Promoção da saúde: 5 boas práticas para você implementar desde já

Por Dr. José Aldair Morsch, 18 de setembro de 2020
A promoção da saúde está vinculada a diversos fatores

O conceito de promoção de saúde mudou muito nos últimos tempos, especialmente porque ele passou a ser estudado e trabalhado mais à fundo por instituições importante no mundo inteiro.

Se durante um tempo o termo foi associado simplesmente à ausência de doenças, atualmente a promoção de saúde está vinculado a uma série de valores, como:

  • Vida;
  • Solidariedade;
  • Cidadania;
  • Participação;
  • Parceria.

Além disso, as práticas de promoção de saúde passaram a estar relacionadas à ideia de responsabilização múltipla. 

Ou seja, somente é possível obtê-la quando as ações são realizadas pelo Estado, indivíduo, coletividade e sistema de saúde. 

Juntos, eles devem definir prioridades e planejar e implementar as estratégias para que, de fato, haja a promoção da saúde para a população como um todo. 

Mas afinal, o que é promoção de saúde, seus conceitos e estratégias principais? 

Neste artigo, vou abordar esses e outros pontos para que você entenda a importância de adotar políticas claras para a sua implementação.

Boa leitura!

O que é promoção da saúde?   

A Organização Mundial da Saúde (OMS) a define como um processo que permite que as pessoas aumentem o controle e melhorem a sua saúde. 

Por saúde, ela entende como “bem-estar físico, mental e sociais, mais do que a mera ausência de doença”. 

Essa definição vai contra o conceito que muitas pessoas têm sobre saúde, geralmente associado ao fato de não apresentar qualquer doença.

Desta forma, a promoção de saúde é encarada de uma forma mais ampla, representando um processo social e político. 

No caso, é preciso não apenas adotar ações relacionadas ao fortalecimento das capacidades e habilidade individuais, mas também mudanças nas condições sociais, ambientais e econômicas, para minimizar os impactos na saúde individual e coletiva.

O termo “promoção” pode ser traduzido como dar impulso a algo, fomentar, gerar e originar, o que significa que promoção de saúde está ligada a ações que impulsionam o incremento da saúde, visando bem-estar em geral. 

Qual a importância e os desafios da promoção da saúde? 

O principal desafio recai sobre a necessidade de desassociar saúde de ausência de doenças. 

Por mais simples que isso possa parecer, era comum utilizar esse conceito na hora de desenvolver estratégias de cunho populacional. 

Aqui, entra também a confusão entre promoção da saúde e prevenção de doenças – cujas diferenças abordarei em um tópico exclusivo ao longo do conteúdo.

É preciso ter em mente que a política nacional de promoção de saúde deve ser muito mais abrangente, visando realizar modificações estruturais, políticas e sociais que promovam o bem-estar. 

Mas porque isso é importante? Um dos motivos é justamente reduzir a ocorrência de doenças, uma vez que, quando são adotadas tais medidas, é possível evitar uma série de distúrbios que estão ligados à desigualdade. 

Além disso, promove um incremento na qualidade de vida e incentiva a autonomia dos indivíduos e das comunidades, reforçando o planejamento e poder local.

Apesar de estarem relacionadas, promoção da saúde e prevenção de doenças são termos diferentes

A vacinação é um exemplo de ação para prevenção de doenças. Já a promoção da saúde não está relacionada a uma única enfermidade, mas sim com um conceito mais amplo.

Qual a diferença entre promoção de saúde e prevenção? 

Enquanto promover significa impulsionar, originar e fomentar, prevenir está relacionado a chegar antes de, impedir que algo ocorra e agir antecipadamente. 

Apesar de possuírem características interligadas e contribuírem para o bem-estar, é importante entender no que elas diferem, para evitar confusões.

A prevenção tem como principal objetivo evitar que algo ocorra, como uma epidemia. As ações são direcionadas, como quando o Ministério da Saúde realiza a campanha de vacinação, para evitar que haja proliferação de determinadas doenças.

Já a promoção da saúde tem um caráter mais amplo, uma vez que não está relacionada a uma determinada doença ou desordem, mas sim visando aumentar a saúde e o bem-estar em geral. 

Esta estratégia dá ênfase na transformação das condições de vida e de trabalho – o que demanda uma abordagem intersetorial. 

Confira as principais diferenças entre promoção da saúde e prevenção de doenças: 

Prevenção

  • Ato de preparar, impedir que se realize, chegar antes de;
  • Baseia-se no conhecimento sobre as doenças, exigindo uma ação antecipada para evitar o seu progresso;
  • Exige um conhecimento epidemiológico, para garantir o controle e a redução do risco das doenças;
  • Os projetos de prevenção e educação estão associados às informações científicas e recomendações estipuladas em normas;
  • Orientada às ações de detecção, controle e enfraquecimento dos fatores de risco de enfermidades. 

Promoção

  • Ato dar impulso, fomentar, gerar e originar;
  • Refere-se às medidas que visam promover saúde e bem-estar – não se dirigindo a doenças específicas;
  • Requer o fortalecimento da capacidade individual e coletiva para que seja possível lidar com a multiplicidade dos fatores que condicionam o acesso à saúde. 

Motivos pelas quais vale a pena promover a saúde 

As práticas de promoção da saúde promovem a reflexão e uma discussão muito mais ampla em relação à saúde, pensando em valores sociais, culturais, subjetivos e históricos. 

No caso, sua intenção não é meramente promover uma vida saudável, mas fazer com que as pessoas e órgãos responsáveis atuem em conjunto, pensando em algo maior e no futuro. 

Logo, temas como desigualdade, cidadania e acesso à saúde passam a entrar em pauta, visando esse bem maior. 

A promoção da saúde também desencadeia um processo de articulação de parcerias, atuações intersetoriais e participação popular, de forma a otimizar os recursos disponíveis e garantir a sua aplicação que de fato atinjam às necessidades da sociedade.

Promoção da saúde: conceitos e estratégias 

As primeiras recomendações sobre promoção da saúde surgiram em uma conferência internacional realizada no Canadá, em 1986.

Nela, foi enaltecido o termo saúde como um todo, afirmando que ele deveria ser entendido como um recurso para a vida – e não como objetivo de viver. 

Além disso, foram realçadas as responsabilidades individuais e sociais para a sua promoção, não ficando a encargo apenas das instituições do setor de saúde. 

Ou seja: cada indivíduo deve pensar e agir de forma a aumentar o controle sobre a sua saúde, caminhando todos juntos para um bem-estar global.

Desta forma, a estratégia da promoção da saúde precisa envolver as pessoas, que devem entender a sua importância e agir em conformidade, organismos estatais que tutelam os sistemas de saúde e demais entidades. 

Cabe a esses organismos definir políticas, planos e programas de promoção da saúde, que contemplem medidas que permitam que as pessoas não apenas previnam determinadas doenças, mas que garantam sua qualidade de vida como um todo.

As entidades e empresas ficam com a responsabilidade de promover saúde e segurança aos seus colaboradores, a partir de um ambiente propício e melhores condições de trabalho.

Qual o impacto da educação para solidificar o processo? 

Como eu mencionei, o indivíduo deve ter um papel ativo na promoção da saúde, seja evitando o sedentarismo ou adotando uma alimentação mais saudável. 

Logo, fortalecer o conhecimento acerca do assunto, de forma a serem tomadas medidas mais assertivas, é fundamental. 

A educação para a saúde tem como objetivo aumentar o conhecimento dos indivíduos, dando a eles ferramentas que permitam desenvolver competências visando garantir uma vida mais saudável para si e para o coletivo. 

Afinal, ao saberem da importância da promoção da saúde e verem que os demais envolvidos nesse processo estão atuando, a tendência é que eles aumentem os cuidados, melhorando a sua qualidade de vida. 

Qual a relação entre promoção da saúde e qualidade de vida?

Promoção da saúde e qualidade de vida são fatores que andam lado a lado, uma vez que uma depende da outra para se concretizar.

A condição de vida evoluiu muito nos últimos anos, gerando significativas melhoras para a qualidade de vida das pessoas.

Entretanto, ela também trouxe estilos de vida menos saudáveis, com a chegada do fast food e a “falta de tempo” para a prática de atividades físicas. 

O que se viu, com isso, foi o aumento de doenças silenciosas, mas que geram problemas sérios à saúde, como obesidade e hipertensão. 

É para evitar que os danos no futuro sejam irreversíveis que é essencial que haja essa união em prol da prevenção de doenças e promoção da saúde visando a qualidade de vida da população em geral.

As primeiras recomendações foram criadas em 1986, em uma conferência realizada no Canadá

A comunicação e construção de uma ética coletiva é essencial para a promoção da saúde.

Bases de desenvolvimento da Política Nacional de Promoção da Saúde no Brasil 

Com o intuito de regular o processo de descentralização e reorganizar o modelo de atenção à saúde, o Ministério da Saúde desenvolveu, a partir da Norma Operacional Básica do SUS NOB 01/96, a Política Nacional de Promoção da Saúde.

Ela apresenta o seguintes pontos como base para a sua estruturação: 

  • A participação da população nas instâncias formais e em outros espaços constituídos por atividades sistemáticas e permanentes. A intenção é criar vínculo entre o serviço e seus usuários, desenvolvendo uma participação criativa e realizadora para todos; 
  • Ações de saúde centradas na qualidade de vida da população e no seu meio ambiente, assim como nas relações das equipes de saúde com as famílias;
  • O modelo epidemiológico, uma vez que ele incorpora como objeto de ação as pessoas, o ambiente e o comportamento interpessoal;
  • Uso de tecnologias de educação e comunicação social;
  • Construção da ética coletiva que agrega as relações entre pessoas, sistema e ambiente, estimulando os usuários a serem agentes da sua própria saúde.
  • Intervenções ambientais que gerem articulações intersetoriais para promover, resguardar e recuperar a saúde.

Quais são as estratégias Política Nacional de Promoção da Saúde?

Antes de entrar na parte estratégica, é importante mencionar que essa política tem 3 objetivos bem claros: 

  1. Atuar para que as condições políticas, econômicas, sociais, culturais, ambientais e de conduta favoreçam à saúde dos indivíduos e da comunidade ao qual faz parte;
  2. Contribuir para reduzir as desigualdades sociais no que tange ao acesso às oportunidades, garantindo o máximo desenvolvimento do potencial de saúde;
  3. Qualificar o Sistema Único de Saúde para que haja melhor efetividade na abordagem dos problemas de saúde e redirecionamento de recursos.

Para atingir esses objetivos, foram desenvolvidas as seguintes estratégias: 

  • Gestão intersetorial dos recursos na abordagem dos problemas, ampliando parcerias e compartilhando soluções na construção de políticas públicas saudáveis;
  • Capacidade de regulação dos Estados e municípios sobre os fatores de proteção e promoção da saúde;
  • Reforçar os processos de participação comunitária no diagnóstico dos problemas de saúde e suas soluções, reforçando a formação e consolidação de redes sociais e protetoras;
  • Promoção de hábitos e estilos de vida saudáveis, com ênfase no estímulo a alimentação saudável, atividade física, comportamentos seguros e combate ao tabagismo;
  • Promoção de ambientes seguros e saudáveis, enfatizando o trabalho em escolas e comunidades;
  • Reforço à reorientação das práticas dos serviços dentro do conceito positivo de saúde, atenção integral e qualidade, tendo a promoção como enfoque transversal das políticas, programas, projetos e ações, priorizando a atenção básica e o Programa de Saúde da Família;
  • Reorientação do cuidado na perspectiva do respeito a autonomia e a cultura.

Quais são as linhas de atuação do Política Nacional de Promoção da Saúde?

A regulamentação possui 4 linhas de atuação, que são:

1. Mobilização de recursos da gestão

A ideia é estabelecer parcerias intersetoriais, especialmente nos setores de educação, agricultura, trabalho, esporte e o poder legislativo, e com entidades e instituições não-governamentais.

Desta forma, mais facilmente serão incorporadas as políticas públicas saudáveis de forma integral, além de incentivar a participação comunitária nas decisões.

Ainda neste ponto, está incluído o monitoramento das políticas setoriais que interfiram na saúde da população e a elaboração de regras e normas de proteção e promoção da saúde, como, por exemplo, a rotulação adequada dos alimentos.

2. Mobilização de recursos individuais e comunitários

A intenção é estimular a autonomia individual e coletiva e a participação de associações, organizações e entidades, fortalecendo as ações de promoção da saúde.

São estimulados, ainda, a criação de redes sociais e de apoio, como as organizações que lidam com a prevenção da violência intrafamiliar, e o fortalecimento de ambiente seguros e acolhedores.

3. Comunicação e educação para a promoção da saúde

São as estratégias que visam capacitar lideranças e formadores de opinião e estabelecer parcerias com a própria mídia – tudo em torno da promoção da saúde.

Engloba a realização de campanhas de comunicação social e divulgação de informações e evidências sobre o tema.

4. Capacitação e qualificação de profissionais e gestores

Envolve a capacitação e qualificação de profissionais sobre os conteúdos da promoção da saúde e em sua instrumentalização.

Qual o papel do manual técnico desenvolvido pela ANS?

Visando estimular as operadoras de plano de saúde a repensarem a organização do sistema de saúde e, com isso, contribuir para as novas mudanças centradas na promoção da saúde, a Agência Nacional de Saúde (ANS) formulou um manual técnico de promoção da saúde no setor de saúde suplementar.

A ideia é fazer com que as operadoras de plano privado de saúde se tornem gestoras de saúde e, ao mesmo tempo, com que os beneficiários ganhem consciência sanitária e autonomia.

Além disso, tem como objetivo fazer com que a própria ANS se torne cada vez mais qualificada e eficiente para regular tal setor.

5 boas práticas para melhorar as condições de vida da população em geral

Abaixo, vou apresentar algumas ações e boas práticas que, ao serem implementadas, ajudam na promoção da saúde.

Essas ações podem ser individuais, promovidas por órgãos públicos e também por empresas privadas – por isso irei separar eles por subtítulo.

Órgãos públicos

  1. Criação de planos que contemplem ações concretas para melhorar a condição de saúde das pessoas, com base no conhecimento das doenças que afetam mais determinada população.

Se em uma determinada região as pessoas morrem mais devido à infarte, é possível adotar medidas preventivas alertando sobre os perigos da hipertensão, por exemplo.

Ambiente de trabalho

  1. Realização de ações de promoção de saúde no local de trabalho, como palestras abordando o estresse, uma vez que a produtividade está diretamente ligada a qualidade de vida e saúde mental e física.
  2. Promoção da flexibilização da jornada de trabalho, avaliando a possibilidade de adotar o home office, para aumentar a satisfação do colaborador.
  3. Melhorar o ambiente de trabalho, dando uma atenção maior à ergonomia e às condições da instalação.

Indivíduos

  1. Cabe ao indivíduo entender a importância de se manter saudável para evitar a ocorrência de doenças e garantir seu bem-estar.

Aqui se encaixa especialmente a manutenção de bons hábitos alimentares, a adoção de uma rotina de exercícios e o abandono do tabaco e do excesso de bebida alcoólica.

Quais são os benefícios de difundir essa iniciativa?

Ao ampliar o conceito de promoção da saúde, todos são beneficiados, uma vez que a intenção é justamente garantir mais qualidade de vida para as pessoas.

Quanto mais ações forem realizadas pensando no individual e no coletivo, maiores são as chances de criarmos uma sociedade mais justa e feliz, em que todos têm acesso aos mesmos cuidados.

A Telemedicina Morsch é referência no assunto, tendo em vista que facilita o acesso a consultas médicas.

Através da telessaude, distâncias geográficas e falta de infraestrutura deixam de ser empecilhos para garantir um atendimento especializado, seguro e de qualidade.

Sem falar que permite a realização de teleconsultoria, que é a consulta entre profissionais e instituições para esclarecer dúvidas ou promover ações mais assertivas.

Conclusão

Neste artigo, abordei a importância da promoção da saúde pensando no bem-estar individual e coletivo.

Mostrei a importância de realizar ações em conjunto, contraponto o fato de que as pessoas precisam assumir também essa responsabilidade, pois de nada adianta possuir regras e normas se cada um não fizer a sua parte.

Pontuei, ainda, 5 boas práticas para melhorar as condições de vida da população em geral e destaquei o fato da telemedicina ser um passo importante nesse sentido.

Quer se aprofundar mais nesse assunto? Confira nosso artigo Teleconsulta: tudo o que você precisa saber.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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