Infradesnivelamento do segmento ST: causas, tipos e diagnóstico

Por Dr. José Aldair Morsch, 13 de maio de 2022
Infradesnivelamento do segmento ST

O infradesnivelamento do segmento ST é um achado de interesse no ECG ou teste ergométrico.

Isso porque, dependendo das características do desnível, ele pode sinalizar isquemia ou outras doenças preocupantes.

Daí a necessidade de conhecer o padrão do segmento ST no ritmo sinusal, a fim de investigar essa anormalidade.

Nas próximas linhas, explico em detalhes sobre o infradesnivelamento do segmento ST, suas causas e gravidade.

Leia até o final para conferir um bônus com insights para otimizar o diagnóstico de patologias cardiovasculares com a ajuda da telemedicina.

O que é infradesnivelamento do segmento ST?

Infradesnivelamento do segmento ST é uma alteração no traçado do eletrocardiograma que pode revelar problemas cardiovasculares.

Esse achado surge diante de uma depressão no trecho que faz a ligação do final do segmento QRS à onda T.

Lembrando que a onda T corresponde à repolarização ventricular, logo depois da contração dessas câmaras.

Causas de infradesnivelamento do segmento ST

A causa mais comum para o desnível é a isquemia, que ocorre quando há oclusão de uma artéria coronária.

Portanto, ao observar o infradesnivelamento do segmento ST, o cardiologista deve prosseguir com a investigação para confirmar ou descartar isquemia.

Um dos maiores indícios é a presença de dor associada ao desnível do segmento ST – que deve aparecer ao menos em quatro batimentos cardíacos consecutivos.

Além, é claro, de fatores de risco para angina e infarto do miocárdio, como hipertensão, obesidade, diabetes e história familiar.

No entanto, outros males podem estar por trás da depressão no segmento ST, a exemplo de:

  • Hipertrofia do ventrículo esquerdo
  • Pericardite, que é a inflamação da membrana ao redor do músculo cardíaco
  • Prolapso da válvula mitral, uma anomalia que modifica o formato dos folhetos da válvula, permitindo a regurgitação
  • Hipocalemia, quando o nível de potássio é insuficiente para as necessidades do organismo
  • Bloqueios de ramo, caracterizados pelo atraso na condução do impulso elétrico pelo coração
  • Causas não patológicas, como as desencadeadas pelo uso de marcapasso elétrico.

 

Tipos de infradesnível do segmento ST

Existem dois tipos principais de depressão do segmento ST, considerando sua morfologia e evolução:

  • Infradesnível do Segmento ST Ascendente
  • Infradesnível do Segmento ST Horizontal, que reúne os traçados com morfologia horizontal ou descendente.

 

Como é o diagnóstico de infradesnivelamento do segmento ST

O diagnóstico dessa alteração costuma tomar por base dois tipos de eletrocardiograma (convencional e de esforço).

Por vezes, o resultado do exame é o primeiro indício de anormalidades com os batimentos cardíacos.

Confira detalhes sobre os procedimentos a seguir:

  • ECG: simples, indolor e rápido, o eletrocardiograma em repouso permite a detecção de anormalidades no segmento ST. Contudo, costuma registrar apenas pequenos desvios
  • Teste ergométrico: o ECG de esforço em esteira ou bicicleta tem maior capacidade de evidenciar o infradesnível, principalmente se for sinal de isquemia. Isso porque o teste exige que o miocárdio bata em ritmo acelerado, agravando momentaneamente o déficit de oxigênio para as células.

 

Presença de infradesnivelamento do segmento ST é grave?

Esse achado do ECG sempre deve motivar uma avaliação médica criteriosa para descartar causas patológicas.

Contudo, há quesitos que influenciam na gravidade do infradesnivelamento do segmento ST.

Em especial quando existe suspeita de isquemia ou lesão cardíaca.

Quando o desnível aparece de modo agudo, pode sinalizar uma lesão ao coração.

Já a presença de dor precordial durante esforço, combinada ao achado, sugere uma doença isquêmica.

Nesses casos, a gravidade aumenta diante de comorbidades e condições de risco para essas patologias, como a idade, colesterol elevado, etc.

Vale considerar, no entanto, a possibilidade de infradesnível sem raiz patológica em pacientes fora do grupo de risco para doenças cardiovasculares e que tenham menos de 35 anos.

Infradesnivelamento do segmento ST patológico

O infradesnível pode se apresentar por meio de diferentes traços morfológicos e profundidade, de acordo com sua razão.

Alterações discretas em pacientes saudáveis tendem a não representar problemas, principalmente se assintomáticas e percebidas apenas mediante esforço físico.

Já as mais evidentes tendem a ser representações patológicas, como descreve o artigo “Quais são as principais indicações do teste ergométrico?”, que cito a seguir:

“O infradesnivelamento do segmento ST maior ou igual a 1.0 mm no esforço ou recuperação, retificado ou descendente, é a alteração diagnóstica de isquemia, mas é igualmente importante observar que a acuidade dessa informação varia com a magnitude do infradesnivelamento, o número de derivações e a carga de esforço em que ele ocorreu e se o teste reproduziu a dor relatada pelo paciente.”

Infra de st

Infradesnivelamento surge diante de uma depressão no trecho que liga o final do segmento QRS à onda T

Falso positivo no infradesnivelamento do segmento ST

É preciso cautela ao avaliar o infradesnivelamento do segmento ST, porque é possível que o achado não represente qualquer risco à saúde do paciente.

Um exemplo clássico ocorre devido à solicitação de teste ergométrico para indivíduos assintomáticos.

Essa ação não é recomendada e pode levar a um falso positivo, gerando preocupação na pessoa avaliada e seus familiares.

Além do gasto de tempo e dinheiro em exames e procedimentos desnecessários para pessoas saudáveis.

Portanto, considere sempre a suspeita clínica, a presença de sintomas associados, o histórico e fatores de risco antes de diagnosticar o paciente.

Como a telemedicina pode ajudar?

A rotina do cardiologista costuma ser conturbada, exigindo atenção para o atendimento, gestão de tarefas e análise de exames.

Nesse cenário, a tendência é que haja atrasos em diagnósticos e avaliações de achados como o infradesnivelamento do segmento ST.

Pensando nisso, a tecnologia oferece uma solução inteligente para esse problema, por meio da plataforma de telemedicina.

Esse sistema permite a troca de informações entre profissionais de saúde e pacientes, incluindo o envio de registros de exames para interpretação à distância.

No software de telemedicina Morsch, basta compartilhar os dados coletados, que serão laudados por nossa equipe de especialistas em minutos.

Outra vantagem está no acesso rápido à segunda opinião médica para esclarecer possíveis falsos positivos ou negativos.

É só solicitar o suporte pelo mesmo sistema para ser atendido.

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Conclusão

Ao final deste artigo, espero ter contribuído para ampliar seus conhecimentos sobre infradesnivelamento do segmento ST.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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