Teste ergométrico ou teste de esforço: o que devo saber?

Por Dr. José Aldair Morsch, 21 de junho de 2015
Teste ergométrico ou teste de esforço: o que devo saber sobre ele?
O Teste ergométrico, também chamado teste de esforço, é um exame que mede a frequência cardíaca, o ritmo cardíaco, a pressão arterial e outros parâmetros cardiológicos durante um esforço físico gradual e crescente feito ao caminhar ou correr numa esteira rolante ou numa bicicleta ergométrica.

 

Ao mesmo tempo, observam-se os sinais e sintomas que surgem durante e após o esforço.

 

O teste ergométrico deve ser acompanhado de um eletrocardiograma contínuo, gravado em computador, que registra o funcionamento do coração nas diversas etapas do exame.

Assim, a ergometria em esteira serve para avaliação da capacidade cardiovascular quando o indivíduo é submetido a esforços e para ajudar no diagnóstico de algumas anomalias cardíacas.

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Em que consiste o teste ergométrico?

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O teste ergométrico deve ser feito em local apropriado, com equipamento adequado (roupas leves e tênis), contar com a presença de um profissional treinado e equipamentos básicos de primeiros socorros para a eventualidade rara de ocorrer alguma anormalidade durante o exame.

O passo inicial é estabelecer um protocolo de exame adequado para o paciente, levando em conta dados como a sua idade, peso corporal, estilo de vida e eventuais limitações físicas.

Como é o preparo para o exame ergométrico?

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  1. Após o banho no dia do exame, não utilizar creme, pomada ou gel que possa prejudicar a sensibilidade dos eletrodos que serão colocados para colher o eletrocardiograma.
  2. Não fumar duas horas antes e uma hora após o exame.
  3. Observar uma dieta leve uma hora antes do exame.
  4. O profissional deve aconselhar a manutenção ou suspensão da medicação que o paciente esteja usando.
  5. Se o paciente tiver muitos pelos no tórax deve depilar-se para a melhor efetividade dos eletrodos.

Após o teste, o paciente deve evitar expor o tórax desprotegido ao sol nas 72 horas que se seguem ao exame, pois pode surgir irritação da pele, devido ao uso de gel no local da colocação dos eletrodos.

Dez eletrodos são colocados no tórax do paciente para que seja registrado o eletrocardiograma durante o exame.

No braço direito do paciente também é colocado um aparelho de pressão arterial que irá medir a pressão a cada 2 minutos, antes, durante e depois do exame de esforço.

A seguir, o paciente é colocado numa esteira rolante ou numa bicicleta ergométrica, iniciando o exercício de andar, correr ou pedalar, seguindo o protocolo de exame escolhido pelo cardiologista.

Os movimentos devem começar lentamente e serem aumentados aos poucos até atingir seu máximo programado, sendo desacelerados aos poucos.

Os parâmetros cardiológicos clínicos devem ser tomados a intervalos regulares.

Exemplos de parâmetros clínicos:

  • Frequência cardíaca.
  • Frequência respiratória.
  • Pressão arterial sistêmica.
  • Dor ou desconforto torácico desencadeado pelo esforço.
  • Nível de cansaço.
  • Desenvolvimento de arritmia durante o exame.
  • Desenvolvimento de isquemia miocárdica durante o esforço.

O exame deverá ser interrompido caso o paciente apresente grande cansaço, alterações do ritmo cardíaco ou sintomas de anormalidades cardiovasculares.

Um eletrocardiograma e a medida da pressão arterial devem ser tomados antes do exame, bem como durante o exame e na fase de recuperação, cinco a seis minutos depois de encerrados os exercícios.

A sensibilidade e a especificidade do exame situam-se entre 70 e 80%, podendo, em um pequeno número de casos, apresentar resultado “falso-positivo” ou “falso-negativo”.

Um exame falso-positivo é quando o aparelho médico registra um exame como sendo alterado em um paciente normal.

Um exame falso-negativo é quando o mesmo equipamento médico registra um exame normal num paciente que tem a doença e não sabe.

Vale lembrar que a sensibilidade para diagnosticar um entupimento leve de uma coronária com um ecg de repouso é de apenas 35%.

A avaliação do exame leva em conta a presença de sintomas como dor no peito e nível de cansaço, os níveis de pressão arterial, a frequência cardíaca, a capacidade física e o ritmo cardíaco.

Por que fazer o teste ergométrico?

teste ergométrico indicado para pacientes com mais de 30 anosPor meio do teste ergométrico é possível diagnosticar várias anormalidades, como doença arterial coronariana e alterações da capacidade funcional respiratória, além de detectar eventuais arritmias, anormalidades da pressão arterial e isquemia miocárdica que é a falta de irrigação numa parte do coração que tem entupimento.

Ele pode, também, avaliar os eventuais sintomas que podem acompanhar o surgimento de sopros, sinais de falência ventricular esquerda e fazer a avaliação funcional de doença cardíaca já conhecida, bem como orientar a prescrição de exercícios físicos em pessoas doentes ou sadias.

Quem deve fazer o teste ergométrico?

  1. Está indicado fazer de rotina depois dos 40 anos ou antes se tiver vários fatores de risco para doença coronariana.
  2. O teste ergométrico deve ser feito por pacientes em que se suspeita terem alguma alteração em sua capacidade cardiorrespiratória como suspeita de insuficiência cardíaca.
  3. Nestes casos, o exame completo vai se chamar ergoespirometria, por analisar os gases respiratórios durante o exame.
  4. Dependendo do resultado, poderá até ser indicado um transplante cardíaco.
  5. Para avaliar o funcionamento cardíaco durante o exercício em que pequenas obstruções nas coronárias poderão ser diagnosticadas com facilidade.
  6. Também por atletas ou pessoas que desejem avaliar seu condicionamento físico.
  7. Nos atletas, ajuda a medir de forma precisa o nível de condicionamento físico.
  8. Pacientes com dispositivos implantáveis ( CDI) para avaliar o funcionamento no esforço.

O teste ergométrico pode ser associado a outros exames que completem o diagnóstico, como a cintilografia miocárdica de esforço, o ecocardiograma com estresse farmacológico e a espirometria, também chamada de ergoespirometria.

As 7 indicações para realizar teste ergométrico:

  1. Doença arterial coronariana.
  2. Após infarto do miocárdio.
  3. Por pessoas que desejem iniciar um exercício físico vigoroso.
  4. Avaliar a condição clínica em algumas pessoas com doenças das válvulas cardíacas.
  5. Avaliar a condição de pacientes que foram ou serão submetidos a uma angioplastia ou ponte de safena.
  6. Avaliar pacientes com arritmias.
  7. Avaliar comportamento de marcapasso artificial.

Quem não deve fazer o teste ergométrico?

O teste ergométrico não deve ser feito por:

  1. Portadores de doença arterial coronária instável conhecida.
  2. Que apresentem obstrução da artéria coronária esquerda ou equivalente sem tratamento.
  3. Arritmias não controladas.
  4. Miocardites ou pericardites agudas.
  5. Estenose aórtica.
  6. Insuficiência aórtica importante.
  7. Hipertensão arterial grave ou mal controlada.
  8. Embolia pulmonar.
  9. Intoxicação medicamentosa.

Essas condições aumentam muito o risco de complicações durante o esforço.

Como se trata de um esforço muito grande, também não deve ser feito por grávidas.

Nestes casos o exame pode ser substituído por uma cintilografia miocárdica, ecocardiografia com estresse farmacológico ou um Holter de ECG 24 horas.

Quanto tempo dura o teste ergométrico?

teste ergométrico indicado para pacientes com mais de 30 anos

A duração do exame em cima da esteira é de aproximadamente 13 minutos, mas deve ser interrompido sempre que aparecerem sinais e/ou sintomas especialmente graves, como cansaço excessivo, dor no peito, elevação exagerada da pressão ou arritmia complexa.

O tempo de preparo da pele, colocação dos eletrodos, realização do eletrocardiograma de repouso e início do exame é de 20 minutos.

O tempo de caminhada na esteira é de até 14 minutos para atletas.

O tempo de recuperação é de até 8 minutos.

Como é o laudo do Teste ergométrico?

A análise eletrocardiográfica ao esforço gera esse laudo do teste ergométrico:

  • Critérios Clínicos:  Paciente não apresentou sintomatologia de insuficiência coronariana. Teste interrompido devido à exaustão. Atingiu a FC máxima preconizada para a idade.
  • Comentários do ECG de Repouso e no Pré-Esforço: Ritmo sinusal. Dentro dos limites da normalidade para a faixa etária.
  • Resposta da FC e da Pressão arterial durante o esforço: Comportamento normal da frequência cardíaca, a pressão arterial  teve comportamento hipertensivo severo.
  • Comentários do ECG durante o esforço: Sem modificações significativas do segmento ST em relação ao repouso.
  • Comentários do ECG e da Pressão durante a recuperação: Sem modificações significativas do segmento ST. A pressão teve descenso lento.
  • Arritmias: Ausência de arritmias esforço induzidas.
  • Conclusão: Teste de resposta anormal ao esforço pelo aumento da pressão arterial sistêmica. Não houve isquemia ou arritmia esforço-induzidas. Capacidade funcional normal.

O laudo do exame ergométrico é fornecido como no exemplo abaixo:

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Modelo de laudo de exame de esteira.

Resultados do teste ergométrico

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  1. Teste ergométrico positivo por desenvolver isquemia. Neste caso pode existir obstrução das coronárias e pode ser confirmado com um cateterismo cardíaco ou tomografia cardiovascular.
  2. Teste ergométrico com resposta hipertensiva. situação em que a pressão sobe exageradamente e necessita de tratamento.
  3. Teste ergométrico com arritmia. Caso em que normalmente é realizado um holter de ecg 24 horas complementar e uma ecocardiografia para decidir se inicia tratamento.
  4. Teste ergométrico positivo por apresentar dor anginosa durante o esforço. A dor no peito durante o esforço é um sinal de isquemia e deve ser investigado com cateterismo cardíaco ou tomografia cardiovascular.
  5. Teste ergométrico com cansaço excessivo. Novamente é uma situação que representa isquemia miocárdica ou insuficiência cardíaca e deve ser investigado com cateterismo ou ecocardiografia com doppler e fluxo em cores.

Quais são as complicações possíveis do teste ergométrico?

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Em geral, o teste ergométrico é um exame seguro.

O risco de complicações graves é muito baixo, menor do que 1 para cada 20.000 exames.

Como complicações simples e passageiras o paciente pode apresentar tonteira e dispneia, mas mesmo isso não é comum.

Como complicações mais graves, excepcionais, podem ter parada cardíaca durante o exame.

As 3 situações que levam a parada cardíaca são:

  1. Desenvolvimento de arritmia ventricular complexa como taquicardia ventricular sustentada.
  2. Desenvolvimento de isquemia miocárdica importante.
  3. AVC por elevação exagerada da pressão no esforço.

Por esses motivos é fundamental que o serviço que realiza o teste de esforço tenha dentro da sala de exame um carro de parada cardíaca completo para dar assistência ao paciente em casos de complicações citadas acima.

Quanto custa um exame de esteira?

O valor pode variar de R$ 150,00 a 300,00 de acordo com a região e número de médicos que realizam o exame.

Quanto custa para montar um serviço de ergometria?

Somando a esteira, o programa que realiza o exame, o carro de parada obrigatório na sala, o pacote poderá chegar a R$ 150 mil reais.

A telemedicina como suporte para realizar o teste ergométrico e laudar o exame

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Nas regiões onde não existem Cardiologistas é possível montar um serviço de ergometria numa clínica geral e enviar os exames para a plataforma em nuvem da Telemedicina Morsch e receber os laudos médicos em 30 minutos fornecidos por Cardiologistas.

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Em síntese, podemos afirmar que o teste ergométrico faz parte dos exames de rotina anuais para todos os adultos com fatores de risco para doença coronariana.

Ele deve ser realizado de rotina mesmo em pessoas que não tenham nenhuma queixa relacionada ao coração, mas que possuam familiares cardíacos ou que tenham fatores que desenvolvem doença cardíaca como:

  • Fumante.
  • Hipertenso.
  • Colesterol elevado.
  • Diabético.
  • Obeso.

É comum as pessoas imaginarem que não terão capacidade física de correr na esteira rolante.

Tenho que lembrar que para cada idade, sexo, condição clínica é escolhido um protocolo específico que possibilita que o paciente caminhe normalmente na esteira para realizar o seu exame.

Avalie seu serviço e analise o custo-benefício de oferecer a ergometria aos seus pacientes.

Se precisar de orientações, conte conosco para ajudar.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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