Saiba o que gera e como evitar uma crise de ansiedade

Por Dr. José Aldair Morsch, 14 de maio de 2021
Crise de ansiedade o que gera e como evitar o surgimento

Qualquer pessoa pode apresentar um tipo de comportamento ansioso em determinadas situações da vida. Porém, uma crise de ansiedade indica que o problema é mais sério.

Isso porque quadros críticos manifestam sintomas psicológicos e físicos, que podem trazer sérias consequências ao indivíduo. Além disso, corre-se o risco de que a condição seja crônica.

Portanto, sempre que uma crise surgir, é sinal de que um psiquiatra deve ser procurado. Especialmente se a ansiedade gerar impedimentos no dia a dia ou se repetir com frequência.

A seguir, entenda melhor o que é crise de ansiedade, como diferenciá-la de ataques cardíacos, de que forma é possível reconhecê-la e quais são os principais sintomas, intervenções, tratamentos e meios de prevenção. 

O que é crise de ansiedade? 

Em geral, uma crise de ansiedade provoca sentimentos extremamente negativos no indivíduo, que não consegue controlá-los. 

Nesse sentido, o problema é marcado por uma sensação acentuada de nervosismo, angústia e insegurança. Ou seja, a pessoa sente que algo muito ruim está acontecendo com ela.

Além disso, o corpo também passa a se comportar de maneira diferente, com o aumento dos batimentos cardíacos, formigamentos e outros sintomas que listarei mais adiante. 

Basicamente, a crise de ansiedade é uma reação emocional que se desencadeia de maneira extrema, gerando pânico ou estresse descontrolado. 

Na maioria das vezes, ela pode estar relacionada a casos que geram medo, frustração, irritação ou mesmo traumas. 

Isso significa que mesmo aqueles que não possuem transtornos de ansiedade, podem sofrer com uma crise em determinadas situações.

Vale destacar que, em situações do dia a dia, é normal se sentir ansioso, como antes de uma apresentação de trabalho, na espera de uma notícia ou no preparo de um encontro.

Contudo, quando essa ansiedade chega aos níveis extremos que mencionei, ou muito recorrentes, ela deixa de ser algo comum e sinaliza uma patologia.

Inclusive, a população brasileira é a que mais sofre com crises de ansiedade no mundo. De acordo com dados da OMS divulgados pela revista Exame, 9,3% da população tem o problema. Isso representa 18,6 milhões de brasileiros. 

No mais, as crises são o principal indicativo de que o paciente tem ansiedade crônica. Sendo assim, é indispensável buscar apoio médico logo após o primeiro episódio. 

Nessas situações, caso o devido tratamento não seja feito, o quadro pode evoluir para outros problemas psicológicos relacionados à ansiedade grave ou depressão.

Crise de ansiedade X ataque do coração

Um dos sintomas físicos mais marcantes da crise de ansiedade é uma sensação de dor no peito

Dessa maneira, é comum que muitas pessoas a confundam com um infarto. 

Porém, durante um ataque do coração, a pressão sentida no tórax é mais profunda e pode se estender por mais tempo (em geral, 20 minutos).

Além disso, o infarto é associado a outras dores, que vão até os braços, ombros, abdômen e queixo. 

Isso porque, no infarto, as artérias que irrigam o coração são obstruídas e deixam de levar sangue até o mesmo, que começa a ter sua função comprometida. 

Assim, é essa falta de irrigação sanguínea que provoca a dor intensa no tórax e afeta as outras regiões do corpo. 

Por sua vez, a dor no peito da crise de ansiedade é menos intensa e geralmente acompanhada de outros sintomas, que explico logo abaixo.

Detectando uma crise de ansiedade 

Enquanto a crise de ansiedade ocorre, o organismo entra em um estado acentuado de alerta, que gera uma descarga muito alta de adrenalina. 

Dessa maneira, a primeira reação é a inquietude, acompanhada por medo, estresse excessivo e insegurança. 

Como detectar uma crise de ansiedade

Além disso, outros sentimentos e sintomas característicos surgem, e é preciso ficar atento a eles para determinar se a situação realmente corresponde a uma crise de ansiedade.

Afinal, muitas vezes temos sentimentos negativos extremos, mas nem sempre eles podem estar associados a quadros patológicos.

Assim, para saber se o seu caso é de ansiedade crítica, observe se ocorreram as seguintes situações:

Excesso de medo

Em primeiro lugar, a crise de ansiedade gera uma sensação de medo, que toma a mente do indivíduo de maneira súbita. 

Geralmente, a pessoa não sabe dizer porque está sentindo isso, mas os pensamentos negativos tendem a ser exagerados e fazem a pessoa a ter comportamentos excessivos.

Em algumas situações, isso pode estar associado a uma memória ou mesmo ao local em que o indivíduo está, mas geralmente não há motivo concreto.

Raiva excessiva

Junto do medo, a pessoa também é tomada por irritação e raiva, que tende a ser manifestada por gritos ou conflitos sem razão.

O sentimento é de que os outros estão tentando prejudicá-lo, mesmo que isso não seja a realidade, e a consequência pode ser brigas ou até agressões verbais. 

Sensação de enjoo

Outro sintoma recorrente da crise de ansiedade é a vontade de regurgitar. Porém, na maioria das vezes, a pessoa não consegue vomitar de fato.

A partir disso, desconfortos estomacais podem surgir, e o indivíduo passa a sofrer com essas dores por longos períodos de tempo. 

Coração acelerado

Como citei anteriormente, a aceleração dos batimentos cardíacos é muito comum durante as crises, por vezes confundindo com um infarto. 

Inclusive, essa sensação só agrava a preocupação do paciente ansioso, que tem seus sentimentos negativos mais exacerbados. 

Medo de morrer

Ainda que não ocorra em todas as crises de ansiedade, o medo de morrer também pode acometer grande parte das pessoas que sofrem com o problema.

Por mais que não exista uma ameaça real ou aparente à vida, a sensação de morte é recorrente – e parece que uma fatalidade pode ocorrer a qualquer momento.

Sentimento de desmaio

Assim como a vontade de vomitar, a sensação de desmaio se manifesta sem que o indivíduo realmente “apague”.

Em casos raros, a pessoa realmente desmaia. Mas geralmente, isso se limita à impotência física, associada a fraqueza nos joelhos e visão turva.

Desconexão da realidade

Em relação à desconexão da realidade, a pessoa não sente apenas ameaças irreais, como também deixa de viver o momento presente.

De forma resumida, o cérebro deixa de processar a situação, o emocional fica sobrecarregado e o paciente se dissocia do que está vivendo.

Inclusive, isso gera lapsos de memória depois que a crise de ansiedade acaba. E em certos casos, a pessoa acredita que não é ela quem está vivendo a situação, como se fosse outra a vendo ter um ataque. 

Pensamentos embaralhados

Durante toda a crise de ansiedade, a pessoa perde a capacidade de raciocinar e ter pensamentos lógicos. 

Isso faz com que o indivíduo não consiga se livrar das sensações negativas que alimentam a crise. 

Além disso, é comum que os pensamentos descompassados permaneçam depois do ataque, fazendo que o raciocínio fique comprometido por longos períodos. 

Outros sintomas ainda marcam as crises de ansiedade. Abordarei eles no próximo item! 

Principais sintomas da crise de ansiedade 

Os sintomas mentais e físicos da crise de ansiedade vão além daqueles que citei acima, sendo os mais característicos desse tipo de quadro.

Entre os principais sinais psicológicos do problema, estão:

  • Medo recorrente;
  • Pensamentos descontrolados;
  • Incapacidade de esquecer o fato que gera ansiedade;
  • Dificuldades para dormir;
  • Irritabilidade excessiva;
  • Pernas e braços agitados;
  • Nervosismo e tensão excessivos e constantes;
  • Falta de concentração e de raciocínio;
  • Preocupação exacerbada e desconexa da realidade;
  • Sentimento de que algo ruim ou grave vai acontecer a qualquer momento.

Já os sintomas físicos incluem:

  • Falta de ar ou respiração ofegante;
  • Fadiga excessiva;
  • Fraqueza;
  • Sudorese;
  • Boca seca;
  • Náusea;
  • Dor de barriga;
  • Diarreia;
  • Suor nas mãos e nos pés;
  • Tensão muscular;
  • Tremores, geralmente nas mãos;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Aumento das batidas cardíacas. 
Quais os principais sintomas da crise de ansiedade

Quando sentir que está com uma crise de ansiedade, o indivíduo pode adotar algumas medidas paliativas para minimizar os sintomas. Descubra abaixo quais são elas!

O que fazer em uma crise de ansiedade? 

Conforme expliquei anteriormente, o atendimento profissional deve ser procurado sempre que uma crise de ansiedade se manifestar. 

Contudo, enquanto a crise ocorre, algumas atitudes podem ser tomadas pela pessoa para que tenha seus sintomas aliviados, como:

  • Evitar qualquer tipo de estímulo, como assistir televisão ou usar o celular;
  • Parar o que está fazendo e descansar, deitando, fechando os olhos e aquietando a mente;
  • Respirar lentamente, inspirando pelo nariz e expirando devagar pela boca;
  • Tomar uma bebida calmante, como chá de camomila;
  • Praticar uma atividade física;
  • Deixar que as emoções possam aflorar, chorando caso tenha vontade ou mesmo gritando – se estiver sozinho em um ambiente em que isso é possível;
  • Conversar com alguém de confiança. 

Além disso, caso você já faça um tratamento psiquiátrico, não deixe de tomar o medicamento paliativo para ansiedade sempre que uma crise surgir. 

Quando as crises de ansiedade forem muito recorrentes, é imprescindível que o tratamento com psiquiatra seja somado ao acompanhamento com psicólogo. 

Isso porque o profissional atua para reconhecer as causas da crise e estabelecer meios para lidar com os momentos em que a ansiedade é acentuada. O objetivo é que os sintomas do quadro desapareçam mais rapidamente. 

Saiba mais sobre os meios de tratamento, no próximo item. 

Como tratar a crise de ansiedade? 

É fundamental que a crise de ansiedade seja tratada com o apoio de um especialista.

Em geral, o profissional mais recomendado para esse tipo de intervenção é o psiquiatra, mas o apoio de um psicólogo também é importante.

Inicialmente, é preciso realizar alguns exames para verificar as condições gerais de saúde do paciente. Ou ainda, eliminar qualquer suspeita adicional (se os apertos no peito não são de uma doença cardíaca, por exemplo).  

Inclusive, as crises podem estar associadas a outras patologias mais sérias, como o transtorno de ansiedade generalizada ou a síndrome do pânico.

Num primeiro momento, as intervenções terapêuticas identificam os gatilhos para ataques e entendem como se comportam os pensamentos do paciente. Isso para trabalhar o seu modo de reagir às situações.

Esse tipo de terapia é conhecida como cognitivo-comportamental e serve para que a pessoa saiba como avaliar quando seus pensamentos condizem com a realidade. Além de quais são os meios mais efetivos de reagir perante eles.

Enquanto a terapia é ministrada pelo psicólogo, o psiquiatra fornece apoio por meio de intervenções medicamentosas, que servem como paliativos para os sintomas. E quando necessário, para controlar a própria ansiedade. 

Sendo assim, quando a ansiedade for intensa e atrapalhar demais a rotina do paciente, lhe causando sofrimento e impedimentos nas atividades cotidianas, um atestado pode ser  necessário até que a devida recuperação seja concluída.  

Como evitar uma crise de ansiedade? 

Para evitar que um comportamento ansioso evolua e se transforme em uma crise de ansiedade, é importante saber como controlar o estresse e a pressão da rotina.

Isso significa que a melhor forma de prevenir o transtorno é por meio da qualidade de vida, que pode ser garantida com uma série de cuidados. Eles incluem:

  • Alimentação saudável e equilibrada;
  • Prática regular de exercícios físicos;
  • Técnicas de relaxamento;
  • Boa qualidade do sono;
  • Momentos de lazer;
  • Realização de terapia;
  • Equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
  • Manutenção de hobbies. 

Quando consultar um psiquiatra? 

Novamente, ressalto a importância de consultar um psiquiatra logo após a primeira crise de ansiedade.

A partir disso, o devido acompanhamento será prestado e novos episódios poderão ser avaliados e evitados durante as novas consultas.

Quando consultar um psiquiatra?

Por isso, é imprescindível ficar atento às características das crises para determinar se realmente é o caso de procurar um médico.

Além disso, mesmo quando a ansiedade não se agravar para esse tipo de ataque, é preciso que ela seja devidamente monitorada e tratada.

Nesses casos, o ideal é avaliar o que faz você se sentir ansioso, quais são os gatilhos para isso e de qual forma o problema afeta sua rotina.

Afinal, se a ansiedade prejudica as atividades do dia a dia, ou é grande o suficiente para lhe causar sofrimento, é indispensável contar com ajuda especializada para controlá-la. 

Conclusão

Uma crise de ansiedade pode ser pontual ou sinalizar uma patologia crônica, mas em todos os casos é preciso identificar suas características e buscar o devido tratamento.

Isso porque trata-se de um problema com sintomas psicológicos intensos e limitadores, além de sinais físicos que causam igual angústia aos pacientes.

Felizmente, com apoio psiquiátrico e psicológico, as pessoas com ansiedade podem recuperar sua qualidade de vida, descobrir as melhores formas de lidar com a condição ou até mesmo se livrar dela. 

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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