Exame de risco cirúrgico: o que é, como é feito e quais são os tipos

Por Dr. José Aldair Morsch, 19 de dezembro de 2018
Risco cirúrgico pré-operatório: o que é, como é feito, tipos e exames

Realizar o exame de risco cirúrgico pré-operatório é uma etapa tão importante quanto a intervenção em si.

A razão para isso é que, nos exames que antecedem a cirurgia, valiosas informações sobre a situação clínica do paciente são levantadas.

Todas elas são consideradas no momento da operação, permitindo à equipe médica uma tomada de decisão mais assertiva.

Neste artigo, vou apresentar um guia com tudo sobre o risco cirúrgico pré-operatório.

Você vai ficar sabendo quais os fatores de risco em uma cirurgia, quais são os exames de risco cirúrgico, os modelos e escalas utilizados na avaliação e também como a tecnologia tem contribuído para qualificar esse processo.

Boa leitura!

O que é o exame de risco cirúrgico pré-operatório?

O que é risco cirúrgico pré-operatório?

O que é risco cirúrgico pré-operatório?

Risco cirúrgico pré-operatório é a avaliação do estado clínico do paciente antes de uma cirurgia, calculado com base em escalas e padrões aprovados por sociedades médicas.

Essa avaliação sofre influência de fatores relacionados à idade, doenças crônicas, histórico familiar do paciente e de características do próprio procedimento cirúrgico ao qual ele será submetido.

Por isso, a determinação do risco cirúrgico faz parte de uma avaliação pré-operatória completa e eficiente.

Anamnese (entrevista com o paciente), exames físicos, de diagnóstico e laboratoriais podem ser usados para calcular o risco cirúrgico.

Mas vale lembrar que a avaliação pré-operatória nem sempre é recomendada.

Um exemplo disso são pacientes com menos de 40 anos, sem sintomas, doenças crônicas ou histórico de patologias graves, que irão realizar procedimentos simples.

Como cita este protocolo, o exame pré-operatório útil sugere uma mudança na conduta durante o cuidado com o paciente.

Nesse cenário, testes com resultados normais ou dentro dos limites tolerados se revelam desnecessários.

Portanto, é preciso considerar a relação custo-benefício antes de realizar qualquer exame.

Dependendo do quadro do paciente, qualquer alteração nos resultados pode causar preocupação e estresse, mesmo que não sinalize doença.

E esse estresse pode interferir na evolução após a cirurgia, aumentando o tempo de recuperação e de internação do paciente.

A importância do exame de risco cirúrgico na prevenção

A importância do risco cirúrgico pré-operatório na prevenção

A importância do risco cirúrgico pré-operatório na prevenção

Calcular o risco cirúrgico é importante para diminuir as chances de morte, de sequelas e de complicações após a operação.

Também é essencial na redução de ameaças potenciais durante a cirurgia, principalmente se o paciente integra grupos de risco.

Mas é preciso cautela antes de indicar testes além da anamnese e exame físico. Nem todos precisam passar por exames laboratoriais, por exemplo.

Pacientes que realmente se beneficiam desses testes são os que têm fatores de risco, sintomas ou histórico que levantem alguma hipótese de doença.

De maneira geral, a avaliação clínica é a mais relevante antes de uma cirurgia, sendo que outros exames podem ser recomendados para complementar esse diagnóstico.

Dependendo da gravidade da operação, testes simples costumam ser requisitados, em especial aqueles que monitoram o sistema cardiovascular.

Formado por coração e vasos sanguíneos, o aparelho cardiovascular é o mais sobrecarregado durante procedimentos cirúrgicos e, por isso, precisa estar em boas condições.

Caso contrário, o médico solicitante pode reagendar ou até cancelar a cirurgia, a fim de não comprometer o estado de saúde do paciente.

História da avaliação pré-operatória ou exame de risco cirúrgico

Com as constantes complicações advindas de atos cirúrgicos realizados sem uma prévia avaliação da condição global do paciente, tornou-se fundamental uma rotina de avaliação completa do paciente, mesmo que seja para realizar uma simples cirurgia de catarata com anestesia local.

Antigamente o cirurgião assumia toda a responsabilidade do procedimento, orientando os familiares de forma muito subjetiva sobre os riscos que o paciente corria ao realizar uma cirurgia.

Devido às constantes intercorrências, inclusive com morte do paciente, os conselhos de medicina decidiram incorporar uma avaliação clínica completa.

Logicamente como a área cardiovascular é a mais suscetível de complicações, escolheram o Cardiologista para realizar a avaliação

Primeiramente, vamos fazer um breve histórico de como o cálculo do risco cirúrgico era realizado antes da era da era de dados em nuvem.

Rotina da avaliação cardiológica presencial

Existe a necessidade de marcar uma consulta com um cardiologista, para que ele examine o paciente e realize um eletrocardiograma.

Também está incluído na avaliação outros exames como Raios X de tórax, exames de laboratório e de acordo com o tipo de cirurgia, exames mais sofisticados como espirometria faziam parte da rotina.

Imagine o número de visitas em outros serviços que eram necessárias para, só posteriormente, o médico calcular o risco cirúrgico baseado nos resultados.

Toda essa demora no procedimento, infelizmente, resultou em diagnósticos tardios e até irreversíveis.

Muitas vezes o paciente não tem tempo e nem saúde para realizar toda essa rotina.

Quais os fatores de risco em uma cirurgia?

Médico fazendo cirurgia robótica á distância

Quais os fatores de risco em uma cirurgia?

Antes da cirurgia, é essencial considerar fatores de risco relativos ao paciente, à própria operação e à instituição na qual ela será realizada.

De acordo com a complexidade do procedimento, o hospital ou unidade de saúde precisa contar com determinados equipamentos, além de profissionais qualificados e equipes de emergência – responsáveis para atender o paciente no caso de uma reação adversa à anestesia, por exemplo.

Já os fatores cirúrgicos envolvem a experiência do time que fará a operação: se é uma emergência, se há perda intersticial, fechamento e abertura de vasos maiores e a presença de variações na pressão arterial.

Riscos relacionados ao paciente

Os riscos relacionados ao paciente incluem a sua idade, estado geral de saúde, obesidade, tabagismo, alcoolismo, medicamentos utilizados e doenças associadas.

Em pacientes com mais de 70 anos, é preciso avaliar quais cirurgias realmente são necessárias, pois há maior risco de complicações.

A condição geral de saúde diz respeito, por exemplo, à capacidade física.

Se o paciente for incapaz de aumentar a frequência cardíaca até 99 batimentos por minuto (bpm), ou tolerar exercício físico, o risco cirúrgico aumenta.

A obesidade está associada a diversas doenças crônicas que podem impactar na saúde.

Estudos indicam que uma camada de gordura maior que 3,5 cm implica em um índice de infecção de 20%.

Por outro lado, quando essa camada tem menos de 3 cm, o risco é menor que 7%.

O cigarro, por sua vez, eleva as complicações pulmonares, circulatórias e infecções.

Já o consumo crônico de álcool – a partir de 60 g por dia – também merece atenção, pois impacta na resposta do sistema imunológico após a operação.

As principais patologias associadas que aumentam o risco cirúrgico são:

  • Hipertensão
  • Arritmias – alterações na frequência cardíaca
  • Insuficiência cardíaca – quando o coração não consegue funcionar adequadamente
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica – grupo de doenças que reduzem a capacidade respiratória
  • Diabetes – patologias que elevam a taxa de açúcar no sangue
  • Insuficiência renal – mau funcionamento dos rins, responsáveis por filtrar o sangue
  • Coagulopatias – distúrbios que provocam alterações na coagulação sanguínea.

Procedimentos cirúrgicos mais conhecidos

Tipos de procedimentos cirúrgicos

Tipos de procedimentos cirúrgicos

Como já destacado, considerar o tipo de operação é importante para avaliar o risco cirúrgico cardíaco do paciente.

Por isso, os procedimentos cirúrgicos foram divididos em três classes:

  • Cirurgias vasculares, de urgência ou emergência são consideradas de alto risco, com índice maior que 5%
  • Correção endovascular, aneurisma da aorta abdominal, cirurgias da cabeça, pescoço, intratorácicas, ortopédicas e da próstata têm risco intermediário, entre 1 e 5%
  • Endoscopias, procedimentos superficiais, cirurgia de catarata, mama ou ambulatorial têm risco baixo, menor que 1%.

Por que fazer exame de risco cirúrgico?

Não é exagero afirmar que o exame de risco cirúrgico é tão importante para os pacientes quanto a cirurgia em si.

Feito antes da intervenção, ele é utilizado para que o médico tenha informações completas sobre o estado clínico do paciente.

Os dados são de suma importância para que o especialista possa evitar complicações durante a operação e mesmo depois dela.

Mais que garantir todas as condições necessárias para que a cirurgia seja feita sem problemas, o exame de risco cirúrgico também serve para diminuir as chances de sequelas e até de morte.

Muitas pessoas não possuem o costume de realizar exames com frequência. Por conta disso, é normal que muitos só descubram problemas de saúde enquanto realizam o exame de risco cirúrgico.

Isso só reforça a importância desse tipo de procedimento, que pode ocasionar sérias fatalidades, caso não seja cumprido adequadamente.

Mesmo que o exame de risco cirúrgico seja obrigatório para todos que serão operados, ele é importante principalmente para aqueles com histórico, sintomas ou fatores de risco para alguma doença capaz de gerar complicações.

Para que serve um exame de risco cirúrgico?

Como é feito o risco cirúrgico pré-operatório

Como é feito o risco cirúrgico pré-operatório

O exame de risco cirúrgico nada mais é do que um conjunto de avaliações relacionadas às condições clínicas do paciente antes de um procedimento de cirurgia.

Ele é feito com base em critérios definidos pelas sociedades médicas, conforme os modelos e escalas que abordaremos nos tópicos seguintes.

A principal finalidade do exame de risco cirúrgico é diminuir os riscos de eventuais complicações durante a intervenção.

Os principais fatores que são considerados no exame de risco cirúrgico são:

  • Histórico médico familiar;
  • Presença de doenças crônicas;
  • Faixa etária;
  • Características da cirurgia que será realizada.

Algumas doenças são mais ligadas a complicações cirúrgicas do que outras. Entre as condições que exigem mais atenção, destacam-se:

  1. Problemas cardíacos, como insuficiência ou arritmias;
  2. Diabetes;
  3. Hipertensão;
  4. Doença pulmonar obstrutiva crônica;
  5. Alterações na coagulação do sangue, conhecidas como coagulopatias;
  6. Insuficiência renal.

Quais são os principais tipos de exame de risco cirúrgico?

Para definir os possíveis riscos de uma cirurgia, o exame de risco cirúrgico apoia-se nos seguintes tipos de análises:

  • Exames físicos;
  • Entrevista com o paciente, conhecida como anamnese;
  • Exames laboratoriais;
  • Exames diagnósticos.

Cada tipo solicitado dependerá das condições de saúde do paciente, do seu perfil clínico e do procedimento cirúrgico em si.

Pessoas que fazem parte de grupos de risco, como aquelas com patologias crônicas ou mesmo idosas, precisam de avaliações mais minuciosas e criteriosas no exame de risco cirúrgico, já que são mais propensas a complicações.

Como são feitos os principais tipos de exame de risco cirúrgico?

Como são feitos os principais exames de risco cirúrgico?

Como são feitos os principais exames de risco cirúrgico?

Conforme mencionamos anteriormente, diversas avaliações podem ser solicitadas no exame de risco cirúrgico.

Tudo vai depender dos critérios que o médico definir como mais importantes para reduzir os riscos de complicações.

As análises normalmente mais exigidas antes de uma intervenção incluem:

Hemograma

O hemograma, popularmente conhecido como exame geral de sangue, é um procedimento que visa avaliar as células sanguíneas do paciente.

Por meio dele, é possível detectar infecções virais e bacterianas, além de outras condições que podem apresentar riscos para a operação.

Entre as doenças que o hemograma pode encontrar, destacam-se:

  • Processos inflamatórios;
  • Leucemia;
  • Anemia.

No hemograma, também é verificada as condições das plaquetas, dos glóbulos brancos e dos glóbulos vermelhos.

Para isso, o exame de risco cirúrgico por hemograma conta com as análises de leucograma, que avalia os leucócitos (principais células do sistema imunológico), e eritrograma, que realiza a contagem e avaliação das hemácias.

Exame de risco cirúrgico por glicemia é feito com uma amostra de sangue

Normalmente, é realizado um pequeno furo na ponta do dedo do paciente para a retirada do sangue.

Glicemia

O exame de risco cirúrgico por glicemia também utiliza uma amostra de sangue. Sua finalidade é verificar os níveis de açúcar na corrente sanguínea, representados pela taxa glicose.

Antes de qualquer cirurgia, o médico precisa determinar se a glicemia está adequada e se as células são capazes de utilizar corretamente o açúcar presente no organismo.

A taxa considerada normal de glicemia é entre 70 e 100 mg/dL, segundo os padrões da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

A glicemia no exame de risco cirúrgico é indispensável principalmente para diabéticos, que apresentam níveis de glicose mais elevados e, por isso, precisam de atenção especial antes de qualquer operação.

Creatinina e Ureia

Ainda no exame de risco cirúrgico sanguíneo, as avaliações dos níveis de ureia e de creatinina também são de suma importância para detectar possíveis riscos em uma intervenção.

Quando suas taxas são muito elevadas, pode ser sinal de que o paciente tenha insuficiência ou infecção nos rins, lesão grave muscular, desidratação ou mesmo pré-eclâmpsia (no caso das gestantes).

Já se os níveis de creatinina e ureia forem muito baixos, é possível que o paciente sofra com patologias como distrofia muscular, miastenia gravis, entre outras semelhantes, capazes de gerar complicações em um procedimento cirúrgico.

Coagulograma

O coagulograma é um dos exames de risco cirúrgico mais importantes de todos, pois ele determina a capacidade do paciente de produzir coágulos, que atuam no organismo para impedir sangramentos.

No procedimento, um pequeno furo é feito no dedo do indivíduo. Então, o especialista cronometra o tempo que o sangue leva para coagular.

Uma amostra de sangue também é coletada para que um laboratório analise a sua capacidade de coagulação.

Dessa maneira, o médico pode determinar o tempo de sangramento do paciente e sua quantidade de plaquetas, avaliando se a taxa de coagulação é adequada para a cirurgia.

O eletrocardiograma é um dos principais exames de risco cirúrgico

O exame tem objetivo de analisar os impulsos e detectar anomalias no coração.

Eletrocardiograma

Você viu anteriormente que os problemas cardíacos estão entre aqueles que representam maiores riscos em uma cirurgia.

Isso faz com que o eletrocardiograma também seja um dos exames de risco cirúrgico mais importantes. Sua finalidade é detectar anomalias, doenças ou alterações no coração.

Como trata-se de um órgão vital para todo o organismo, qualquer problema em seu funcionamento pode ser fatal durante uma intervenção cirúrgica.

Por conta disso, o exame de risco cirúrgico por eletrocardiograma visa avaliar os padrões dos impulsos elétricos emitidos pelo coração, determinando as condições cardíacas do indivíduo.

O teste não é invasivo e é feito por meio de eletrodos, que são posicionados nos braços, pernas e peito do paciente.

Exames de risco cirúrgico específicos

Todos os exames de risco cirúrgico mencionados até aqui são considerados padrão entre a grande maioria dos pacientes que precisam passar por uma intervenção cirúrgica.

Como destacamos, é papel do especialista determinar quais exames de risco cirúrgico são mais indicados para o caso específico de cada indivíduo.

Portanto, no caso de pacientes com doenças prévias, exames mais complexos também podem ser solicitados pelo médico.

Tudo depende das condições clínicas da pessoa que será operada e da complexidade da cirurgia que será realizada.

Pessoas com condições mais severas no coração, por exemplo, muitas vezes podem ser submetidas a um ecocardiograma ou cintilografia miocárdica.

Já aqueles com problemas pulmonares devem ser submetidos a um raio X torácico, enquanto aqueles com osteoporose ou outras patologias que atingem os ossos precisam passar por uma densitometria óssea, e assim por diante.

Muitos outros casos ainda poderiam ser mencionados, como o exame de risco cirúrgico por doppler, ressonância magnética, ultrassonografia, raio X digital, entre outros.

O ideal é que o médico saiba identificar quais são as avaliações mais adequadas para cada indivíduo, de acordo com as suas principais demandas, necessidades e possíveis riscos.

Com base no exame de risco cirúrgico, o médico poderá determinar todas as possíveis complicações que a cirurgia pode apresentar e orientar o paciente para que ele adote os cuidados necessários para evitá-las.

Ao seguir todas as recomendações passadas pelo especialista após os exames de risco cirúrgico, é possível ter toda a segurança necessária para a intervenção, além de mais tranquilidade em sua recuperação!

Modelos e escalas para avaliação do risco cirúrgico

Modelos e escalas para avaliação do risco cirúrgico

Modelos e escalas para avaliação do risco cirúrgico

Visando facilitar e padronizar a avaliação do risco cirúrgico pré-operatório, profissionais e instituições médicas de vários países criaram ferramentas de cálculo.

A seguir, conheça os principais modelos que auxiliam nessa tarefa.

ASA (American Society of Anesthesiologists)

Esse sistema de classificação tem como foco o risco da operação para o paciente, considerando a natureza da condição clínica e do procedimento que será feito.

O sistema ASA é dividido em 6 classes – quanto maior a classificação, maior o risco de mortalidade durante a cirurgia.

  • ASA 1 representa um paciente sem distúrbios fisiológicos, bioquímicos ou psiquiátricos
  • ASA 2 aponta para uma condição leve a moderada, que pode afetar a cirurgia ou anestesia, mas não compromete a atividade normal do paciente – como hipertensão controlada
  • ASA 3 indica um distúrbio que compromete a atividade normal, impactando a anestesia e a cirurgia – como arritmia
  • ASA 4 mostra uma desordem severa, que pode levar à morte e tem grande impacto na anestesia e cirurgia – como insuficiência renal
  • ASA 5 é usada para representar um paciente moribundo, que depende da operação para sobreviver mais do que 24 horas
  • ASA 6 indica um paciente com morte cerebral, que terá os órgãos removidos para doação.

Índice de Goldman

O segundo modelo para avaliar o risco cirúrgico data de 1977, e foi criado por Lee Goldman.

Essa classificação é multifatorial, atribuindo pontos a variáveis que se referem à avaliação clínica, tipo de cirurgia e eletrocardiograma.

O Índice de Goldman separa os pacientes nos níveis de I a IV, sendo IV o risco mais grave de apresentar complicações cardiovasculares que podem evoluir para a morte.

Idade maior que 70 anos, infarto do miocárdio há menos de seis meses, arritmias e cirurgia de emergência são algumas variáveis avaliadas por essa classificação.

Índice de Detsky

Em 1986, Allan Detsky e outros médicos apresentaram um novo sistema de classificação.

A partir do estudo de 455 pacientes que passaram por procedimentos cirúrgicos não cardíacos, eles adicionaram variáveis ao Índice de Goldman.

Presença de angina, edema (inchaço) agudo no pulmão e histórico de infarto do miocárdio passaram a compor as variáveis, que levam a três níveis de risco:

  • O nível 1 tem risco relativo de 0,43
  • O nível 2 tem risco relativo de 3,38
  • O nível 3 tem risco relativo de 10,6.

Índice de Larsen

O modelo proposto por Frey Larsen inclui o diabetes como uma das variáveis de risco cirúrgico, e não pressupõe a realização de eletrocardiograma.

O sistema possui quatro classificações, nas quais as maiores pontuações significam aumento no percentual de complicação cardiológica.

  • Classe I: 0,5%
  • Classe II: 3,8%
  • Classe III: 11%
  • Classe IV: de 50%.

EMAPO (Estudo Multicêntrico de Avaliação Perioperatória)

O EMAPO foi desenvolvido pela Sociedade de Cardiologia de São Paulo, em 2007.

Mais completa, a classificação é formada por 27 variáveis, que devem ser somadas para a atribuição de risco em cinco níveis: muito baixo, baixo, moderado, elevado e muito elevado.

Paciente acamado, acidente vascular cerebral isquêmico há menos de três meses e estenose aórtica crítica são algumas variáveis avaliadas.

ACP (American College of Physicians)

Criado em 1997, o algoritmo do ACP usa variáveis modificadas de Detsky para identificar pacientes com alto risco, e os divide nas classes II, entre 15 e 30 pontos, ou III, a partir de 30 pontos.

Já aqueles com menos de 15 pontos são novamente avaliados, a fim de atribuir risco baixo ou intermediário.

Esse sistema é especialmente eficaz na avaliação de pessoas com capacidade funcional reduzida, que podem ter sintomas clínicos subestimados.

Também é útil para portadores de marcapasso definitivo.

ACC/AHA (American College of Cardiology/American Heart Association)

Essa diretriz reúne risco inerente à cirurgia, avaliação da capacidade funcional, sintomas clínicos e alterações no eletrocardiograma.

Após análise minuciosa, o algoritmo resulta em indicação de maior benefício ou risco causado pela cirurgia.

Nas classes I e IIa, o benefício é significativamente maior que o risco e, portanto, a operação está indicada.

Na classe IIb, o benefício é pouco maior ou igual ao risco, e a indicação cirúrgica pode ser considerada.

Na classe III, o risco é maior ou igual ao benefício, e a cirurgia não é recomendada.

Índice cardíaco revisado de Lee

Validado por uma pesquisa com 4.315 pacientes, o algoritmo parte de uma revisão do índice de Goldman, dividindo os pacientes em quatro classes de risco, determinadas por seis variáveis.

Cirurgia de alto risco e histórico de doença isquêmica são algumas das variáveis analisadas.

Por ser de fácil aplicação e ter boa capacidade para prever o risco de complicações, o índice revisado de Thomas Lee vem sendo amplamente utilizado.

No que se baseia o cálculo do risco cirúrgico?

Existe uma diferença entre realizar um eletrocardiograma e fornecer um risco cirúrgico.

O eletrocardiograma é apenas um dos exames realizados onde o cardiologista soma com outros indicadores na consulta para então calcular a porcentagem de risco de morte do ponto de vista do procedimento em si.

Como por exemplo, uma cirurgia de vesícula que pode variar de 1 a 3 % em paciente saudável e a porcentagem de risco de morte de acordo com as condições clinicas do paciente.

Passos para implantar laudo a distancia

Como é calculado o risco cirúrgico?

A interpretação do ECG em repouso, mais as perguntas realizadas na consulta que é o questionário que fornecemos, exames de sangue para ver se tem anemia, diabetes, coagulação do sangue, como está a função renal que são importantíssimos e de acordo com essas variáveis, por exemplo, num paciente saudável o risco ficaria entre 1 e 5 %.

Diante do exposto você pode perceber que um eletrocardiograma se restringe a apenas 1 item de uma série de fatores para fornecermos o cálculo do risco cirúrgico.

Esse discernimento ainda é obscuro para quem não trabalha especificamente com cirurgia, pega o pedido do cirurgião e acha que um simples eletrocardiograma fornece todas as respostas.

Atualmente existem vários programas prontos para comprar, porém, um tipo de software em nuvem somente a Telemedicina Morsch disponibiliza.

No laudo médico disponibilizado pelo nosso sistema em nuvem, o cardiologista preenche com os dados que recebeu no sistema, seja ecg, exame de sangue, Rx, ecografia, tomografia.

Automaticamente o software calcula as porcentagens que o cirurgião precisa para sentar com a família e decidir se vale a pena passar pelo risco de fazer a cirurgia.

Cálculo do risco cirúrgico com laudo a distância na Telemedicina

A era de dados nuvem que estamos presenciando permitiu que o setor da saúde tivesse grandes avanços.

E é neste sentido que a revolução tecnológica na medicina surge, evoluindo também no que se refere à própria conduta para a prevenção de complicações em procedimentos de caráter cirúrgico.

A necessidade de gerenciamento de todos os exames recebidos em forma de arquivo e distribuição para vários especialistas trouxe o desenvolvimento da Telemedicina em nuvem.

Telemedicina no cálculo do risco cirúrgico pré-operatório

Quando são recomendados exames de diagnóstico, como raio X e eletrocardiograma, unidades de saúde podem contar com serviços de laudos à distância.

Dessa forma, o processo de emissão de laudos fica mais ágil e confiável, liberando especialistas para outras etapas da avaliação de risco cirúrgico.

Basta que a clínica ou hospital treine um técnico em radiologia ou enfermagem para realizar os exames com equipamento digital.

Após o teste, os dados coletados são enviados a um computador, armazenados e compartilhados via plataforma de telemedicina.

Em seguida, especialistas acessam os dados, os analisam e emitem o laudo médico, que é assinado digitalmente.

O documento fica pronto e pode ser visualizado por profissionais de saúde ou até pacientes, portando login e senha.

Em casos de urgência, a Telemedicina Morsch disponibiliza os resultados em tempo real, colaborando para um diagnóstico rápido e assertivo.

É por isso que muitos estabelecimentos de saúde têm utilizado a telemedicina para reforçar suas equipes e reduzir custos com a contratação de especialistas.

Como é o laudo do risco cirúrgico?

Avaliação pré-operatória

Atesto que este(a) paciente se apresenta com:

  1. a) Baixo risco de sofrer complicações cardiovasculares pelo porte do procedimento de cirurgia de Catarata ( Menos de 1 % ).
  2. b) Baixo risco de sofrer complicações cardiovasculares de acordo com as variáveis clinicas observadas na consulta ( Menos de 3% ).

Variáveis clínicas:

Está em tratamento contínuo para Hipertensão arterial sistêmica e Diabetes Mellitus.

Não houve relato de outras doenças.

Medicamentos usados: Losartan, metformina

Exames complementares:

Eletrocardiograma atual: Ritmo sinusal, dentro dos limites da normalidade para a faixa etária.

Demais exames enviados sem alterações significativas.

Recomendações pré-operatórias:

Manter o anti-hipertensivo inclusive no dia da cirurgia, mesmo em NPO.

Suspender o anti-diabético oral no dia de jejum da cirurgia.

Utilizar HGT e insulina regular subcutânea se necessário.

Reintroduzir o anti-hipertensivo e anti-diabético oral assim que tiver via oral liberada no pós-operatório.

No pós-operatório:

Dar preferência ao uso de analgésicos como tramadol, codeína, paracetamol, dipirona ou morfina e evitar uso de anti-inflamatórios hormonais e não hormonais que podem aumentar a pressão.

Observar profilaxia contra embolia sistêmica.

Como a Telemedicina disponibiliza o laudo do risco cirúrgico?

É feito um contrato onde cobra-se pelo valor de cada laudo de risco liberado no sistema.

Porém por se tratar de uma análise mais rápida,  fica pronto em tempo hábil como o eletrocardiograma, ou seja, em 30 minutos.

Então sugerimos que combine sempre para o paciente se preparar para 1 hora entre a consulta e liberação do resultado, ou enviar para o e-mail dele quando liberarmos no sistema.

Como é fornecido o laudo para o paciente levar para o cirurgião?

O  modelo de laudo cirúrgico da Telemedicina Morsch é o mais aceito no Brasil, mais completo, porque inclui orientações de correção dos problemas encontrados e descritos no questionário.

Abaixo mostro um exemplo real do cálculo do risco cirúrgico.

Modelo do laudo do risco cirúrgico

Modelo do laudo do risco cirúrgico

Por exemplo, se o paciente é hipertenso e toma medicação e você descreveu no questionário, com pressão acima do normal, nós iremos orientar a mudança na dose para regularizar a pressão para poder operar.

Outro exemplo para você entender, de acordo com o hematócrito enviado poderemos recomendar transfusão sanguínea antes da cirurgia.

Nos casos de diabéticos com glicemia alterada, sugerimos as modificações necessárias.

Nos casos de hipertensos que vão á cirurgia, recomendamos quais medicamentos devem ser usados na analgesia que não aumente a pressão.

Nos casos de pacientes com marcapasso, indicamos como usar o bisturi elétrico.

Nos casos de pacientes com insuficiência cardíaca, recomendamos qual anestésico utilizar.

E assim por diante, vai depender do quadro clinico fornecido no questionário que deve ser o mais completo possível para termos subsídios e informações para ajudar o cirurgião.

A Telemedicina reduzindo o tempo e as despesas com o risco cirúrgico

Porém, é graças a telemedicina que tal procedimento já não demanda mais de investimentos tão altos e incertos.

Utilizando os serviços de uma plataforma de Telemedicina, o médico do paciente que pretende realizar a cirurgia consegue dividir responsabilidade com um especialista.

Na contratação dos serviços de cálculo do risco cirúrgico por uma central de laudos, o cliente recebe uma rotina de exames necessários para serem realizados na sua própria clínica, como eletrocardiograma, coleta de exames de laboratório, rx de tórax.

O cliente, dono da clínica marca o dia da avaliação do paciente, aplica um questionário fornecido pela Telemedicina Morsch, assina e envia junto com os exames para serem interpretados e em seguida o cardiologista logado na plataforma em nuvem faz o cálculo do risco e emite o laudo do risco cirúrgico com assinatura digital.

Conclusão

Risco cirúrgico pré-operatório: o que é, como é feito, tipos e exames

Espero que tenha entendido sobre a importância de fazer uma boa avaliação do paciente que vai a cirurgia calculando o risco cirúrgico e se ainda houver alguma dúvida que precise ser respondida, estou aqui para ajudar e agregar valor a sua clinica, afinal, são atividades coletivas que fazem o grupo crescer e todos ganharem com isso.

Em resumo, o que antes era um problema, tanto no sentido da demora em marcar consulta, como também pela incerteza de investir em recursos unicamente para saber se o risco de se submeter a uma cirurgia é grande ou praticamente nulo.

Com a tecnologia e, é claro, aplicação da telemedicina, você já pode oferecer na sua clínica, hospital ou qualquer outro tipo de estabelecimento na área de saúde a modalidade de cálculo do risco cirúrgico online.

Com a telemedicina tornou-se possível enviar arquivos para a nuvem e receber os laudos médicos em minutos, tais como o cálculo de risco cirúrgico e a conduta totalmente a distância, sem nem mesmo a necessidade de marcar uma consulta com um médico cardiologista com antecedência.

Além de muito mais econômico (tanto para a sua clínica como também para o paciente), é desse modo que o sua clínica aposta em diagnósticos e possíveis tratamentos cardíacos de maneira mais precoce, garantida, seguros e rápidos.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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