Neurorradiologia: o que é, áreas de atuação e principais objetivos

Por Dr. José Aldair Morsch, 12 de novembro de 2018
Neurorradiologia: o que é, áreas de atuação e principais objetivos

A neurorradiologia é uma das especialidades médicas que mais avança no mundo, crescendo no ritmo das inovações em equipamentos e técnicas.

A aplicação da neurorradiologia no dia a dia das unidades de saúde trouxe muitos benefícios para os pacientes, que contam com novas possibilidades de diagnóstico e tratamento.

Clínicas, hospitais, consultórios e profissionais de saúde também saem ganhando, pois podem oferecer serviços mais completos nas consultas e urgências que envolvem essa área.

Se você deseja saber mais sobre neurorradiologia, leia este artigo até o fim.

Além de conhecer a disciplina, você vai perceber como a tecnologia agrega ainda mais vantagens para o setor.

Boa leitura.

O que é Neurorradiologia?

O que é Neurorradiologia?

O que é Neurorradiologia – conceito e tipos

Neurorradiologia é uma subespecialidade da radiologia médica que identifica e avalia anormalidades no sistema nervoso, cabeça e pescoço.

Como o próprio nome sugere, a área une conhecimentos em neurologia e radiologia para diagnosticar e tratar problemas nessas áreas do corpo.

Tumores na cabeça, aneurisma cerebral e acidente vascular cerebral (AVC) são algumas patologias registradas e tratadas por essa especialidade.

Aneurisma cerebral é uma dilatação em região fragilizada na parede de um vaso sanguíneo do cérebro.

Já o AVC é uma doença que resulta em danos ao cérebro, causada pela interrupção no fluxo sanguíneo cerebral, cortando o suprimento de nutrientes e oxigênio para as células.

Também existe o AVC hemorrágico que é a ruptura de uma artéria no cérebro e extravasamento de sangue. Isso normalmente é provocado por hipertensão arterial sistêmica mal controlada.

A neurorradiologia pode ser dividida em diagnóstica e intervencionista ou terapêutica

Nos próximos tópicos, vou detalhar as diferenças entre elas.

Origem da Neurorradiologia

Origem da Neurorradiologia

Qual origem da neurorradiologia?

Atualmente, os exames mais realizados na área de neurorradiologia são a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

No entanto, podemos dizer que essa disciplina teve início com a realização das primeiras radiografias para estudo da anatomia craniana.

De qualquer forma, a descoberta da radiação ionizante e seu potencial para mostrar partes internas do corpo foi a base para o surgimento da neurorradiologia.

Essa descoberta foi relatada em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Conrad Rontgen, no artigo “Sobre uma nova espécie de Raios”.

No mesmo ano, Rontgen realizou a primeira radiografia de que se tem notícia, mostrando a mão esquerda de sua esposa.

Logo, a radiografia se popularizou como um importante apoio ao diagnóstico de doenças e estudo das estruturas anatômicas.

No entanto, o exame de raio X não se mostrou muito promissor para captar alterações no encéfalo, devido a limitações como o registro em duas dimensões.

Como as imagens radiográficas aparecem em tons de cinza, fica mais difícil diferenciar estruturas sobrepostas, o que prejudica o exame de regiões complexas.

Como resposta, cientistas continuaram estudando o tema e, em 1972, o sul-africano Allan Cormack e o britânico Godfrey Newbold Hounsfield  construíram o primeiro tomógrafo no THORN EMI Central Research Laboratories, na Inglaterra.

Graças a um tubo que gira ao redor do paciente, o aparelho de tomografia é capaz de captar centenas de imagens em cortes transversais da área examinada.

Elas são combinadas por um computador, de modo a evidenciar detalhes da anatomia.

Naquele mesmo ano, a primeira tomografia com fins diagnósticos foi realizada – e com resultados animadores.

O teste foi feito para confirmar uma suspeita de tumor no lobo frontal esquerdo de uma mulher.

As imagens geradas foram suficientes para mostrar o tumor na cabeça da paciente, causando uma revolução na medicina mundial.

Desde então, a tomografia computadorizada tem auxiliado profissionais em todo o mundo no diagnóstico de patologias em várias partes do corpo.

Mais tarde, a tecnologia da ressonância magnética também passou a ser aplicada para o estudo de alterações no sistema nervoso, cabeça e pescoço.

Área de atuação da Neurorradiologia

Área de atuação da Neurorradiologia

Quais são as áreas de atuação da Neurorradiologia

Basicamente, essa especialidade médica utiliza exames e procedimentos minimamente invasivos no diagnóstico e tratamento de doenças da cabeça, pescoço e sistema nervoso, tanto central quanto periférico.

O sistema nervoso coordena as ações realizadas pelo corpo, conduzindo informações através das células nervosas.

Medula espinhal e encéfalo (formado pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico) constituem o sistema nervoso central.

Já o sistema nervoso periférico é composto por nervos que se originam no encéfalo (nervos cranianos) e na medula espinhal (nervos raquidianos).

Tanto a neurorradiologia diagnóstica quanto a intervencionista proporcionaram avanços significativos no campo da medicina.

Graças a elas, é possível examinar diferentes tecidos humanos sem precisar de cirurgia.

A tecnologia também permitiu o desenvolvimento de técnicas para avaliação e tratamento de doenças antes incuráveis, como aneurismas.

Seguindo a trajetória da radiologia em geral, a neurorradiologia começou atuando no campo diagnóstico e, aos poucos, se expandiu para a prática terapêutica.

Neurorradiologia diagnóstica

Essa área de atuação utiliza exames de alta tecnologia e sensibilidade para o diagnóstico de alterações no sistema nervoso, cabeça e pescoço.

Como vimos há alguns tópicos, a neurorradiologia foi criada para fins diagnósticos, e vem sendo empregada desde a década de 1970.

Os principais testes neste campo são tomografias e ressonâncias magnéticas, que permitem o registro de imagens claras e de alta resolução.

Objetivos da Neurorradiologia diagnóstica

Aplicada ao diagnóstico, a neurorradiologia pode ser utilizada para confirmação de suspeita clínica, investigação ou registro da resposta ao tratamento de doenças.

As principais condições médicas que afetam a cabeça, pescoço e sistema nervoso podem ser detectados através dessa especialidade.

Acidente Vascular Cerebral (AVC), edema cerebral, aneurisma, traumatismos e tumores são exemplos de patologias investigadas por meio da neurorradiologia.

Edema cerebral é o acúmulo de líquido em uma região ou em todo o cérebro, provocando inchaço e aumento na pressão intracraniana.

Tumores podem ser malignos (cancerígenos) ou benignos, e surgem pelo crescimento anormal das células.

Traumatismo craniano é uma lesão na cabeça que pode ser mais ou menos grave, de acordo com as áreas atingidas.

Equipamentos médicos utilizados

Equipamentos médicos utilizados na neurorradiologia

As áreas do corpo humano examinadas na neurorradiologia são complexas e, muitas vezes, vitais.

Por isso, os especialistas desse segmento utilizam as técnicas e equipamentos mais modernos para a realização de testes.

Atualmente, tomógrafos e aparelhos de ressonância magnética são os aparelhos utilizados.

A indicação de ressonância ou tomografia computadorizada depende dos objetivos e recursos do paciente e unidade de saúde.

Os dois exames oferecem vantagens e desvantagens.

O aparelho de tomografia computadorizada é mais barato, e o exame é realizado em menos tempo.

No entanto, utiliza radiação ionizante, que está relacionada a diversos tipos de câncer, embora em alta exposição, o que não ocorre no procedimento.

Já a ressonância magnética pode ser feita até por mulheres grávidas, pois não usa radiação ionizante, além de oferecer imagens em vários planos diferentes.

Mas esse exame é caro, mais demorado e não recomendado para pacientes claustrofóbicos, que precisarão ficar dentro do tubo do equipamento de ressonância.

Neurorradiologia intervencionista ou terapêutica

Essa especialidade utiliza tecnologia de ponta para guiar procedimentos minimamente invasivos.

Com o apoio de exames de raio X, ultrassonografia ou tomografia computadorizada, a neurorradiologia intervencionista trata diversas patologias da cabeça, pescoço e do sistema nervoso.

Ela representa um grande avanço, pois reduz a necessidade de cirurgias em áreas delicadas do corpo, diminuindo riscos e também o tempo de recuperação do paciente.

Assim como na radiologia intervencionista, grande parte das práticas da neurorradiologia terapêutica são técnicas para o tratamento de doenças vasculares.

Objetivos da Neurorradiologia intervencionista ou terapêutica

O principal objetivo desse campo é promover o tratamento de patologias de forma mais ágil, segura e menos incômoda para o paciente.

Os resultados obtidos com esse tipo de tratamento costumam ser melhores quando comparados aos das cirurgias convencionais.

Afinal, as cirurgias envolvem riscos de infecção, complicações devido ao uso de anestesia, são dolorosas e demoradas.

Já a maioria dos procedimentos menos invasivos não precisam de anestesia ou internação.

Quais são os principais tipos de exames diagnósticos realizados?

As arteriografias ou angiografias e coletas venosas seletivas são alguns exames diagnósticos realizados na neurorradiologia intervencionista.

Coletas venosas seletivas podem ser direcionadas a hormônios ou veias localizadas em regiões específicas do crânio.

Em geral, são feitas através de cateterismo – inserção de um tubo fino, flexível e de pequeno calibre (cateter) na veia.

Já a arteriografia ou angiografia usa um cateter e contraste para mostrar a parede de artérias, revelando problemas como malformações e embolias, esse um tipo de obstrução nos vasos sanguíneos, provocadas por um êmbolo (corpo estranho) que é deslocado pela corrente sanguínea.

A arteriografia pode ser tanto eletiva quanto de urgência, dependendo da suspeita clínica.

Durante o teste, o cateter é introduzido em uma artéria e conduzido, com a ajuda das imagens geradas por fluoroscopia, até o local a ser examinado.

Por meio de raios x, a fluoroscopia fornece imagens dinâmicas, em tempo real, de partes internas do organismo, que podem ser visualizadas em um monitor.

Quando o cateter está posicionado no lugar desejado, o médico injeta contraste na artéria do paciente, a fim de obter imagens claras dos vasos sanguíneos.

Por fim, são feitos filmes com as imagens mostradas, permitindo o estudo da circulação do sangue.

Quais são as principais doenças tratadas pelo neurorradiologista intervencionista?

Quais são as principais doenças tratadas pelo neurorradiologista intervencionista?

Vimos, acima, que algumas doenças do sistema nervoso, cabeça e pescoço podem ser tratadas a partir de procedimentos pouco invasivos.

Acidente vascular cerebral (AVC), estenose dos vasos pré-cerebrais, malformações e fístulas arteriovenosas medulares e cerebrais são as principais patologias tratadas.

Acidente vascular cerebral (AVC):

O AVC é causado pela interrupção da circulação sanguínea no cérebro, provocada por trombos (corpos estranhos que se deslocam até os vasos sanguíneos na região).

Atualmente, existem procedimentos conduzidos pelo neurorradiologista intervencionista para combater o AVC.

Chamados de trombólise intra-arterial, eles são capazes de dissolver ou retirar o trombo, liberando a circulação do sangue e reduzindo os danos ao cérebro.

Outro procedimento dessa disciplina, a angioplastia, é usado para tratar estenose dos vasos pré-cerebrais (artérias carótidas e vertebrais).

Estenose dos vasos pré-cerebrais (carótidas e vertebrais):

Estenose é o estreitamento anormal dos vasos sanguíneos, causado por obstruções conhecidas como aterosclerose, um desgaste da parede das artérias com depósito de gordura que, aos poucos, vai reduzindo o espaço para a passagem do sangue.

Feita com um cateter balão, a angioplastia serve para desobstruir as artérias.

Após esse procedimento, é implantada uma prótese (stent) para manter os vasos sanguíneos abertos.

Malformações e fístulas arteriovenosas medulares e cerebrais:

Malformações e fístulas nas artérias ou veias medulares e cerebrais também podem ser tratadas com um procedimento pouco invasivo: a embolização.

A embolização consiste no preenchimento de espaços nos vasos sanguíneos.

No caso de um aneurisma, por exemplo, essa técnica pode impedir que ele se rompa, preenchendo seu interior e colaborando para a circulação normal do sangue.

A embolização também é útil no combate a tumores benignos e câncer, pois proporciona a interrupção no fornecimento de sangue necessário para que o tumor se mantenha e cresça.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular, pacientes com grandes tumores no fígado, rins, pulmões ou ossos podem se beneficiar desse tratamento.

Telemedicina Morsch na emissão de Laudo a distância na Radiologia

Telemedicina Morsch na emissão de Laudo a distância na Radiologia

Laudo a distância na Radiologia

Por tratarem de áreas complexas e fundamentais para a saúde de qualquer pessoa, os exames em neurorradiologia exigem bastante conhecimento e zelo na interpretação.

Assim, apenas neurorradiologistas são capacitados para laudar esses exames com qualidade.

O problema é que, muitas vezes, esses especialistas não estão disponíveis, principalmente longe dos grandes centros urbanos.

Nesse cenário, a telemedicina se apresenta como uma solução interessante, pois oferece laudos emitidos por radiologistas para qualquer parte do Brasil.

Contratando os serviços da Telemedicina Morsch, unidades de saúde podem oferecer resultados de forma ágil e segura.

Após a realização de tomografias ou ressonâncias magnéticas, os dados são compartilhados através do PACS (Picture Archiving and Communication System).

Assim, ficam armazenados na plataforma de medicina (na nuvem) e podem ser acessados pelos radiologista em poucos minutos, por meio de login e senha.

Considerando o histórico do paciente e suspeita clínica, o especialista avalia as imagens do exame e registra suas conclusões no laudo médico.

Em seguida, assina o documento digitalmente e o disponibiliza para a clínica ou hospital.

Nas demandas de urgência, os laudos à distância podem ser emitidos em apenas 30 minutos, possibilitando a escolha e início do melhor tratamento no menor tempo.

Tudo isso com toda a confiabilidade e segurança de uma plataforma que obedece às exigências de entidades como o Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina (CFM), expressas na Resolução CFM Nº 2.107/14, o principal marco regulatório da telerradiologia.

Conclusão

Neste artigo, conhecemos conceitos e áreas de atuação da neurorradiologia.

Fica evidente a necessidade de contar com especialistas qualificados para laudar os exames dessa especialidade, tão complexa quanto importante na atenção à saúde.

Permita que a Telemedicina Morsch apoie sua clínica na emissão de laudos de forma rápida e segura.

O processo é simples, e o investimento cabe no seu orçamento.

Entre em contato para conhecer as melhores formas de parceria.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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