DSM 5: tudo sobre o manual de diagnósticos em saúde mental

Por Dr. José Aldair Morsch, 22 de março de 2022
DSM 5

O DSM 5 ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais tem auxiliado o trabalho de profissionais de saúde mental por todo o mundo.

E isso não se dá por acaso.

Referência para identificar diferentes condições, o material padroniza sintomas e comportamentos comuns.

Dessa forma, oferece suporte ao diagnóstico de males psíquicos e também ao tratamento.

Com base em suas indicações, psiquiatras, psicólogos e terapeutas ocupacionais de diferentes serviços de saúde podem dar seguimento às prescrições de forma coerente.

Se deseja aprofundar seus conhecimentos sobre o DSM 5, você chegou ao lugar certo.

A seguir, vou falar sobre a finalidade, critérios diagnósticos e os principais transtornos presentes no manual.

Além de um bônus para reforçar os cuidados aos seus pacientes usando a telemedicina.

Quer saber tudo sobre o DSM 5?

Acompanhe as informações deste texto até o final.

O que é DSM 5?

DSM 5 é a sigla para Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Esse documento foi criado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) para padronizar os critérios diagnósticos das desordens que afetam a mente e as emoções.

O número 5 se refere à quinta edição do manual, que passa por revisões e atualizações diante dos avanços científicos sobre os transtornos mentais.

A edição mais recente foi formulada em 2013, substituindo o DSM 4, que estava em vigor desde 1994 e havia passado por uma pequena adaptação no ano 2000.

A primeira versão surgiu em 1952, como suporte ao tratamento de traumas e doenças mentais que causavam sofrimento aos veteranos da Segunda Guerra Mundial.

Ouça o conteúdo deste artigo no formato de podcast no youtube.

Para que serve o DSM 5

A principal função do manual é servir de guia para o diagnóstico e cuidados adequados para pacientes em sofrimento mental.

A proposta do DSM 5 é orientar profissionais de saúde mental de um jeito prático e ágil, facilitando a troca de saberes e a continuidade de tratamentos.

Além de contribuir para a eliminação de tabus sobre o tema, ampliando discussões e permitindo um registro fiel sobre os transtornos mentais.

Isso porque, sem um padrão, os profissionais da área podem diagnosticar esses males com base em entendimentos distintos.

Inclusive, muitos distúrbios apresentam manifestações semelhantes, o que aumenta as chances de equívocos nos diagnósticos.

Além da identificação da patologia, o DSM 5 auxilia na prescrição do tratamento, pois traz informações sobre o comportamento esperado durante as crises.

Por exemplo, que tipo de postura indivíduos com transtorno da personalidade borderline tendem a apresentar quando estão deprimidos ou com raiva.

Nesse contexto, o manual é útil tanto para profissionais quanto para a orientação de familiares, amigos e outras pessoas que convivem com o paciente.

Quantos diagnósticos tem o DSM 5?

A quantidade de condições reunidas no DSM 5 ultrapassa 300 doenças mentais.

Essa longa lista analisa as patologias no formato de espectro, atribuindo diferentes gradações de acordo com a gravidade dos sintomas.

A intensidade dos comportamentos e impactos sobre a vida do paciente também são consideradas no diagnóstico.

Um exemplo do uso de gradações está na classificação do transtorno do espectro autista (TEA), que se manifesta de modo leve, moderado ou grave.

Embora não seja citada dessa maneira no DSM 5, a forma leve é conhecida popularmente como síndrome de Asperger.

Essa gradação não compromete o desenvolvimento intelectual ou cognitivo do paciente, no entanto, afeta suas habilidades de socialização.

Transtornos mentais abordados no DSM 5

A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais separa as doenças em capítulos.

Alguns deles reúnem uma classe de patologias, enquanto outros abordam apenas uma delas – geralmente, em formato de espectro.

Por exemplo, há capítulos sobre Transtornos de Ansiedade, Transtornos do Neurodesenvolvimento e Transtornos Depressivos.

Já o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e o transtorno bipolar têm seu capítulo próprio, devido a especificidades como amplitude e sintomas relacionados a mais de uma classe de distúrbios.

Confira detalhes sobre alguns diagnósticos descritos no DSM 5 a seguir.

Manual DSM 5

O manual DSM 5 serve como guia para o diagnóstico médico e para os cuidados adequados ao pacientes

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Como mencionei antes, o TEA reúne diferentes gradações de sintomas que afetam as habilidades de comunicação, identificação de emoções e interação social.

Movimentos estereotipados e repetitivos, dificuldade para construir e manter relacionamentos e interesses fixos estão entre suas manifestações.

Parte do capítulo sobre Transtornos do Neurodesenvolvimento no DSM 5, o autismo é um problema que pode ser percebido na infância e prejudica aspectos funcionais.

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

Também é classificado como Transtorno do Neurodesenvolvimento, manifestando sinais nos primeiros anos de vida.

Meninos e meninas com TDAH não conseguem se manter sentados e atentos durante as aulas e tendem a se esquecer de realizar tarefas.

A perda de objetos e a desorganização são outras características importantes.

Síndrome de Tourette

A Síndrome de Tourette é mais um transtorno do neurodesenvolvimento, que apresenta características psicológicas e neurológicas, provocando tiques.

As manifestações motoras e/ou vocais descontroladas agregam prejuízo social ao paciente, que pode se isolar ou apresentar comportamento agressivo em resposta.

Dislexia

Faz parte dos transtornos de aprendizagem e é diagnosticada diante de dificuldades na compreensão e interpretação da linguagem, seja ela escrita ou oral.

Esse quadro costuma ser observado na infância, uma vez que a criança apresenta atraso escolar devido à incapacidade em relação a aspectos da leitura e escrita.

Depressão

O DSM 5 dedica um capítulo aos Transtornos Depressivos, conhecidos popularmente como depressão.

O Transtorno depressivo maior é o mais comum, identificado a partir de queda na energia e motivação, humor deprimido, sentimentos de tristeza profunda e culpa.

Alterações nos padrões alimentares e de sono também costumam fazer parte do conjunto de sintomas.

Transtorno bipolar

Caracteriza-se por alterações graves de humor, alternando entre episódios maníacos, depressivos e períodos de remissão.

O DSM 5 cita dois tipos para a doença:

  • Tipo I: há elevação do humor grave e persistente (mania)
  • Tipo II: apresenta elevação do humor mais branda (hipomania).

Durante o episódio maníaco ou hipomaníaco, o paciente tem redução na necessidade de dormir, autoestima inflada e tendência a se envolver em atividades de risco.

Esquizofrenia

O Manual destaca a esquizofrenia como principal transtorno psicótico, marcado por delírio ou alucinação.

Também podem surgir outros sintomas que resultam da desconexão do paciente em relação à realidade, como isolamento, alienação, estupor e agitação anormal.

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

Para qualificar a assistência ao paciente é recomendado estudar os transtornos mais comuns e seus diagnósticos

Borderline

O DSM 5 define o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) como:

“Um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e de afetos e de impulsividade acentuada que surge no começo da vida adulta e está presente em vários contextos”.

Integrante do grupo de psicopatologias da personalidade, o TPB leva à disfunção nos domínios emocional, comportamental, cognitivo e interpessoal, elevando o risco de comportamentos autodestrutivos.

A automutilação é frequente entre os pacientes com esse distúrbio, e há níveis de suicídio preocupantes.

Transtorno de personalidade narcisista

Compondo também o grupo de transtornos de personalidade, o narcisismo tem como característica principal a fantasia de grandiosidade.

Na busca por atenção, o indivíduo acredita ser superior e ter direitos especiais, ao mesmo tempo em que tem dificuldade para desenvolver empatia.

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

Esse transtorno está detalhado em capítulo específico do DSM 5, a fim de evidenciar suas características peculiares.

As manifestações do TOC englobam pensamentos repentinos e intrusivos, chamados obsessões, e atitudes de alívio, que são as compulsões.

Esses comportamentos são repetidos por longos períodos, consumindo pelo menos uma hora diária, o que impacta diversas esferas da vida.

Isso porque o paciente sente a necessidade de interromper qualquer atividade para executar as compulsões, que se apresentam como comandos com regras extremamente elaboradas.

Eles são usados para diminuir a ansiedade proveniente da obsessão.

Ansiedade

Com um capítulo dedicado aos Transtornos de Ansiedade, o DSM 5 separa os distúrbios em diferentes eixos.

O mais conhecido é o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), que tem como principal sintoma a preocupação excessiva prevalente na maior parte do dia.

O paciente enfrenta grande barreira para controlar a preocupação, que acaba se manifestando através de sintomas físicos como tensão muscular e sudorese.

Combinados a eles, surgem manifestações psicológicas a exemplo de perturbações do sono e dificuldade para se concentrar.

Conforme detalha esta apresentação, esses aspectos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional.

Fobia social

Também chamada de transtorno de ansiedade social, essa condição faz com que o paciente tema situações em que precisa se expor.

Por consequência, ele tende a evitar ambientes desconhecidos, interações sociais novas e apresentações em público.

Quando precisa enfrentar esses contextos, o indivíduo sofre com sintomas como falta de ar e taquiarritmias.

Outros transtornos mentais

Mencionei anteriormente que existem mais de 300 doenças diagnosticadas no DSM 5.

Elas estão espalhadas por diferentes capítulos do manual, expressando os traços que descrevem um transtorno mental:

“Um transtorno mental é uma síndrome caracterizada por uma perturbação clinicamente significativa na cognição, regulação da emoção ou comportamento de um indivíduo, refletindo uma disfunção nos processos psicológicos, biológicos ou de desenvolvimento subjacentes ao funcionamento mental.”

Critérios diagnósticos de acordo com o DSM 5

É com base na definição acima que o manual determina os critérios diagnósticos para a classificação das desordens mentais e emocionais.

Assim, o profissional de saúde deve avaliar os quesitos abaixo para um diagnóstico correto.

Presença de sintomas

O desconforto em relação a si mesmo, aos outros e/ou a atividades e lugares costuma ser o primeiro sinal de transtorno mental identificado.

Esses sintomas afetam tanto a mente quanto o corpo, causando cansaço crônico, tremor, tristeza extrema, sentimento de vazio, estranhamento etc.

Características dos incômodos

Muitas vezes, fatores como duração, repetição e intensidade influenciam no diagnóstico, revelando a gradação ou até mesmo se foi um episódio isolado.

Tendências de comportamento

Dependendo do distúrbio, pode-se esperar algumas posturas do paciente.

Por exemplo, os transtornos depressivos afetam o sono, desencadeando insônia, sono fragmentado ou necessidade de repousar a maior parte do dia.

Já quem sofre com TOC cria e repete rituais para aliviar a ansiedade.

Alteração nas funções psíquicas

Os transtornos mentais afetam diferentes funções no processamento de informações internas, externas e emoções.

Por isso, podem incluir problemas de memória, atenção, relacionamento, comunicação e percepção.

Como utilizar o guia DSM 5

O jeito mais prático de utilizar o manual é estudando os capítulos de maior interesse, de acordo com a rotina do serviço de saúde.

Ou seja, pegar os casos de transtornos mais comuns e utilizar o guia para diagnóstico e abordagens terapêuticas, a fim de qualificar a assistência ao paciente.

É possível adquirir o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais traduzido para o português ou na versão original, em inglês.

Telemedicina contribui com a saúde mental

A telemedicina vem ganhando notoriedade nos últimos anos, e não é à toa.

Essa disciplina emprega recursos tecnológicos para conectar pacientes, médicos e equipes de saúde com diferentes finalidades.

Essa comunicação é feita dentro de um ambiente online seguro e aprovado pelo Conselho Federal de Medicina: a plataforma de telemedicina.

Hospedado na nuvem, esse software permite, por exemplo, a realização de consultas online por psiquiatras e psicólogos.

Usando a videoconferência, é possível avaliar o paciente conforme sua condição clínica, fala, movimentos e coerência das ideias.

Assim, é possível dar seguimento a tratamentos, emitindo atestados, receitas e outros documentos médicos e atualizando o prontuário eletrônico do paciente (PEP).

Caso seja preciso solicitar um exame de imagem, você pode contar com o serviço de laudos online da Telemedicina Morsch para ganhar em agilidade.

Basta compartilhar os registros para receber resultados elaborados e assinados digitalmente por especialistas na área do teste.

Clínicas de saúde ocupacional também se beneficiam da emissão de documentos da área via sistema de telemedicina.

Os seguintes arquivos são criados e assinados de forma online pelo médico do trabalho ou engenheiro de segurança:

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Conclusão

O DSM 5 fornece uma base importante para a classificação dos transtornos mentais, viabilizando o diagnóstico e o tratamento.

Por isso, o guia é um dos principais manuais de saúde mental disponíveis atualmente, ao lado de referências como a Classificação Internacional de Doenças (CID).

Com a diferença que a CID aborda as patologias de forma geral, enquanto o DSM é específico para os males psíquicos.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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