Faringite: o que é, tipos, causas, sintomas e como tratar

Por Dr. José Aldair Morsch, 16 de novembro de 2023
Faringite

Você provavelmente já teve faringite. Essa é uma das causas mais comuns para quadros de dor de garganta, mal-estar e tosse.

Isso porque a faringe serve como ponte que liga a cavidade nasal à laringe, e a boca ao esôfago – o grande tubo que leva os alimentos até o estômago.

Devido à sua função, pode ter contato com diversos agentes capazes de provocar inflamações, como explico ao longo do artigo.

Neste texto, apresento as causas da faringite, explico os diferentes tipos e mostro qual médico procurar para receber o tratamento adequado.

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O que é faringite?

Faringite é a inflamação da faringe.

Geralmente, ocorre associada ao quadro inflamatório dos órgãos localizados no fundo da garganta (amígdalas) ou da laringe, devido à proximidade entre elas.

A faringite pode ser provocada por microrganismos, alergias e fatores ambientais.

Dependendo do caso, pode até ser sintoma de uma doença de fundo,

Por isso, o quadro pede uma avaliação médica para identificar a origem do problema.

Qual a diferença entre faringite e dor de garganta comum?

As principais diferenças envolvem sintomas e causas das duas condições.

Quando falamos sobre dor de garganta comum, geralmente, nos referimos a quadros de garganta inflamada.

Eles costumam provocar sintomas leves, como desconforto local, vermelhidão e garganta quente.

Além de ter origem em agentes irritantes da garganta, como poeira, fumaça, mudanças no tempo e até alimentos duros, que “raspam” o tecido interno.

Por sua vez, a faringite pode se manifestar através de febre, dor no corpo e pus – sinais de garganta infeccionada.

Isso porque, muitas vezes, a faringite é desencadeada pela entrada de um microrganismo invasor, que provoca uma doença infecciosa.

Qual a diferença entre faringite e laringite?

A faringite se refere a um quadro inflamatório que acomete a faringe.

Por sua vez, a laringite corresponde à inflamação da laringe.

Essa é a porção logo abaixo da faringe, onde se localizam as cordas vocais.

Tanto que os sintomas mais frequentes da laringite são rouquidão e perda temporária da voz, refletindo fatores como o inchaço das cordas vocais.

Vírus e bactérias são os principais microrganismos responsáveis tanto pela faringite quanto pela laringite.

O que causa faringite?

Uma série de condições podem estar na raiz desse quadro.

Para facilitar o entendimento, vale dividir os casos de faringite em dois grandes grupos:

Faringite infecciosa

Como o nome sugere, nesse grupo estão os casos desencadeados pela entrada de um agente infeccioso no organismo.

Na maioria das vezes, trata-se de um vírus, mas microrganismos como bactérias e fungos também podem provocar faringite.

Eles são transmitidos por pessoas contaminadas, invadindo o trato digestivo ou respiratório através da boca e do nariz para alcançar a faringe.

Faringite não infecciosa

Mais raros, esses quadros se iniciam a partir de doenças preexistentes ou condições ambientais que geram irritação na garganta.

Quadros alérgicos de rinite e sinusite são exemplos de doenças respiratórias capazes de causar faringite.

Quem sofre de refluxo gastroesofágico também pode ter inflamação na faringe, devido ao retorno do conteúdo ácido do estômago, que acaba irritando a garganta.

Assim como pacientes com apneia obstrutiva do sono, que tendem a respirar pela boca, aumentando a exposição da garganta a agentes agressores.

Outros fatores de interesse são o contato com fumaça de cigarro, bebidas alcoólicas e substâncias tóxicas presentes no ar poluído, por exemplo.

 

Inflamação da faringe

Existem algumas formas de classificar a faringite, começando pela divisão entre infecciosa e não infecciosa

Tipos de faringite

Existem algumas formas de classificar a faringite, começando pela divisão entre infecciosa e não infecciosa que comentei acima.

Também dá para separar os tipos de maneira específica, a exemplo de:

  • Faringite viral, quando é causada por vírus como adenovírus, rinovírus e vírus influenza
  • Faringite bacteriana, quando é provocada por bactérias como estreptococos
  • Faringite alérgica, se for desencadeada por reações ao ar-condicionado, fumaça, etc.

Outra classificação para o quadro inflamatório divide os casos conforme sua duração, ou seja:

  • Faringite aguda: costuma durar até uma semana, sendo comumente desencadeada por agentes infecciosos
  • Faringite crônica: caracterizada por inflamações recorrentes, com sintomas que duram semanas ou até meses. Em geral, os quadros crônicos acometem adultos e estão relacionados a causas não infecciosas.

A seguir, falo sobre as formas de contágio da doença.

Como se pega faringite?

É importante esclarecer que nem toda faringite é contagiosa, a exemplo dos casos não infecciosos.

Contudo, agentes infecciosos como vírus e bactérias são transmissíveis e respondem pela maioria dos casos.

A contaminação por esses microrganismos geralmente acontece através do contato das mãos com secreções infectadas e, posteriormente, com nariz e boca.

Daí a importância de evitar tocar o rosto no transporte público, eventos, festas e outras situações em que as mãos podem estar contaminadas.

Permanecer em locais fechados também favorece a transmissão viral ou bacteriana por meio de gotículas expelidas por pessoas doentes via espirro ou tosse.

Nesses cenários, o ideal é abrir portas e janelas, usar máscara facial e praticar a etiqueta ao tossir ou espirrar.

Ou seja, usando um lenço ou o antebraço para conter as gotículas eliminadas.

O contágio ainda pode se dar de maneira direta, através do beijo ou do compartilhamento de objetos, como copos e talheres.

Quais os sintomas da faringite?

A maior parte dos quadros de faringite é viral, manifestando sinais como:

Casos de faringite bacteriana são mais graves, podendo apresentar intensificação dos sintomas, com febre alta, forte dor no corpo e aumento dos linfonodos.

Outras manifestações dão pistas quanto à origem da inflamação, como a coceira na garganta, que indica faringite alérgica.

Quanto tempo dura a faringite?

Depende do tipo de faringite.

Quadros agudos costumam durar entre 3 e 7 dias, sendo que os provocados por vírus saram mais rapidamente, enquanto os desencadeados por bactérias duram mais tempo.

Entretanto, inflamações crônicas podem se estender por meses, com sintomas que aumentam e diminuem de intensidade conforme as condições ambientais e de saúde.

Quando a faringite pode evoluir para complicações?

Embora os quadros virais sejam autolimitados, ou seja, combatidos pelas células do sistema imunológico, há casos que precisam de medicamentos específicos.

Por exemplo, a faringite bacteriana, que pode desencadear complicações graves quando não é tratada corretamente.

Os agravos vão desde a evolução para uma forma crônica da doença, com sintomas persistentes, até danos às válvulas do coração, se houver febre reumática.

Quando a infecção na garganta é mal curada ou não tratada, pode levar a esse quadro inflamatório que afeta estruturas do sistema nervoso, locomotor e cardiovascular, podendo provocar problemas cardíacos graves.

Outra complicação é um tipo de inflamação nos rins chamada glomerulonefrite, com risco de prejudicar profundamente o funcionamento desses órgãos, causando insuficiência renal.

Há também o risco de formação de um abscesso periamigdaliano, que é uma bolsa de pus capaz de obstruir as vias respiratórias.

Esse cenário é uma emergência médica, demandando atendimento imediato para evitar a morte do paciente.

Como é feito o diagnóstico da faringite?

O diagnóstico é clínico, o que significa que pode ser formulado a partir dos componentes do exame clínico realizado em qualquer consulta médica.

O procedimento tem início com a anamnese, uma entrevista estruturada com o paciente que fornece sinais do problema de saúde em questão.

A inflamação da faringe apresenta sintomas como dor de garganta e tosse, que devem ser comentados pelo paciente.

É comum que eles sejam o motivo da busca por atendimento médico, portanto, é importante dar detalhes sobre quando começaram, sua intensidade, se a tosse é seca ou carregada, se há febre, entre outros.

Além dos sintomas, a comunicação médico-paciente oferece um panorama da condição de saúde, comorbidades, alergias, tratamentos em curso e outras informações sobre o histórico do paciente.

Essas informações são complementadas pela avaliação física, quando é possível observar quadros de irritação na garganta, secreções, pus e muco que apoiam a hipótese diagnóstica.

Caso seja necessário, o médico faz a solicitação de exames de imagem ou laboratoriais para confirmar a faringite e sua origem.

Os procedimentos complementares são mais comumente pedidos quando existe dúvida em relação ao agente infeccioso responsável pela faringite aguda.

Ou para esclarecer casos complexos de faringite crônica, cenário em que a nasofibrolaringoscopia (endoscopia nasal, da faringe e laringe) ou mesmo uma tomografia da face podem ser úteis.

Como saber se a faringite é viral ou bacteriana?

Um dos indícios de faringite bacteriana ou estreptocócica são os sintomas acentuados, como febre alta, dores por todo o corpo e linfonodos aumentados.

Porém, nem sempre é possível diferenciar esse quadro da faringite viral somente com os dados do exame clínico.

Nesses casos, o médico solicita um teste de detecção rápida de antígenos do estreptococo, feito a partir da coleta de uma amostra da secreção presente na garganta.

O material é enviado a um laboratório e o resultado fica pronto em alguns minutos para confirmar que se trata de faringite bacteriana – ou não.

Uma alternativa é a cultura da garganta, em que o profissional de saúde usa uma haste flexível para coletar uma amostra da saliva das amígdalas e garganta.

A escolha entre os métodos depende da disponibilidade no serviço de saúde e do critério médico.

Como tratar a faringite?

O tratamento deve ser prescrito pelo médico, que pode ser um clínico geral ou otorrinolaringologista.

A abordagem é dada de acordo com a causa da faringite, que deve ser combatida para que a inflamação seja curada.

Diante da faringite viral, o próprio sistema imunológico combate o vírus causador, mas os sintomas podem ser medicados para diminuir o desconforto.

Analgésicos e anti-inflamatórios sob a forma de comprimidos, sprays ou pastilhas são usados nesses casos, combinados a medidas não farmacológicas.

Tomar muito líquido, adotar uma dieta saudável e repousar são ações importantes para a recuperação do paciente.

Já a faringite bacteriana requer tratamento com antibióticos.

Quando existe uma doença de fundo, como o refluxo gastroesofágico, ela deve ser tratada – nesse caso, pelo gastroenterologista – para diminuir a irritação na garganta.

O que tomar para faringite?

O melhor é tomar bastante líquido, como água, sucos e chás calmantes para reduzir os incômodos da faringite.

E evitar a automedicação, que pode não ter efeito ou agravar o problema.

Quem toma antibióticos por conta própria e tem faringite viral, por exemplo, não trata a doença e ainda facilita o desenvolvimento de bactérias resistentes ou superbactérias.

O que dificulta o próximo tratamento com antibiótico realmente necessário, uma vez que as bactérias exigirão o uso de remédios cada vez mais fortes e com mais efeitos colaterais.

É inteligente seguir a orientação médica dada durante a consulta de telemedicina ou presencial, agindo de maneira segura para eliminar a infecção.

Nimesulida e diclofenaco potássico são alguns anti-inflamatórios receitados para casos leves e moderados de faringite, enquanto dipirona e ibuprofeno são analgésicos.

Apesar de não precisarem de receita médica para serem adquiridos, devem ser tomados com moderação.

Quadros de faringite

É importante esclarecer que nem toda faringite é contagiosa, a exemplo dos casos não infecciosos

Como aliviar a dor e a tosse da faringite?

Além de caprichar na hidratação, existem ações simples que ajudam a aliviar os sintomas, por exemplo:

  • Fazer gargarejo de água morna com sal. Evite usar álcool, vinagre e outros itens que aumentam a irritação na garganta
  • Usar spray ou pastilha com própolis, que tem efeito calmante. Deixe a pastilha se dissolver na boca para que seus componentes façam efeito
  • Tomar chás à base de camomila, hortelã, erva-doce e outras substâncias relaxantes.

Entenda na sequência como evitar a faringite.

Tem como prevenir a faringite?

Sim, é possível prevenir diferentes tipos de faringite.

Para evitar a modalidade infecciosa, é importante manter distância de pessoas com sintomas, não permanecer em ambientes fechados e lavar as mãos com frequência.

Também vale não tocar boca e olhos enquanto estiver em locais públicos, o que impede a contaminação por microrganismos que estejam nas superfícies e nas mãos.

 Já os casos de faringite recorrente se beneficiam de medidas preventivas como:

  • Manter a garganta hidratada, aumentando a ingestão de líquidos
  • Evitar se expor ao ar condicionado
  • Não fumar
  • Utilizar umidificadores de ar, bacias com água ou toalhas molhadas para melhorar a umidade do ar nos dias mais secos
  • Fazer inalações com vapor de água
  • Evitar o contato com poeiras, pólen, odores fortes, fumaça de cigarro e outras substâncias irritantes
  • Abrir portas e janelas para deixar os ambientes arejados.

Continue lendo para saber como a telemedicina ajuda no enfrentamento da condição.

Vantagens da telemedicina no tratamento da faringite

Tanto o diagnóstico quanto o tratamento da faringite podem se beneficiar da telemedicina.

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Perguntas frequentes sobre faringite

Respondo algumas questões comuns sobre a doença a seguir:

Pode fazer endoscopia com faringite?

Geralmente, a faringite não é contraindicação para o exame, com exceção dos quadros em que há pus na garganta ou febre. De qualquer forma, é recomendado consultar o médico para evitar grandes desconfortos.

A faringite é contagiosa?

Na maioria das vezes, sim. Isso porque os casos mais comuns são provocados por agentes infecciosos como vírus e bactérias. Porém, quadros de faringite não infecciosa não são contagiosos.

É possível curar faringite sem antibiótico?

Depende da causa da inflamação na faringe. O antibiótico é essencial para curar a faringite bacteriana, mas não serve para casos de faringite viral ou alérgica, por exemplo. Siga sempre a recomendação do médico para receber o tratamento adequado.

Qual o perigo da faringite?

A doença pode se tornar perigosa quando ignorada ou mal curada, desencadeando abscessos, doenças no coração e nos rins. Daí a necessidade de procurar o médico assim que perceber sintomas intensos ou que não melhoram depois de 3 dias.

Fique atento, ainda, aos sinais de alerta que devem ser avaliados em pronto-socorro, como febre alta e persistente, presença de pontos brancos no fundo da garganta (pus) e dificuldade para engolir.

Conclusão

Embora seja comum, a faringite deve ser avaliada por um médico para que seja tratada da maneira correta.

Então, não ignore os sintomas.

Se estiver com febre por mais de 3 dias seguidos ou dor de garganta por mais de uma semana, procure um médico.

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Se achou o conteúdo interessante, veja mais artigos sobre saúde que publico aqui no blog.

 

Referências bibliográficas

https://www.sbmfc.org.br/diagnostico-e-tratamento-da-faringite-estreptococica/

https://saude.abril.com.br/medicina/faringite-saiba-os-sintomas-e-como-tratar-inflamacao-na-garganta/ 

https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/febre-reumatica/

https://www.scielo.br/j/jped/a/R7PBDYDstTMMv8Gc9sQXDBL/

https://casapino.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/faringite-contagiosa-passa-pega-estreptococica/

 

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin