Quais são os tipos mais comuns de conjuntivite e como tratar?

Por Dr. José Aldair Morsch, 23 de novembro de 2021
Quais são os tipos mais comuns de conjuntivite e como tratar?

Quase todo mundo sabe o que é conjuntivite. Se você nunca teve essa doença, certamente conhece alguém que já passou por ela.

Normalmente, tratamos a condição como algo simples e que passa logo. De fato, sua duração é curta e raramente existem complicações, mas é sempre importante consultar o oftalmologista. 

Isso porque, muitas pessoas só buscam por um médico quando os sintomas se agravam e geram incômodos mais severos. 

Contudo, se a conjuntivite for reconhecida e tratada cedo, a tendência é que ela seja minimizada até a cura completa.

Além disso, por menores que sejam as chances, as complicações podem sim ocorrer. Então, procure dar ao caso a mesma atenção que você daria para qualquer problema de saúde.

Mas afinal, como saber se você tem conjuntivite? Como ela ocorre, quais os seus tipos, causas, duração e alternativas de tratamento? É possível prevenir-se?

Descubra as respostas para essas e outras questões importantes ao longo deste artigo e saiba como cuidar dos seus olhos do jeito certo. 

O que é conjuntivite? 

Basicamente, a conjuntivite é um processo inflamatório que atinge uma membrana dos olhos, que é chamada de conjuntiva.

Trata-se de uma membrana fina e transparente. Sua função é revestir a parte interior das pálpebras e a frente do globo ocular (conhecido como a área branca dos olhos). 

Sua duração geralmente é curta e não ultrapassa duas semanas. Normalmente ela ataca os dois olhos. 

Como o tipo mais comum é infeccioso, é normal que a pessoa tenha um olho infectado e acabe passando para o outro ao coçar e mexer neles.

Por falar nos tipos, suas causas podem ser associadas a bactérias e vírus. Além disso, é possível que a origem seja alérgica (como alergia à fumaça, cloro, maquiagem, etc.).

Para você ter ideia, cerca de 75% dos casos de conjuntivite têm origem bacteriana, de acordo com um estudo da Revista Brasileira de Oftalmologia.

Além disso, cerca de 40% dos atendimentos de urgência feitos por oftalmologistas são motivados pelos sintomas da doença. 

Mesmo que os sintomas de conjuntivite sejam bastante incômodos e tenham potencial contagioso, quase sempre os tratamentos são simples e não deixam sequelas.

Extremamente raras, as complicações são associadas a alguns fatores específicos. Mesmo que as chances sejam pequenas, é importante ficar atento a eles.

Isso inclui tratamentos incorretos, falta de tratamento em pacientes com bastante recorrência da doença e até situações de uso de lentes de contato sujas ou durante o sono.

Dos agravamentos mais severos, se destaca a úlcera de córnea, que causa um tipo de “buraco” na área, e a Ceratite, que gera vários pontos de lesão, como se a córnea estivesse “ralada”. 

No próximo item, entenda melhor como os diferentes tipos de conjuntivite se caracterizam e quais cuidados cada um deles exige.

Quais são os tipos de conjuntivite? 

Como você pôde ver acima, é mais recorrente que a conjuntivite seja infecciosa. Atrás dos vírus e das bactérias, também estão as causadas por alergias (que não podem passar de uma pessoa para outra). 

Enquanto o tipo infeccioso pode atingir apenas um olho (e passar para o outro através das mãos), o mais comum é que o alérgico acometa os dois olhos simultaneamente. 

Dito isso, podemos dividir os tipos de conjuntivite justamente entre as bacterianas, virais e alérgicas. Confira as principais características de cada uma delas: 

Conjuntivite bacteriana

De acordo com a pesquisa que citei no item anterior, a conjuntivite bacteriana é, de longe, a mais recorrente entre as pessoas. 

Geralmente, ela é transmitida pelo toque. Isso ocorre quando o indivíduo encosta suas mãos em uma área contaminada e depois leva elas aos olhos.

Os agentes causadores mais comuns são as bactérias Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus spp, mas muitas outras podem gerar conjuntivite.

Sua característica mais marcante é a presença de uma secreção amarelada e volumosa nos olhos (saiba mais sobre os sintomas adiante neste artigo).

Conjuntivite viral

Já as conjuntivites virais, evidentemente, são aquelas causadas por vírus. O grupo viral que se instala nos olhos e gera a doença é o adenovírus.

Inclusive, esse agente causador também é responsável por algumas doenças respiratórias conhecidas. Isso inclui resfriado, pneumonia, sinusite e bronquite, por exemplo.

Acredita-se que a transmissão viral não ocorra pelo ar, mas sim pelo espirro do paciente, tosse ou pela própria secreção ocular (como no caso das conjuntivites bacterianas).

Conjuntivite viral

Em relação à secreção, a conjuntivite viral apresenta um padrão diferente. Normalmente, ela é mais fina e esbranquiçada. 

Conjuntivite alérgica

Por fim, há a conjuntivite alérgica. Considerada a forma mais simples da doença, mas também exige a procura por um oftalmologista para prevenir o agravamento dos sintomas. 

Diversos agentes alérgicos podem causar essa forma da patologia. Os exemplos vão desde a poeira, até os pelos de animais, ácaros, pólen, insetos e até alimentos ou medicamentos.

A manifestação da conjuntivite alérgica pode ser crônica ou aguda. Quanto mais tendências alérgicas o paciente tem, mais chances ele possui de desenvolver o problema.

Antes de me aprofundar sobre os sintomas e como tratar conjuntivite, compartilho abaixo mais algumas informações importantes sobre seus agentes causadores.

Algumas causas de conjuntivite

Quando expliquei os principais tipos de conjuntivite, você deve com certeza notou que suas causas quase sempre são associadas a três fatores bem definidos.

Contudo, essa relação pode ser um pouco mais complexa do que parece. Isso porque, os agentes desencadeadores podem ir além dos vírus, bactérias e alérgicos que citei acima.

Em relação à conjuntivite infecciosa, qualquer microrganismo que entra em contato com os olhos pode gerar a doença.

Portanto, apesar de o adenovírus e os tipos bacterianos apresentados anteriormente serem mais comuns, eles não são os únicos.

A título de exemplo, você sabia que até mesmo a Covid-19 pode ser uma causa de conjuntivite?

Isso acontece quando o coronavírus entra no organismo através das mucosas dos olhos. Apesar de ser uma manifestação rara, ela é possível.

De acordo com uma matéria da UFMG, toda infecção aérea superior pode desencadear a conjuntiva inflamada. 

Até por isso, o oftalmologista deve perguntar ao paciente se ele teve algum quadro respiratório recente. Se for o caso, as suspeitas de conjuntivite viral aumentam bastante.

Como define-se a doença pelo processo inflamatório da membrana conjuntiva, há inúmeros fatores que podem causar essa patologia. Basicamente, é tudo o que é capaz de causar essa inflamação.

Inclusive, é possível ter conjuntivite até mesmo por fungos e parasitas, o que inclui larvas, vermes, amebas e até Candida. 

Claro que essas são situações muito mais raras. Contudo, independentemente da suspeita, uma consulta médica é sempre fundamental para minimizar sintomas e prevenir agravamentos.

Principais sintomas de conjuntivite

Principais sintomas de conjuntivite

Os sintomas de conjuntivite considerados “clássicos” são aqueles sentidos diretamente nos olhos. Eles incluem, por exemplo:

  • Excesso de lacrimejamento ou vermelhidão;
  • Constante ardencia;
  • Incômodo que se assemelha à sensação de ter areia nos olhos;
  • Sensibilidade acentuada sob a presença de luz;
  • Bastante coceira;
  • Pálpebras inchadas;
  • Presença de secreção de cor amarelada ou esbranquiçada;
  • Olhos que ficam levemente grudados ao acordar (por conta da secreção);
  • Visão levemente embaçada.

Ainda, em muitos casos, o paciente pode também sentir certos sintomas na região do nariz. Os principais deles são:

  • Vontade constante de espirrar;
  • Corrimento nasal;
  • Congestão nas narinas.

Vale relembrar que, como a conjuntivite na maioria das vezes é desencadeada por infecções de microorganismos, outros sintomas diversos podem surgir junto dela.

Os tipos e a intensidade variam de acordo com o agente em questão. Contudo, o mais comum é que surja dor de garganta (que pode evoluir para amigdalite se não tratada), febre e dores de cabeça. Normalmente, isso sinaliza a presença de um vírus. 

Como tratar conjuntivite?

Como ocorre nas demais características da doença, a resposta para como tratar conjuntivite varia de acordo com a sua causa.

Quase sempre, a definição do diagnóstico ocorre a partir dos sintomas relatados pelo paciente e pela avaliação do quadro clínico. 

No consultório, o exame consiste na visualização do meio ocular. Isso é feito com o apoio da lâmpada de fenda, um instrumento que emite uma fonte de luz de alta intensidade focada, que brilha como uma “fenda” para observação junto a um microscópio específico.

Independentemente dos tipos de conjuntivite diagnosticados, é direito do paciente ser orientado sobre a limpeza diária das pálpebras com apoio de água ou soro fisiológico.

Quanto ao tratamento em si, as alternativas incluem:

Tratamento para conjuntivite bacteriana

O principal objetivo da intervenção é combater a bactéria que causa a inflamação da membrana conjuntiva.

Para isso, o remédio para conjuntivite é antibiótico. Geralmente, aplica-se a solução na forma de pomadas ou colírios. 

Também é importante que o paciente mantenha os olhos limpos, realizando a limpeza constante ao longo do dia.

Além disso, recomenda-se compressas úmidas e frias para proporcionar mais alívio aos sintomas. 

Tratamento para conjuntivite viral

Já no caso das infecções por vírus, o oftalmologista quase nunca receita um remédio para conjuntivite específico.

Isso porque, esse tipo de manifestação geralmente tem duração menor. Portanto, a ideia é garantir alívio para os sintomas até que a doença passe sozinha. 

Como resultado, as limpezas constantes (com água ou soro) são ainda mais importantes todos os dias. O mesmo vale para as compressas. 

Entenda melhor no próximo item qual é o tempo médio de infecção e porque isso garante um tratamento mais leve. 

Tratamento para conjuntivite alérgica

Para finalizar, os quadros alérgicos também exigem o uso de remédio para conjuntivite. Nesses casos, são empregados antialérgicos.

As substâncias servem para combater os sintomas e minimizar a doença. Contudo, também recomenda-se para prevenir crises.

Caso o paciente utilize lentes de contato, é importante que seu uso seja suspenso sempre que qualquer irritação surgir. 

O tratamento e a prevenção da conjuntivite alérgica é muito importante. Isso porque, sem os cuidados corretos, a córnea pode ser opacificada, o que prejudica gradualmente a visão. 

Quanto tempo dura a conjuntivite?

De maneira geral, a conjuntivite dura de 7 a 15 dias. Claro que tudo pode variar conforme a situação do paciente e a causa da doença. 

Conforme expliquei acima, o tipo viral é o que tem menor duração. Normalmente, seu período de ocorrência varia de 4 a 7 dias. 

Contudo, a conjuntivite bacteriana normalmente leva uma semana. Entretanto, esse tempo pode aumentar e ela tem chances de permanecer se não adotar-se o  tratamento correto.

Por sua vez, condiciona-se a alérgica condicionada ao quão sujeita a pessoa sofre com alergias. Se as crises forem recorrentes, a conjuntivite será mais constante (e vice-versa). 

Além disso, os quadros alérgicos tendem a ser mais duradouros se o ambiente for seco, muito poluído ou tiver outros fatores não propícios aos indivíduos alérgicos. 

Não importa qual seja a intensidade do caso ou a duração da doença, nunca recorra à automedicação. Só um especialistas pode ministrar remédios de forma eficiente e segura. Do contrário, você pode piorar a sua situação. 

A conjuntivite é contagiosa?

A conjuntivite é contagiosa?

Evidentemente, apenas a conjuntivite bacteriana e a conjuntivite viral são contagiosas. As alérgicas não ocorrem por transmissão de uma pessoa para a outra. 

Portanto, caso você tenha tido o diagnóstico de um quadro infeccioso, evite o contato com outros indivíduos para não transmitir a doença.

Veja abaixo alguns cuidados para não adquirir a conjuntivite de alguém próximo ou em espaços coletivos.   

É possível prevenir a conjuntivite?

Em resumo, algumas práticas preventivas podem ser adotadas para evitar a propagação da conjuntivite oriunda de causas infecciosas.

Em geral, as dicas incluem todas as ações básicas para minimizar a transmissão de microrganismos. 

A única diferença para os cuidados em relação a outras doenças é o foco maior na proteção dos olhos. Nesse sentido, as principais recomendações são: 

  • Lave as mãos e o rosto com frequência;
  • Evite coçar os olhos, principalmente se tiver apertado as mãos de alguém ou tocado em algum objeto que não pertence a você;
  • Se tiver alguém infectado na sua casa, troque as fronhas dos travesseiros todos os dias;
  • Troque também as toalhas do banheiro com maior frequência;
  • Evite usar piscinas públicas ou de clubes;
  • Priorize as toalhas de papel para os rostos e as mãos se usar o banheiro fora de casa;
  • Não compartilhe produtos de limpeza, como rímel, delineador ou esponja;
  • Evite aglomerações.

Conclusão

Ao longo deste artigo, expliquei em detalhes o que é conjuntivite, quais os seus principais tipos, causas, sintomas, opções de tratamento, tempo de duração e métodos de prevenir-se contra possíveis contágios.

Ciente das características da doença, lembre-se de procurar um oftalmologista sempre ao perceber um sintoma. Afinal, ela pode gerar incômodos severos e até agravamentos se não tratada corretamente.

Portanto, gostou de saber tudo sobre conjuntivite e como combatê-la? Que tal manter-se sempre informado sobre temas importantes para a sua saúde? 

Não deixe de acompanhar os próximos conteúdos da Telemedicina Morsch. Assine a newsletter para receber os artigos em primeira mão e compartilhe este texto com os seus amigos. 

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

COMPARTILHE