Comunicação Médico Paciente: Importância, Benefícios e Desafios

Por Dr. José Aldair Morsch, 2 de abril de 2019
Comunicação Médico Paciente: Importância, Benefícios e Desafios

Mesmo no atual mundo moderno, com tecnologias que surgem a todo momento, o “Dr. Google” e a rapidez das informações, a comunicação médico paciente só ganha em importância.

Assim, o diálogo, o contato pessoal e o saber escutar se mostram como aspectos essenciais do atendimento, com benefícios diversos.

Além de melhores diagnósticos, menos erros e maior confiança no tratamento, a comunicação aumenta o vínculo com o paciente e diminui as queixas.

Se você quer saber mais sobre esse tema, suas vantagens e os principais desafios, está no lugar certo.

Neste artigo, vai descobrir como o diálogo tem ajudado no cuidado em saúde e o que fazer para melhorar a comunicação com o paciente.

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Boa leitura!

A importância da comunicação médico paciente

A importância da comunicação médico paciente

A importância da comunicação médico paciente

Uma das principais bases da prática médica é a comunicação.

Para fazer um diagnóstico, é imprescindível que o médico converse com o paciente durante a consulta.

É a chamada anamnese, um estágio obrigatório do bom atendimento.

Ouvir a história da pessoa, entender o que ela está passando, absorver as informações e poder transmitir o que é necessário para uma boa prescrição médica ou tratamento são situações rotineiras em uma consulta.

Segundo Dario Giannini, em seu livro Simulação de Doenças – Abordagem e Diagnóstico, “a anamnese completa ao menos 70% de qualquer diagnóstico (…)”.

Então, o diálogo inicial entre médico e paciente a respeito dos sintomas e da sua saúde é de extrema importância para um bom tratamento.

Cabe ao profissional estar aberto a falar e a ouvir, passar confiança e transmitir as informações de maneira clara.

Quando o paciente não se sente seguro para conversar, isso dificulta o vínculo e a própria condução médica do caso.

Não raro, ele recorre à internet em vez de seguir o acompanhamento na clínica.

Mas é importante entender que, mesmo com as novas tecnologias, nada substitui o contato com o profissional e o tratamento humanizado.

E essa compreensão depende muito do profissional médico e do foco que ele exerce sobre o paciente.

Por isso, a efetividade na comunicação médico paciente precisa ser uma prioridade.

Benefícios de uma eficaz comunicação médico paciente

Benefícios de uma eficaz comunicação médico paciente

Benefícios comunicação médico paciente

A comunicação eficaz resulta em uma série de benefícios para todas as etapas do cuidado em saúde.

Ela repercute positivamente no relacionamento, na qualidade e aderência ao tratamento, na diminuição das queixas e dos erros, além de melhorar o vínculo e possibilitar uma maior relação de confiança entre médico e paciente.

Benefícios para os pacientes

Benefícios da relação médico paciente para os pacientes

Benefícios para os pacientes

Confira os principais benefícios da comunicação médico paciente.

Pacientes melhoram a adesão aos tratamentos

Quando há uma relação eficaz e de confiança, na qual o paciente está bem informado e participa ativamente da tomada de decisão, a sua adesão ao tratamento é maior.

Para isso, é importante ele perceber que possui autonomia e abertura para conversar com o médico sobre o curso do tratamento, suas dúvidas e seus cuidados.

Pacientes sentem mais confiança no profissional

Aquele paciente que sai de uma consulta com a sensação de satisfação e de ter sido bem atendido tem uma chance muito maior de retornar ao consultório no futuro.

Mas, para isso, é importante haver confiança no profissional que o atendeu, o que depende de uma comunicação eficaz.

Ao compreender as suas inquietações, ouvir seus questionamentos e entender o que o paciente realmente necessitava, o médico pode dar um diagnóstico mais assertivo.

Aumento da satisfação do paciente

Focar nas reais necessidades do paciente é sinônimo de maior satisfação por parte dele.

Isso acontece porque a confiança no médico, como vimos, repercute na maior adesão ao tratamento e, consequentemente, em uma melhor resposta aos cuidados com a sua saúde.

Tudo isso faz com que o paciente se sinta mais à vontade para compartilhar informações sobre o que ele está passando.

Ou seja, são dados pertinentes não somente ao tratamento, mas também ao diagnóstico.

Com isso, a satisfação aumenta, os resultados melhoram e o médico consegue alinhar as necessidades do paciente às suas expectativas, combatendo objeções.

Aumento do vínculo médico paciente

Outro benefício que uma boa comunicação médico paciente possibilita é o aumento do vínculo entre eles.

Tudo é fruto de uma relação mais humanizada, que gera impactos até mesmo no menor tempo de internação ou de tratamento, já que a adesão do paciente é maior.

Benefícios para o profissional

Benefícios relação médico-paciente para o profissional

Benefícios para o profissional

Os benefícios ao profissional também são marcantes na comunicação médico paciente, como veremos agora.

Melhor compreensão da queixa do paciente e diagnóstico mais preciso

Ao ouvir o paciente, entender melhor seus anseios, medos e questionamentos, o médico conquista maior abertura para o diálogo.

Como consequência, o paciente tende a ser mais preciso na descrição dos seus sintomas, o que permite ao profissional entender de maneira assertiva o seu problema e elaborar um diagnóstico preciso.

Cometem menos erros clínicos

Um benefício leva ao outro.

Ao estabelecer um diagnóstico preciso, o médico encaminha o paciente ao tratamento adequado.

Assim, reduz a margem de erros clínicos, uma vez que compreender melhor a queixa do paciente faz com que consiga identificar de forma mais assertiva aquilo que ele precisa.

Profissionais com menos reclamações

Ao longo dos anos, uma série de estudos tem apontado a comunicação como foco de queixas de pacientes sobre médicos.

Esse é um motivo mais do que suficiente para qualificar essa relação.

Quando o médico consegue aliar a humanização no atendimento à sua competência técnica, se comunica de maneira mais efetiva com o paciente.

De quebra, os resultados positivos aparecem não apenas no relacionamento profissional, mas também na assistência à saúde.

Principais desafios na comunicação médico paciente

Principais desafios na comunicação médico paciente

Desafios na comunicação médico paciente

Qualquer pessoa que procura um atendimento de saúde já está com algum desconforto.

Isso faz com que surjam inseguranças, medos e muitas dúvidas que devem ser respondidas e observadas pelos profissionais.

Só que nem sempre é assim.

Um estudo realizado pela Universidade de Toronto apontou que 54% das queixas dos pacientes e 45% das suas preocupações passam despercebidas pelos médicos ao longo das consultas.

Outro dado importante é que, em pelo menos metade dos atendimentos, médicos e pacientes não estão de comum acordo sobre o motivo principal dos sintomas apresentados.

As conclusões revelam desafios na comunicação médico paciente, o que pode ser foco de insatisfação quanto ao serviço e atendimento prestados.

Por vezes, o paciente está incerto sobre o tratamento ou, então, não se sente à vontade para fazer perguntas.

Em outras, o próprio médico acaba não dando a oportunidade de o paciente falar.

Nesse sentido, vale citar um estudo realizado com médicos parisienses, que mostrou que 83% de todas as palavras ditas durante a consulta são faladas pelo médico.

Outro estudo, este publicado originalmente no JAMA – The Journal of the American Medical Association, verificou que os médicos não demoram mais do que 23 segundos até realizar a primeira interrupção na fala do paciente.

Tudo isso demonstra que o principal desafio para uma comunicação médico paciente eficaz está em humanizar a relação.

Pode ser com maior abertura para que o paciente participe de forma ativa da consulta ou ouvindo mais e compreendendo melhor as suas preocupações.

Habilidades necessárias ao profissional para uma boa comunicação médico paciente

Habilidades necessárias ao profissional para uma boa comunicação médico paciente

Habilidades para uma boa comunicação médico paciente

Já sabemos que saber conversar e ouvir os pacientes é fundamental para o médico.

Mas, para que isso seja feito da melhor forma, algumas habilidades são primordiais.

Vamos a elas?

Escuta ativa

Ser um bom ouvinte faz diferença no momento da consulta.

Saber escutar ajuda o paciente a se sentir mais à vontade para falar sobre suas aflições, tirar dúvidas e, até mesmo, revelar medos e inseguranças que possa ter.

Quando o paciente percebe que o médico realmente está ouvindo o que ele diz, sente maior confiança no profissional.

É importante que o médico se concentre na conversa, não demonstre desinteresse ou se distraia.

Também deve evitar interrupções desnecessárias, pois isso pode levar o paciente a se sentir acuado e não transmitir ao médico tudo o que gostaria.

Empatia, respeito e sem julgamentos

Uma habilidade muito necessária para uma boa comunicação médico paciente é a empatia.

Saber se colocar no lugar do outro permite ao profissional entender melhor quais os anseios do paciente e o que fez com que ele o procurasse.

Compreender e sentir a sua experiência como se fosse sua permite um melhor entendimento das necessidades da pessoa.

Tudo isso permite ao médico criar um vínculo transparente, no qual demonstra interesse em entender e resolver o problema do paciente.

Melhora da comunicação não-verbal

A comunicação não consiste apenas na fala e na escuta, mas também nos gestos, expressões, postura, tom de voz e olhar.

Essa comunicação conhecida como não-verbal é essencial para a primeira impressão, o contato inicial do profissional com o paciente.

Também permite transmitir sentimentos, emoções e, assim, estabelecer um vínculo.

A resposta de um paciente ao médico pode ser muito influenciada pela postura dele durante a consulta.

Nesse sentido, é importante receber o paciente com um sorriso, demonstrar interesse enquanto ele fala, manter contato visual sempre que possível e usar um tom de voz mais ameno, para que o paciente se sinta à vontade e tranquilo durante a consulta.

Evitar linguagem científica na relação médico-paciente

Seu paciente, provavelmente, é alguém que não estudou o mesmo que você e não conhece a linguagem científica e o vocabulário médico.

Por isso, é importante adequar a sua comunicação de acordo com o seu ouvinte.

Ou seja, fale sempre tendo o cuidado e a preocupação de que conseguirá ser entendido pelo seu interlocutor.

Saber adequar a linguagem utilizada permite que o diálogo aconteça com fluidez, melhora a imagem do médico perante o paciente e ainda faz com que ele se sinta mais próximo do profissional.

Tendo isso em mente, evite usar termos muito técnicos.

Se necessário, repita ou esclareça alguma informação ou procedimento que possa não ter ficado muito claro e sempre confirme com o paciente se existe alguma dúvida.

Instruções por escrito e material educativo

Passar instruções por escrito ou entregar material educativo para o paciente são ótimas maneiras de evitar que haja dúvidas.

O objetivo é oferecer mais dados sobre uma doença ou tratamento, servindo de esclarecimento e suporte a um tratamento.

Instruções por escrito também são ótimas ferramentas para ajudar o paciente a não esquecer quando e quais medicamentos utilizar e as datas das próximas consultas.

Tudo isso favorece o vínculo tão importante na relação dele com seu médico.

Como fica a comunicação médico paciente com a telemedicina?

Como fica a comunicação médico paciente e telemedicina

Como fica a comunicação médico paciente com a telemedicina?

Os avanços tecnológicos têm mudado a forma como as pessoas se relacionam nos mais diversos setores.

Na saúde, os movimentos nesse sentido ainda são tímidos, mas há sinais de que mudanças vêm por aí.

A Resolução 227/2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM), por exemplo, ampliou o uso da telemedicina no país, levando a tecnologia também para consultas entre médicos e pacientes.

O texto acabou revogado para ampliar a discussão sobre as suas diretrizes, mas nova regulamentação é aguardada para os próximos meses.

A partir daí, a telemedicina deixa de ser uma ferramenta de uso restrito entre médicos, podendo ser ampliada de forma a favorecer a comunicação médico paciente.

Um artigo publicado na revista Telemedicine and e-Health destaca justamente isso.

O estudo mostrou que a satisfação dos pacientes atendidos em consultas presenciais e via plataforma de telemedicina foram semelhantes.

Além disso, apontou que houve maior satisfação com a conveniência da telemedicina e que os pacientes estavam igualmente satisfeitos com a capacidade do médico de tomar decisões, criar relatórios e promover a comunicação.

Sobre a Telemedicina Morsch

Sobre a Telemedicina Morsch

A atual regulamentação da telemedicina no Brasil limita sua atuação à troca de informações entre profissionais, na chamada segunda opinião, além do serviço de laudos médicos a distância.

É justamente aí que você pode se beneficiar da parceria com a Telemedicina Morsch.

Se a sua clínica oferece exames de diagnóstico por imagem, pode reduzir custos com especialistas ao contratar laudos online.

Com o uso de aparelhos digitais, os dados coletados nos exames são enviados diretamente a um computador, de onde são disponibilizados em uma plataforma de telemedicina, com armazenamento em nuvem.

Com seu login e senha, os especialistas da Morsch ingressam no sistema, analisam os resultados, emitem e assinam digitalmente o laudo, que fica acessível na mesma plataforma.

Assim, a parceria com a Telemedicina Morsch permite aos profissionais investir em uma relação mais humanizada, desenvolvendo a comunicação médico paciente, além de trazer maior agilidade e qualidade para os seus serviços.

Conclusão

Neste texto, falei sobre a importância da comunicação médico paciente, as principais dificuldades e seus benefícios.

Reuni, ainda, importantes habilidades que o profissional precisa desenvolver para que essa relação de diálogo seja efetiva e benéfica.

Também comentei sobre como a telemedicina se encaixa nesse cenário e como o serviço de laudos à distância pode ajudar a melhorar a comunicação médico paciente ao diminuir a sobrecarga de trabalho.

Conte com a expertise da Telemedicina Morsch e leve os benefícios dessa parceria para sua clínica ou hospital.

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Referências Bibliográficas

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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