Equipamentos médicos hospitalares: como adquirir e cuidados gerais

Por Dr. José Aldair Morsch, 19 de setembro de 2018
equipamentos médicos hospitalares

Nas últimas décadas, felizmente, a oferta de equipamentos médicos hospitalares cresceu bastante.

Em boa parte, esse avanço pode ser creditado às novas tecnologias, que tanto auxiliam os profissionais de saúde, resultando em diagnósticos mais sensíveis e ágeis.

Mas essa evolução também implicou em mais desafios, elevando a complexidade de gestão e de manutenção correta desses aparelhos, pois cada um possui seus próprios mecanismos e especificações.

Para entendermos melhor, basta olhar para a nossa própria história.

Antes dos anos 1990, não existiam regras para o controle dos equipamentos instalados em unidades de saúde no Brasil.

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Essa realidade está claramente descrita no artigo O desafio da gestão de equipamentos médico hospitalares no Sistema Único de Saúde, publicado em 2015 na revista Saúde em Debate, do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes).

Em resposta, o Ministério da Saúde passou a divulgar ferramentas de gestão e aquisição dos aparelhos, considerando questões como infraestrutura e adequação.

Nada mais natural a existência de diretrizes, porque gerenciar os equipamentos hospitalares de maneira eficiente faz parte dos cuidados ao paciente, garantindo processos seguros e assertivos.

Também implica em maior ou menor qualidade dos serviços oferecidos, concorda?

Neste artigo, vou trazer informações sobre legislação, tipos de equipamentos médicos hospitalares e o gerenciamento da manutenção, além de explicar como a telemedicina pode ajudar na aquisição dos melhores aparelhos.

Boa leitura!

O que são equipamentos médicos hospitalares?

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Equipamentos médicos hospitalares são os aparelhos utilizados para fins médicos, odontológicos, laboratoriais ou fisioterápicos, assim como para diagnóstico, reabilitação, terapia, embelezamento, estética ou monitorização de seres humanos.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão governamental responsável pela regulação desses aparelhos.

A instituição insere os equipamentos médicos hospitalares na categoria de produtos para a saúde, junto a materiais de uso em saúde e os produtos de diagnóstico de uso in vitro.

Embora o mais comum, quando se trata de aparelhos presentes em unidades de saúde, seja que se imagine aqueles usados em exames como ultrassonografia, eletrocardiograma ou tomografia, é preciso pensar além.

Utensílios como cadeiras de rodas, mesas cirúrgicas, camas hospitalares e macas também são considerados equipamentos médicos hospitalares.

Qual a classificação definida pela Anvisa?

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De forma geral, tanto esses aparelhos quanto os demais produtos para a saúde podem ser classificados de acordo com o grau de risco associado à principal utilização deles.

Para tanto, existem cinco classes. Veja:

  • Classe I – baixo risco
  • Classe II – médio risco
  • Classe III – alto risco
  • Classe IV – máximo risco.

Regras para enquadramento dos equipamentos médicos

Em 2001, a Anvisa aprovou Regulamento Técnico tratando do registro, alteração, revalidação e cancelamento do registro de produtos médicos junto à agência, através da RDC nº 185/01.

No item “Classificação” dessa resolução, é possível acessar as 18 regras para enquadramento dos equipamentos médicos hospitalares.

Os principais critérios são a indicação e a finalidade do uso do material.

Em resumo, as regras podem ser divididas em quatro grandes grupos, que são:

  • Produtos não invasivos: regras 1, 2, 3 e 4
  • Produtos invasivos: regras 5, 6, 7 e 8
  • Produtos ativos: regras 9, 10, 11, 12
  • Regras especiais: regras 13, 14, 15, 16, 17 e 18.

Classes de equipamentos médicos hospitalares

A Anvisa estabeleceu regras também para agrupar os aparelhos médicos conforme o risco que oferecem, considerando que eles envolvem uma infinidade de utensílios e equipamentos.

Como resultado, deu origem a 18 diferentes regras para enquadramento sanitário, que estão listadas neste link.

Na Regra 1, por exemplo, estão itens usados para imobilizar ou aplicar compressão em partes do corpo, como colares cervicais e mangueira de compressão.

Agulhas para seringas, lancetas, sugador, bisturis de uso único e luvas cirúrgicas são abrangidos na Regra 6 – Produtos cirurgicamente invasivos para uso transitório.

Outras regras tratam de produtos terapêuticos, para diagnóstico, bolsas de sangue, entre outros.

Recomendações para aplicar as regras de classificação

A primeira etapa ao classificar os equipamentos médicos hospitalares é considerar as informações do fabricante.

Uma delas diz respeito à finalidade indicada para o produto, principal fator de classificação.

Mesmo quando um item estiver sendo usado para outra função, o que vale é o uso indicado pelo fabricante.

Assim, se um tipo de curativo é indicado para feridas de úlceras extensivas e crônicas, estará enquadrado na Classe III, mesmo que esteja sendo usado apenas para compressão de ferimentos de menor gravidade.

Quando um equipamento for indicado para mais de uma finalidade, é necessário considerar sempre a classe de maior risco.

Também é exigida atenção a partes e acessórios dos equipamentos, pois podem estar cadastradas ou registradas separadamente.

Nesses casos, terão seu próprio enquadramento, que pode, inclusive, ser diferente do enquadramento do aparelho principal.

Relação de alguns equipamentos médicos hospitalares

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Vamos observar agora uma relação de equipamentos médicos hospitalares, o que nos ajuda a entender a diversidade de aparelhos e suas utilizações.

Berço aquecido

Utilizado em hospitais e maternidades, ajuda a manter a temperatura dos bebês, sejam recém-nascidos ou não, durante procedimentos de higienização, por exemplo.

Desfibriladores e cardioversores

São aparelhos eletrônicos portáteis que servem para aplicar pulsos elétricos na musculatura cardíaca, revertendo arritmias e fibrilações, que são alterações na frequência do coração.

Eletrocardiógrafo

Aparelho usado para a realização do eletrocardiograma, ele coleta informações cardíacas do paciente e as registra por meio de um traçado.

Monitor holter

É um dispositivo leve e portátil que estende os registros do exame de eletrocardiograma, monitorando a atividade elétrica do coração por 24 horas ou mais.

Tomógrafo

Aparelho para realização da tomografia computadorizada, exame que usa imagens reconstruídas através do computador.

Para registrar as imagens, o tomógrafo emite radiações e possui um tubo que gira em torno da estrutura a ser examinada.

Ventilador pulmonar

Usado para ventilação mecânica, ou seja, ajuda os pacientes incapazes de respirar sozinhos.

Mamógrafo digital

Faz uso de radiação para capturar imagens de alta resolução durante a mamografia, as quais, em seguida, são enviadas para o computador.

Endoscópio

É um tubo fino utilizado junto ao monitor para realização da endoscopia – exame que serve para observar os órgãos do sistema digestivo.

Oxímetro de pulso

É um pequeno aparelho usado para medir quanto oxigênio o sangue está transportando, sem precisar de agulha.

Cuidados gerais com os equipamentos médicos hospitalares

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A maioria dos aparelhos usados para fins médicos ou odontológicos, hoje, é fruto de tecnologias avançadas, possuindo partes mais delicadas, como monitores e chips.

De qualquer forma, mesmo os equipamentos mais simples necessitam de alguns cuidados, que devem começar com uma análise da necessidade e infraestrutura requerida por ele.

A escolha do fabricante e outros detalhes da aquisição também são essenciais. Vou detalhar esse assunto nos próximos tópicos.

Transporte

Se for realizado às pressas, sem uma avaliação prévia do melhor trajeto, altura das portas e corredores por onde o equipamento vai passar, inclinação e horário ideais, o transporte pode se transformar em uma grande dor de cabeça para as unidades de saúde.

E, pior, um trajeto inadequado pode danificar ou até quebrar algumas peças.

Condições ideais de funcionamento

Em seguida, é preciso fazer uma avaliação do ambiente no qual o aparelho médico será instalado, pois os equipamentos exigem condições adequadas de funcionamento e uso.

Fique atento a detalhes como temperatura, umidade e luminosidade.

Consulte o manual do fabricante, sempre que necessário.

Documentação

A Anvisa exige diversos tipos de informações sobre os equipamentos médicos, como instalação, manutenção e calibração.

Por isso, é necessário manter um registro de qualquer atividade executada.

Assim, além de estar em conformidade com a legislação, será possível rastrear ocorrências com os aparelhos, facilitando a detecção da origem de falhas e outros problemas.

Equipamentos médicos hospitalares e o gerenciamento da manutenção

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Registrar os eventos que ocorrem com cada equipamento médico hospitalar também ajuda na definição de ações de manutenção mais eficazes e ágeis.

De acordo com a RDC n.º 2/2010, que é outro regulamento da Anvisa, as clínicas, laboratórios, consultórios e hospitais precisam ter critérios definidos e padronizados para cada etapa do gerenciamento de tecnologias em saúde.

Descritas na resolução, as etapas envolvem atividades de manutenção, que deverão ser detalhadas no Plano de Gerenciamento.

A grosso modo, o Plano de Gerenciamento é um documento que descreve as normas, rotinas e técnicas de procedimentos.

Esse documento envolve produtos para saúde (inclusive equipamentos), produtos de higiene e cosméticos, medicamentos e saneantes.

Um dos pontos mais importantes é o de gerenciamento da manutenção.

Um planejamento adequado é capaz de manter os equipamentos funcionando por mais tempo, exigindo um menor número de reparos ou medidas corretivas.

Nesse sentido, procedimentos operacionais padronizados (POPs) são recomendados, principalmente para os aparelhos de maior complexidade.

POPs são documentos construídos por especialistas que servem como diretrizes para a correta utilização e conservação dos equipamentos.

Além de observar suas indicações, vale apostar na manutenção preventiva dos aparelhos, antecipando problemas e reduzindo a manutenção corretiva – quando é necessário interromper o uso do aparelho para realizar consertos ou adequações.

A importância da calibração de equipamentos médicos

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Calibrar um equipamento significa analisar seu desempenho, colhendo informações que serão comparadas com valores gerados por uma unidade de medição padrão.

Esse teste é essencial para manter ou prolongar a vida útil do equipamento, que deve operar de acordo com as recomendações do fabricante.

Assim como a falta de manutenção preventiva, a ausência de calibração pode resultar em transtornos diversos, como a necessidade de manutenção corretiva constantemente, o que gera atrasos e perda de investimentos.

Com os dados colhidos durante a calibração, é possível fazer ajustes para o melhor desempenho dos aparelhos médicos.

Dependendo do equipamento, a calibração poderá ser realizada por colaboradores da unidade de saúde, pelo fornecedor ou por um laboratório devidamente certificado.

Em todos os casos, deve ser produzido um relatório de calibração, trazendo os registros das comparações e unidades utilizadas, além de especificidades do aparelho.

Diretrizes para um programa de gestão de equipamentos médicos hospitalares, que inclui a calibração, estão descritas em normas como a RDC Nº 02/2010 da Anvisa e a NBR 15943 da ABNT.

Higienização e cuidados com equipamentos médicos hospitalares

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Muitos dos aparelhos usados em unidades de saúde entram em contato com o corpo humano, uma vez que são usados durante procedimentos diagnósticos, odontológicos e estéticos, entre outros.

Por isso, uma correta higienização é fundamental, tanto para a segurança do paciente e dos profissionais que manuseiam o item, quanto do próprio aparelho.

O procedimento usado para higienizar esses equipamentos é chamado de descontaminação. Nela, os microrganismos presentes nas superfícies são eliminados de forma parcial ou total.

Existem três formas diferentes de descontaminação: limpeza, desinfecção e esterilização.

Vou trazer detalhes sobre cada uma delas agora.

Limpeza

Descontaminação mais comum, a limpeza remove sujeiras ao aplicar energia – seja ela térmica, mecânica ou química.

Em geral, é recomendado o uso de água e um sabão neutro para quase todos os aparelhos.

No entanto, o ideal é consultar o manual do fabricante para confirmar quais substâncias podem ser usadas para tornar a limpeza mais efetiva, sem danificar o aparelho médico.

Desinfecção

Elimina quase todos os microrganismos que podem causar contaminação, menos os esporos bacterianos.

Esporos bacterianos são estruturas minúsculas e leves, produzidas por bactérias quando estão em ambiente desfavorável à sobrevivência.

Esse processo pode ser realizado em nível alto, médio ou baixo, de acordo com o item que será desinfeccionado.

Esterilização

Mais potente, essa operação serve para remover completamente as formas de vida microbiana, inclusive esporos bacterianos.

Formas de adquirir equipamentos médicos hospitalares

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Os equipamentos médicos podem ser adquiridos de três maneiras: compra, aluguel ou comodato.

As duas últimas opções surgem como alternativa à pouca oferta de algumas tecnologias, além do custo alto.

Saber como cada modalidade funciona ajuda na tomada de decisão mais assertiva.

Compra de equipamentos médicos hospitalares

Essa é a forma mais tradicional de adquirir equipamentos para um hospital, clínica ou consultório médico.

No caso de aparelhos com custo baixo ou médio, ou daqueles usados em grandes quantidades, como luvas cirúrgicas, a compra costuma ser sempre a melhor opção.

Antes de adquirir esses itens, observe se possuem registro na Anvisa, escolha fornecedores de confiança e atente para a qualidade do produto.

Por outro lado, quando são necessárias tecnologias mais avançadas, os equipamentos médico hospitalares costumam ser mais caros, dificultando ou até inviabilizando a compra.

É o caso da maioria dos aparelhos usados em exames de alta complexidade.

Locação de equipamentos médicos hospitalares

Uma das alternativas à compra de aparelhos com alto custo é alugar.

Nessa modalidade, cliente e fornecedor assinam um contrato, e o cliente paga mensalmente pelo uso do equipamento.

Tanto no caso da compra como da locação, é necessário arcar com os custos de um profissional responsável pelos laudos dos exames realizados pelo aparelho, quando exigidos.

Comodato de equipamentos médicos hospitalares

Neste regime, o cliente contrata um serviço mais completo, composto pelo equipamento médico e os laudos mensais.

Assim, ele não paga pelo uso do aparelho, apenas pelos documentos expedidos.

Contrato por comodato de equipamentos médicos hospitalares vale a pena?

Clínicas e consultórios de diversos tamanhos podem se beneficiar com o regime de comodato.

Vale a pena, com toda certeza.

Ele representa economia de investimentos nos equipamentos médicos hospitalares de alto custo, em especial aqueles usados para fins diagnósticos.

Além disso, o cliente não precisa se preocupar com a contratação de especialistas para elaboração de laudos.

Equipamentos médicos hospitalares em comodato e a Telemedicina

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Para reduzir os custos e agilizar a expedição dos resultados de exames, vale contratar uma empresa de telemedicina.

Contratando essa opção, o cliente terá, de uma só vez, comodato de equipamentos de qualidade, informações para treinamento de colaboradores disponíveis 24 horas por dia na plataforma e rápida interpretação dos exames.

Veja que a telemedicina não é apenas a solução para que a sua unidade de saúde possa oferecer determinados exames, como também resolve problemas ocasionados pela falta de profissionais, seja pelo custo de contratação, férias, feriados e plantões.

Conclusão

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Neste artigo, você conferiu dicas importantes na hora de utilizar e conservar equipamentos médicos hospitalares.

Também conheceu as formas para adquirir esses aparelhos, com destaque para os benefícios do comodato, especialmente quando combinado à telemedicina.

Com a Telemedicina Morsch, os laudos produzidos por especialistas são expedidos em apenas 30 minutos.

Você pode saber mais no site ou solicitar um orçamento.

Deixe a sua opinião ou dúvida nos comentários e compartilhe o artigo com a sua rede.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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