procuradas. Segundo dados do CFM publicados pelo Guia do Estudante, elas são Clínica Médica, Pediatria e Cirurgia Geral. Respectivamente, essas especialidades representam 11,2%, 10,3% e 9.8% do total de procura.

Em contrapartida os segmentos menos requisitados são Radioterapia, Cirurgia de Mão e Genética Médica. Em sequência, sua procura é de 0,2%, 0,2% e 0,1% do total. 

O ideal é ter clareza quanto aos seus critérios e apoiar a escolha das melhores especialidades médicas com base nas demandas que mais fazem sentido para sua realidade.

Para lhe ajudar, abaixo também apresento alguns dados sobre remuneração e dicas para fazer uma seleção mais criteriosa. 

Quais são as especialidades médicas melhor remuneradas? 

Guiar-se apenas pelo salário nunca é uma boa decisão. Entretanto, é fato que ele também é muito importante perante todos os critérios.

Você vai perceber que muitas das áreas com maior remuneração não estão na lista de melhores especialidades médicas que apresentei anteriormente.

Entretanto, como também destaquei acima, é importante ter critérios próprios para fazer a sua escolha. Ou seja, a realidade salarial também tem relevância sendo preciso  considerar esse fator. 

Então, dito isso, veja quais são as especialidades mais bem pagas atualmente: 

  • Cirurgião plástico: média de R$ 18.564;
  • Cirurgião: média de R$ 15.975;
  • Ortopedista: média de R$ 14.353;
  • Médico Auditor Sênior: média de R$ 9.909;
  • Médico Anestesista: média de R$ 9.849;
  • Dermatologista: média de R$ 9.058;
  • Hematologista: média de R$ 9.025;
  • Mastologista: média de R$ 8.999;
  • Oncologista: média de R$ 8.912;
  • Colonoscopista: média de R$ 8.820.

Como escolher a sua dentre as melhores especialidades médicas? 

Agora que você já conhece minha lista de melhores especialidades médicas, sabe quais são os maiores salários e também entende que a escolha depende dos seus próprios critérios pessoais, veja alguns fatores importantes para guiar a sua decisão:

  • Conheça a rotina de atuação de cada área e verifique se ela se adequa às suas perspectivas profissionais;
  • Considere os temas que você mais gosta de estudar e se as práticas da especialidade tem relação essas atividades;
  • Estude o mercado de trabalho, as perspectivas de novas formações, os níveis de concorrência e as possibilidades de fidelizar pacientes em um volume constante;
  • Entenda o perfil do público atendido por cada segmento e determine se você lidaria bem com ele diariamente;
  • Analise a sua capacidade de gestão e certifique-se de que você consegue lidar com as demandas necessárias para atuar nas áreas que deseja.

Dessa forma, a partir desses pontos, também é importante considerar quais são as melhores especialidades médicas para ter um futuro sustentável na profissão. Saiba mais sobre elas logo abaixo. 

O que são especialidades médicas do futuro? 

O que são especialidades médicas do futuro?

As especialidades médicas do futuro são aquelas que evoluem na mesma medida em que o mundo se transforma.

Como você bem sabe, as constantes transformações impulsionadas pela tecnologia e pela digitalização já influenciam profundamente a sociedade.

Ao passo que, toda empresa deve se adaptar a consumidores cada vez mais exigentes e digitais, os médicos também precisam considerar esse tipo de comportamento.

Sendo assim, a definição das melhores especialidades médicas também acompanha as tendências que prometem ditar a nova realidade da área da saúde.

Ou seja, você precisa considerar áreas que se adequam bem a recursos de automatização, telemedicina, machine learning, internet das coisas, customer centric, e assim por diante.

Melhores especialidades médicas e a tecnologia 

Considerando as especialidades do futuro, é possível afirmar que as especialidades mais promissoras são aquelas com maiores perspectivas de evolução tecnológica. 

Muito além disso, também é importante ter em mente que você precisa digitalizar as suas rotinas independentemente da sua área de atuação. 

Sendo assim, para acompanhar a competitividade do mercado digital, é imprescindível aderir aos novos recursos que já começam a protagonizar as rotinas médicas atuais.

Como resultado, isso vai desde a adesão a um bom prontuário eletrônico, até prestação de teleconsultas, a oferta de telemonitoramentos, o apoio de telediagnósticos, entre outras possibilidades afins. 

Conclusão

Dos critérios mais importantes para definir a especialidade em que você irá atuar, a influência da tecnologia certamente figura entre os principais deles.

Portanto, considerando todos os pontos que abordei neste artigo, isso também significa que você precisa manter-se constantemente informado sobre os novos avanços e possibilidades que os profissionais podem agregar para modernizar seus padrões de atendimento.

A Telemedicina Morsch é referência no assunto e pode lhe ajudar nesse processo de evolução assistencial. Se você gostou deste conteúdo sobre melhores especialidades médicas, assine nossa newsletter e não perca nenhuma novidade para ficar sempre atualizado.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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