Exame de polissonografia: para que serve, como funciona e indicações

Por Dr. José Aldair Morsch, 12 de dezembro de 2018
Exame de polissonografia: para que serve, como funciona e indicações

Você sabe como funciona o exame de polissonografia, popularmente chamado de teste do sono?

Esse é um procedimento muito importante dentro da medicina diagnóstica, pois seu desenvolvimento tornou possível investigar uma série de anormalidades no paciente enquanto ele dorme.

Neste artigo, trago um guia completo com informações sobre o preparo para o exame, detalhes sobre a sua realização, como funciona a polissonografia domiciliar e mais.

Você vai saber também como a tecnologia e a telemedicina tem ampliado o acesso ao procedimento e auxiliado equipes médicas na interpretação dos seus resultados.

Boa leitura!

O que é exame de polissonografia?

O que é exame de polissonografia?

O que é exame de polissonografia?

O exame de polissonografia consiste no monitoramento das atividades do paciente durante o sono.

Como o nome sugere, a polissonografia reúne diversos testes, que são feitos enquanto o paciente dorme.

Assim, é possível verificar a atividade cerebral, cardíaca, muscular, o funcionamento do aparelho respiratório, entre outros fatores.

Para que serve o exame de polissonografia?

Para que serve o exame de polissonografia do sono?

Para que serve o exame de polissonografia?

Monitorar o funcionamento do organismo enquanto o paciente dorme pode apoiar o diagnóstico de uma série de distúrbios do sono.

Conforme o Ministério da Saúde, entre os mais comuns, estão a insônia, a apneia obstrutiva do sono e também a síndrome das pernas inquietas.

Mais que uma simples dificuldade para pegar no sono, a insônia prejudica a capacidade de manter um sono contínuo durante a noite ou a manhã.

Por sua vez, a apneia obstrutiva do sono é causada pela obstrução da via aérea no nível da garganta, interrompendo a respiração por um período médio de 20 segundos.

Já a síndrome das pernas inquietas é caracterizada pela agitação involuntária dos membros inferiores que, em alguns casos, também afeta os braços.

Essa agitação costuma se intensificar durante a noite, sendo detectada mais facilmente pela polissonografia.

Como funciona o exame? O que é avaliado?

Como funciona o exame de polissonografia? O que é avaliado?

Como funciona o exame? O que é avaliado?

Conforme a recomendação médica, a polissonografia pode envolver diversos testes, realizados simultaneamente.

Geralmente, esses testes são feitos através de sensores colocados no paciente.

Eletroencefalograma (EEG), eletrocardiograma (ECG), eletromiograma (EMG), eletro-oculograma (EOG) e oximetria de pulso costumam compor a polissonografia.

Também podem ser colhidos registros sobre o esforço respiratório do tórax e abdômen, fluxo aéreo nasal e oral, bem como de ronco e posição corporal.

O EEG é um teste que mostra a atividade elétrica do cérebro, enquanto o ECG avalia o funcionamento do coração.

Já o eletromiograma mede o movimento dos músculos, enquanto o eletro-oculograma possibilita a identificação das fases do sono, e em que momento se iniciam pelo movimento dos olhos.

Por fim, a oximetria de pulso revela a taxa de oxigênio no sangue, sendo importante para a manutenção do bom funcionamento das células.

Indicações do exame de polissonografia

Indicações do exame de polissonografia

Indicações do exame de polissonografia

O exame pode ser indicado para a investigação de muitas patologias e desordens do sono.

Dissonias e parassonias são os dois grandes grupos de distúrbios estudados através da polissonografia.

Vou falar sobre cada um deles agora.

Dissonias

São anomalias na qualidade, quantidade ou período de sono.

Esse grupo engloba três categorias, que são: distúrbios intrínsecos do sono, distúrbios extrínsecos e distúrbios relacionados aos ritmos circadianos.

Ritmo circadiano pode ser definido como nosso relógio biológico, que regula a hora de dormir, acordar e várias outras funções do organismo.

Ele funciona como um ciclo que responde ao dia e à noite, sendo finalizado e iniciado a cada período de 24 horas.

Os principais distúrbios intrínsecos do sono são:

  • Insônia
  • Narcolepsia – causa sonolência de modo súbito e incontrolável
  • Hipersonia – desordem que provoca sonolência excessiva durante o dia ou noite
  • Apneia
  • Hipopneia – redução do fluxo de ar durante a respiração
  • Síndrome da hiperresistência das vias aéreas superiores (SHVAS), caracterizada por um esforço crescente que leva à fragmentação do sono
  • Estágios avançados de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)
  • Síndrome dos movimentos periódicos dos membros (PLMS) – provoca movimentos involuntários e, às vezes, sensações anormais nos membros inferiores e superiores
  • Síndrome das pernas inquietas.

Os distúrbios extrínsecos são causados por fatores externos, ou seja, de fora do organismo.

Abaixo, conheça alguns deles:

  • Higiene de sono inadequada
  • Distúrbio de sono secundário a causas ambientais (temperaturas inadequadas, ruídos excessivos, etc.)
  • Síndrome do sono insuficiente – ocorre quando a pessoa dorme menos do que precisa, ficando sonolenta, irritadiça, com dificuldades de concentração, entre outros sintomas
  • Uso de hipnóticos, estimulantes, álcool.

Dentre os distúrbios circadianos, podemos destacar:

  • Trabalho em turnos
  • Padrão irregular do ciclo vigília-sono
  • Mudança de fuso horário
  • Síndrome do atraso da fase de sono
  • Síndrome do avanço da fase de sono.

Parassonias

São transtornos que envolvem movimentos anormais durante o sono.

A seguir, conheça algumas delas:

  • Sonambulismo
  • Terror noturno, caracterizado por gritos e choro enquanto a criança ou adulto dorme
  • Paralisia do sono – condição temporária que causa sensação de não conseguir se mexer depois de acordar ou adormecer
  • Pesadelos
  • Bruxismo – ato involuntário de ranger os dentes
  • Enurese noturna – perda involuntária de urina durante o sono.

Como é feita a polissonografia?

Como é feita a polissonografia do sono?

Como é feita a polissonografia?

Como citei acima, a realização do exame depende da suspeita clínica e indicação médica, pois são elas que determinam os sistemas e funções que serão monitorados.

Clínicas, laboratórios e hospitais são os locais mais comuns para a realização do teste, mas, recentemente, alguns equipamentos permitem que seja feito na residência do paciente.

Para que o exame comece, o paciente precisa deitar de maneira confortável, pois deverá dormir.

Normalmente, eletrodos são fixados em seu corpo e no couro cabeludo, e um sensor é posicionado no dedo.

Adesivos do tipo micropore e um gel condutor de eletricidade costumam ser usados para ajudar a colar os eletrodos na pele do paciente, impedindo que saiam do lugar.

Por meio de fios, os eletrodos ficam conectados aos monitores, para onde enviam ondas elétricas e outros dados captados durante a polissonografia.

O procedimento só termina no final da noite de sono do paciente.

Preparo para a polissonografia

É importante que o paciente realize as suas atividades diárias normalmente e não ingira substâncias que possam afetar o sono.

Portanto, não é recomendado tomar bebida alcoólica nas 48 horas anteriores, ou cafeína 24 horas antes do exame.

Para facilitar a fixação dos eletrodos, o couro cabeludo deve ser lavado com xampu neutro, sem a aplicação de qualquer creme ou cosmético.

A pele precisa estar limpa, sem qualquer creme, óleo, gel ou maquiagem.

Também não é aconselhável usar esmaltes escuros nas unhas.

Caso a polissonografia seja realizada fora da casa do paciente, é importante que ele leve pijama ou roupas confortáveis, além da própria escova de dentes e objetos de uso pessoal.

Se tiver dificuldades para adormecer, pode, ainda, levar seu próprio travesseiro.

Não é necessário suspender qualquer medicação de uso contínuo, a não ser por recomendação médica.

Durante o exame de polissonografia

O teste é simples, indolor e não invasivo.

Dependendo da condição do paciente, pode ser necessária uma sedação leve para que ele durma.

Como a ideia é observar o comportamento durante o sono, o paciente pode se movimentar normalmente e até levantar para usar o banheiro.

O único incômodo que pode sentir é por dormir em ambiente estranho, ou devido aos fios ligados aos eletrodos.

Depois do exame de polissonografia

Finalizado o teste, o médico ou técnico responsável retiram os eletrodos e outros dispositivos.

Em seguida, o paciente pode realizar suas atividades normalmente.

Quanto tempo dura o exame de polissonografia?

O procedimento dura, em média, 8 horas.

No entanto, dependendo de quanto tempo o paciente costuma dormir, o período pode se alterar.

Contraindicações da polissonografia

Indicações do exame de polissonografia

Indicações do exame de polissonografia

O procedimento é seguro, indolor e não tem grandes riscos tanto que pode ser feito por crianças.

Em casos raros, há alergia ou irritação devido ao gel que ajuda a fixar os eletrodos e conduzir eletricidade.

Se a pele estiver machucada ou irritada, não é recomendado colocar os eletrodos, e o exame precisará ser reagendado.

O mesmo acontece se o paciente estiver com tosse, gripe, resfriado, ou tiver voltado de viagem internacional com diferença de fuso horário.

Essas condições podem impactar na qualidade do sono.

Resultado e interpretação do exame de polissonografia

Resultado e interpretação do exame de polissonografia do sono

Resultado e interpretação do exame de polissonografia

O resultado de uma polissonografia é complexo, pois reúne dados e comparações da monitorização de todos os sistemas e funções solicitados pelo médico.

Além das informações colhidas durante o exame, a interpretação de uma polissonografia deve considerar o histórico clínico do paciente, entrevistas (anamnese) e questionários.

Assim, é comum que seja necessário mais de um especialista para interpretar os dados corretamente.

Durante a monitorização do sono, são feitos registros das ondas cerebrais, oxigenação sanguínea, frequência respiratória e cardíaca, movimentação das pernas, braços e olhos.

A partir daí, são avaliadas diversas ocorrências.

As mais comuns são a quantidade de vezes que o paciente desperta durante a noite, eventos cardíacos, respiratórios e de movimento.

Esses eventos podem indicar patologias como a apneia, que costuma provocar arritmias (alterações na frequência cardíaca).

Outras variações no ritmo do coração também são observadas, junto ao número de movimentos periódicos dos membros, apneias e concentração de oxigênio no sangue.

Os dados são avaliados a partir de referências de normalidade em todos os estágios do sono.

Estágios do sono

O sono pode ser dividido em dois estágios: sono REM e não REM.

A sigla REM (Rapid Eye Movement) vem do inglês, e faz referência aos movimentos rápidos dos olhos durante a última fase de um ciclo do sono.

O sono não REM possui três etapas distintas:

  • Na primeira, há uma transição entre o estado de vigília (desperto) e um sono leve
  • Na segunda, os olhos quase param de se movimentar e a atividade cerebral diminui
  • Na terceira, o sono é profundo, e a atividade dos olhos e do cérebro é mínima.

Nessa última fase, há maior movimentação motora, podendo ocorrer episódios de sonambulismo e enurese noturna.

Além da rápida movimentação dos olhos, durante o estágio REM, ocorre relaxamento muscular, atividade cerebral intensa, frequência cardíaca e respiratória aumentadas e irregulares.

Em indivíduos saudáveis, as fases do sono se alternam de forma cíclica ao longo da noite, sendo repetidas a cada 70 a 110 minutos.

Fatores como a idade, temperatura, ingestão de álcool e drogas, ritmo circadiano e patologias influenciam na qualidade e quantidade do sono.

Tudo isso só reforça a importância de conhecer e monitorar a atividade do organismo durante o sono, até mesmo porque distúrbios relacionados podem desencadear eventos graves.

Ronco e apneia, por exemplo, aumentam as chances de hipertensão arterial (pressão alta), isquemia cerebral e até insuficiência cardíaca.

Polissonografia domiciliar é possível?

Sim, é possível fazer o exame de polissonografia na residência do paciente, graças a aparelhos portáteis.

Esses equipamentos são ideais para casos em que o paciente esteja acamado, tenha restrições de mobilidade ou dificuldades para dormir fora de casa.

Como a realização da polissonografia é simples e praticamente não envolve riscos, muitos pacientes têm se beneficiado dessa opção.

Quanto custa um exame de polissonografia?

Pode custar entre R$ 600 e R$ 1200, em média, de acordo com a unidade de saúde e conforme a localidade na qual o teste é realizado.

A complexidade da polissonografia, determinada pela quantidade de sistemas e funções monitorados, também impacta no preço do procedimento.

Telemedicina como solução em laudos de exames de polissonografia

Telemedicina como solução em laudos de exames de polissonografia

Embora a realização e acompanhamento do exame sejam relativamente simples, a interpretação não é.

Para gerar um laudo de polissonografia confiável, pode ser necessária a análise de diferentes especialistas, como cardiologistas, neurologistas e pneumologistas.

O problema é que muitas regiões do país enfrentam a escassez de médicos, principalmente especialistas.

Assim, a espera para obter os resultados do exame pode ser longa.

Como relata esta reportagem, em 2017, mais de 2 mil pessoas aguardavam para fazer polissonografia, somente no Distrito Federal.

Essas questões podem ser contornadas com o apoio da telemedicina, através da emissão de laudos à distância.

O processo começa com o treinamento de um técnico, que pode ser feito com os materiais disponíveis na plataforma online.

Em seguida, o profissional realiza a polissonografia, armazena e compartilha os dados nessa mesma plataforma.

Assim, especialistas dedicados à composição de laudos avaliam as informações do exame e do paciente, considerando a suspeita clínica.

Eles registram suas conclusões no laudo médico, que fica disponível rapidamente no portal da telemedicina.

O documento, assinado digitalmente, pode ser acessado por profissionais da unidade de saúde e até pacientes, desde que tenham login e senha.

Conclusão

Neste artigo, falei sobre a importância, realização e interpretação da polissonografia.

Fica evidente a necessidade de contar com especialistas qualificados para laudar esse exame de forma assertiva.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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