Como colocar eletrodos no paciente para exame de eletrocardiograma

Por Dr. José Aldair Morsch, 14 de novembro de 2018
Como colocar eletrodos no paciente para exame de eletrocardiograma

Aprender como colocar eletrodos no paciente para monitorização cardíaca até pode sugerir uma tarefa simples.

Afinal, bastaria posicioná-los junto ao tórax para iniciar o exame.

Na prática, porém, o processo possui alguma complexidade.

Ao compreender como é feito o eletrocardiograma (ECG), é necessário considerar as posições dos eletrodos, seus diferentes tipos e as derivações do ECG.

Para ajudá-lo, preparei este guia completo sobre como realizar um eletrocardiograma.

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Você vai entender para que serve a monitorização cardíaca e o exame ECG, como se dá o preparo para eletrocardiograma, como colocar os eletrodos no paciente, quem opera o aparelho de eletrocardiograma e quem lauda o exame.

Também vai conferir como fazer um ECG passo a passo, para que nenhuma dúvida reste.

E não vai terminar a leitura sem antes descobrir as contribuições da tecnologia para a análise e interpretação dos resultados de um exame de eletrocardiograma.

Boa leitura!

O que são eletrodos cardíacos?

O que são eletrodos cardíacos?

O que são eletrodos cardíacos?

Eletrodos cardíacos são pequenos dispositivos que conectam o paciente ao monitor do aparelho de ECG.

Ou seja, os eletrodos são as partes do eletrocardiógrafo que ficam em contato com pele do paciente durante o eletrocardiograma.

Vale lembrar que o ECG é um exame que registra a atividade elétrica do coração, mostrando informações sobre o ritmo, átrios e ventrículos, válvulas cardíacas e a condução dos impulsos elétricos.

Essas informações são coletadas através de eletrodos cardíacos, que devem respeitar determinadas posições.

É por isso que é tão importante saber como colocar eletrodos no paciente.

Os dispositivos captam dados sobre o funcionamento do coração, que são transmitidos a um monitor e, então, registrados em gráficos de linha.

Classificação e localização dos eletrodos do eletrocardiograma

Classificação e localização dos eletrodos do eletrocardiograma?

Classificação e localização dos eletrodos do ECG

Antes de falarmos sobre como colocar eletrodos no paciente, é importante entender a sua classificação e critérios de localização.

A forma padrão de eletrocardiograma, chamada ECG de 12 derivações, precisa de 10 eletrodos para ser realizada.

Derivações são as atividades elétricas captadas de cada eletrodo e que mostram a atividade elétrica de cada parte do coração no ECG.

Os 10 eletrodos utilizados no exame são classificados em dois grupos: periféricos e precordiais.

Eletrodos periféricos são quatro dispositivos usados para obter registros em plano frontal.

Em geral, esses eletrodos possuem cores diferentes, de acordo com padrões da International Electrotechnical Commission (IEC).

Os eletrodos periféricos devem ser fixados de modo a evitar que fiquem sobre os ossos do pulso ou calcanhar.

Observe, então, como colocar eletrodos no paciente:

  • Vermelho (R): no braço direito (Right)
  • Amarelo (L): no braço esquerdo (Left)
  • Verde (F): na perna esquerda (Foot)
  • Preto (N): na perna direita (Neutro).

Caso o paciente tenha algum dos membros amputado, o dispositivo deve ser colocado na extremidade mais próxima ao membro, usando um adesivo descartável para fixar.

Por exemplo, se o braço direito foi amputado, o eletrodo é posicionado no ombro direito.

A posição correta para os seis eletrodos precordiais costuma gerar mais dúvidas, pois nem sempre eles vêm em cores, sendo nomeados por número de 1 a 6.

Sua fixação deve ocorrer no tórax do paciente.

Uma recomendação para encontrar os locais corretos é achar o ângulo de Louis.

Também conhecido como ângulo esternal, ele pode ser encontrado tateando a parte central da base da garganta.

Se você mover os dedos um pouco para baixo, vai sentir um nódulo formado por ossos: é o ângulo de Louis.

A partir dele, mexa os dedos para a direita até localizar um vão entre as costelas – é o 2º espaço intercostal.

O próximo espaço abaixo é o 3º espaço intercostal, e assim segue.

No caso dos precordiais, veja como colocar eletrodos no paciente:

  1. O primeiro eletrodo torácico (V1), precisa ficar no 4º espaço intercostal, à margem direita do esterno
  2. O segundo (V2) fica no 4º espaço intercostal, à margem esquerda do esterno
  3. O terceiro (V3) deve ser inserido no espaço entre V2 e V4
  4. O quarto (V4) fica no 5º espaço intercostal esquerdo, na linha abaixo do ponto médio da clavícula (hemicavicular)
  5. O quinto eletrodo (V5) deve ser posicionado também no 5° espaçao intercostal, nível que V4, mais para a esquerda, na linha axilar anterior
  6. O último dispositivo (V6) deve ficar no mesmo nível que V4 e V5, pouco mais para a esquerda, na linha axilar média.

Para que serve a monitorização cardíaca e o eletrocardiograma?

Para que serve a monitorização cardíaca e o ecg?

Para que serve a monitorização cardíaca e o eletrocardiograma?

A monitorização cardíaca serve para identificar padrões e detectar se existem anomalias no funcionamento do coração.

O que a torna possível é o exame de eletrocardiograma.

Para compreender a sua importância, cabe explicar rapidamente sobre o aparelho cardiovascular.

Vasos sanguíneos (veias e artérias) e o coração formam esse aparelho, também chamado de sistema circulatório.

O músculo cardíaco é a bomba que envia o sangue através dos vasos sanguíneos, garantindo que oxigênio e nutrientes cheguem a todas as partes do organismo.

O coração é movido por impulsos elétricos, que resultam em batimentos e contrações do músculo cardíaco para impulsionar o sangue para o corpo.

Por meio do eletrocardiograma, é possível verificar quando esses movimentos são anormais – o que pode ser sinal de patologias.

Qual objetivo do exame de eletrocardiograma?

Qual objetivo do exame de eletrocardiograma?

Qual objetivo do exame de ECG?

O eletrocardiograma tem como principal objetivo registrar a atividade cardíaca, fornecendo suporte para o diagnóstico de doenças.

Só que, para isso, saber como colocar eletrodos no paciente é fundamental.

Através do estudo do ritmo e frequência cardíaca, é possível determinar padrões e constatar anormalidades.

Cada pessoa tem o seu ritmo padrão, que sofre influência de fatores como a idade, a prática ou não de exercícios físicos e dieta, cafeína, fumo, álcool ou outros vícios.

O ritmo é avaliado de acordo com a frequência, ou seja, conforme a quantidade de vezes que o coração bate a cada minuto.

De modo simplificado, podemos considerar que, quanto mais batidas forem necessárias, pior para o músculo cardíaco, que precisa se esforçar para bombear o sangue pelo corpo.

Mesmo em indivíduos saudáveis, a frequência cardíaca pode mudar em alguns momentos do dia, como durante a prática de atividade física.

Essas alterações são chamadas de arritmias, e podem ter padrão rápido (taquicardia) ou lento (bradicardia).

Quando as arritmias se repetem, são um indicativo de que algo não vai bem no sistema cardiovascular, o que justifica ampliar a investigação médica.

Indicação do exame de eletrocardiograma

Indicação do exame de eletrocardiograma

Qual a indicação do exame de eletrocardiograma?

Desmaios, tonturas, falta de ar e batimentos cardíacos irregulares levam o médico a solicitar um eletrocardiograma, pois podem ser sintomas de bloqueios cardíacos ou outras patologias do coração.

Bloqueios cardíacos ocorrem quando há um atraso na condução do impulso elétrico de uma região do coração para a outra.

Suspeita de aumento das cavidades do coração, doenças nas válvulas cardíacas, pericardite e isquemia também costumam resultar em pedidos de ECG.

Pericardite é a inflamação da bolsa que envolve o músculo cardíaco, chamada pericárdio.

Já a isquemia cardíaca decorre de uma redução no fluxo sanguíneo para o coração, provocada por bloqueios como a aterosclerose – placas de gordura, colesterol e triglicerídeos que se acumulam nas paredes das artérias.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a isquemia é uma das principais causas de infarto do miocárdio, um evento agudo que causa danos ou a morte de parte do músculo cardíaco, e que pode ser fatal.

Passo a passo como colocar eletrodos no paciente para ECG

Passo a passo como colocar eletrodos no paciente para ECG

Passo a passo como colocar eletrodos no paciente para ECG

Agora, vou mostrar como colocar eletrodos no paciente passo a passo.

Para isso, cabe relembrar, que o eletrocardiograma de rotina utiliza 10 eletrodos.

Os eletrodos periféricos são fixados primeiro, seguindo o as cores do time do coração:

Como sou colorado, uso vermelho e preto do lado direito, e como todos somos brasileiros, usamos amarelo e verde do lado do coração.

Assim, comece pelo vermelho (braço direito), siga para o amarelo (braço esquerdo), passe para o verde (perna esquerda) e deixe para o final o preto (perna direita).

O ideal é que os eletrodos vermelho e verde fiquem no espaço logo acima do pulso e, os demais, logo acima dos calcanhares.

Quando for colocar os eletrodos precordiais, conte os espaços entre as costelas do lado direito para encontrar a posição V1, no 4º espaço intercostal, à margem direita do esterno.

Geralmente, a V1 fica no nível do mamilo do paciente.

Marcada a primeira posição, conte dois dedos para a esquerda, e encontre a V2.

Depois, trace uma linha imaginária que passe pelo mamilo esquerdo do paciente, e chegue até o 5º espaço intercostal esquerdo para achar a V4.

Só então, com V2 e V4 marcadas, encontre a V3 no ponto médio entre eles.

Em seguida, trace uma linha imaginária desde o início da axila até o 5º espaço intercostal esquerdo, e ache a V5.

A V6 estará entre V5 e a maca.

Para facilitar o aprendizado sobre como colocar eletrodos no paciente, veja no vídeo abaixo mais detalhes dos eletrodos precordiais.

Material necessário para o exame

Basicamente, o ECG precisa do eletrocardiógrafo e de uma pasta ou gel condutor de eletricidade, que contribui para melhor aderência à pele do paciente.

O equipamento de eletrocardiograma é composto por um monitor, cabos de conexão e eletrodos.

Se o eletrocardiógrafo for analógico, será necessário papel para que o aparelho registre os resultados.

Atualmente, a maioria dos equipamentos é digital, dispensando o uso de papel.

Preparação do Paciente

Antes de realizar o ECG, é importante verificar se o paciente faz uso de algum medicamento que possa interferir nos resultados, ou se realizou atividade física minutos atrás – o que pode alterar os resultados.

Com tudo certo, o paciente deve retirar qualquer acessório, como relógios, joias e bijuterias, e se deitar na maca de barriga para cima.

Se houver pelos no tórax, será realizada uma depilação para não prejudicar a aderência dos eletrodos.

A raspagem dos pelos também impede que eles sejam arrancados acidentalmente quando os dispositivos forem retirados, causando dor.

Mulheres devem retirar o sutiã, pois essa peça costuma impedir o posicionamento dos eletrodos precordiais.

Em seguida, o tórax é limpo com uma toalha, água e/ou gel próprio para higienização.

O próximo passo, então, é pôr em prática o que aprendeu sobre como colocar eletrodos no paciente, conectando os seus respectivos cabos, que são ligados ao monitor.

Execução do exame de eletrocardiograma

O ECG é um teste simples, rápido e indolor.

Com os eletrodos fixados na pele, o médico ou técnico responsável pela condução do exame liga o eletrocardiógrafo.

Os eletrodos captam dados sobre os batimentos e funcionamento do coração, e os enviam ao monitor.

No caso de exames digitais, os resultados podem ser vistos em tempo real, na tela de um computador e podem ser salvos em arquivos digitais.

Depois de alguns minutos, o aparelho de ECG é desligado e os eletrodos são retirados.

Riscos ao colocar eletrodos no paciente

Riscos ao colocar eletrodos no paciente

Riscos ao colocar eletrodos no paciente

Agora que já sabe como colocar eletrodos no paciente, vamos aos riscos do exame.

Normalmente, eles inexistem na realização de ECG, assim como  contraindicações.

No entanto, o posicionamento incorreto dos eletrodos pode prejudicar os resultados do exame, que precisará ser repetido.

Portanto, vale checar possíveis mensagens de desconexão ou traçados estranhos no monitor ou computador.

Em casos raros, o uso do gel condutor de eletricidade para fixar os eletrodos pode causar irritações na pele do paciente.

A retirada desses dispositivos também pode provocar um breve desconforto.

Variação de tipos de eletrodo utilizados atualmente

Existem quatro tipos comuns de eletrodos: ventosa, clip, selo e pinça.

Os eletrodos tipo pinça são usados para extremidades, ou seja, são os dispositivos periféricos colocados nos braços e pernas do paciente.

As demais modalidades são fixadas na região torácica.

Em um ECG de rotina, é mais comum o uso do tipo ventosa no tórax do paciente, que provoca uma sucção ao aderir à pele.

Já o tipo selo é descartável costuma ser usado para a realização de ECG de esforço, também monitorar pacientes na UTI ou durante o holter de ECG.

O eletrocardiograma de esforço ou teste ergométrico é um tipo de monitorização cardíaca realizada enquanto o paciente faz uma atividade física, como corrida em esteira ou bicicleta.

Já o holter de ECG é um eletrocardiograma estendido, no qual o paciente permanece com o monitor e eletrodos durante 24 horas ou mais.

Quais profissionais são habilitados para realizar o eletrocardiograma?

Quais profissionais são habilitados para realizar o eletrocardiograma?

Quais profissionais são habilitados para realizar o ECG?

O ECG é um procedimento repetitivo e não invasivo.

Portanto, o teste pode ser realizado por cardiologistas, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Basta que esses profissionais estejam devidamente treinados para conduzir o exame.

Qual profissional é habilitado para interpretar o eletrocardiograma?

De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a interpretação de qualquer exame é de competência do médico especialista na área do teste.

Assim, o eletrocardiograma deve ser interpretado por um cardiologista com formação específica, que possua conhecimentos avançados sobre o exame.

Como a Telemedicina pode auxiliar na interpretação do exame ECG?

Como a Telemedicina pode auxiliar na interpretação do exame ECG?

Como a Telemedicina pode auxiliar na interpretação do ECG?

Além de apoiar o diagnóstico de diversas doenças, o eletrocardiograma é um exame comum, presente na maioria dos check ups de rotina.

No entanto, sua interpretação é complexa e exige especialistas qualificados.

O problema é que nem sempre há cardiologistas disponíveis, principalmente em pequenas cidades no interior do país.

Nesse contexto, a telemedicina surgiu como uma solução eficaz, conectando especialistas a clínicas em locais remotos.

Isso é possível graças a ferramentas de transmissão e compartilhamento de dados, como as plataformas de telemedicina.

Basta que a unidade de saúde realize o ECG com um aparelho digital e treine um técnico ou auxiliar de enfermagem para conduzir o exame.

Após o procedimento, os dados colhidos são enviados ao computador através de um software específico, armazenados em nuvem e compartilhados via plataforma de telemedicina.

Dessa forma, o cardiologista pode visualizar dados do exame, histórico do paciente e suspeita clínica, praticamente em tempo real.

Ele analisa as informações e registra suas impressões no laudo à distância, que é assinado digitalmente.

Em seguida, o documento fica disponível online, sendo acessado por login e senha.

A tecnologia confere agilidade a todo o processo, possibilitando a emissão de laudos em apenas 30 minutos.

Conclusão

como colocar eletrodos cardíacos no paciente

Neste artigo, você conferiu como colocar eletrodos no paciente para gerar registros adequados no eletrocardiograma.

Embora o exame seja rotineiro, sua interpretação requer profissionais qualificados.

Conte com a Telemedicina Morsch para ajudar sua clínica a oferecer exames e laudos de ECG com ética e segurança.

Se você não possui eletrocardiógrafo digital, pode optar pelo aluguel em comodato, que dá o direito de usar aparelhos pagando apenas pelos laudos.

Entre em contato para conhecer detalhes e outras vantagens para a sua unidade de saúde.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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