Tecnologia na medicina: avanços da medicina e o futuro da saúde

Por Dr. José Aldair Morsch, 17 de outubro de 2018
tecnologia na medicina

A evolução da tecnologia na medicina ao longo dos anos é marcante, tanto para profissionais quanto para pacientes.

Basta um pouco de atenção para percebermos que, a todo momento, surgem novidades na saúde que qualificam as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças e outras condições médicas.

Esse impacto de tecnologias na melhoria da saúde não é de agora, já que ferramentas e dispositivos têm contribuído para prognósticos mais positivos há séculos.

E não há exagero algum nessa afirmação, como veremos a partir de agora.

Neste artigo, vou contar um pouco dessa história, falando dos principais avanços tecnológicos na medicina e do que esperar para o futuro.

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Você vai entender como a ciência influencia a tecnologia, que avanços na medicina já são uma certeza para os próximos anos, a importância e benefícios da tecnologia na medicina e muito mais.

Prepare-se, pois o futuro da tecnologia na área da saúde está bem mais perto de virar realidade do que imaginamos.

Boa leitura!

A importância da tecnologia na medicina

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Quando falamos sobre tecnologia e medicina, é natural pensar em cirurgia robótica, telemedicina e uso de células tronco, temas bastante modernos e atuais.

Mas a relação entre esses dois campos é bem mais antiga.

A medicina, como a conhecemos hoje, só se tornou possível devido aos avanços da ciência e tecnologia.

Veja os aplicativos atuais na medicina

Repare que, sem os equipamentos de diagnóstico por imagem – como os aparelhos de raio X, ultrassonografia e ressonância magnética -, seria impossível investigar áreas internas do corpo humano de forma não invasiva.

Ou seja, seria preciso abrir o paciente para observar seus órgãos e outras estruturas anatômicas, o que sempre representa um maior risco à saúde.

A compreensão do funcionamento do corpo também só se tornou realidade com o auxílio da tecnologia.

É claro que, antes, já era realizada a autópsia em cadáveres, o que possibilitava identificar os tipos de órgãos e tecidos, sua localização e outras características.

No entanto, foi a observação de todos os sistemas em pessoas vivas, como nervoso, circulatório, digestivo e respiratório, que permitiu desenvolver soluções para os mais variados problemas de saúde.

Sem a tecnologia na medicina, portanto, a expectativa de vida era baixa. Praticamente qualquer doença representava um risco real de morte.

Mesmo condições que, hoje, têm chances altíssimas de cura, como fraturas, eram uma grave ameaça antes da invenção de técnicas como torniquetes, talas e gesso.

E devemos considerar que citei um exemplo bastante básico.

Se avançarmos na reflexão, muitos outros vão reforçar a importância da tecnologia na medicina.

Linha do tempo e evolução da tecnologia na medicina

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Como já destacado, a relação entre tecnologia e medicina é muito antiga.

Durante a Idade Média, período entre os séculos V e XV, já foram desenvolvidos na Europa alguns medicamentos para o tratamento de doenças.

Um deles foi um tipo de anestésico feito de uma mistura de suco de cicuta, suco de alho, ópio, vinagre e vinho, que era dado ao paciente antes de um procedimento cirúrgico.

A receita curiosa era também perigosa, pois podia levar o paciente à morte caso a mistura não seguisse a dose certa de cada ingrediente.

Na época, cirurgias só eram realizadas em caso de risco à vida, pois não eram procedimentos seguros, muito em razão da falta de higiene, infraestrutura e conhecimento.

Para se ter uma ideia, era comum que barbeiros realizassem as cirurgias com os mesmos instrumentos que usavam durante o trabalho.

Equipamentos para diagnóstico

Ao final do século XV, aumentaram os investimentos em universidades, potencializando o estudo de ciências como a anatomia, física, biologia e química.

Foi a partir dos conhecimentos científicos que especialistas desenvolveram novas formas de aproveitar descobertas e tecnologias para o aperfeiçoamento da medicina.

Raio X

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Um dos marcos nessa história foi a invenção do aparelho de raio X, no final do século XIX.

Em 1895, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen escreveu e publicou o artigoSobre uma nova espécie de raios“, no qual compartilhou seus experimentos usando radiação ionizante para a obter imagens internas do corpo humano.

Em 22 de dezembro daquele ano, Roentgen comprovou suas suspeitas ao posicionar a mão esquerda de sua esposa sobre o chassi que havia construído e, assim, realizar a primeira radiografia.

Depois de 15 minutos, ele revelou o filme com as imagens registradas e pôde ver ossos e partes moles.

Em 1901, o cientista recebeu o Prêmio Nobel de Física por sua descoberta.

O uso do equipamento de raio X impulsionou uma revolução tecnológica sem precedentes na área da medicina.

Desde então, médicos poderiam examinar estruturas anatômicas sem precisar de procedimentos invasivos.

Eletrocardiograma

No início do século XX, cientistas desenvolviam formas diferentes para o estudo e registro do funcionamento do músculo cardíaco.

A partir desses estudos iniciais, Willem Einthoven criou a máquina de eletrocardiograma.

Estudante na Universidade de Medicina da Holanda, Einthoven inventou o galvanômetro de corda, tecnologia capaz de registrar tensões cardíacas de maneira fiel.

Em 1924, o especialista recebeu o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina por suas contribuições com a área.

Tomógrafo

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Apesar de importante, a radiografia possui limitações, a exemplo de mostrar imagens em apenas duas dimensões (2D), o que dificulta a identificação dos tecidos com nitidez.

Por isso, substâncias como o contraste passaram a ser adotadas em alguns procedimentos, aumentando a clareza da região examinada.

Outro avanço importante foi a criação do tomógrafo, em 1972, que rendeu um Prêmio Nobel de Fisiologia para o sul-africano Allan Cormack e o britânico Godfrey Newbold Hounsfield.

Formado por um tubo que gira ao redor do paciente, o aparelho de tomografia captura diversas radiografias de uma mesma parte do corpo, permitindo a visualização de ângulos variados e a identificação de lesões pequenas.

Aparelho de Ressonância Magnética

Pesquisas a respeito do magnetismo sobre radiação eletromagnética, abordando os íons (ou partículas carregadas), também contribuíram para a produção de um importante equipamento de diagnóstico: o aparelho de ressonância magnética.

Foi a partir do estudo dos íons que os cientistas Felix Bloch, da Universidade de Stanford, e Edward Purcell, da Universidade de Harvard criaram a ressonância magnética.

Em 1952, eles ganharam o Prêmio Nobel de Física pela descoberta.

Aparelhos de ressonância começaram a ser usados para exames em humanos a partir da década de 1970, conferindo diversas vantagens.

Além de apresentar imagens internas do corpo com excelente resolução espacial, esse exame não usa a radiação ionizante necessária para radiografias e tomografias.

A radiação ionizante é reconhecida pelo potencial cancerígeno.

Comunicação e medicina

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Além dos diagnósticos que, como mostrei acima, impactaram diversas especialidades médicas, as tecnologias usadas na comunicação também são importantes para os progressos na medicina.

Os avanços culminaram no surgimento de especialidades como a telemedicina, que emprega tecnologias da informação e comunicação (TICs) para o fornecimento de laudos à distância.

Essa evolução ficou evidente, em especial, a partir do século XIX, com o apoio da telegrafia.

Com o telégrafo, médicos iniciaram a transmissão de laudos de exames radiográficos com colegas de localidades distantes.

A invenção do telefone, no fim do século, proporcionou um salto a essa comunicação, que ganhou a possibilidade de compartilhamento por voz.

Na mesma época, o código Morse também foi empregado para o envio de informações médicas.

Anos depois, essas operações foram aprimoradas pelas ondas de rádio, usadas para repassar dados entre médicos que atendiam nas frentes de batalha, hospitais de retaguarda e navios durante a Segunda Guerra Mundial.

Já no século XX, a invenção e popularização da internet permitiu o desenvolvimento de chats, aplicativos e outras tecnologias que facilitaram a comunicação na medicina.

Foi quando a telemedicina passou a ser aplicada na saúde pública, inicialmente em países europeus.

Sua utilização em campos que vão além do telediagnóstico, como na tele-educação, gestão em saúde e segunda opinião médica, gerou o atual conceito de telessaúde.

A telessaúde pode ser definida como a prestação de serviços de saúde à distância, através de tecnologias da informação e comunicação.

Mais recentemente, também surgiu a saúde digital ou e-Saúde – unificação das informações sobre pacientes, como medicamentos, consultas e exames, integrando softwares e dispositivos por meio da tecnologia na medicina.

Futuro da tecnologia na medicina

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Assim como no passado, a maioria das descobertas tecnológicas no campo da comunicação deve continuar proporcionando transformações na medicina.

A diferença é que essas mudanças, no mundo digital, ocorrem em ritmo acelerado.

Portanto, inovações como a robótica e impressão em 3D também vão promover tecnologia na medicina.

Cirurgia robótica

Estudos sobre operações realizadas por robôs começaram em instituições militares, com o objetivo de permitir cirurgias realizadas à distância, em locais remotos.

Mas, desde o reconhecimento das primeiras máquinas capazes de operar, por volta dos anos 1990, uma das grandes vantagens tem sido a precisão, superior à de um médico – que pode sofrer com espasmo, tremores, cansaço, etc.

De acordo com este artigo, entre 2012 e 2015, pelo menos 700 cirurgias com robôs foram realizadas pelo Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.

A cirurgia robótica é semelhante à laparoscopia, ou seja, minimamente invasiva e realizada com instrumentos longos, introduzidos na região operada.

Os braços do robô são manipulados por um cirurgião, a partir de um console.

Para tanto, polegares, dedos indicadores e médios do profissional são inseridos num dispositivo que aciona e dirige os movimentos do robô (cirurgia robótica assistida).

Os custos para essas operações ainda são altos, mas, conforme a tecnologia na medicina avança, há a tendência de que se tornem mais acessíveis.

Nanorobôs

Tendência em vários setores, a nanotecnologia é outra promessa para a medicina.

Recentemente, cientistas empregaram nanorobôs para o combate a células humanas cancerosas aplicadas em ratos, e os resultados foram promissores.

As pequenas máquinas cortaram o suprimento de sangue dessas células, causando sua morte sem danificar as células saudáveis.

Desenvolvidos por profissionais da Universidade Estadual do Arizona, em colaboração com o Centro Nacional de Nanociência e Tecnologia da China, os nanorobôs tiveram sucesso contra o câncer de mama, de pele, ovário e pulmonar.

Outras aplicações para as nanomáquinas devem envolver o auxílio em cirurgias e a liberação de medicamentos direto na corrente sanguínea, potencializando resultados.

Wearables de Saúde

Wearables são dispositivos vestíveis que monitoram ou registram informações sobre a saúde do usuário, como relógios inteligentes.

Eles servem para apontar a quantidade de calorias gasta, frequência cardíaca e qualidade do sono, por exemplo.

Atualmente, é possível até mesmo compartilhar os dados registrados com médicos e outros profissionais.

Por serem portáteis e não invasivos, os wearables de saúde devem se popularizar nos próximos anos.

Internet da saúde

Uma pesquisa divulgada pela canaltech em fevereiro de 2019 mostrou que 50% dos brasileiros usam a internet para esclarecer dúvidas sobre saúde.

Como mencionei há alguns tópicos, a rede teve um papel importante no avanço da medicina, e isso continuará acontecendo.

Uma das tendências nesse campo são os aplicativos que auxiliam na coleta de informações de saúde, como a quantidade de passos que uma pessoa deu durante o dia, melhores alimentos para uma dieta balanceada ou o acompanhamento de metas para uma vida mais saudável.

A união entre internet e mobile deverá conferir mais autonomia para os pacientes, que poderão ajudar seus médicos com informações de rotina, facilitando diagnósticos assertivos.

Telemedicina

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A telemedicina tem potencial para continuar impulsionando avanços a partir da combinação com inovações e tecnologia.

Desde o seu surgimento, essa especialidade médica tem contribuído para avanços significativos, tornando a saúde acessível a qualquer hora, em qualquer lugar.

Seja para interpretação de exames e a emissão de laudos a distância, esse é um apoio decisivo, contribuindo para a prevenção, diagnóstico, monitoramento e tratamento de doenças, lesões e outras condições médicas.

Os laudos a distância já são uma realidade em vários países, inclusive no Brasil, graças a uma combinação de internet, plataforma de telemedicina, profissionais treinados e especialistas.

Técnicos em enfermagem ou radiologia realizam exames que registram imagens em pixels (digitais), que são armazenadas e compartilhadas online em sistemas seguros.

Assim, um especialista pode visualizar as informações de qualquer dispositivo com acesso à internet, através de login e senha. A telemedicina pode ser considerada um avanço significativo da tecnologia na medicina mundial.

Impressora 3D e Órgãos artificiais

A impressão em três dimensões permite a criação de órgãos artificiais, o que pode resolver problemas complexos como as filas para transplante de órgãos.

Pense em uma pessoa que tenha uma doença séria no coração. Ela será beneficiada por um músculo cardíaco projetado especificamente, considerando suas características anatômicas.

Como mostra este artigo, um pâncreas artificial, criado pela empresa Medtronic MiniMed, já foi aprovado pela entidade que regula dispositivos médicos nos Estados Unidos, a FDA (US Food and Drug Administration).

O aparelho, que possui monitor de glicose automatizado e bomba de insulina, é uma esperança para pessoas que sofrem com o diabetes tipo 1, que ocorre quando o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina.

Edição genética

Já imaginou a possibilidade de modificar uma parte da sequência do DNA humano?

Uma tecnologia chamada CRISPR-CAS 9 tem se mostrado promissora nessa tarefa, e é a aposta dos cientistas para o combate de doenças como fibrose cística, câncer e Aids.

Células-tronco

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Doenças que hoje não têm cura poderão ser combatidas em um futuro próximo com o apoio das células-tronco.

Essa é uma das aplicações descobertas recentemente por cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, a partir de células extraídas da pele.

Com uma reprogramação, esse tipo de célula é capaz de se transformar em quase todos os tecidos humanos.

Nutrigenômica

Estudos sobre o DNA culminaram na descoberta da interação entre genoma e nutrição.

Assim, surgiu a nutrigenômica, ciência que usa alimentos para melhorar o condicionamento físico e prevenir doenças.

Mas esses efeitos dependem das características de cada organismo. Por isso, suas aplicações devem ser individuais.

Benefícios da tecnologia na medicina

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A partir das tecnologias citadas, as previsões para o futuro da medicina são animadoras.

Afinal, estamos diante de uma perspectiva de fim das filas para transplantes, mudanças no DNA capazes de eliminar doenças e novas opções para combater grandes males, como o câncer.

A telemedicina também deverá progredir, aumentando o acesso a serviços como laudos online, segunda opinião médica e capacitação à distância.

Realidade no Brasil e no mundo, essa tecnologia na medicina melhora a qualidade de vida das pessoas que moram em locais remotos, como em cidades no interior do Brasil.

Elas não precisam mais percorrer grandes distâncias em busca de centros de referência, ou aguardar dias para obter laudos de qualidade.

Com a telemedicina, laudos online podem ficar disponíveis em apenas 30 minutos.

Já para hospitais, clínicas e consultórios, é a tecnologia que permite disponibilizar exames e ter a sua interpretação mesmo em períodos críticos, como na falta de profissionais, sua ausência por férias ou em plantões.

Conclusão

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Neste artigo, comentei sobre os impactos da tecnologia na medicina, além de destacar perspectivas para o futuro.

Uma delas é a telemedicina, que tem aumentando o alcance de serviços de saúde no país, oferecendo laudos à distância de forma segura e eficaz.

Se você quer fazer parte dessas transformações, conte com o suporte da Telemedicina Morsch.

Sua clínica ou hospital poderá aumentar o portfólio de serviços, de um jeito simples e com um orçamento que cabe no seu bolso.

Entre em contato para conhecer opções pensadas para a sua unidade de saúde.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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