Aparelho de mamografia: mamógrafo digital vs mamógrafo analógico

Por Dr. José Aldair Morsch, 1 de outubro de 2018
aparelho de mamografia

Conhecer o aparelho de mamografia e seus componentes é um requisito básico para oferecer um importante exame de diagnóstico por imagem.

Estou falando sobre a mamografia, que é o principal método de rastreamento do câncer de mama, doença que representa uma das maiores ameaças à saúde da mulher.

Mas a escolha do equipamento não é exatamente simples. Esse é um processo que exige aliar as tecnologias disponíveis ao atendimento das necessidades dos pacientes.

Soma-se a isso a existência de uma variedade de opções no mercado, com funções mais simples ou avançadas – o que impacta diretamente no preço do aparelho, é claro.

De todo modo, o mamógrafo, seja ele convencional ou digital, tem extrema importância para a qualidade dos resultados da mamografia.

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Neste artigo, vou explicar como funciona o aparelho de mamografia, quais são os seus tipos, as diferenças entre a mamografia digital e a convencional, vantagens e desvantagens de cada mamógrafo.

Você também vai conferir como a telemedicina tem qualificado a interpretação dos resultados do exame e permitido que mais pessoas tenham acesso a esse método diagnóstico.

Boa leitura!

Qual a função da mamografia?

aparelho de mamografia

A mamografia tem como função principal apontar qualquer alteração no tecido mamário.

Considerando uma faixa de normalidade, o médico radiologista avalia as imagens registradas durante a radiografia das mamas, verificando se há achados como lesões, microcalcificações ou nódulos.

Por combinar imagens de alta resolução, simplicidade e baixa exposição à radiação ionizante, a mamografia é considerada o principal exame para rastreamento do câncer de mama.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença responde por cerca de 28% dos casos novos de câncer no país a cada ano.

É um percentual significativo, de fato.

Isso ajuda a entendermos o quão importante é esse exame.

A radiografia das mamas é capaz de identificar tumores em fase inicial, aumentando as chances de cura e sobrevida do paciente.

Por isso, o Brasil se soma aos países que possuem programas de rastreamento do câncer de mama. Tais iniciativas incluem a realização periódica de mamografia em mulheres a partir dos 50 anos – quando a incidência do câncer aumenta consideravelmente.

Por sua vez, entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam que a mamografia seja realizada anualmente pelas mulheres, a partir dos 40 anos.

Contudo, o exame pode ser realizado mesmo antes dessa faixa etária. Essa é a indicação para mulheres que se enquadram nos grupos de risco.

Eles reúnem pacientes com casos de câncer de mama ou de ovário em familiares consanguíneos, e/ou histórico de câncer de mama em homens.

A evolução do aparelho de mamografia

aparelho de mamografia

Para compreender a evolução do mamógrafo, é preciso apresentar uma breve contextualização, recordando que o aparelho usa radiação ionizante para captar e registrar imagens das mamas.

Em 1895, foi publicado o artigo “Sobre uma nova espécie de raios”, de Wilhelm Conrad Röntgen.

O texto relata a descoberta do raio X, e rendeu ao autor o Prêmio Nobel de Física em 1901.

A primeira radiografia foi feita sobre a mão da esposa de Röntgen e, desde então, o exame possibilitou grande evolução nos diagnósticos.

Em 1913, Albert Solomon realizou a primeira mamografia, examinando uma mama removida após mastectomia.

Com o passar dos anos, a comunidade médica constatou a alta incidência de câncer de mama em mulheres, o que levou ao estudo das melhores posições para a compressão da mama durante a radiografia.

Assim, a empresa General Electric lançou, em 1966, o primeiro equipamento especializado em mamografia.

O mamógrafo, batizado de Senographe, contava com as principais tecnologias na época, registrando as imagens em um filme que, em seguida, era revelado.

Já no final da década de 1990, surgiu a possibilidade de mudar a forma de registro das imagens, trocando o cassete por ponto digital.

Era o empurrãozinho que faltava para o aperfeiçoamento do exame e da interpretação de seus resultados.

Tipos de aparelhos de mamografia

aparelho de mamografia tipos

Como citei acima, os mamógrafos nasceram a partir da tecnologia analógica, que utiliza filmes para revelar as imagens captadas.

Desde os anos 1990, contudo, unidades de saúde e pacientes também podem contar com a tecnologia digital.

Vamos conhecer agora mais detalhes sobre ambas tecnologias.

Mamógrafo analógico para exames convencionais (filme)

aparelho de mamografia analogico

O mamógrafo pode ser descrito como um aparelho especial, que utiliza raios X para obter imagens das mamas.

Como funciona o mamógrafo analógico

Todo mamógrafo tem um tubo na área superior, no qual a radiação é produzida.

Uma ampola dentro do aparelho dispara um feixe de raio X, que então atravessa o tecido mamário.

Para que o aparelho registre imagens com maior nitidez, é necessário que a paciente se posicione em pé diante do equipamento, e siga as instruções do técnico em radiologia responsável por conduzir o exame.

O mamógrafo possui uma bandeja, na qual as mamas serão comprimidas nas posições vertical e horizontal.

Essa compressão ajuda o aparelho a captar imagens mais uniformes, mostrando todos os tecidos com melhor qualidade.

Após a emissão dos raios X, eles atravessam cada mama, e uma parte é absorvida pelas estruturas anatômicas.

Em seguida, a radiação não absorvida se choca com a placa embaixo da mama, formando imagens em tons de preto, branco e cinza.

Essas imagens mostram as estruturas mais densas em tons claros, enquanto as estruturas menos densas, que captam menos radiação, aparecem mais escuras.

Por fim, é necessário imprimir o filme para que as imagens sejam interpretadas.

Vantagens do aparelho de mamografia convencional

O mamógrafo representa um grande avanço no diagnóstico de alterações e doenças que afetam as mamas.

Graças a ele, foi possível aumentar o acesso ao rastreamento do câncer de mama em diversos países.

Por agregar uma tecnologia mais antiga, esse equipamento costuma ter menor preço quando comparado ao mamógrafo digital.

Desvantagens do aparelho de mamografia convencional

A desvantagem mais evidente é o fato de as imagens serem impressas.

Assim, caso o material captado durante a mamografia convencional não esteja muito nítido, será necessário realizar um novo exame.

Apesar de não ser invasivo, o procedimento causa desconforto à paciente durante a compressão das mamas.

Outra desvantagem está na necessidade de revelar o filme para interpretação das imagens, o que aumenta o tempo necessário para a emissão de laudos.

Durante a revelação dos filmes, também são utilizados produtos químicos que exigem cuidado na manipulação, e impactam o meio ambiente.

Pacientes ainda precisam ter cuidado ao armazenar os filmes, para que as imagens não sejam danificadas.

Tecnologia CR para filmes digitalizados

Precursora da tecnologia mais recente, a CR, ou computadorizada, permite que o aparelho de mamografia convencional produza imagens digitalizadas.

Essa mudança é possível quando o filme, que fica na bandeja onde as mamas são posicionadas, é trocado por um chassi eletrônico.

Após a radiografia das mamas, o chassi é inserido em uma leitora de CR e as informações armazenadas se tornam visíveis na tela de um computador.

Mamógrafo digital (DR)

aparelho de mamografia digital

O mamógrafo digital bilateral é semelhante ao equipamento convencional, porém, não possui encaixe para filme ou placa de imagem.

Como funciona o mamógrafo digital

Com esse aparelho, é realizada a mamografia digital direta, quando as imagens são enviadas ao computador sem intermédio de outros dispositivos.

Durante a mamografia, a paciente posiciona as mamas normalmente na bandeja do aparelho para receber a radiação.

Em seguida, os raios X são transformados em imagens digitais e enviados ao computador através de um software específico.

Vantagens do aparelho de mamografia digital

Por possuir alta tecnologia, o aparelho realiza um exame mais sensível, aumentando a capacidade de visualização de alterações pequenas no tecido mamário, como as microcalcificações.

Quando comparado ao aparelho convencional, o mamógrafo digital exige a captação de menos imagens para estudo da mama.

Essa tecnologia também precisa de uma compressão menor para obter registros de boa qualidade, causando menos desconforto para a paciente.

Como a radiação em cada exame é ajustada automaticamente no mamógrafo digital, a tendência é que a paciente receba uma quantidade menor de raios X.

Esse ajuste reduz, ainda, a necessidade da realização de novas mamografias, pois as imagens saem mais nítidas.

Ao contrário do mamógrafo convencional, o digital não utiliza filmes, eliminando a necessidade de uso de produtos químicos para revelação e os cuidados na hora de armazenar o material.

Outra grande vantagem é que as imagens registradas podem ser aumentadas, diminuídas e ajustadas no computador, resultando em um diagnóstico mais preciso.

Os registros podem ser armazenados na nuvem e compartilhados por meio do sistema PACS (Picture Archiving and Communication System).

Desvantagens do aparelho de mamografia digital

Investir na compra de um mamógrafo digital pode ter grande impacto no orçamento de clínicas e hospitais, pois o equipamento custa caro.

Outra desvantagem é a necessidade de treinamento adequado para utilizar o aparelho, que tem diversas especificações.

O mau uso pode danificar o mamógrafo, interferir no resultado da mamografia e até colocar a saúde da paciente em risco em razão da exposição a uma quantidade desnecessária de radiação.

Qual o tipo de radiação é utilizada no aparelho de mamografia?

Como já comentei anteriormente o equipamento usa o raio X para colher e registrar imagens das mamas.

Essa radiação ionizante, apesar de baixa, tem efeito cumulativo.

Quanto maior a exposição aos raios X, maior o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Por isso, a recomendação é não expor as pessoas a uma quantidade maior do que a necessária para o rastreamento e controle de doenças.

Aparelho de mamografia e seus componentes

De maneira geral, o mamógrafo é composto por:

  • Tubo de raio X, localizado na área superior, grade ou bandeja para o posicionamento da mama
  • Compressor
  • Protetor de tireoide
  • Detector de raio X
  • Colimador.

O tubo ou ampola é onde são produzidos os raios X.

Durante o exame, o detector de raio X interrompe a produção de radiação quando recebe a dose adequada para registrar as imagens.

A grade, por sua vez, é a bandeja utilizada para posicionar a mama durante a radiografia.

No caso do mamógrafo convencional, ela tem uma abertura para encaixe do filme ou do chassi eletrônico que digitaliza as imagens.

O compressor ajuda a reduzir a espessura da mama, melhorando a qualidade do exame.

Já o colimador é usado para limitar o campo de incidência da radiação, suavizando os feixes de raio X.

Recentemente, alguns equipamentos vêm trazendo inovações como um controle remoto para que a paciente faça a compressão das mamas.

Esses mamógrafos também apresentam especificações propostas para gerar maior conforto durante o exame, a exemplo de apoios para o rosto e braço.

Aparelhos de mamografia em conformidade com os parâmetros de qualidade

Em 2016, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alertou a sociedade sobre a falta de adequação dos mamógrafos às exigências de qualidade no Brasil.

Como indicativo, a SBM ressaltou que entre 60% e 70% dos tumores nas mamas só são detectados quando têm mais de dois centímetros. Ou seja, já em seu estágio avançado.

A qualidade do aparelho de mamografia, aliada a profissionais capacitados para a realização e interpretação correta do exame, aumenta as chances de visualização de nódulos durante a fase inicial, quando medem menos de um centímetro.

Na ocasião, a entidade defendeu a aplicação do Programa Nacional de Qualidade em Mamografia (PNQM).

A iniciativa foi instituída em 2012 pelo Ministério da Saúde, através da Portaria nº 531.

A legislação foi substituída no ano seguinte pela Portaria nº 2.898. Ela prevê o monitoramento e a realização de testes de desempenho nos mamógrafos.

Durante esses testes, os equipamentos passam por uma verificação do sistema de colimação do feixe de raios X.

Também são avaliados a qualidade da imagem gerada e da compressão, o tamanho do ponto focal e o desempenho do controle de densidade.

Laudo de Mamografia digital x Mamografia convencional

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Os laudos emitidos a partir do exame convencional costumam ser mais trabalhosos e demorados, pois dependem da revelação de filmes.

Além disso, os resultados impressos precisam ser armazenados com cuidado, para que não haja alteração nas imagens.

Também é necessário arquivar os exames com atenção, pois podem ser perdidos.

Por isso, muitas clínicas e hospitais têm apostado em imagens e laudos digitalizados, o que representa uma evolução importante.

Além de facilitar o arquivamento do exame, que ocorre na nuvem, a modalidade digital permite que o especialista analise e interprete as imagens em tempo real.

Assim, os laudos podem ser emitidos em apenas 30 minutos.

Laudo de mamografia digital via Telemedicina

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Contar com o suporte de uma empresa de telemedicina faz a diferença para quem oferece ou deseja oferecer exames de mamografia.

Através de uma plataforma simples, combinada ao sistema PACS, é possível não apenas armazenar, como também compartilhar as imagens geradas durante o exame.

Assim, um especialista com acesso à internet e logado no sistema pode acessar essas informações em tempo real, interpretar os dados e produzir o laudo em poucos minutos.

Em seguida, ele assina digitalmente o documento, que já pode ser disponibilizado para profissionais de saúde ou até aos pacientes.

Como efeito prático, a tecnologia contribui para que mais unidades de saúde possam realizar mamografias.

A partir da telemedicina, também é possível obter uma segunda opinião médica ou solucionar problemas com a falta de profissionais, seja por férias, feriados ou plantões.

Conclusão

Neste artigo, comentei sobre a importância dos mamógrafos e diferenças entre aparelhos digitais e analógicos.

Com tecnologia superior, os equipamentos digitais conferem maior confiabilidade às mamografias e laudos. Porém, custam mais caro.

Para solucionar esse problema, clínicas e hospitais podem contratar um serviço de telemedicina.

Com a Telemedicina Morsch, você assegura de uma só vez o aparelho de mamografia, o treinamento do profissional responsável pela sua utilização e o laudo médico emitido a distância.

Nossa empresa pode ajudar a sua unidade de saúde a oferecer mamografias e laudos com qualidade, rapidez e com um investimento que cabe no seu orçamento.

Entre em contato conosco, ou deixe um comentário com sua dúvida ou sugestão.

Para mais informações, visite nosso site e veja como o serviço funciona.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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