Conheça os principais tipos, causas e sintomas de dor de cabeça

Por Dr. José Aldair Morsch, 11 de maio de 2021
PRINCIPAIS TIPOS, CAUSAS E SINTOMAS DE DOR DE CABEÇA

Por mais que a dor de cabeça seja um problema relativamente comum, ela pode ser fonte de sérios incômodos e limitações. Além disso, pode acarretar riscos mais severos para a saúde.

Isso porque suas manifestações ocorrem em diferentes intensidades. Inclusive, podem sinalizar a presença de doenças mais graves, a depender do caso.

Para que você entenda melhor as possíveis consequências da cefaleia, preparei este artigo especial com informações completas sobre o assunto.

A seguir, confira os principais tipos de dor de cabeça, suas causas, sintomas, tratamentos e sinais de alerta.

O que é uma dor de cabeça?

Em geral, a dor de cabeça é aquela que pode afetar qualquer área da região, em apenas um ou em ambos os lados.

Além disso, a depender dos tipos de dor de cabeça, ela pode ser isolada, irradiar de uma região a outra, ter intensidade extrema ou ser latejante.

Inclusive, o caso pode ser considerado leve ou grave, eventualmente se estender ao pescoço, aos membros superiores e às costas.

No caso da dor conhecida como cefaleia, o aparecimento pode ser gradual ou repentino, durando vários dias ou menos de uma hora.

Ou seja, o problema pode ter inúmeras causas e manifestações. Contudo, na maioria das vezes, ele não é grave. Também pode se curar sozinho, ou com o auxílio de tratamentos e mudanças de hábitos.

Quais são os tipos de dor de cabeça?

Como mencionei acima, existem inúmeros tipos de dor de cabeça. Apesar de a maioria não ser grave, alguns podem advir de condições de risco.

Portanto, é importante ficar atento às suas características e avaliar se há necessidade de intervenção médica.

Normalmente, a dor de cabeça é classificada por suas causas, que se dividem em dois grupos:

Dor de cabeça primária

A cefaleia primária é um mal por si só. Ou seja, não é resultado de outra patologia.

Geralmente, esse tipo de dor de cabeça é provocado por sensibilidade à dor nas estruturas da cabeça ou hiperatividade.

Seus principais causadores estão na contração dos nervos ou vasos sanguíneos do crânio, alterações na atividade química cerebral e contração nos músculos da cabeça ou pescoço.

Inclusive, a dor de cabeça primária pode ser desencadeada por uma combinação entre todos esses fatores. Além disso, certos indivíduos podem ser geneticamente propensos a eles.

Dito isso, os tipos mais comuns da cefaleia primária incluem:

  • Enxaqueca com ou sem aura;
  • Cefaleia em salvas ou tensional.

Além disso, alguns tipos de dor de cabeça primários possuem características distintas em relação aos casos mencionados.

Em geral, associam determinadas atividades e possuem duração incomum.

Dessa forma, podemos constatar que são casos mais raros. E por mais que sejam primários, podem representar o sintoma de alguma doença subjacente. Os exemplos podem incluir:

  • Dor de cabeça ligada à tosse ou associada a exercícios;
  • Cefaleia ligada ao sexo ou crônica.

Dor de cabeça secundária

Ao contrário da cefaleia primária, a dor de cabeça secundária representa o sintoma de alguma patologia.

Sendo assim, dependendo da gravidade da condição, diversos casos podem provocá-la, como:

  • Desidratação;
  • Gripe;
  • Ressaca;
  • Aumento da pressão intracraniana;
  • Arterite;
  • Sinusite aguda (e problemas respiratórios relacionados);
  • Otite;
  • Problemas dentários;
  • Má formação arteriovenosa cerebral;
  • Concussão;
  • Formação anormal dos vasos cerebrais;
  • Encefalite;
  • Pneumonia;
  • Trombose venosa no cérebro;
  • Má formação do sistema nervoso central (Síndrome de Arnold-Chiari);
  • Glaucoma;
  • Aneurisma;
  • Intoxicação por monóxido de carbono;
  • Meningite (viral ou bacteriana);
  • Síndrome pós-concussão;
  • Tumor cerebral;
  • Toxoplasmose;
  • Ataques de pânico;
  • Ruptura de vasos cerebrais;
  • Tumor no cérebro.

Além disso, a cefaleia secundária pode ser resultado de efeitos colaterais do uso de medicamentos para outras doenças.

Da mesma maneira, ela pode ser provocada pelo consumo excessivo de substâncias medicamentosas para dores.

O que causa as dores de cabeça?

O que causa as dores de cabeça?

Conforme expliquei no item anterior, geralmente a dor de cabeça secundária é resultado de outros problemas de saúde.

Nesses casos, a cefaleia pode ser provocada por alguns gatilhos. Os mais comuns são:

Má alimentação

Quando as dores de cabeça surgem com facilidade, ou se manifestam como um incômodo persistente, a causa pode estar no consumo de certos alimentos. Ou então, em maus hábitos alimentares.

Isso porque certas comidas têm substâncias favoráveis à dor, como café, molho shoyo, queijos amarelos, chá preto, chocolate, cebola, alho, embutidos, álcool e até frutas cítricas.

Da mesma forma, alimentos muito frios podem contrair os vasos sanguíneos, causando cefaleia. Os exemplos incluem bebidas geladas e sorvete.

Além disso, um padrão alimentar desregulado é prejudicial. Afinal, ficar muito tempo sem comer provoca hipoglicemia, o que estimula a liberação de adrenalina, entre outros problemas.

Estresse

Por falar na adrenalina, o estresse também a desencadeia. E junto dela, está o cortisol. Ambos são fontes da vasoconstrição, que causa a dor de cabeça.

Sendo assim, uma rotina estressante pode gerar dores recorrentes, o que exige mudanças no dia a dia de trabalho ou até mesmo familiar.

Má qualidade do sono

Em primeiro lugar, um sono desregulado ou de má qualidade pode ser fonte de estresse, o que representa uma causa indireta da cefaleia.

Além disso, não dormir direito prejudica a produção do hormônio melatonina, que atua na síntese de analgésicos naturais do organismo e evita a dor de cabeça.

Fatores ambientais

Certas condições ambientais podem facilitar a desidratação do corpo, provocando distúrbios na entrada e saída de potássio e sódio nas células.

Nessas situações associadas ao calor, à umidade, à pressão e à poluição do ar, o organismo se torna favorável à cefaleia.

Posicionamento postural

Com um rotina marcada pela má postura, os nervos da coluna gradualmente são comprimidos.

A partir disso, as dores podem irradiar para a cabeça e gerar dor de cabeça tensional.

Inclusive, quando há problemas como hérnias, osteoporose ou bico de papagaio, a cefaleia gerada se torna crônica.

Fortes odores

Por mais que a relação direta entre certos cheiros e a dor de cabeça não seja bem conhecida, é comprovado que odores fortes podem gerar cefaleia.

Normalmente, isso ocorre quando há exposição prolongada ao cheiro de gasolina, cigarro, perfumes intensos ou solventes.

Excesso de esforços

No caso da dor de cabeça pós-esforço, a cefaleia se manifesta após atividades físicas de impacto.

Nesse sentido, elas incluem a prática de esportes, academia, o próprio trabalho e até mesmo sexo.

Contudo, fique atento! Pois essa condição pode indicar patologias mais sérias, como aneurisma.

Sedentarismo

Por mais que a dor de cabeça seja associada a esforços físicos, o inverso também é válido.

Isso porque a prática regular de atividades físicas contribui para a vasodilatação, evitando a cefaleia.

Sendo assim, uma rotina sedentária também pode criar condições ideais para o problema.

Porém, os exercícios devem ser realizados de maneira equilibrada para não favorecer a dor pós-esforço.

Principais sintomas de dor de cabeça

O principal tipo de cefaleia primária é a tensional. Então, ela pode atingir qualquer pessoa, sendo mais comum em adolescentes e adultos.

Falando nisso, sua causa é a contração dos músculos da cabeça e do pescoço, desencadeada por eventos transitórios ou isolados. Contudo, também pode se tornar crônica.

Nesse sentido, seus principais sintomas são:

  • Dores por um curto período de tempo;
  • Dor generalizada em toda a cabeça e/ou pescoço;
  • Eventualmente, atinge a parte posterior da cabeça e/ou pescoço;
  • Pode se manifestar na testa;
  • Em alguns casos, acompanha sensação de aperto no pescoço.

Ainda no caso da dor de cabeça primária, existe a enxaqueca. Ela é menos comum, mas atinge mulheres e é crônica na maioria dos casos.

Principais sintomas de dor de cabeça

Isso ocorre quando há a constrição dos vasos sanguíneos da cabeça e do pescoço, e é associada à sensação de mal-estar.

Sua manifestação é pulsátil, pode ser leve ou intensa, e geralmente atinge apenas um lado da cabeça.

Dito isso, os sintomas mais recorrentes da enxaqueca incluem:

  • Dor latejante, normalmente em um lado da cabeça;
  • Acompanhada corte no campo visual;
  • Aumento da sensibilidade a sons e luz;
  • Pode ser leve ou grave;
  • A duração pode ser curta, durar horas ou mais de um dia;
  • Geralmente, começa de manhã e piora em cerca de uma hora;
  • Acompanhada outros sintomas, como tonturas, vômitos e náusea.

Em relação à cefaleia secundária, os sintomas podem variar bastante de acordo com a condição responsável por desencadear as dores.

Em geral, eles são semelhantes aos descritos para a dor de cabeça primária, mas espera-se que sejam mais intensos e graves, a depender da patologia.

Sendo assim, é importante buscar ajuda médica sempre que alguma manifestação for recorrente ou anormal.

Como tratar a dor de cabeça?

Inicialmente, quando um paciente busca por tratamento para a cefaleia, o médico inicia a fase diagnóstica da consulta para determinar o tipo de dor de cabeça.

Para isso, o profissional de saúde levanta o histórico do paciente e suas queixas.

Além disso, os exames de rotina clínico e neurológico são fundamentais para reconhecer as características da dor e suas causas.

Análises de sangue e exames de imagem podem eventualmente complementar o diagnóstico, como eletroencefalograma, ressonância magnética e tomografia.

Com base no tipo de dor de cabeça detectado, o tratamento pode ser ministrado de diferentes maneiras.

Em casos simples de enxaqueca, o objetivo é prevenir as crises por meio de medicamentos profiláticos e tratar as dores imediatas com analgésicos.

Já na cefaleia secundária, o tratamento da dor deve ser acompanhado do combate da doença que desencadeia o problema. Em casos mais graves, pode exigir intervenções emergenciais.

Por fim, também existem meios não medicamentosos para reduzir a incidência de novos episódios.

Nesse sentido, entre os principais, estão o acompanhamento de nutricionista e/ou fisioterapeuta, intervenções de acupuntura e terapia cognitivo comportamental.

Quando é hora de consultar um médico?

Por mais que a cefaleia seja uma condição comum, se manifestando de forma leve e esporádica, é importante ficar atento.

Isso porque quando os episódios forem severos, recorrentes ou acompanhados de outros sintomas, é imprescindível buscar ajuda médica.

Quando é hora de consultar um médico?

Nessas situações, a dor de cabeça pode ser secundária e representar o sintoma de alguma doença séria, como encefalite, AVC ou meningite.

Normalmente, o atendimento emergencial deve ser procurado quando a cefaleia é extremamente dolorosa, se ela for súbita ou se manifestar junto de condições como:

  • Desmaio;
  • Torcicolo;
  • Problemas de fala;
  • Debilidade para andar e/ou enxergar;
  • Vômitos;
  • Náuseas;
  • Dormência;
  • Paralisia de um lado do corpo;
  • Fraqueza;
  • Dificuldade para entender a fala;
  • Febre maior que 39 graus.

Dito isso, vale destacar que você deve procurar um médico sempre que a dor de cabeça apresenta as seguintes características:

  • Intensidade maior que o habitual;
  • Manifestação repentina ou após lesão na região da cabeça;
  • Piora constante ao longo do dia;
  • Caso você nunca tenha tido dor de cabeça;
  • Problemas para trabalhar, dormir ou manter uma rotina saudável;
  • Frequência maior que a habitual;
  • Não melhora ou piora mesmo com o uso de analgésicos;
  • Você tenha mais de 50 anos, dores na mastigação e problemas de visão.

Além dos casos citados, mesmo que a cefaleia seja leve, é válido buscar tratamento caso você não consiga se livrar dela e queira opções seguras e efetivas para o alívio da dor.

Conclusão

Conforme expliquei ao longo do artigo, os tipos de dor de cabeça são diversos, podem ter diferentes causas, se manifestar de variadas formas e ter gravidades distintas.

Por mais que a enxaqueca e a dor leve sejam comuns, certas cefaleias podem se apresentar de forma mais intensa ou ainda apontar a presença de uma doença séria.

Sendo assim, é imprescindível observar os padrões e as manifestações das dores. Além de não abrir mão do atendimento médico quando forem muito intensos, acompanhados de outros sintomas ou surgirem de forma incomum.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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