Testosterona: para que serve, receita e como tomar

Por Dr. José Aldair Morsch, 19 de janeiro de 2024
Testosterona

Principal hormônio masculino, a testosterona está presente em alguns medicamentos para reposição hormonal.

Sua versão genérica é encontrada nas farmácias e drogarias sob a forma de solução injetável de 250 mg/mL.

Neste texto, falo mais sobre o efeito esperado após o uso.

Também abordo possíveis reações adversas para que você esteja ciente dos riscos e faça uso seguro.

Acompanhe até o final para saber como conseguir sua receita médica online.

O que é testosterona?

Testosterona é o principal hormônio masculino.

Sendo assim, é responsável pelo desenvolvimento e manutenção de características dos homens.

Ele é produzido em algumas partes do organismo, como os testículos, glândulas suprarrenais e ovários, nas mulheres.

Naturalmente, o organismo feminino elabora uma quantidade menor de testosterona do que o masculino.

Como a deficiência dessa substância gera agravos à saúde, o princípio ativo undecilato de testosterona está disponível em forma de medicamento.

Quais são as formas de apresentação da testosterona?

O medicamento pode ser encontrado em três apresentações principais:

  • Testosterona injetável: forma mais comum, disponível em diferentes concentrações
  • Testosterona em gel: comercializada em frascos, envelopes ou sachês
  • Testosterona oral: devido à necessidade de ingestão várias vezes ao dia e toxicidade para o fígado (hepatotoxicidade), raramente é recomendada.

Continue lendo para entender mais sobre as suas indicações.

Para que serve testosterona?

O fármaco à base de testosterona serve para reposição hormonal dessa substância.

O remédio é prescrito conforme a necessidade do paciente.

Pode ter ação androgênica (por exemplo, na próstata, vesículas seminais, epidídimo) ou anabólica, atuando sobre as proteínas nos músculos, ossos, rins, fígado e na produção de células vermelhas no sangue.

Principais indicações

De acordo com a bula, a principal indicação é para o tratamento de hipogonadismo primário e secundário.

A condição apresenta sintomas como:

  • Disfunção erétil
  • Diminuição do desejo sexual (libido)
  • Cansaço
  • Depressão
  • Pelos escassos e pouco desenvolvidos na região genital
  • Risco aumentado dos ossos se tornarem fracos (osteoporose)
  • Aumento da gordura no abdome
  • Diminuição da massa corporal magra e força muscular.

Outras indicações dependem da avaliação médica.

Testosterona remédio

O fármaco à base de testosterona serve para reposição hormonal dessa substância

Exames recomendados antes de começar a usar testosterona

Antes da terapia de reposição hormonal, é muito importante fazer um check-up médico para verificar o perfil metabólico, função hepática e renal, através de exames de rotina.

Também é essencial avaliar o perfil hormonal, incluindo a medição dos níveis de testosterona na bateria de exames pedidos, que costuma englobar:

  • Hemograma completo
  • Testosterona total (que mostra a testosterona livre e a ligada a proteínas)
  • Estradiol, prolactina, FSH, TSH, T4 livre e outras dosagens hormonais
  • Colesterol total, glicemia de jejum, triglicérides e outros procedimentos ligados ao perfil metabólico
  • TGO, TGP, gama GT e outros exames para verificar a função do fígado
  • Creatinina, ureia e outras provas de função dos rins
  • Eletrocardiograma, para avaliar a saúde do coração.

Outros exames podem ser solicitados a critério médico.

Como usar testosterona?

A solução injetável de 250 mg/mL de undecilato de testosterona deve ser administrada por via intramuscular, seguindo as recomendações do médico ou profissional de saúde.

Tome cuidado para não injetar o medicamento em um vaso sanguíneo (veia ou artéria).

Geralmente, o tratamento inclui o uso de uma ampola contendo 1000 mg/mL da substância, a cada 10 a 14 semanas.

O conteúdo da ampola deve ser injetado imediatamente após aberta.

Existe um anel de ruptura colorido, eliminando a necessidade de serrá-la.

Basta seguir o passo a passo para abrir a ampola:

  1. Utilize as duas mãos, uma segura a parte inferior da ampola e a outra a parte superior, acima do anel de ruptura
  2. Mantenha a ampola inclinada (aproximadamente 45º)
  3. Assegure-se que toda solução da parte superior escoe para parte inferior
  4. Com a ponta dos polegares, faça um apoio no estrangulamento
  5. Com os dedos indicadores, envolva a parte superior da ampola, pressionando-a para trás até a abertura da ampola.

No início da terapia farmacológica, pode ser necessário reduzir o intervalo entre as doses para 6 semanas, a fim de atingir o estado de equilíbrio do nível de testosterona.

A partir da quarta dose administrada, é recomendado o monitoramento dos níveis hormonais por meio da dosagem de testosterona sérica, permitindo adaptações para alcançar o resultado desejado.

Mulher pode tomar testosterona?

Desde que sob prescrição médica, sim.

Contudo, diretrizes nacionais e internacionais de sociedades médicas afirmam que há indicação apenas para mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo, após a menopausa.

De acordo com Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DCM – SBC), a testosterona não deve ser usada para:

  • Ganho de massa muscular
  • Emagrecimento
  • Rejuvenescimento
  • Melhora de disposição ou energia
  • Prevenção de doenças cardiovasculares 
  • “Regulação hormonal” na menopausa.

As entidades ainda desaconselham o uso de implantes subcutâneos manipulados de testosterona, a exemplo dos popularmente chamados “chips da beleza” – que não contam com aprovação da Anvisa.

O uso inadequado da testosterona apresenta riscos para as mulheres, como acne, crescimento de pelos no rosto e corpo, problemas no coração e fígado, desenvolvimento de características masculinas e dependência psicológica.

Quais os efeitos colaterais da testosterona?

A bula do undecilato de testosterona menciona as seguintes reações adversas comuns:

  • Aumento excessivo de células vermelhas no sangue
  • Ganho de peso
  • Fogacho
  • Acne
  • Aumento do antígeno específico da próstata (PSA)
  • Problemas de próstata como aumento do tamanho da próstata (hiperplasia prostática benigna)
  • Reações no local da injeção, incluindo dor, desconforto, coceira, vermelhidão, hematoma e irritação. 

Mais raramente, podem ocorrer reações alérgicas graves, hostilidade, doenças cardiovasculares e outros efeitos colaterais severos.

Diante de sintomas intensos ou graves, procure ajuda médica imediatamente.

Receita de testosterona

A aquisição de testosterona exige que você apresente a receita C5.

Esse é o documento que dá acesso a esteroides anabolizantes, que são drogas com a função principal de repor testosterona no organismo.

A prescrição tipo C5 é realizada através da receita de controle especial, emitida em duas vias, sendo que a segunda é destinada à orientação médica sobre dosagem, horários, via de administração, etc.

Enquanto a primeira via fica retida na farmácia, servindo para o rastreamento por parte da Anvisa.

Afinal, os anabolizantes são remédios controlados pelas autoridades de saúde, que estabelecem uma série de normas rígidas para coibir o uso indiscriminado.

É vedado ao médico, por exemplo, prescrever testosterona com finalidade estética ou de melhora do desempenho esportivo.

A receita branca do tipo C5 tem validade de 30 dias e pode liberar remédio suficiente para até 6 meses de tratamento.

Dúvidas frequentes sobre testosterona

Acompanhe, a seguir, respostas rápidas para algumas questões corriqueiras em relação ao hormônio.

É saudável tomar testosterona?

Sob prescrição médica, o uso da substância é seguro. Contudo, alguns pacientes podem sofrer efeitos colaterais, pois trata-se de um medicamento.

Os mais comuns são leves, porém, em casos severos, o fármaco diminui a fertilidade e aumenta o risco de infarto. Informe seu médico na ocorrência de reações adversas.

O que aumenta a testosterona?

Além do uso de medicamentos, existem maneiras de estimular o aumento dos níveis hormonais naturalmente. Por exemplo, realizando exercício físico com regularidade e incluindo alimentos saudáveis na dieta, com destaque para proteínas magras como frango.

Itens ricos em magnésio, zinco e vitamina D também são uma boa pedida.

O que leva à baixa de testosterona?

A redução da testosterona ocorre de modo gradual à medida que o homem envelhece. No entanto, existem condições capazes de acelerar esse processo, comprometendo a qualidade de vida, a exemplo de:

  • Aids (infecção pelo vírus HIV)
  • Obesidade grau 3 (mórbida), caracterizada pelo índice de massa corpórea (IMC) a partir de 40 Kg/m2
  • Uso de certos fármacos, como derivados de cortisona
  • Estresse crônico.

Caso apresente sintomas que indiquem a baixa de testosterona, fale com um médico, o que pode ser feito por teleconsulta.

Quem não pode usar undecilato de testosterona?

O fármaco é contraindicado para:

  • Mulheres (salvo em casos específicos, sob indicação médica)
  • Pacientes menores de 18 anos
  • Pessoas que tenham alergia (hipersensibilidade) ao undecilato de testosterona ou qualquer um dos componentes do produto
  • Na presença ou suspeita de câncer androgênio-dependente, de próstata ou da glândula mamária do homem
  • Diante de níveis sanguíneos elevados de cálcio associados a tumores malignos
  • Na presença ou história de tumores de fígado.

Informe qualquer situação ao seu médico.

Testosterona engorda ou emagrece?

Depende do contexto. Níveis adequados de testosterona favorecem o ganho de massa magra e a manutenção do peso com saúde. Porém, um dos efeitos colaterais da reposição de testosterona é o ganho de peso, que afeta entre 1 e 10% dos pacientes.

A dica, então, é manter o acompanhamento médico, consultando um endocrinologista para emagrecer, se necessário. Importante reforçar que a testosterona não é indicada para o controle do peso.

Conclusão

Agora que conhece as indicações para testosterona, você pode fazer uso consciente do remédio.

Jamais altere a dose ou tome esteroides sem prescrição médica, pois a automedicação eleva os riscos de efeitos colaterais.

Se precisar de aconselhamento especializado, marque uma consulta com o urologista ou outro profissional de sua escolha.

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Este conteúdo tem caráter estritamente informativo. A Telemedicina Morsch não possui vínculo ou relação comercial com indústrias farmacêuticas. Converse sempre com seu médico para receber o tratamento adequado.

 

Referências bibliográficas

https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?nomeProduto=Undecilato%20de%20testosterona 

https://portaldaurologia.org.br/sua-saude/duvidas-frequentes/como-tratar-a-queda-do-hormonio-masculino 

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2094-uso-de-testosterona-em-mulheres-entidades-medicas-alertam-para-os-riscos-e-a-prescricao-indevida

https://www.gov.br/abcd/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/prejuizos-para-a-saude-do-atleta/o-que-sao-anabolizantes

https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/lucia-helena/2021/12/09/testosterona-mais-do-que-a-idade-a-obesidade-e-o-que-faz-o-hormonio-cair.htm

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin