Vias de administração de medicamentos através da telemedicina

Por Dr. José Aldair Morsch, 25 de agosto de 2020
Conheça as principais vias de administração de medicamentos e como fazer isso de forma remota

Conhecer as principais vias de administração de medicamentos e quando cada uma é recomendada é uma tarefa muito importante.

Isso porque a administração correta de medicamentos promove uma melhor assistência ao paciente, causando menos danos a sua saúde e, principalmente, garantindo o seu bem-estar.

Essa tarefa é de responsabilidade dos enfermeiros, que devem, ainda, seguir à risca os preceitos éticos, técnicos e humanísticos que envolvem o preparo e administração de medicamentos.

Cabe a eles relatar qualquer inconformidade na prescrição médica – seja em termos de dosagem ou mesmo validade do documento.

Isso requer uma atenção redobrada, uma vez que erros na administração de medicamentos podem trazer sérias consequências ao paciente – desde efeitos colaterais intensos até o óbito.

Neste conteúdo, meu objetivo é esclarecer os principais pontos relacionados à administração de medicamentos por parte dos profissionais de enfermagem.

Por isso, mostrarei as principais vias de administração de medicamentos e um passo a passo para realizar essa tarefa adequadamente.

Além disso, abordarei o que a lei determina quanto à realização dessa atividade à distância – considerada uma das grandes tendências, devido ao avanço da telemedicina no Brasil e, especialmente, no mundo.

O que a lei diz sobre vias de administração de medicamentos à distância?

Com o avanço dos serviços de telessaúde e telemedicina no Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem (Coren) entendeu que era necessário criar regras claras para garantir os cuidados na administração de medicamentos de forma remota.

Foi, então, criada a Resolução Cofen nº 487/2015, que aborda especificamente sobre as prescrições feitas por médicos em atendimento de telessaúde e a forma com que os enfermeiros devem proceder.

Ao receber a prescrição médica à distância, o profissional deve elaborar um relatório circunstanciado, onde devem ser dispostas as condutas adotadas, bem como a resposta do paciente a elas.

Quanto à prescrição, ela apenas pode ser executada caso esteja dentro do prazo de validade. 

Do contrário, o enfermeiro deve informar ao médico requerente, solicitando um documento atualizado, ou mesmo orientar o paciente a retornar à consulta médica.

Caso, mesmo assim, o profissional seja compelido a executar a prescrição médica fora da validade, ele deve denunciar o fato e os envolvidos ao Coren, para que sejam adotadas as medidas cabíveis.

Por questões de segurança, a resolução, ainda, determina que os serviços de saúde que atuam na modalidade online devem possuir as condições técnicas adequadas para que todo o atendimento médico seja transmitido, gravado, armazenado e, se necessário, disponibilizado.

Isso é uma espécie de garantia, caso seja necessário avaliar determinado processo, como o uso das vias de administração de medicamentos mais adequadas.

Essa resolução é considerada uma atualização necessária da Resolução Cofen nº 225/2000, que dispõe sobre o cumprimento da prescrição medicamentosa à distância, e da Resolução Cofen nº 281/2003, que aborda sobre cumprimento da prescrição terapêutica pelos profissionais de saúde.

É importante estar atento a diversos detalhes, como dosagem e diluição do medicamento

É essencal, para o enfermeiro, conhecer as vias de administração de medicamentos e suas características e diferenças.

Qual o papel do enfermeiro na escolha entre as vias de administração de medicamentos?

O enfermeiro é o profissional responsável pelo preparo e administração de medicamentos prescritos pelo médico.

Devido à importância dessa tarefa, é essencial que ele tenha conhecimentos técnicos, para evitar conflitos e erros que podem ser fatais.

No caso, o profissional deve compreender de fato o que está descrito no prontuário médico, especialmente no que tange à dosagem, diluição e reconstituição de medicamentos.

Sempre que surgir alguma dúvida, é essencial que ele busque auxílio dos demais profissionais envolvidos no atendimento, para efetuar o processo de forma segura.

É ele, ainda, que irá selecionar entre uma das vias de administração de medicamentos, baseando-se no estado clínico e demais condições que podem tornar determinada via mais eficiente do que outra.

Para desempenhar bem a sua função, portanto, é essencial conhecer todas as vias de administração de medicamentos e de que forma elas agem do organismo.

É sobre esse assunto que abordarei a seguir!

Quais são as principais vias de administração de medicamentos?

Existem três vias de administração de medicamentos consideradas principais: 

  1. Oral;
  2. Parental;
  3. Sublingual.

Cada uma delas possui seus próprios critérios para indicação, que estão relacionados ao tipo de remédio que deve ser administrado e à condição fisiológica do próprio paciente.

Além dessas três vias de administração de medicamentos, há outras usadas em casos bem específicos, como é o via retal e ocular.

Estes casos exigem outros conhecimentos e a prática adequada, para estar preparado para eventuais toxicidades que podem ocorrer no paciente.

Conheça um pouco mais sobre algumas das vias de administração de medicamentos que podem ser adotados pelo enfermeiro:

Via oral

Essa modalidade é aquela em que o medicamento é administrado pela boca, seja ele um comprimido, cápsula, pílula ou uma solução líquida.

Para que ela seja recomendada, o paciente deve ter condições de deglutir, sem que isso envolva grandes esforços.

Apesar de ser uma das vias de administração de medicamentos mais utilizada, por ser considerada segura e menos onerosa, ela possui algumas limitações.

Isso porque o medicamento precisa realizar um trajeto no trato digestivo, sendo geralmente absorvido apenas quando atinge o intestino delgado – o que pode demorar um tempo.

Como ele passa pela parede intestinal e atinge o fígado antes de ser transportado pela corrente sanguínea, grande parte da química é alterada até chegar ao local a ser tratado.

Por este motivo, ele tende a ter uma dosagem mais forte do que se fosse injetado por via intravenosa, por exemplo.

Assim, garante que a quantidade necessária do medicamento irá chegar até a região-alvo.

As principais situações que a via oral não é recomendada são:

  • Quando o paciente não consegue tomar nada pela boca;
  • Quando é preciso uma ação mais rápida do medicamento ou ele deve ter uma dose específica;
  • Caso o trato digestivo do indivíduo não absorva bem os medicamentos.

Vias de administração de medicamentos parenterais

São aquelas realizadas através de injeção, sendo realizadas fora do trato gastrointestinal.

Esse tipo de via pode ser adotado das seguintes formas:

  • Endovenosa: É quando a agulha é inserida diretamente na veia. Neste caso, o medicamento chega diretamente na corrente sanguínea, fazendo com que o efeito seja mais imediato que as demais vias;
  • Subcutânea: É inserida uma agulha no tecido adiposo, logo abaixo da pele. Assim que o medicamento é injetado, ele se move para os pequenos vasos capilares, sendo transportado pela corrente sanguínea;
  • Intramuscular: Essa via de administração de medicamentos costuma ser preferível à via subcutânea quando é necessária uma quantidade maior do produto. O agente costuma ser injetado em um músculo do braço, da coxa ou na nádega. A velocidade de absorção pela corrente sanguínea depende do suprimento de sangue para o músculo. Quanto maior ele for, mais rápido o medicamento será absorvido;
  • Intratecal: É uma via utilizada quando se quer que o medicamento faça um efeito rápido ou direcionado no cérebro, medula espinhal ou meninges. Anestésicos e analgésicos, como morfina, costumam ser administrados dessa forma.

Via sublingual

Aqui, os medicamentos não são ingeridos, mas sim colocados sob a língua ou entre a gengiva e os dentes, para que sejam dissolvidos pela saliva e absorvidos diretamente pelos vasos sanguíneos locais.

Essa via é muito utilizada em situações que necessitam de um tratamento de emergência, como nas crises de hipertensão.

Isso porque sua ação farmacológica é rápida, fazendo com que o paciente retome à normalidade em poucos minutos.

Para que tenha o efeito desejado, porém, é preciso que o comprimido utilizado tenha ação sublingual.

Via retal

Em forma de supositório, o medicamento é misturado com uma substância cerosa, capaz de se dissolver após ser introduzida no reto.

Nesse formato, a absorção do medicamento é igualmente rápida, tendo em vista que o revestimento do reto é fino e possui ampla irrigação sanguínea.

Essa via costuma ser indicada quando o paciente sente náuseas fortes que o impossibilita de tomar o medicamento por via oral.

Ou, ainda, quando ele não consegue degluti-lo ou possui restrições alimentares.

Via ocular

Essa via é utilizada especialmente quando se quer administrar medicamentos para tratar problemas oculares, como conjuntivite e glaucoma.

Neste caso, o produto é misturado com substâncias que produzam um líquido, gel ou pomada, que permitam a aplicação tópica nos olhos.

Via otológica

Seguindo a mesma ideia do tópico acima, é uma via que permite aplicar diretamente no ouvido afetado os medicamentos usados para tratar inflamações e infecções locais.

Eles costumam ser dispostos em gotas, que penetram mais facilmente no canal auricular externo e mal atingem a corrente sanguínea – o que tornam mínimos os efeitos colaterais.

Via cutânea

Essa é uma das vias de administração de medicamentos que visa causar efeitos locais, ou seja, diretamente na pele afetada.

É comum adotá-la em tratamento de distúrbios da pele superficiais, como:

  • Psoríase;
  • Secura;
  • Prurido;
  • Infecções virais, fúngicas ou bacterianas;
  • Eczema.

Nela, o medicamento é misturado com substâncias inativas, cuja formulação pode ser um creme, uma pomada, loção ou mesmo um pó.

Via transdérmica

É a via em que são utilizados adesivos na pele, que fazem com que o medicamento penetre e atinja a corrente sanguínea sem a necessidade de injeções.

Esse adesivo permite que a substância seja administrada lentamente e de forma constante, podendo perdurar por horas, dias ou por mais tempo – quando necessário.

Com isso, os níveis do medicamento no sangue se mantém constante, além de não agredir o organismo.

Seu único porém é que podem irritar a pele, dependendo do tempo de uso.

É comum ver esse tipo de via de administração de medicamento em fumantes e pessoas que sofrem de dor torácica, entre outros.

Quais cuidados devem ser adotados para evitar erros na administração de medicamentos?

A primeira ação que o enfermeiro deve adotar é ler cuidadosamente os rótulos e bulas dos medicamentos.

Isso porque cada um tem suas especificidades e é importante segui-las para obter os resultados desejados.

É preciso conferir a validade e checar se o medicamento não foi violado, atentando se está em boas condições e com qualidade.

Esses detalhes influenciam diretamente na eficácia do medicamento e, portanto, na melhora do estado clínico do paciente.

Apesar dessas ações serem mais comuns de se realizar presencialmente, é possível realizar esse processo de forma online.

No caso, o profissional passa a ter um papel essencial na orientação dos pacientes, que precisam conferir essas e outras informações importantes.

Saiba como escolher as vias de administração de medicamentos correta à distância

Veja como realizar a administração de medicamentos à distância de forma segura para o paciente!

Passo a passo para realizar a administração de medicamentos de forma remota

Como mencionei, o enfermeiro pode realizar esse processo de administrar os medicamentos à distância, utilizando a videoconferência para prestar as orientações necessárias.

Para realizar isso de forma eficiente, confira nosso passo a passo!

1 – Conheça o histórico do paciente

É importante avaliar se o paciente já usou determinado medicamento e se teve alguma reação indesejada. Além disso, obtenha o máximo de informações sobre o seu quadro clínico, para poder prestar uma orientação mais precisa;

2 – Confirme a ausência de alergias

Especialmente nos casos de medicamentos orais, é essencial avaliar se o paciente não possui algum tipo de alergia, incluindo alimentar. Caso contrário, ele pode ter uma reação adversa grave;

3 – Identifique a via mais adequada

Em seguida, avalie se a via de administração prescrita pelo médico é a mais recomendada para o medicamento em questão – pensando na dosagem e absorção, principalmente. É possível confirmar essa informação inclusive na bula do medicamento;

4 – Garanta a ingestão/aplicação no horário certo

Aplicar o fármaco na hora prescrita influencia diretamente na melhora do quadro clínico do paciente. Logo, é importante orientar sobre a importância de seguir os horários determinados;

5 – Calcule as doses segundo a bula

Em alguns casos, a prescrição médica pode vir com informações apagadas ou faltando uma vírgula (o que era 150,0 mg pode virar 1500). Para evitar confusões e, principalmente, superdosagens, o ideal é conferir os dados com os descritos na bula;

6 – Registre todas as orientações

Registrar todas as ocorrências durante o processo é importante pensando na segurança do paciente e também na ética profissional. Logo, anote tudo, desde vias de administração de medicamentos até as dosagens, os horários e as reações;

7 – Atenção aos medicamentos manipulados

Cheque várias vezes se a fórmula está correta e de acordo com a prescrição médica. Em caso de dúvidas, confirme com o profissional de saúde que o indicou;

8 – Mantenha contato com o paciente

Essa é uma das etapas mais importantes, pois consiste em monitorar o paciente, avaliando se há melhora ou piora do seu estado de saúde. Isso permite adotar medidas com rapidez, se necessário.

É possível escolher as vias de administração de medicamentos à distância?

A tecnologia está tornando possível escolher as vias de administração de medicamentos à distância, através das plataformas de telemedicina

Essa ferramenta é capaz de aproximar enfermeiros e pacientes, permitindo prestar toda orientação de forma precisa e segura.

Utilizando a funcionalidade de videoconferência, é possível descobrir erros do paciente na aplicação de determinado medicamento, por exemplo, ou mesmo monitorar se os horários estão sendo seguidos à risca.

Esta mesma plataforma permite que o paciente realize uma teleconsulta, que consiste na consulta médica à distância.

Com isso, é possível acompanhar o seu estado de saúde e promover as mudanças necessárias no tratamento para que ele obtenha bem-estar e qualidade de vida.

Conclusão

Escolher as vias de administração de medicamentos é um processo essencial uma vez que influencia diretamente na qualidade do tratamento e nos resultados obtidos.

Neste conteúdo, mostrei as principais vias de administração de medicamentos e os benefícios que cada um oferece.

Abordei, também, sobre o papel do enfermeiro nesse processo, pontuando um passo a passo para realizá-lo de forma remota, mantendo a mesma qualidade da presencial.

Além disso, pontuei que é possível realizar tudo isso de forma online, usando uma plataforma de telemedicina.

Além de aproximar ainda mais enfermeiros e pacientes, essa solução agiliza os atendimentos, permitindo um acompanhamento ainda mais eficiente.

Para se aprofundar ainda mais sobre a telemedicina e suas possibilidades, baixe o meu Ebook Gratuito: Guia sobre monitoramento de pacientes com Telessaúde.

Depois me conte o que você achou!

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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