Cirurgia a distância: como a telecirurgia impactará o futuro da medicina?

Por Dr. José Aldair Morsch, 1 de fevereiro de 2018
cirurgia a distância

Uma das especialidades dentro da Telemedicina é a Telecirurgia, também chamada de cirurgia a distância.

Será que já estamos preparados para essa tecnologia? Hospitais Hi-tech aproveitam as pesquisas da NASA e dos militares para introduzir cirurgias a distância. Mas qual seria o objetivo desse investimento? Quem de fato se beneficiaria com tanta tecnologia?

Estamos caminhando para um mundo tecnológico sem precedentes e a pessoa que se posicionar de forma concreta hoje, poderá estar colocando á prova teorias que cairão por terra em muito pouco tempo.

Vou abordar o tema cirurgia a distância, com ênfase na conceituação, onde realmente estamos hoje com essa tecnologia e o que veremos em breve.

Para os apaixonados por novidades na saúde, creio que será um tema fascinante, então fique comigo!

O que é cirurgia a distância?

Indo direto ao ponto, se trata de realizar uma cirurgia num local onde o especialista não está presente, utilizando toda tecnologia disponível na atualidade. Seja teleconferência, robótica guiada a distância por computadores conectados á internet, entre outras parafernalhas…

Solicite um orçamento

Atualmente utilizamos a palavra Telecirurgia por se tratar de uma nomenclatura dentro da Telemedicina que é o atendimento de pacientes a distância.

O interesse em investir nessa área se baseia em levar o especialista representado pela robótica em locais distantes onde rotineiramente existem apenas clínicos gerais.

História oficial da Telecirurgia

Para nos situarmos no tempo, podemos afirmar que de forma muito rudimentar, a primeira cirurgia robótica  utilizando um robô, foi em 1985, quando o robô PUMA 560, foi utilizado durante a realização de uma biopsia no cérebro para guiar a agulha.

Em 1988, o PROBOT, desenvolvido no Colégio imperial de Londres , foi usado para realizar uma operação de próstata.

Em 1992, o ROBODOC, da empresa “Sistemas cirúrgicos integrados”, para esculpir com precisão encaixes em um fêmur durante uma operação para instalação de uma prótese de quadril.

Notem que até esse momento o robô permanecia no bloco cirúrgico, longe do paciente. Um grande avanço foi dado pela necessidade das Forças Armadas norte-americanas para fazerem cirurgias a distância na década de 1990 onde a necessidade de cirurgias nas frentes de batalha forçaram a pesquisa na área e a internet teve papel decisivo.

Em 2001, a primeira operação transatlântica foi conduzida por cirurgiões de um hospital em Nova Iorque em um paciente na França.

Quais as vantagens da cirurgia a distância?

No cenário atual, podemos listas as 5 vantagens oferecidas pela telecirurgia

1- A incisão, o corte na pele é muito menor

Como são utilizados braços robóticos sem a necessidade de introduzir as mãos cirurgião dentro do paciente, a redução campo cirúrgico é surpreendente.

2- A cirurgia é de alta precisão

Os comandos são exatos, matemáticos, sem chance de erro no resultado final da ação realizada pelo braço mecânico á partir do comando do cirurgião a distância.
Não existe vacilo, tremor, ansiedade, emoção, tudo é exato.

3- O sangramento é muito menor

Como estamos falando de redução da incisão, redução da manipulação interna do paciente, obviamente teremos menos trauma e menos sangramentos.

Com menos sangramentos, teremos menos transfusões de sangue e menor risco de contrair doenças por transfusões repetidas.

4- Melhor ergonomia

Isso quer dizer que os movimentos ocorrem tridimensionalmente dentro do campo operatório e traz com isso menos estresse cirúrgico e o resultado é menos dor e menor necessidade de uso de analgésicos.

5- Recuperação e cicatrização mais rápidos

Utilizando o mesmo princípio exposto acima, com menos trauma, menos tecidos são lesados e o resultado final é redução significativa do tempo de recuperação e por se tratar de tecidos menos afetados, a cicatrização será muito mais rápida.

Sempre temos desvantagens, quais seriam na cirurgia a distância?

1- A tecnologia é cara

O custo de um robô básico é de um milhão de dólares. Isso já é uma barreira para a maioria dos pequenos hospitais que mais precisam dessa tecnologia.

2- Alto custo dos suprimentos

Adquirir o robô já é complicado. Imagina a manutenção e compra dos suprimentos de uso rotineiro?

3- Treinamento de equipe

O investimento em treinamento de toda equipe que permanece na sala como apoio que é feito de forma presencial para aprender a manusear o equipamento.

4- Existe somente uma empresa no mundo que fornece a tecnologia

Não existindo concorrência, o preço do produto é determinado pela oferta e procura, como todo mundo sabe.

5- Necessidade de ter um cirurgião presencial

Sim, caso ocorra algum contratempo em relação ao uso do robô ou que o quadro clínico do paciente se instabilize, é de suma importância a presença de um cirurgião para assumir o ato cirúrgico.

6- Problemas éticos e de regulamentação

Como é uma área nova na medicina, não existe legislação vigente para seguirmos, com isso não podemos vislumbrar o ato médico como ético. Quem seria o responsável se alguma coisa desse errado?

Na atualidade, onde seria útil a cirurgia a distância?

Sabemos que as regiões remotas são as mais necessitadas, mas isso está longe de acontecer…

Como o assunto é futurista, precisamos olhar o cenário como tal.

Estamos acompanhando empresas que estão investindo em colonização de marte.

Numa situação como essa, a necessidade de cirurgias de emergência em passageiros desse nível justificaria o ato, sem levar em conta a ética que respeitamos em nossa sociedade.

O que podemos esperar para o futuro da cirurgia a distância?

O processo de aprendizado de máquinas, chamado machine learning mudará completamente o rumo das pesquisas.

Precisamos incorporar em nossas vidas a inteligência artificial e utilizá-la a nosso favor.

Certamente ela será capaz de substituir o cirurgião que hoje é obrigatório estar presente dentro do bloco cirúrgico onde ocorre o procedimento.

Onde usamos de forma rotineira a Telemedicina na atualidade?

Paralelamente a pesquisa em cirurgia a distância, observamos um crescimento surpreendente da Telemedicina no ramo de exames médicos a distância.

Estamos falando do médico virtual interpretando os exames a distância e contribuindo muito para fazer diagnósticos de doenças que só o especialista é capaz de documentar.

Enquanto falamos de cirurgia a distância, esquecemos de diagnósticos a distância.

O que isso importa?

Nos últimos 20 anos a tecnologia propiciou que médicos de seus consultórios, clínicas, postos de saúde, emergências de hospitais com pacientes graves e sem um diagnóstico possam aproveitar a disponibilidade de especialistas que estão logados em plataformas de telemedicina para dar uma opinião.

Como a Telemedicina ajuda locais remotos?

A maioria das especialidades médicas hoje já estão trabalhando de forma virtual. Nos Estados Unidos já se admite a denominação oficial de médico virtual.

Através de uma plataforma de Telemedicina em nuvem, o médico de um local remoto envia o arquivo do exame feito no seu paciente, usando a internet e em poucos minutos o especialista logado na plataforma interpreta o exame e libera o laudo médico com sua opinião que vai se decisiva para salvar a vida do paciente.

Quer um exemplo real?

Um paciente com dor no peito, suspeita de infarto agudo do miocárdio, vai no posto de saúde de uma cidade de 2 mil habitantes.

É sabido que não existe cardiologista, nem médico de plantão,  num raio de 100 km. Normalmente é um enfermeiro que tria os pacientes e chama o médico clínico que está em casa.

No posto existe um aparelho de eletrocardiograma e a enfermeira rapidamente realiza o exame e envia para a plataforma de Telemedicina usando a internet.

Em minutos o cardiologista interpreta, confirma que o paciente está infartado e imediatamente orienta a conduta imediata de medicação e transferência para um hospital com maiores recursos.

Veja bem, isso é real, e existe em milhares de lugarejos, diariamente salvando milhares de vidas.

Enfim, falar de tecnologia na saúde é empolgante. Vemos pesquisas em cirurgia a distância e ao mesmo tempo já usamos áreas de diagnóstico salvando vidas todos os dias.

Se no seu hospital ainda não utilizam a Telemedicina para interpretar os exames, esta é uma oportunidade de mudar a realidade de sua cidade.

Entre em contato, comente suas impressões sobre o que achou do assunto. Não deixe de compartilhar nas redes e assinar nosso blog!

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

COMPARTILHE

Entre em contato por WhatsApp
Enviar mensagem pelo WhatsApp