BI-RADS: de 0 a 6, entenda a classificação em exames de mama

Por Dr. José Aldair Morsch, 15 de março de 2022
BI-RADS

Lançada na década de 1990, a classificação BI-RADS padronizou a descrição de achados em exames de imagem das mamas.

Além de especificar a conduta médica para dar seguimento aos casos, considerando seu potencial de evolução para câncer.

Usando esse método, testes como mamografia, ressonância magnética e ultrassonografia ganharam resultados claros e precisos.

Se deseja entender melhor o significado, importância e aplicação da classificação BI-RADS, avance na leitura deste artigo.

Ao final, vou mostrar opções para qualificar os resultados da mamografia com o suporte da telemedicina.

O que é BI-RADS?

BI-RADS é a sigla para Breast Image Reporting and Data System, um sistema que propõe padrões de classificação para exames de imagem das mamas.

Para tanto, o BI-RADS separa os achados dos exames em 7 categorias diferentes, considerando suas características e chances de terem evolução maligna.

O sistema começou a ser idealizado nos anos 1980, nos Estados Unidos.

Autoridades de saúde do país perceberam que, apesar da importância da mamografia para rastrear o câncer de mama, a maioria das biópsias prescritas tinha resultado negativo.

Isso porque fatores como a densidade do tecido mamário dificultavam – e ainda dificultam – a palpação de massas detectadas em testes como a mamografia.

Diante desse fato, era comum que os especialistas da época pedissem estudos por biópsia com frequência e, muitas vezes, sem necessidade.

Sem contar que os laudos podiam ser confusos, porque não havia uma estrutura determinada para sua elaboração.

Até que, em 1993, o Colégio Americano de Radiologia se uniu a outras entidades para apresentar a primeira edição do BI-RADS.

Importância do método Birads

A partir da adoção do sistema por várias nações, incluindo o Brasil, ficou simples identificar os casos de maior risco para câncer e outras lesões nas mamas.

Conforme descreve este estudo:

“A proposta visava um sistema que não apenas classificasse as imagens mamográficas, mas que estruturasse os relatórios através das descrições das lesões e da padronização das conclusões, sugerindo ainda orientações que deveriam ser tomadas, dependendo da classificação final obtida.”

Nesse contexto, a interpretação dos testes se tornou mais precisa, atendendo a uma estrutura e linguagem padronizadas.

Dúvidas e ambiguidades foram eliminadas, qualificando as avaliações, diagnóstico e assistência prestada aos pacientes.

O BI-RADS ainda estabeleceu a estrutura básica para o laudo mamográfico, que deve conter:

  • Um resumo sobre a densidade da mama
  • Descrição dos achados significativos
  • Avaliação final e recomendação da conduta a ser adotada.

 

O que o BI-RADS classifica

O método Birads classifica diferentes tipos de achados de acordo com as chances de serem ou se tornarem malignos.

Considerando detalhes como seu tamanho, limites, forma e densidade, as lesões encontradas recebem um dos enquadramentos BI-RADS entre 0 e 6.

Vou falar mais sobre cada um no próximo tópico.

Outra função do método BI-RADS é determinar a densidade mamária.

Esse fator importa porque mamas densas prejudicam a visualização de massas na mamografia.

Caso haja suspeição de lesões, é comum que o médico peça outros testes complementares, como o ultrassom de mamas.

A classificação do conteúdo interno das mamas detecta a presença de 3 modalidades de tecido: glandular, adiposo e fibroso.

No tipo 1, estão as mamas que têm mais gordura (tecido adiposo) e menos de 25% dos demais tecidos.

No 2, mamas com densidade moderada, com 25% a 50% de tecido denso (glandular e fibroso).

As mamas enquadradas como tipo 3 são heterogeneamente densas, contendo entre 51% e 75% de tecido glandular e fibroso.

Por fim, o tipo 4 se refere a mamas predominantemente densas, com mais de 75% de tecido glandular e fibroso.

BI-RADS

Método BI-RADS deve conter a avaliação final e a recomendação da conduta a ser adotada no processo

Entendendo a classificação BI-RADS

Agora que ficou clara a relevância desse método, vamos avançar para os detalhes a respeito da classificação.

Vale lembrar que houve revisões desde a primeira edição do sistema BI-RADS, contudo, o enquadramento se mantém similar ao inicial.

Ou seja, o BI-RADS atribui sete categorias aos exames das mamas, que vão de 0 a 6.

A seguir, vou comentar cada uma delas em detalhes.

BI-RADS 0

À primeira vista, a categoria 0 (zero) pode causar estranhamento.

O número incomum em escalas médicas foi adotado para informar que o resultado do exame é inconclusivo.

Encaixam-se aqui diversos achados atípicos, por exemplo, quando a paciente tem mamas densas e uma massa é notada ao toque (exame físico), porém não aparece na mamografia.

Nódulos observados pela primeira vez nas imagens mamográficas, de aparência incomum e que não sejam palpáveis, também se enquadram em BI-RADS 0.

Assim como possíveis cicatrizes em pacientes que já tenham sido tratadas para câncer de mama.

Contudo, os achados podem não passar de artefato radiológico, o que reforça a necessidade da realização de testes complementares.

Seguimento para BI-RADS 0

Diante de resultado inconclusivo, é indispensável aprofundar a investigação para descartar a suspeita clínica ou iniciar o tratamento adequado.

Portanto, o médico deve solicitar exames para esclarecer dúvidas e dar suporte ao diagnóstico correto.

A indicação vai depender do teste que foi feito.

Normalmente, tudo começa com uma mamografia de rastreamento, que pode ser seguida por uma ultrassonografia mamária caso resulte em BI-RADS 0.

Ou, então, de uma ressonância magnética.

BI-RADS 1

Esta é a categoria que designa os exames normais, sem alterações no tecido mamário.

Significa que não foram observados nódulos, lesões, cistos, microcalcificações, alterações na forma ou assimetria nas mamas.

Ao contrário do que pode ocorrer em BI-RADS 0, as imagens são nítidas em BI-RADS 1, permitindo afastar a suspeita de achados malignos.

Seguimento para BI-RADS 1

A conduta médica nesses casos se limita à indicação de acompanhamento ou rastreamento conforme a idade da paciente e se ela pertence ou não ao grupo de risco para câncer de mama.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), os fatores de risco para a doença são:

  • Casos de câncer de mama em familiares consanguíneos, principalmente em idade jovem
  • Histórico de câncer de ovário
  • Histórico de câncer de mama em homens
  • Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

Nesses contextos, recomenda-se rastreamento por meio de mamografia anual, a partir dos 35 anos de idade.

Classificação câncer de mama

Exames como mamografia e ressonância magnética ganham resultados claros e precisos com o método BI-RADS

BI-RADS 2

Reúnem-se aqui os achados tipicamente benignos.

Ainda que não representem risco de malignidade, eles são relatados para acompanhamento de sua evolução e segurança das pacientes.

Um exemplo comum são alterações percebidas após a colocação de implantes de silicone.

Outros registros que recebem a classificação BI-RADS 2 são mencionados neste documento da Fiocruz:

  • Cistos simples
  • Linfonodos intramamários
  • Coleções líquidas pós-cirúrgicas
  • Implantes mamários
  • Cicatriz pós-cirúrgica estável
  • Cistos complicados ou prováveis fibroadenomas sem modificações por pelo menos 2 ou 3 anos.

 

Seguimento para BI-RADS 2

Como o achado é benigno, a conduta médica inclui as mesmas medidas adotadas para BI-RADS 1.

É feito, então, um rastreamento com mamografias de rotina, uma vez ao ano.

Podem ser realizados outros exames com finalidade diagnóstica em qualquer momento, a critério do ginecologista ou mastologista.

BI-RADS 3

A categoria 3 se refere ao achado provavelmente benigno.

Essa probabilidade corresponde a 98% ou mais, deixando no máximo 2% de chances de que seja maligno.

É o caso de um nódulo sólido, oval e com margem circunscrita, que se pareça com um fibroadenoma e não cause incômodo para a paciente.

Ou de microcalcificações redondas, simétricas e bem delimitadas.

Seguimento para BI-RADS 3

Por haver chances pequenas de evolução para um tumor maligno, os exames avaliados como BI-RADS 3 necessitam de monitoramento frequente.

Assim, novos exames devem ser feitos a cada seis meses, por até dois ou três anos.

Se não houver mudanças nesse período, a lesão recebe nova classificação, sendo enquadrada em BI-RADS 2.

Então, a paciente retorna às mamografias de rotina.

BI-RADS 4

Reúne os achados suspeitos de malignidade, que possuem traços como irregularidade, densidade assimétrica e limites pouco definidos.

Em ultrassons realizados com Doppler, pode ser que a lesão ainda apresente hipervascularização – característica comum a tumores malignos.

Contudo, o enquadramento em BI-RADS 4 atende a um amplo espectro de achados, com risco de malignidade que varia de 2% a 95%.

Por isso, foram criadas três subdivisões que auxiliam na avaliação dos casos e da conduta mais adequada.

São as seguintes:

  • 4A: lesões com baixa suspeita de malignidade, representando entre 2% e 10% de risco de se tornarem câncer
  • 4B: suspeita moderada de câncer, que vai de 11 a 50%
  • 4C: risco elevado de malignidade, entre 51% e 95%.

 

Seguimento para BI-RADS 4

Mesmo para os achados com suspeita baixa de malignidade, a biópsia percutânea está indicada para coletar informações detalhadas sobre a lesão.

O procedimento é feito com uma agulha fina que, inserida no achado, extrai uma pequena parte para estudo em laboratório.

A biópsia é guiada por exame de imagem, a fim de aumentar sua precisão e diminuir o desconforto para a paciente.

Cerca de 70% dos resultados apontam achados benignos, já os demais são reclassificados como BI-RADS 6.

BI-RADS 5

Quando as chances de uma lesão ser câncer superam os 95%, ela é enquadrada em BI-RADS 5.

Os achados altamente sugestivos de malignidade englobam microcalcificações ramificadas, nódulos densos e espiculados e estruturas hipervascularizadas.

Seguimento para BI-RADS 5

Por maior que seja a sensibilidade e acurácia do exame de imagem realizado, sempre é preciso fazer uma biópsia para verificar o material que forma a lesão.

Até porque existem chances, ainda que pequenas, de que seja um achado benigno.

BI-RADS 6

Aqui, estamos falando de casos de câncer de mama, confirmados através de biópsia.

A BI-RADS 6 serve para descrever o tratamento e avaliar a resposta do organismo a cada tipo de terapia, periodicamente.

Seguimento para BI-RADS 6

A partir da confirmação de tumor maligno, o médico verifica as características do achado para prescrever o tratamento.

A terapia pode incluir medicações, quimioterapia, radioterapia e/ou cirurgia.

Evolução e mudanças no BI-RADS

Como citei acima, o enquadramento dos achados nas mamas pode mudar conforme eles evoluem.

Ou diante de resultados de novos exames complementares.

O BI-RADS 3, por exemplo, pode ser reclassificado como BI-RADS 2 após confirmação de que o achado não irá evoluir para câncer.

Assim como BI-RADS 4 e 5, que podem se tornar BI-RADS 2 se os testes mostrarem que são benignos, ou BI-RADS 6, se o tumor maligno for confirmado.

Sem contar o BI-RADS 0, que sempre receberá novo enquadramento para seguir com a assistência à paciente.

BI-RADS e mamografia

O sistema BI-RADS é usado na interpretação da mamografia.

A radiografia das mamas emprega raios X para obter imagens internas dessas áreas, detectando lesões em estágio inicial.

Atualmente, o exame é considerado padrão ouro no rastreamento do câncer de mama, o tipo de câncer mais comum entre mulheres em todo o mundo.

Só em 2019, a doença matou 18.295 brasileiras.

Para reverter esse quadro, eu sempre insisto que é importante investir no rastreamento, uma vez que o diagnóstico precoce eleva as chances de cura para mais de 90%.

Daí a necessidade de que, a partir dos 50 anos, todas as mulheres façam uma mamografia a cada 12 meses.

Quem estiver no grupo de risco, deve começar esses cuidados aos 35 anos.

Como a telemedicina qualifica a mamografia

Usando plataformas modernas e robustas, a telemedicina rompe a barreira geográfica para qualificar a interpretação da mamografia.

Assim como de outros testes radiológicos, como tomografia e ressonância magnética.

No software de telemedicina, as informações são compartilhadas com toda a segurança, protegidas por senhas e criptografia, e ficam armazenadas na nuvem (internet), o que facilita o acesso por pessoas autorizadas e o compartilhamento de resultados.

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Emissão de laudos online na mamografia

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Basta fazer a mamografia normalmente e inserir os registros no sistema para receber laudos online em minutos.

E o melhor: os exames são avaliados por especialistas qualificados, sob a luz da suspeita clínica e histórico do paciente.

Depois de elaborar o laudo, o médico insere sua assinatura digital para garantir a autenticidade.

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Conclusão

É inegável a contribuição do sistema BI-RADS para qualificar o diagnóstico e conduta médica diante de achados mamográficos.

Sua estrutura permite que o paciente receba a assistência adequada, mesmo que seja atendido em diferentes unidades de saúde.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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