Como interpretar resultados Holter 24 horas: exame normal e anormal

Por Dr. José Aldair Morsch, 17 de setembro de 2018
interpretar resultados holter

Interpretar resultados do Holter é tarefa de grande responsabilidade.

E não é para menos, já que fazê-lo com ética e profissionalismo ajuda a garantir melhores diagnósticos, trazendo segurança tanto para o médico quanto para o paciente.

Mais recentemente, o exame vem crescendo em importância. Você arriscaria dizer por quê?

Basta olhar ao redor para perceber que vivemos em um mundo no qual o estilo de vida se mostra inadequado, predominando maus hábitos. Tudo isso contribui para o aumento expressivo das doenças cardiovasculares.

Diante desse cenário, faz sentido que, atendendo à demanda por profissionais que tratam da saúde do coração, se eleve também a oferta de locais que ofereçam a realização do eletrocardiograma (ECG), seja ele de repouso, de esforço ou com Holter.

Como consequência, cresce a busca por especialistas capazes de analisar corretamente os resultados de exames cardiológicos.

Neste artigo, você vai entender o que é o exame Holter 24 horas, como ele é feito, de que forma se dá a interpretação de Holter e as possibilidades de resultado de Holter alterado e normal.

Também vou explicar melhor como a tecnologia pode ampliar o acesso a cardiologistas experientes, respondendo bem à necessidade atual.

O primeiro passo é conhecer um pouco mais sobre o eletrocardiograma de longa duração.

Vamos em frente?

O que é Holter?

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Holter é o aparelho utilizado no eletrocardiograma de longa duração. Ele costuma ter o tamanho de um celular, bateria interna, e é responsável pelo registro da atividade elétrica do coração.

Essa atividade é captada através de eletrodos conectados à bateria do Holter.

Ao serem afixados na pele, os eletrodos coletam informações sobre o ritmo cardíaco, que são registradas por meio de imagens em ondas e armazenadas no aparelho.

Como curiosidade, vale destacar que, hoje compacto e portátil, o Holter surgiu muito maior, pesando cerca de 40 quilos. O equipamento ganhou esse nome graças ao seu inventor – Norman J. Holter.

Em 1961, o médico identificou a necessidade de estender o tempo de eletrocardiografia para o tratamento de alguns pacientes com queixa de descompasso cardíaco que não aparecia no eletrocardiograma de repouso.

O eletrocardiograma padrão, também conhecido como ECG de repouso ou superfície, costuma ter duração de apenas cinco minutos.

Portanto, o teste é limitado, uma vez que registra a atividade do coração por um período curto de tempo.

Considerando que os batimentos cardíacos sofrem, normalmente, alterações de acordo com atividades, estresse e outros fatores presentes na rotina de qualquer pessoa, Holter identificou que era preciso medir por um tempo maior para encontrar um padrão no ritmo cardíaco.

Assim, ele criou um mecanismo capaz de monitorar os batimentos à distância, permitindo que os registros continuem, mesmo com o paciente fora do local onde o exame é feito.

Com o passar dos anos, o primeiro aparelho desenvolvido recebeu melhorias, ficando menor e mais leve.

A tecnologia também permitiu avanços na fidelidade e capacidade da gravação, que hoje pode ser intermitente, disparada pelo paciente ou pela ocorrência de arritmia, uma alteração na frequência cardíaca do coração.

Atualmente, estão disponíveis sistemas de análise automática, offline e em tempo real para exames de Holter 24 horas.

Eles empregam maior agilidade aos relatórios e também no tempo para análise técnica, além de agregar confiabilidade e qualidade aos laudos.

Para que serve o exame Holter?

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O exame de Holter serve para investigar casos em que há sintomas como angina (dor no peito) tonturas, síncopes, palpitações e desmaios, mas sem que tais alterações tenham sido identificadas no eletrocardiograma normal ou em repouso.

O Holter também auxilia no acompanhamento pós-cirúrgico, como em casos de infarto ou angioplastia, e na programação e ajustes de aparelhos de marca-passo ou cardio-desfibriladores implantáveis (CDI).

Isso é possível através da gravação das informações do eletrocardiograma por pelo menos 24 horas, de forma contínua ou intermitente.

Importante destacar que alterações na frequência cardíaca podem indicar várias doenças cardiovasculares, como infarto e pericardite, um tipo de inflamação do pericárdio, que é espécie de bolsa que envolve o coração.

Já o infarto ocorre quando o fluxo de sangue oxigenado para o coração é insuficiente ou interrompido, devido à obstrução de uma artéria na região que recebe sangue.

Um consenso da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo sugere que o uso do Holter no teste fornece um apoio considerável para a tomada de decisão clínica.

De forma geral, o ECG com Holter é bastante solicitado para as seguintes situações:

  • Confirmação de arritmias
  • Detecção de isquemia miocárdica, má irrigação do coração decorrente da obstrução da circulação local
  • Documentação da eficácia de tratamentos para arritmia e isquemia
  • Prevenção e acompanhamento de doenças cardíacas.

Como é feito o exame Holter 24 horas?

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Também conhecido como eletrocardiografia pelo sistema Holter, eletrocardiograma de longa duração, EGC dinâmico, ou monitorização eletrocardiográfica ambulatorial, o exame de holter 24 horas é extremamente simples.

Com a pele do tórax limpa (o que pode incluir a raspagem de pelos nos homens), de quatro a 7  eletrodos são fixados na região e conectados ao gravador (aparelho de Holter) através de cabos.

O número de eletrodos vai depender do fabricante do aparelho.

O monitor, então, é posicionado na altura da cintura.

Pode também o paciente ser orientado a acompanhar e escrever as sensações durante o teste, o que serve para posterior comparação com os resultados gravados no equipamento de ECG.

Após concluída a preparação do exame, o paciente pode seguir sua rotina normalmente, realizando as atividades habituais.

Enquanto isso acontece, o aparelho colhe informações sobre o seu ritmo cardíaco.

A única restrição é não deitar sobre colchões ou travesseiros magnéticos durante as 24 horas de exame. Por emitir ondas de energia, esses itens causam interferência no Holter, atrapalhando as gravações.

Preparação para o exame

Antes do exame, é recomendado que os portadores de marca-passo mostrem informações do equipamento, expressas na carteirinha de identificação. Elas são cruciais para interpretar resultados do Holter e compor o laudo médico.

Todos os pacientes devem se preparar para o teste, o que inclui tomar banho e não aplicar cremes ou outros cosméticos na região torácica.

Ao retirar os eletrodos no fim do ECG, é indicado hidratar e evitar expor o tórax ao sol, por um período de três a cinco dias.

Em caso de alergia ou lesões depois de retirar os eletrodos, que não são comuns, é preciso procurar orientação médica.

O que o Holter pode diagnosticar?

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Como já destacado, o Holter 24 horas pode indicar doenças cardíacas, como infarto e pericardite, arritmias, aumento das cavidades do coração e problemas nas válvulas cardíacas.

Mas, assim como acontece em todo o tipo de exame médico, o diagnóstico depende de uma combinação de fatores.

Significa dizer que não é recomendado tirar conclusões apenas considerando o resultado do ECG com Holter, isoladamente.

No caso dos males cardiovasculares (grupo de doenças que afetam coração e vasos sanguíneos), por exemplo, o histórico familiar tem bastante peso.

Por isso, pessoas com casos na família têm maior chance de sofrer doenças do coração.

Um estilo de vida sedentário, combinado ao uso de cigarro, álcool e dietas inadequadas é outro fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Veja, mais uma vez, o quão importante é interpretar resultados do Holter com precisão.

Resultados do exame Holter

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Em linhas gerais, o fabricante do aparelho de Holter disponibiliza instruções para auxiliar a interpretação dos registros gráficos gerados pelo exame.

Essa análise deve ser realizada por um cardiologista com formação específica, que vai além da residência médica regular em Cardiologia.

Estou me referindo a uma especialidade chamada arritmologia, que se encarrega de diagnosticar e tratar doenças do ritmo cardíaco.

Após a interpretação, o cardiologista emite um documento com o resultado do exame, chamamos de laudo de Holter, no qual especifica:

  • Detalhes do procedimento
  • Informações do paciente
  • Detalhes sobre a frequência dos batimentos cardíacos
  • Sobrecarga de cavidades
  • Intervalos
  • Bloqueios
  • Distúrbios de condução.

A partir daí, temos duas possibilidades ao interpretar resultados Holter: um exame normal ou anormal.

Vamos entender cada uma delas.

Exame Holter Normal

Indica que o ritmo cardíaco está dentro do padrão – em geral, entre 50 e 100 batimentos por minuto.

Mesmo com resultado normal, pode haver algum problema não detectado durante o exame de Holter 24 horas, principalmente se queixas como tonturas, palpitações e desmaios permanecerem.

Nesses casos, pode ser requisitado um teste com Holter por um período maior, que pode ir de 48 horas a 7 dias. Chamamos de loop cardíaco.

Outros exames, como ecocardiograma, também podem ser solicitados para identificar a origem dos sintomas.

Exame Holter Anormal

Resulta da observação de ritmo irregular, fora do padrão.

Nesses casos, é fundamental reforçar a atenção à análise das imagens geradas durante o eletrocardiograma de longa duração.

Como interpretar resultados Holter

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Como interpretar resultados do Holter? Como eu citei no tópico anterior, uma interpretação correta do Holter 24 horas depende de formação específica, e só pode ser feita por um cardiologista arritmologista.

No entanto, um clínico geral pode requisitar o eletrocardiograma, a fim de monitorar a saúde cardíaca do seu paciente.

De qualquer forma, dados como histórico familiar e hábitos do paciente são muito importantes na hora de analisar os resultados de um ECG dinâmico.

Além deles, é preciso compreender os principais critérios que interferem no bom funcionamento do músculo cardíaco.

Critérios analisados para interpretar resultados Holter

Ritmo cardíaco, frequência cardíaca, bloqueio e arritmias são fatores vitais ao interpretar resultados do Holter.

Vamos a eles!

Ritmo do coração

Em cada pessoa, o coração bate em um ritmo padrão, determinado por fatores como a idade e condicionamento físico.

Esse ritmo pode sofrer alterações ao longo do dia, mesmo em indivíduos saudáveis.

No entanto, a repetição dessas alterações costuma indicar que algo está errado.

O ritmo cardíaco é avaliado de acordo com a origem dos batimentos, seja oriundos do nó sinusal, onde chamamos de ritmo sinusal, seja oriundos de outra parte do coração, como a fibrilação atrial.

Frequência cardíaca

Mostra a quantidade de vezes que o coração bate a cada minuto.

As batidas cardíacas servem para bombear o sangue pelo corpo. Se o coração precisar de muito esforço para isso, serão necessárias mais batidas por minuto.

Ou seja, em um indivíduo saudável, o coração não precisa se esforçar tanto e, por isso, a quantidade de batimentos é menor.

No entanto, uma frequência cardíaca muito baixa pode sinalizar que o sangue não está chegando a todas as partes do corpo.

Assim, foram estabelecidos valores ideais para a frequência, medidos em bpm (batidas por minuto).

De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a frequência ideal é a seguinte:

  • Adulto saudável: 50 e 100 bpm
  • Bebês até os 2 anos de idade: entre 120 e 140 bpm
  • Crianças e adolescentes (8 a 17 anos): entre 80 e 100 bpm
  • Idosos (mais de 60 anos): de 50 a 100 bpm.

Arritmias

Ocorrem quando a frequência, formação ou condução do impulso elétrico cardíaco sofrem alterações.

As arritmias podem ser causadas por cardiopatias, como insuficiência cardíaca e doença da artéria coronária, assim como por anomalias presentes desde o nascimento, chamadas de anomalias congênitas.

Na insuficiência cardíaca, o coração tem dificuldade para bombear sangue suficiente para os órgãos e outras partes do corpo.

Já a doença arterial coronariana (DAC) é uma obstrução das artérias coronárias (aquelas que irrigam o coração).

Na arritmia de padrão rápido ou taquicardia, a frequência cardíaca é superior ao padrão.

Além das doenças, esse tipo de arritmia pode ser desencadeado pelo estresse, consumo de álcool em excesso, medicamentos estimulantes e até por bebidas com cafeína.

Na bradicardia, o número de batimentos por minuto é inferior ao ideal.

Além de cardiopatias, pode ser causada por distúrbios digestivos, dor, fome ou cansaço.

Bloqueios cardíacos

Acontece quando há um atraso na condução do impulso elétrico de uma região do coração para a outra, resultando na lentidão da transmissão do impulso elétrico dentro das estruturas internas do coração.

Alguns bloqueios não provocam sintomas, mas tontura, vertigem e fadiga podem indicar essa condição.

Isquemia

Ocorre quando o fluxo sanguíneo no coração é reduzido, impedindo que o órgão receba oxigênio o suficiente.

Essa redução do fluxo é causada por um bloqueio parcial ou total das artérias coronárias.

Quando esse bloqueio é grave, ocorre o infarto ou ataque do coração.

Exemplo de laudo normal de Holter

Exame realizado em três canais com boa qualidade técnica com registrador da Cardios registrado na ANVISA.

Ritmo de base e variabilidade

Ritmo sinusal com FC mínima de 50 bpm, FC média de 75 bpm e FC máxima de 120 bpm. Não foram observadas pausas acima de 2000 ms.

Condução atrioventricular e intraventricular

O intervalo PR se manteve dentro dos limites da normalidade e os complexos QRS apresentam morfologia normal.

Atividade ectópica supraventricular

Foram observadas 2 extrassístoles supraventriculares isoladas.

Atividade ectópica ventricular

Foram observadas 10 extrassístoles ventriculares. Apresentaram-se isoladas.

Segmento ST

Não foi observada alteração significativa da repolarização ventricular em relação aos traçados iniciais do exame.

Sintomas

Diário não enviado.

A Telemedicina e a interpretação dos resultados Holter

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Como vimos até aqui, analisar os resultados de um eletrocardiograma com holter 24 horas pode ser complexo.

Mas não pode esse ser um fator limitante para a oferta do exame.

Vale lembrar que o aumento no número de doenças cardiovasculares tem impactado a demanda por esse exame mais específico e menos limitado que o eletrocardiograma em repouso.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, somente em 2015, 17,7 milhões de pessoas morreram por doenças cardiovasculares. O número representa 31% das mortes em todo o mundo.

A entidade lembra que o diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais para a saúde de portadores de doenças cardiovasculares ou aqueles que têm alto risco de desenvolver esses males – quem possui histórico familiar, hipertensão, diabetes, entre outros fatores.

Portanto, garantir uma interpretação correta dos resultados, com agilidade, se torna crítico, concorda?

A boa notícia é que já existem soluções disponíveis para esse problema.

Assim como a tecnologia melhorou a qualidade do ECG ao longo dos anos, também eliminou a necessidade de manter especialistas em todos os locais que oferecem o holter 24 horas.

Através da telemedicina, fica simples enviar os dados do exame para um cardiologista, que pode estar em qualquer lugar do planeta. Basta que ele tenha acesso à internet.

Depois de se logar na plataforma de telemedicina, o médico pode avaliar o exame e compartilhar resultados confiáveis rapidamente.

Essa tecnologia conta com um serviço de suporte que fica no ar em tempo integral, 24 horas por dia.

O objetivo é treinar e capacitar os profissionais que vão conduzir o eletrocardiograma com holter, a fim de manter a qualidade no registro dos resultados.

Conclusão

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Neste texto, você conheceu mais sobre o Holter 24 horas, em que casos é recomendado e como interpretar resultados do Holter de forma correta.

Também viu que é preciso contar com um cardiologista capacitado para analisar as imagens geradas durante o exame.

Porém, acessar esse profissional pode ser difícil, especialmente se o paciente estiver em locais mais remotos.

O mesmo acontece em períodos críticos, como férias, folgas e faltas de profissionais.

Mas você não precisa ficar desassistido. E a melhor estratégia é contar com a tecnologia para eliminar essa distância.

A Telemedicina Morsch garante aparelhos, treinamento e profissionais para oferecer uma solução completa aos exames de holter.

Você pode saber mais no site ou solicitar um orçamento.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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