Amigdalite: tipos, fatores de risco, contágio e tratamento

Por Dr. José Aldair Morsch, 16 de julho de 2021
Tipos, fatores de risco, contágio e tratamento da amigdalite

Você provavelmente já sabe o que é amigdalite, mas será que conhece todos os cuidados que essa doença exige?

Se, por um lado, a condição é relativamente comum e de tratamento simples, por outro, ela pode se tornar reincidente e exigir terapias direcionadas.

Ao mesmo tempo em que é preciso ter cautela contra o uso excessivo de medicamentos e intervenções desnecessárias, a falta de atenção à patologia pode levar a problemas sérios.

A seguir, explico melhor as características da amigdalite, quais seus principais tipos, sintomas, fatores de risco, meios de contágio, diagnóstico, combate e prevenção.

Discorro também sobre a importância e as vantagens da telemedicina no tratamento.

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O que é amigdalite?

Amigdalite é uma inflamação que atinge as amígdalas, estruturas redondas que ficam na região da faringe, no caminho entre os sistemas respiratório e digestivo.

As amígdalas atuam na produção de linfócitos, que auxiliam nas defesas do sistema imune e protegem a garganta contra a entrada de microorganismos. 

Por atuarem nessa “linha de defesa” e ficarem expostas a tudo o que vai à boca, como comidas, bebidas e a própria passagem do ar na respiração, elas se tornam grandes alvos de vírus e bactérias.

No decorrer da doença, ao tentar combater esses invasores, o organismo ativa um processo inflamatório, que faz as amígdalas incharem.

As consequências dessa inflamação podem variar de acordo com o tipo de amigdalite.

A seguir, apresento seus sintomas e como eles se diferenciam em cada caso.

Quais são os sintomas de amigdalite?

Como citei acima, a amigdalite tem sintomas que variam de acordo com o seu tipo de manifestação.

Contudo, com exceção do pus nas amígdalas, que só ocorre na amigdalite bacteriana, os sinais costumam ser os mesmos, só variando na intensidade.

São eles: 

  • Irritação e/ou dor de garganta
  • Sensação de rigidez no pescoço
  • Mau hálito
  • Dor de cabeça
  • Febre
  • Dificuldade para engolir
  • Aumento dos gânglios nas regiões do pescoço e da mandíbula
  • Voz rouca.

 

Sobre os tipos de amigdalite

A amigdalite se classifica de 2 maneiras, tanto em relação ao seu tempo de duração quanto ao tipo de agente infeccioso que a provoca.

O que causa amigdalite?

Vírus, bactérias ou uma associação entre eles podem desencadear a amigdalite.

Eles são transmitidos através de gotículas liberadas no ar, contato com pessoas ou objetos contaminados.

Falo mais sobre os mecanismos de contágio nos próximos tópicos.

Por enquanto, cabe mencionar que influenza, adenovírus, rinovírus e coronavírus são os agentes que comumente provocam a amigdalite viral.

Enquanto estreptococos do grupo A, pneumococos e staphylococcus aureus são microrganismos que geralmente causam a amigdalite bacteriana.

Sobre os tipos de amigdalite

A amigdalite se classifica de duas maneiras, tanto em relação ao seu tempo de duração quanto ao tipo de agente infeccioso que a provoca.

Em primeiro lugar, temos a amigdalite aguda, ou seja, aquela infecção que dura por até 3 meses.

Depois, a amigdalite crônica, que tem duração maior que 3 meses ou ocorre de maneira recorrente.

Além disso, em ambas as situações, os tipos também podem variar se ocorrerem por vírus ou bactérias.

De acordo com informações do portal Revista Saúde, cerca de 75% das manifestações são virais, enquanto o restante corresponde às bacterianas.

Seus principais pontos de diferenciação incluem:

Faringoamigdalite viral

Quando a doença se provoca por vírus, os sintomas tendem a ser mais leves, incluindo faringite, rouquidão, aftas, inflamação na gengiva e os demais sinais que descrevi no item anterior, com exceção do pus na garganta.

Amigdalite bacteriana

Já quando a garganta infeccionada é causada por bactérias, os sintomas costumam ser mais duradouros e fortes, e também com a presença de pus na garganta.

Ouça este conteúdo no formato de podcast no youtube.

Principais fatores de risco da infecção das amígdalas

Uma vez que a amigdalite pode ser desencadeada por bactérias e vírus, é evidente que seus fatores de risco se relacionam aos meios de infecção por esses microrganismos.

Antes de discutir a transmissibilidade desses agentes (tema do próximo tópico), é importante ressaltar que outras condições podem favorecer a ocorrência da doença.

Entre elas, vale mencionar: 

  • Aglomerações, especialmente em locais fechados
  • Uso recorrente de ambientes pouco ventilados ou com ar-condicionado
  • Suscetibilidade do organismo a infecções na região das amígdalas
  • Amígdalas muito grandes e volumosas, que são mais propensas a infecções
  • Presença de refluxo gastroesofágico
  • Tabagismo, tanto ativo quanto passivo.

Outro ponto relevante é que as crianças têm mais chances de sofrer com a amigdalite, uma vez que seu sistema imunológico ainda não está bem desenvolvido, o que as torna mais suscetíveis à ação de microorganismos na região.

Esse mesmo raciocínio se aplica a diversas doenças, como bronquite, pneumonia, entre outras.

A amigdalite é contagiosa?

Como é causada por agentes virais e bacterianos, a amigdalite é uma doença contagiosa e que pode passar de uma pessoa para outra em determinadas situações.

O mais comum é que os microorganismos sejam adquiridos através da inalação de gotículas no ar contaminadas, infectadas quando o paciente espirra ou tosse. 

Nesse sentido, a transmissão também pode ocorrer no beijo ou durante contato íntimo.

Em casos menos recorrentes, as pessoas podem pegar amigdalite por meio do toque em objetos infectados.

Por exemplo, quando alguém doente encosta numa maçaneta de porta, e então outro indivíduo a toca e mexe na boca ou no nariz sem antes lavar as mãos.

Esse é outro fator que torna a doença comum entre as crianças, que têm o costume de encostar a boca nos objetos ou de tocá-la sem higienização prévia.

O que reforça a importância do cuidado de lavar as mãos, cobrir a boca ao espirrar ou tossir e jamais compartilhar itens de uso pessoal, como talheres, pratos e copos.

Por quanto tempo a amigdalite é contagiosa?

Em geral, a doença pode ser transmitida enquanto durar o quadro infeccioso.

Portanto, é recomendado evitar o contato com outras pessoas até que o tratamento seja  finalizado ou os sintomas desapareçam.

Como saber se estou com amigdalite?

Sempre que identificar algum dos sintomas da amigdalite ou existir suspeitas de sua ocorrência, procure orientação médica para realizar o diagnóstico e recomendações sobre o devido tratamento.

Durante a consulta médica, o profissional de saúde poderá determinar a presença da doença apenas por meio do exame clínico.

Para isso, um palito esterilizado empurra a língua do paciente para baixo.

Então, um feixe de luz se direciona às amígdalas para facilitar a sua visualização.

Nesse ato, o clínico geral ou especialista já consegue verificar se a região está inchada, se há mau hálito e até vestígios de pus (que é um sinal clássico da infecção por bactéria).

Ao longo do atendimento, o médico ainda fará uma espécie de entrevista junto ao doente, conhecida como anamnese.

O objetivo é conhecer seu histórico do paciente, o tempo de duração dos sintomas, suas características, comorbidades e outras informações importantes para o diagnóstico.

Não é comum a solicitação de exames complementares, porém, eles podem ser úteis em casos complexos ou de amigdalite recorrente.

O processo de diagnóstico da amigdalite

Sempre que identificar algum dos sintomas da amigdalite ou existir suspeitas de sua ocorrência, procure um médico para realizar o diagnóstico e orientar o devido tratamento.

Como saber se a amigdalite é viral ou bacteriana?

Basicamente, dá para diferenciar os tipos de amigdalite a partir da análise dos sintomas.

Caso os sinais sejam semelhantes aos de uma gripe, a tendência é que o problema seja uma amigdalite viral.

Já quando há febre, gânglios inchados e sinais de pus, é provável que seja amigdalite bacteriana.

Compreender a origem da patologia é imprescindível para direcionar o tratamento correto, como explico mais detalhadamente no próximo item.

Contudo, nem sempre o exame clínico traz sinais suficientes para confirmar o tipo de infecção que acomete o paciente.

Nessas situações, é fundamental realizar um exame de sangue.

Esse cuidado evita o uso equivocado ou desnecessário de antibióticos, que são indicados apenas quando há presença de bactérias.

Caso o diagnóstico esteja errado, o abuso de antibióticos para amigdalite pode levar à resistência bacteriana no organismo, que compromete a ação desse tipo de medicamento quando ele realmente for preciso no combate a outra doença.

Quanto tempo dura a amigdalite?

Na maioria das vezes, o quadro infeccioso dura entre 3 e 7 dias.

Inclusive, a amigdalite viral costuma ser autolimitada, ou seja, não precisa receber tratamento específico para sarar.

O próprio sistema imune cria anticorpos que eliminam o  vírus em alguns dias

Já a amigdalite bacteriana tende a ser mais grave e durar mais tempo, podendo até provocar casos crônicos que duram meses.

Nesse cenário, a doença só melhora a partir da administração da terapia medicamentosa adequada.

Como tratar a amigdalite?

Conforme mencionei anteriormente, a amigdalite tem tratamento que varia de acordo com o tipo de infecção: viral ou bacteriana.

No caso da infecção bacteriana, é prescrito um antibiótico para amigdalite, com derivação de penicilina.

O medicamento deverá ser utilizado conforme anotado na receita médica, em ciclos de 5 a 7 dias. 

Assim, pode-se confirmar que a bactéria já não está no organismo.

Nessas situações, o uso de analgésicos aumenta o bem-estar do paciente até sua completa recuperação, assim como certos remédios para diminuir a febre (antitérmicos).

Nos casos virais, não se deve fazer uso dos antibióticos, sendo que o tratamento se restringe a remédios para amigdalite com base no controle da dor e da febre.

Nas duas situações, também é possível empregar anti-inflamatórios para amigdalite, a fim de combater o processo de inflamação.

Em complemento a essas intervenções, é direito do paciente que o médico recomende cuidados extras para fortalecer o sistema imune e garantir um melhor controle da patologia.

Isso inclui aumentar o consumo de líquidos, repousar, além da preferência por alimentos mais pastosos e ricos em vitamina C.

Com o aval do médico, o paciente ainda pode usar soluções caseiras para auxiliar no combate à doença. 

Um exemplo é o gargarejo com água morna e sal duas vezes ao dia, a fim de potencializar o efeito antibacteriano.

Vale reiterar que o procedimento deve ser visto apenas como um complemento às intervenções e medicamentos que o profissional de saúde recomenda, e jamais como uma substituição.

Quando o médico não está ciente do remédio caseiro, ele é usado de forma inadequada, o que pode comprometer o tratamento.

A cirurgia das amígdalas é recomendada?

Quando a patologia for muito recorrente e grave, é possível recomendar uma cirurgia para a retirada das amígdalas.

Especialmente para pessoas que tenham amígdalas grandes e mais suscetíveis a infecções. 

Contudo, é importante ressaltar que o tratamento cirúrgico se restringe a casos extremos, o que pede cautela entre os profissionais de saúde. 

O motivo é que a intervenção pode trazer mais danos do que benefícios quando não for realmente necessária, e sua recuperação tende a ser desconfortável para os pacientes. 

Para você ter uma ideia, um estudo publicado no British Journal of General Practice identificou que cerca de 90% das cirurgias de amígdalas são desnecessárias.

Isso só reforça como o procedimento não deve ser visto como uma solução corriqueira para a amigdalite, mas sim como uma exceção para situações específicas.

O que comer com amigdalite?

Procure manter uma dieta leve e balanceada, priorizando alimentos em temperatura ambiente.

Evite bebidas alcoólicas, café, molhos prontos e condimentos, pois eles podem aumentar a irritação na garganta.

Itens duros e secos, como torradas e grãos, podem raspar a garganta e provocar dor.

Prefira alimentos na forma líquida ou pastosa, que são mais fáceis de engolir, por exemplo:

  • Purês de batata, mandioquinha, abóbora
  • Sucos de frutas sem o bagaço
  • Chás calmantes, feitos com ervas como camomila, ou com propriedades anti-inflamatórias como o chá de limão e de alho
  • Mingau de aveia ou leite
  • Sopas frias de vegetais
  • Pães macios
  • Ovos
  • Macarrão
  • Mel e geleia
  • Carnes moídas, desfiadas ou cortadas em pedaços pequenos.

 

Quando a amigdalite é grave?

A amigdalite grave é rara, mas possível.

Geralmente, ocorre em quadros de infecções de repetição ou quando a doença se alastra para outras partes da garganta, atingindo a faringe e/ou laringe.

Nesses casos, ocorrem sinais que requerem avaliação médica, tais como:

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar
  • Dor forte para engolir alimentos
  • Sintomas que não melhoram depois de 4 dias seguidos.

 

Principais fatores de risco da amigdalite

Para aqueles com tendência à infecção nas amígdalas, também é fundamental evitar mudanças bruscas de temperatura, adotar cuidados extras no inverno e ficar longe de agentes irritantes, como fumaça de cigarros e ambientes com ar condicionado.

Como prevenir a amigdalite?

De acordo com o que expliquei no item sobre o contágio da amigdalite, sua prevenção tem relação direta com os meios de infecção por vírus e bactérias.

Isso significa que as principais medidas preventivas incluem a lavagem frequente das mãos e do rosto, o não compartilhamento de itens de uso pessoal e o cuidado no contato com pessoas que apresentam os sintomas típicos da doença.

Para as pessoas com tendência à infecção nas amígdalas, também é fundamental evitar se expor a mudanças bruscas de temperatura, adotar cuidados extras no inverno e ficar longe de agentes irritantes, como fumaça de cigarros e ambientes com ar condicionado.

Hábitos saudáveis também são importantes para fortalecer o sistema imune. 

Por exemplo, a ingestão recorrente de água e outros líquidos, que previne o ressecamento da garganta e evita a ação de microorganismos invasores. 

Nos casos de amigdalite crônica, é fundamental realizar uma investigação profunda junto ao médico para verificar a possível ocorrência de refluxo gastroesofágico (que favorece infecções na região da faringe).

Para finalizar, jamais deixe de consultar um médico em casos de suspeitas e nunca opte pela automedicação.

Isso porque o uso incorreto de antibióticos, anti-inflamatórios e outros medicamentos pode piorar o quadro, dificultar o tratamento e até mesmo gerar resistência, causando sérias consequências para o combate de outras doenças.

Como a telemedicina ajuda no tratamento da amigdalite?

A telemedicina possibilita a conexão entre médico e paciente em diferentes locais.

Dessa forma, não é preciso se deslocar até consultório ou clínica para receber assistência de qualidade.

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Conclusão

Ao longo deste artigo, expliquei que a amigdalite é uma doença inflamatória que atinge a região das amígdalas, de forma crônica ou aguda, e que pode resultar de uma infecção por vírus ou bactérias.

Seus sintomas incluem febre, dificuldade para engolir, mau hálito, dor de cabeça, irritação na garganta e rouquidão. 

Os principais tratamentos demandam medicamentos para controlar a dor, a febre e a inflamação

Porém, o uso de antibióticos se restringe ao acometimento por bactérias

Se você gostou de saber mais sobre a amigdalite e quer se manter informado sobre outras condições tão importantes quanto essa, não deixe de conferir os próximos textos que publicarei aqui no blog.

Leia mais artigos sobre saúde e compartilhe com os seus contatos.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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