Meningite: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Por Dr. José Aldair Morsch, 3 de setembro de 2021
Meningite

A meningite é uma condição bastante temida entre as pessoas, mas a falta de conhecimento sobre os seus sintomas e meios de transmissão dificulta o diagnóstico precoce.

Segundo informa o Ministério da Saúde, 10% dos 5 milhões de casos anuais da doença são fatais

Portanto, é fundamental garantir o tratamento o quanto antes. 

De acordo com estudo da UNISANTOS, mesmo com a vacinação, não há controle efetivo da doença na população do país.

Além disso, observa-se que a subnotificação dos sorotipos dificulta a compreensão da meningite no país, o que só reforça a relevância da ampla conscientização. 

Mas afinal, o que é meningite, como ela se manifesta, quais os seus sintomas e tratamento?

Para que você fique ciente sobre as principais características e riscos da doença, preparei este artigo com informações completas. Acompanhe!

O que é meningite?

Meningite é uma condição que provoca a inflamação das meninges, ou seja, as membranas que envolvem a medula espinhal e o cérebro. 

A doença possui alta incidência, com registro de novos casos todos os anos. 

Inclusive, isso faz com que o Ministério da Saúde a considere uma doença endêmica no Brasil, com a ocorrência ocasional de surtos e epidemias. 

A meningite é mais comum em crianças menores de cinco anos, com destaque para aquelas que ainda não completaram um ano de idade. 

Contudo, a doença em adultos também pode ocorrer e ser provocada por diferentes causas.

O que causa a meningite?

Na grande maioria das situações, o surgimento de inflamações nas meninges ocorre por conta de uma infecção no líquido cefalorraquidiano. 

Esse processo infeccioso é gerado por microrganismo, como vírus, bactérias, fungos e parasitas

Entretanto, nem sempre esses agentes causam a meningite. Isso porque alguns fatores podem gerar a doença sem infecções específicas.

Nessas situações, a meninge pode ser inflamada por conta de pancadas fortes, pelo consumo de drogas e até pela presença de algumas patologias crônicas, como câncer ou lúpus. 

A meningite tem sintomas e tratamentos que variam de acordo com as causas das inflamações. 

Por isso, a identificação da sua manifestação tem grande relevância.

Meningite doença

Existem diversos tipos de meningite, determinados pelos fatores causadores da doença

Principais tipos de meningite

Existem diversos tipos de meningite, determinados pelos fatores causadores da doença. 

Confira os principais deles e algumas de suas subcategorizações mais comuns: 

Meningite viral

A meningite viral é a manifestação mais comum e também menos grave da doença, que costuma surgir entre o fim do verão e o começo do outono.

Trata-se de uma forma transmissível da doença, através de:

  • Saliva
  • Vias respiratórias
  • Relações sexuais
  • Objetos contaminados.

Um dos subtipos mais conhecidos é a meningite herpética, que ocorre como agravamento da doença viral causada pela herpes. 

Outros vírus normalmente associados à meningite incluem o do sarampo, da caxumba, da coriomeningite linfocítica, adenovírus, arbovírus e enterovírus. 

Meningite bacteriana

Já as meningites bacterianas geralmente têm maior gravidade, evoluindo rapidamente e, em casos severos, podem levar à morte em questão de horas.

Principais causadoras da meningite aguda, as bactérias associadas à doença podem ser inúmeras, com destaque para hemófilos, meningococo, pneumococo, entre outras.

Entre as mais conhecidas, estão a Mycobacterium tuberculosis, responsável pela meningite tuberculosa, e a meningococo B, que provoca a meningite B, uma das mais letais.

Contudo, teme-se com maior intensidade a meningite meningocócica, provocada pela Neisseria Meningitidis e que pode ser disseminada facilmente.

A meningite bacteriana também pode ocorrer pela evolução de infecções nos seios da face, no ouvido, bactérias na corrente sanguínea e decorrentes de procedimentos invasivos no sistema nervoso central. 

Meningite fúngica

Por sua vez, a meningite fúngica possui recorrência menor, mas pode ser preocupante por levar a quadros crônicos da doença.

Normalmente, ela ocorre quando o sistema imune está comprometido, como nos casos de pacientes com Aids, câncer ou outras condições que exigem tratamentos imunossupressores.

A manifestação pode evoluir durante vários dias, exige um combate prolongado e pode deixar sequelas para toda a vida. 

Essa meningite tem transmissão pela inalação de fungos e não pode ser passada de pessoa para pessoa. 

Na maioria dos casos, ocorre a meningite criptocócica, causada por fungos do gênero Cryptococcus, que podem estar presentes no solo, em fezes de animais ou em árvores. 

Nessas situações, ocorre uma micose sistêmica, que geralmente se manifesta como uma infecção oportunista de alta mortalidade e morbidade, mais comum nas pessoas com o vírus HIV. 

Meningite parasitária

Quando a inflamação da meninge tem causa detectada por parasitas, associa-se a doença ao Angiostrongylus cantonensis, ocasionando quadros de meningite eosinofílica

Esse microrganismo que infesta animais como camarões, caranguejos, lesmas ou o caramujo gigante africano. 

Sua transmissão em humanos pode ocorrer no contato com moluscos, crustáceos ou ainda no consumo do camarão e de outras carnes de animais infectados. 

A evolução desse tipo de meningite é benigna, mas pode variar bastante, durando poucos dias ou até meses, gerando dores fortes, rigidez, náuseas, confusão mental, entre outros sintomas.

Meningite asséptica

Por fim, a meningite asséptica provoca uma inflamação meníngea sem a presença de agentes infecciosos

A causa para esse tipo de quadro ocorre devido a doenças crônicas ou pelo consumo de certas drogas.

Entretanto, a mais comum é a meningite traumática, que surge após uma pancada forte que gera traumatismo, sendo mais recorrente o craniano. 

Quais são os sintomas da meningite? 

Na meningite, os sintomas podem variar de acordo com a faixa etária

Crianças menores de dois anos têm sinais inespecíficos, como sonolência, irritabilidade, recusa para mamar e febre. 

A partir dessa idade, outros indicadores aparecem, sendo que sua intensidade e ocorrência mudam conforme o tipo da doença.

Em geral, os pacientes apresentam manifestações iniciais, que incluem:

Depois, outros sintomas podem se associar ao quadro, como:

  • Náuseas
  • Sensibilidade à luz
  • Confusão mental
  • Mal-estar generalizado
  • Sonolência excessiva
  • Falta de apetite
  • Manchas de meningite vermelhas na pele
  • Convulsões.

Sempre que os sinais da meningite forem percebidos, é indispensável buscar um pronto atendimento para realizar uma avaliação e ser encaminhado à consulta médica

A meningite é contagiosa?

Como você pode conferir no item sobre os tipos da doença, a meningite é contagiosa apenas em algumas situações.

Na manifestação fúngica, por exemplo, ela só é adquirida pela inalação dos microrganismos. 

Já na parasitária, transmite-se por meio da alimentação e do contato com certos animais

Na forma asséptica, essa transmissão ocorre por fatores inerentes ao organismo do indivíduo.

Entretanto, fique atento às meningites virais e bacterianas, que podem sim ser passadas de uma pessoa para outra.

No caso dos vírus, há menos riscos, pois quando se contrai o microrganismo de outra pessoa, normalmente ele não causa inflamação da meninge, mas sim a doença associada ao agente causador.

Já as bactérias merecem mais atenção, pois podem ser transmitidas com facilidade, por meio de gotículas de tosse ou espirro, no beijo e até durante o uso de objetos compartilhados.

Vale ressaltar que a partilha de objetos na maioria dos casos não causa a transmissão, assim como apertos de mão e abraços. Contudo, fique sempre atento.

Quais os fatores de risco para a meningite?

Entre as condições que aumentam o risco de meningite, vale citar:

  • Comprometimento do sistema imunológico: pessoas em tratamento com imunossupressores, que sofrem com Aids, câncer e outras doenças que enfraquecem as defesas do organismo estão mais suscetíveis
  • Falha na vacinação: imunizantes como a vacina meningocócica C (Conjugada) e a vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) previnem as principais causas da meningite bacteriana
  • Exposição a microrganismos: o contato com vírus, bactérias, fungos e parasitas eleva as chances de desenvolver inflamação nas meninges
  • Idade inferior a 5 anos: bebês e crianças pequenas estão em maior risco. Idosos e adolescentes também devem redobrar os cuidados preventivos.

No entanto, qualquer pessoa pode contrair a doença.

A meningite é grave?

Existem formas brandas e severas da doença.

Todo caso de meningite bacteriana é grave, principalmente quando ocorre em bebês e crianças pequenas, que ainda não têm o sistema imunológico desenvolvido.

Quando não tratada, essa inflamação pode causar infecção generalizada e até a morte do paciente.

Já casos de meningite viral têm melhora espontânea em algumas semanas.

Dependendo do quadro e do tipo de meningite, podem surgir sequelas como convulsão, cegueira e problemas neurológicos.

Como diagnosticar meningite?

Lembre-se de que a meningite deixa sequelas caso não seja tratada adequadamente, pois a inflamação atinge o cérebro e a medula espinhal, que são áreas sensíveis.

Dito isso, você deve estar se perguntando: como diagnosticar meningite?

A resposta começa na atenção aos sintomas, que devem ser investigados sob a menor suspeita. 

Além disso, nunca recorra à automedicação, pois o alívio imediato de certos remédios pode mascarar sinais severos. 

Quando há suspeita da doença, o médico pode fazer a solicitação de exames para investigação, por exemplo:

  • Exame quimiocitológico do líquor
  • Bacterioscopia direta do líquor
  • Cultura do líquor, sangue, fezes ou petéquias
  • Aglutinação pelo látex
  • Contra-imunoeletroforese cruzada – CIE.

Ao identificar o agente causador, seja no sangue ou no líquido cerebrospinal (líquor), o especialista pode ministrar o tratamento adequado. 

Um indicativo importante é a visualização do próprio aspecto do líquor, que em processos infecciosos se torna mais turvo por conta do aumento de elementos figurados. 

Qual o tratamento para meningite?

O tratamento da meningite exige internação hospitalar desde a suspeita da doença.

Nas meningites bacterianas, são utilizados antibióticos com princípios ativos e dosagens determinadas de acordo com cada caso.

Já as meningites virais não devem ser tratadas com antivirais. 

O internamento é feito com monitorização contínua e combate dos sintomas até que ocorra recuperação espontânea.

A exceção é o vírus influenza e o da herpes, que podem exigir a utilização de medicamentos antivirais específicos em alguns pacientes. 

Meningites parasitárias seguem a mesma lógica, mas a atenção aos remédios para aliviar os sintomas é ainda maior, já que as dores de cabeça e a febre tendem a ser intensas. 

Por sua vez, a meningite fúngica requer tratamento longo, com dosagens altas e recorrentes de antifúngicos, que também variam de acordo com o agente causador. 

Inflamação nas meninges

Sempre que os sinais da meningite forem percebidos, é indispensável buscar um pronto atendimento

Tem como prevenir a meningite?

Agora que você já sabe que a meningite tem cura, vale ressaltar a importância das medidas preventivas.

De forma geral, recomendam-se medidas primárias, como quimioprofilaxia e vacinação, direcionadas aos diferentes agentes causadores. 

Diferentes vacinas de meningite estão disponíveis no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde.

Além dos imunizantes específicos contra certos tipos da doença, várias vacinas protegem contra outras condições que podem levar à inflamação das meninges.

Confira abaixo quais são as opções disponíveis no SUS: 

  • Vacina meningocócica conjugada sorogrupo C: protege contra a Doença Meningocócica causada pelo sorogrupo C
  • Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite
  • Pentavalente: protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo b, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B;
  • BCG: protege contra as formas graves da tuberculose.

No caso da quimioprofilaxia medicamentosa, a indicação é para quem teve contato com pessoas acometidas pela meningite meningocócica ou por Haemophilus influenzae.

Nesse cenário, a vigilância epidemiológica local acompanha a equipe médica responsável pela aplicação dos medicamentos.

Por fim, fique atento aos métodos de prevenção contra as formas transmissíveis da patologia, evitando aglomerações, objetos compartilhados, etc.

Qual médico trata meningite?

O médico neurologista, especializado em condições do sistema nervoso, costuma diagnosticar e tratar a doença.

Crianças e adolescentes são avaliados pelo neurologista pediátrico, que possui conhecimentos sobre as particularidades do sistema nervoso infantil.

Casos de meningite provocados por agentes infecciosos também podem ser tratados pelo infectologista.

O importante é receber orientação médica assim que surgem sinais de meningite, como febre, dor de cabeça e rigidez de nuca.

Sintomas intensos devem ser avaliados no pronto atendimento, enquanto outros casos se beneficiam da rapidez da consulta de telemedicina.

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Perguntas frequentes sobre meningite

Acompanhe, agora, respostas sucintas para questionamentos recorrentes sobre a doença:

Como se pega meningite?

Dependendo do tipo de meningite, a transmissão ocorre pelas vias respiratórias (contato com gotículas ou secreções), fezes, saliva, ingestão de água ou alimentos contaminados.

Qual meningite não é contagiosa?

A meningite parasitária e a meningite asséptica não são passadas de pessoa para pessoa.

Quanto tempo duram os sintomas da meningite?

A forma viral e mais comum de meningite costuma apresentar sintomas que duram até duas semanas. Já a forma bacteriana tende a evoluir em um ou dois dias, pedindo tratamento imediato para evitar complicações graves.

Modalidades mais raras, como a causada por fungos, podem se estender por semanas ou meses.

Qual exame detecta meningite?

A suspeita de meningite é confirmada através da coleta de amostras de sangue e líquido cefalorraquidiano (líquor), que são encaminhadas ao laboratório para a realização do exame quimiocitológico do líquor, bacterioscopia direta, entre outros procedimentos.

A meningite tem cura?

Sim, a doença tem cura. Quadros virais se resolvem espontaneamente, enquanto os demais requerem tratamento em ambiente hospitalar, geralmente.

Conclusão

Qualquer forma de meningite pede atenção médica para prevenir óbito, sequelas e outras complicações severas. 

Portanto, é imprescindível ficar atento aos sintomas e buscar atendimento médico sob qualquer suspeita. 

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Referências bibliográficas

https://bvsms.saude.gov.br/05-10-dia-mundial-da-meningite/

https://www.bjid.org.br/en-prevalencia-de-casos-de-meningite-articulo-S1413867020303226

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite

https://fiocruz.br/noticia/2017/07/infectologista-alerta-para-os-riscos-da-meningite

https://aps-repo.bvs.br/aps/qual-a-diferenca-entre-meningite-bacteriana-e-viral-qual-sua-gravidade-e-sequelas/

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin