Laudo neurológico: o que é, para que serve e principais exames

Por Dr. José Aldair Morsch, 5 de setembro de 2018
laudo neurológico

A precisão no laudo neurológico representa um grande compromisso.

A grosso modo, estamos falando de um documento médico que atesta a existência ou não de doença neurológica. É dessa forma que as conclusões do laudo são recebidas pelo paciente.

Para ele, a expressão “hipótese diagnóstica” não soa como preliminar, como de fato é, mas como definitiva.

A partir daí, dá início a uma série de dúvidas e preocupações. Não se pode aceitar, portanto, que sejam em vão, concorda?

É por isso que não há como fazer um laudo médico sem se ater ao bem-estar do paciente.

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Para tanto, é imprescindível garantir que a interpretação dos resultados de um exame seja realizada de maneira ética, profissional e correta.

Neste artigo, vou explicar como a tecnologia tem contribuído para isso, oferecendo o suporte necessário para diagnósticos mais seguros e confiáveis.

É hora de falar sobre teleneurologia. Vamos em frente?

O que é laudo neurológico?

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Laudo neurológico é o documento que oferece os resultados de um exame que, como o nome indica, investiga possíveis anomalias no sistema nervoso.

Mais do que números, curvas, gráficos ou imagens que o acompanham, o que caracteriza o laudo é principalmente a interpretação médica sobre esses elementos.

Isso vale para qualquer tipo de exame neurológico. Mais à frente, vou falar sobre eles, mas vale dar alguns exemplos para que você possa se situar no assunto

Eletroencefalograma, polissonografia, tomografia e ressonância magnética são instrumentos de diagnóstico de condições relacionadas ao sistema nervoso.

O que acontece é que, sozinhos, tais exames não oferecem a interpretação tão necessária para a apresentação de uma hipótese diagnóstica.

Ela depende, portanto, de uma análise médica especializada sobre os resultados, a qual é descrita no laudo neurológico.

Entendido esse ponto, vamos avançar para destacar a importância desse documento.

Para que serve o laudo neurológico?

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Como acabei de destacar no tópico anterior, o laudo neurológico tem por objetivo apresentar a interpretação médica sobre os resultados dos exames realizados.

Dessa forma, serve para confirmar ou descartar a suspeita do médico que atendeu o paciente.

Ao mesmo tempo, contribui também para que o próprio paciente possa compreender minimamente os resultados, mesmo se tratando de um indivíduo leigo.

É importante destacar ainda que, embora o laudo neurológico traga a opinião de um médico especialista, a interpretação final cabe ao profissional que fez a solicitação dos exames.

Afinal, foi ele quem atendeu o paciente, ouviu suas queixas, realizou uma avaliação clínica e identificou uma suspeita que o motivou a pedir o exame neurológico.

Mas também devemos entender como fundamental a participação do médico responsável pelo laudo, já que ele é especialista na área atendida – no caso, a neurológica.

Veja, portanto, que um laudo de qualidade é peça imprescindível para um adequado diagnóstico médico, sendo a responsabilidade pela sua elaboração intransferível, o que significa dizer que compete ao especialista – e só a ele.

Quais informações devem ter um laudo neurológico?

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Este é um ponto muito importante para se esclarecer.

Como qualquer laudo médico, há informações que não podem ficar de fora do documento, indo além dos resultados do exame neurológico, como já comentado.

Vamos entender melhor quais são elas?

Dados do paciente

Nome completo, data de nascimento, altura e peso.

Dados do solicitante

Nome da clínica (se for o caso) e do médico solicitante.

Técnica utilizada para o exame

Refere que equipamento foi utilizado, podendo incluir informações sobre o modelo dele.

Também indica se houve utilização de medicamento ou contraste, uma substância comum em exames de diagnóstico por imagem.

Descrição detalhada do exame

Informa detalhes da realização do exame neurológico. Por exemplo, se o paciente estava acordado, com olhos abertos, em que posição, por quanto tempo os dados foram coletados e as demais condições técnicas do exame.

Também descreve ocorrências durante a sua realização, como reações do paciente, além da aparência, formato e volume de áreas analisadas e de possíveis lesões encontradas.

Hipótese diagnóstica

É o que se pode chamar como conclusão do laudo neurológico. A partir dos resultados obtidos no exame, o médico responsável pelo documento pode confirmar ou afastar as hipóteses diagnósticas que motivaram a sua realização.

Quais exames fornecem um laudo neurológico

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Ao chegar até aqui, você já conferiu o que é um laudo neurológico e que informações são obrigatórias no documento.

Agora, é o momento de entender quais exames fornecem esse tipo de laudo.

Vou trazer mais detalhes sobre aqueles que considero como os principais.

Eletroencefalograma Clínico

O eletroencefalograma clínico é solicitado para a investigação ou monitoramento de doenças que atingem o sistema nervoso central.

Entre elas, epilepsia, convulsões, esclerose múltipla, Alzheimer, Parkinson, distúrbios de movimento e infecções e inflamações diversas, como meningite, encefalite e poliomielite.

O exame costuma ser requerido por neurologistas e clínicos gerais a partir de consultas nas quais o paciente apresentou queixas relacionadas ao sistema nervoso, estabelecendo, então, hipóteses diagnósticas quanto a possíveis anormalidades.

Exemplo de um laudo de eletroencefalograma clínico:

1. CARACTERÍSTICAS DO EXAME

Condições técnicas do exame: satisfatórias.

Exame realizado em vigília, sonolência e sono.

2. RESULTADOS OBTIDOS

  • Durante a vigília, observa-se ritmo alfa presente na freqüência de 9 Hz, média amplitude, simétrico e ritmo beta presente na freqüência de 18 a 25 Hz, baixa amplitude, simétrico.
  • Em trecho de sono observamos um ritmo de base com theta e delta dominante, simétrico e sincrônico.
  • Presença de ondas agudas do vértex e fusos do sono simétricos e sincrônicos.

3. CONCLUSÃO SOBRE O EXAME

Eletroencefalograma digital normal em vigília, sonolência e sono na presente data.

Eletroencefalograma Ocupacional

O eletroencefalograma ocupacional, por sua vez, é solicitado como pré-requisito para que profissionais assumam determinados postos de trabalho.

São indivíduos saudáveis, que precisam comprovar tal condição para serem considerados aptos para exercer a atividade.

Normas regulamentadoras são responsáveis por estabelecer a necessidade de realização do exame para algumas categorias.

Entre elas, estão profissionais que trabalham em maiores alturas, como pintores e outros envolvidos na construção civil, também quem dirige veículos motorizados, como motoristas em geral e operadores de empilhadeira, além de trabalhadores em espaços confinados e pilotos de avião.

Vale dizer ainda que, seja clínico ou ocupacional, o eletroencefalograma se destina a analisar a atividade elétrica no cérebro, investigando possíveis anormalidades nas ondas cerebrais.

Exemplo de um laudo de eletroencefalograma ocupacional:

1. DESCRIÇÃO TÉCNICA

Exame realizado com boa qualidade técnica. Em condições satisfatórias de análise.

2. DESCRITIVO DOS ACHADOS

  • Atividade de base organizada e simétrica.
  • Durante a vigília, foi registrado  ritmo posterior na faixa alfa, com frequência entre 9 e 10 Hz e média amplitude.
  • Nas demais regiões, a atividade de base foi composta por ondas teta, moduladas por ritmo beta, notadamente em regiões anteriores.
  • Durante o decorrer do exame e com manobras de ativação realizadas (que podem ser hiperventilação, foto-estímulo, áudio-estimulo), não alteraram o traçado ou precipitaram descargas – não registrando com isso, grafoelementos patológicos.

3. CONCLUSÃO

Eletroencefalograma digital em vigília dentro dos padrões da normalidade na presente data.

Eletroencefalograma com Mapeamento Cerebral

Uma versão mais moderna do eletroencefalograma é apresentada no mapa cerebral.

Como o nome sugere, o diferencial do exame está na criação de um mapa no computador a partir das informações coletadas pelos eletrodos, posicionados no couro cabeludo do paciente.

Por meio desse mapa, é possível reconhecer quais as regiões do cérebro que estão em atividade naquele momento.

Os sinais captados a partir da atividade cerebral são reproduzidos em cores diferentes, o que é bastante útil para identificar possíveis alterações em áreas específicas.

Exemplo de laudo de eletroencefalograma com mapeamento cerebral normal:

1. CONDIÇÕES TÉCNICAS

Exame realizado com boa qualidade técnica.

2. DESCRIÇÃO DOS ACHADOS

  • Ritmo dominante alfa, 09 Hz, posterior, contínuo, irradiando-se para as regiões centrais, bem modulado em amplitude e em frequência, sincrônico, simétrico, sinusoidal e organizado.
  • Durante o decorrer do exame e com manobras de ativação realizadas (que podem ser hiperventilação, foto-estímulo, áudio-estimulo), não alteraram o traçado ou precipitaram descargas – não registrando com isso, grafoelementos patológicos.
  • Presença de ondas lentas theta e delta.

3. MAPEAMENTO CEREBRAL

  • A análise visual do Eletroencefalograma mostrou padrões de média amplitude, com predomínio da atividade alfa posterior, simétrico bilateralmente, com média de 09 Hz.
  • Banda delta de predomínio difuso na faixa central do escalpo, homogênea em toda sua extensão.
  • Banda teta maior amplitude em vértex e secundariamente nas regiões posteriores e temporais anteriores.
  • Banda Beta 1 e Beta 2 com distribuição difusa, com predomínio em regiões posteriores.
  • Banda Beta 3 com predomínio em regiões anteriores do escalpo.

4. CONCLUSÃO

Eletroencefalograma digital com mapeamento cerebral dentro dos limites da normalidade na presente data.

Eletroencefalograma na internação

Esse é um tipo de eletroencefalograma que se destina ao monitoramento de paciente em internação hospitalar.

Este exame também é chamado de holter de eletroencefalograma, semelhante ao holter de ecg digital, visto que fica registrando os sinais neurológicos no paciente internado entre 1 e 7 dias, de acordo com a necessidade de investigar crises epilépticas raras.

Em linhas gerais, ele é realizado quando a causa da internação é uma doença que afeta o sistema nervoso, como as várias possibilidades de epilepsia, o que exige um acompanhamento mais frequente da sua atividade cerebral.

Eletroencefalograma na morte cerebral

Vale ainda falar sobre o uso do eletroencefalograma para confirmação do diagnóstico de morte cerebral.

O exame, como já explicado, verifica a atividade elétrica no cérebro – ou a ausência dela. Nesse caso, é preciso que ela esteja ausente por no mínimo 30 minutos.

Dentro do protocolo de morte encefálica, ele aparece como o único exame complementar possível para pacientes com até um ano de idade.

A sua utilização nessas situações está prevista na Resolução 2.173/17, publicada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)

Polissonografia na internação

Também chamada de exame do sono, a polissonografia é utilizada no diagnóstico e monitoramento de distúrbios relacionados ao sono.

Entre eles, apneia do sono, insônia, sonolência excessiva e outros comportamentos anormais.

No ambiente hospitalar, a polissonografia sempre demanda internação, pois o paciente dorme no local para a realização do exame.

Os dados são coletados através de um polissonógrafo, que nada mais é do que uma série de eletrodos e sensores posicionados junto ao corpo do paciente.

O aparelho registra ondas cerebrais, o nível de oxigênio no sangue, as frequências cardíaca e respiratória, além de movimentos realizados pelo paciente durante o exame, como ao mexer os olhos e as pernas.

Polissonografia domiciliar

Hospitais e clínicas podem dispensar a necessidade de internação para o exame, desde que ele seja realizado na casa do paciente.

É nisso que consiste a polissonografia domiciliar.

A prática indica que o conforto do lar oferece o ambiente ideal para a monitorização do sono, minimizando o incômodo causado pela presença dos eletrodos e sensores.

A principal diferença para a versão com internação é que, em casa, o paciente não conta com o acompanhamento de um técnico responsável pelo procedimento.

O método de coleta de dados, porém, permanece o mesmo.

Ao final do exame, as informações são enviadas ao médico responsável pela elaboração do laudo neurológico.

Qual profissional pode emitir um laudo neurológico?

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É importante estabelecer as diferenças existentes entre a realização do exame e a elaboração do laudo neurológico.

Como todo teste de investigação médica, uma polissonografia ou um eletroencefalograma devem ser realizados por profissional habilitado e devidamente treinado para tanto.

Um técnico de enfermagem, por exemplo, pode acompanhar o paciente durante o exame sem contrariar nenhuma norma médica.

Já o laudo neurológico, este sim, precisa obrigatoriamente ser elaborado e assinado por um profissional médico.

No caso, estamos falando de um neurologista, especialidade médica que possui diferentes áreas de atuação, como neuropediatria, neurofisiologia, neurorradiologia e eletrofisiologia.

Isso significa, então, que a presença do neurologista é indispensável na realização do exame?

Na verdade, não. Nem para acompanhar o exame, nem para elaborar o laudo.

Hospitais e clínicas podem recorrer à telemedicina para isso, como irei explicar no próximo tópico.

Laudo neurológico à distância via Telemedicina é possível?

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Ter um neurologista na equipe tende a se tornar inviável, especialmente para clínicas médicas, cujo modelo de negócio se destina a consultas e à realização de exames.

Ainda que compreenda diagnósticos mais elaborados, como é o caso de procedimentos de ordem neurológica, pode o seu orçamento não comportar a presença do profissional responsável por esse tipo de laudo.

É para situações como essa que a tecnologia surge como uma importante aliada.

Para explicar, vou usar o exemplo da Telemedicina Morsch.

Nossa empresa disponibiliza um ambiente virtual que é utilizado para a transferência de arquivos, trazendo neles as informações coletadas durante um exame neurológico.

Ou seja, o técnico responsável pelo exame o realiza normalmente e os dados gerados a partir dele são enviados para uma plataforma online.

Esses arquivos são armazenados em nuvem, facilitado o acesso a pessoas autorizadas e elevando a segurança dos dados.

Com um login e senha, o neurologista ingressa no sistema, tem acesso às informações e, na sequência, elabora o laudo neurológico devidamente assinado pela mesma plataforma.

Tudo é feito à distância, mas com a mesma validade e qualidade de resultados do laudo médico presencial.

Dessa forma, você não fere nenhuma norma, como faria ao colocar um profissional não habilitado para assinar o laudo neurológico, além de garantir um processo econômico e seguro.

Como implementar a Teleneurologia na sua empresa

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Contar com a teleneurologia na sua empresa depende basicamente de dois passos:

  1. Ter o equipamento para a realização de exames neurológicos.
  2. Contar com um neurologista para elaborar e assinar os laudos neurológicos.

Sobre esse segundo ponto, já comentei no tópico anterior. Mas e o primeiro?

Você pode comprar um aparelho de eletroencefalograma, por exemplo. A principal exigência nesse caso é escolher um modelo autorizado pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Mas para não realizar um investimento tão alto, a dica é fazer uso da solução integral disponibilizada pela Telemedicina Morsch.

Além de contar com o neurologista para laudar os exames neurológicos, você pode ter o equipamento necessário em regime de comodato (cedido sem custos no período de contratação do serviço).

Nossa empresa ainda fornece o treinamento à distância para o técnico responsável pelo seu manuseio.

Ao contratar o serviço, então, você garante o acesso em tempo integral a uma equipe de neurologistas, além de todo o suporte para a estruturação da sua teleneurologia.

Conclusão

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Este artigo abordou os laudos neurológicos. Ao longo da leitura, você descobriu o que é e para que serve esse documento.

Também conheceu as informações que ele precisa ter e os exames que se valem desse tipo de laudo para validar ou não as hipóteses diagnósticas de anormalidades no sistema nervoso central.

Agora, o seu compromisso é garantir que os exames sejam laudados de forma correta, pelo profissional adequado e com informações completas, o que beneficia tanto o paciente quanto o médico que fez a solicitação.

Nessa hora, lembre que não é preciso investir pesado em equipamentos e profissionais para oferecer um serviço de qualidade aos seus clientes.

Permita à Telemedicina Morsch auxiliar você em seu projeto.

Visite o site para saber mais e faça contato conosco.

Tudo pode ser resolvido à distância, com segurança e praticidade, por um custo que cabe no seu orçamento.

Deixe a sua opinião ou dúvida nos comentários e, se gostou do artigo, compartilhe com a sua rede.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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