O que é Mal de Alzheimer? Como investigar e tratar?

Por Dr. José Aldair Morsch, 21 de junho de 2015
Guia basico de eletrocardiografia O que é Mal de Alzheimer?

Mal de Alzheimer ainda é tido como uma doença sem tratamento. O diagnóstico preciso também ainda é difícil, mas o que a ciência oferece atualmente?

O que é o Mal de Alzheimer?

O mal de Alzheimer (ou doença de Alzheimer) foi descrito pela primeira vez em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer.

É uma doença degenerativa, no momento ainda incurável, embora os tratamentos usados para tratá-la possam minorar os sintomas e melhorar a saúde, retardando o declínio cognitivo e controlando as alterações do comportamento.

O mal de Alzheimer é a principal causa de demência no Brasil em pessoas idosas.

Atinge 1% dos idosos entre 65 e 70 anos, 6% aos 70 anos, 30% aos 80 anos e mais de 60% depois dos 90 anos.

Caracteriza-se por um curso inevitavelmente progressivo de perda das funções cognitivas e grandes alterações do comportamento, sobressaindo uma perda gradual da memória, que pode chegar a ser total.

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Quais as causas do Mal de Alzheimer?

Ainda não se sabe exatamente as causas do mal de Alzheimer. Sabe-se que é uma doença degenerativa com alterações como o depósito de placas de proteínas amiloides (placas senis), emaranhados neurofibrilaresdegeneração granulovacuolar no interior dos neurônios.

Essas lesões começam no tronco cerebral e ascendem progressivamente até o córtex. As alterações próprias da doença levam também à redução de neurotransmissores cerebrais como acetilcolina, noradrenalina e serotonina.

A idade parece ser um fator de risco, uma vez que a sua incidência aumenta exponencialmente depois dos 60 anos.

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Ainda não foi totalmente estabelecido o papel da hereditariedade no Mal de Alzheimer.

Na prática médica diária, observamos que as pessoas com hipertensão arterial sistêmica, colesterol elevados, diabetes, sem controle adequado são mais propensas a ter essa doença.

Quais os sintomas do Mal de Alzheimer?

Em cada caso o mal de Alzheimer tem características singulares, embora haja pontos comuns entre todos eles.

O sintoma inicial mais nítido é a perda da memória de curto prazo (dificuldade em lembrar fatos recentes), à qual se seguem a diminuição da capacidade de atenção, diminuição da flexibilidade do pensamento e a perda da memória de longo prazo.

Inicialmente os sintomas costumam ser confundidos com os problemas naturais do envelhecimento, mas com a progressão da doença surgem sintomas mais específicos como confusão mental, irritabilidade, agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem e desligamento da realidade.

Sintomas bastante comuns, já presentes em uma primeira fase, são a apatia e a desorientação no tempo e no espaço.

A pessoa pode não saber onde se encontra, nem o dia, mês ou ano em que está.

Com o passar dos anos, aumenta a dificuldade em reconhecer objetos e executar os movimentos apropriados para manejá-los.

Muitas vezes pode saber o nome deles, mas não saber utilizá-los ou, ao contrário, pode saber usá-los sem conseguir dizer o nome deles.

Aos poucos vai ocorrendo uma diminuição do vocabulário e maior dificuldade na fala, com empobrecimento da linguagem, resumindo-se a frases curtas, palavras isoladas ou até mesmo deixando de existir.

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Progressivamente, o paciente perde a capacidade de ler e escrever.

Os problemas de memória pioram com o tempo e os pacientes podem deixar de reconhecer as pessoas que lhes são familiares.

Aos poucos perdem a memória de longo prazo, as alterações do comportamento se tornam cada vez mais graves e começam as manifestações de irritabilidade, instabilidade emocional e de ataques inesperados de agressividade.

Em alguns pacientes pode surgir incontinência urinária.

O julgamento ético da realidade é totalmente destruído e o paciente pode, por exemplo, ficar nu em público ou praticar atos indecorosos como se fossem naturais. Numa última etapa, o paciente torna-se dependente das pessoas que cuidam dele.

Chegam a não conseguir desempenhar tarefas simples sem ajuda, como trocar de roupa, alimentar-se etc. Muitas vezes acabam por ficar acamados.

A morte, quando sobrevém, normalmente não é causada pelo mal de Alzheimer, mas por algum fator externo que o acompanha, como uma pneumonia, por exemplo.

Como é feito o diagnóstico do Mal de Alzheimer?

Não existe um exame específico que estabeleça o diagnóstico.

A suspeita diagnóstica deve ser feita por meio de uma cuidadosa história clínica que leve em conta os sintomas e a evolução da doença.

Os exames complementares podem ser necessários muito mais para afastar outros diagnósticos e avaliar o estado geral do paciente.

Os testes neuropsicológicos das funções intelectuais podem ajudar a monitorar a progressão do mal. De rotina também realizam um eletroencefalograma clinico.

Existem alguns detalhes vistos em tomografias e ressonâncias que sugerem ser decorrentes da doença, mas ainda o diagnóstico clínico é o principal.

Em 2020 pesquisadores Canadenses estão desenvolvendo um teste laboratorial para um diagnóstico mais preciso.

Thomas Karikari e seus colegas da Universidade McGill desenvolveram uma técnica que mede com precisão uma das proteínas implicadas no Alzheimer – a proteína P-tau181.

A quantidade de P-tau181 no sangue funciona como uma medida indireta da hiperfosforilação da proteína tau no cérebro, que é uma das características da doença, juntamente com as placas causadas pela proteína amiloide beta.

Antes dessa descoberta, a detecção das proteínas e a confirmação do diagnóstico da doença de Alzheimer só eram possíveis por exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET) e punções lombares invasivas – ou autópsia.

Qual a posição da comunidade científica sobre o exame laboratorial para Alzheimer?

Há muita controvérsia na comunidade científica e médica sobre o papel das proteínas tau e beta amiloide na doença de Alzheimer – estudos já mostraram, por exemplo, que o acúmulo de placas amiloide não explica incidência de Alzheimer e que a presença da proteína tau no cérebro pode ter efeito protetor contra Alzheimer.

De qualquer forma, o trabalho não será perdido, porque existem várias aplicações clínicas importantes para o teste, como o monitoramento da progressão da doença e como uma maneira de garantir que os voluntários inscritos em ensaios clínicos realmente tenham as características da doença de Alzheimer – até agora, todos os testes clínicos de fármacos voltados para o tratamento de Alzheimer falharam.

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Qual o tratamento do Mal de Alzheimer?

Ainda não há uma cura conhecida para o mal de Alzheimer.

Os tratamentos disponíveis até o momento visam desacelerar o curso da doença, assim mesmo sem muito sucesso.

Alguns dos tratamentos sintomáticos utilizados estão voltados principalmente para a manutenção das funções intelectuais, qualidade de vida e atividade física.

Alguns sintomas secundários como a ansiedade, a depressão e os sintomas psicóticos, também devem ser tratados sintomaticamente com as medicações apropriadas.

Além de seus efeitos próprios, os antidepressivos parecem retardar a evolução das demências.

Nos estágios avançados, precisa ser feita a escolha entre a permanência no ambiente domiciliar ou a internação em clínicas especializadas.

Ainda em fase de pesquisa, cientistas da Espanha estão testando os efeitos da proteina cerebral chamada de TOM 1 ( Target of Myb, ou alvo do Myb ) em modelos animais.

O mais incrível é que esta proteina está presente também em plantas.

Os testes em animais revelou que a sua redução piora a progressão da doença de Alzheimer, juntamente com repercussão negativa cognitiva e aumento dos mediadores pró-inflamatórios.

Será esse um caminho para a reposição dessa proteina ou mesmo se tornar um exame rotineiro como prevenção nos casos em que teremos níveis reduzidos na nossa fase produtiva de vida?

Só o tempo nos trará essa informação.

Qual o prognóstico do Mal de Alzheimer?

A evolução da doença no sentido de uma demência profunda parece inexorável, levando cerca de oito anos entre seu início e seu último estágio.

Sugiro acompanhar esse blog de saúde que também traz informações atuais sobre o Mal de Alzheimer.

Como posso prevenir o Alzheimer?

O acompanhamento clínico de pacientes por mais de 25 anos me mostrou que os seguintes fatores fazem com que a doença se instale mais rapidamente em alguns pacientes:

  • Hipertensão arterial mal controlada
  • Dislipidemia – colesterol elevado
  • Diabetes mal controlada
  • Fumo
  • Drogas
  • Etilismo
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Pouca leitura

Ou seja, quanto mais saudável for sua vida, menos chance terá de desenvolver essa terrível doença.

Conclusão

Em resumo, com todos os avanços da medicina em pesquisa e desenvolvimento de novos exames e medicamentos, ainda não encontramos nada que controle essa doença.

As pesquisas avançam lentamente e não temos maiores informações sobre como realmente prevenir, investigar, fazer um diagnóstico preciso ou mesmo afirmar que encontramos o tratamento ideal.

O importante é manter um exercício mental diário como leitura e cuidados redobrados com a pressão alta, colesterol e diabetes que agravam muito essa doença.

Vamos apostar na proteina cerebral TOM 1 como uma saída para a prevenção e tratamento?

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Bibliografia:

Artigo: Amyloid-beta impairs TOM1-mediated IL-1R1 signaling
Autores: Alessandra Cadete Martini, Angela Gomez-Arboledas, Stefania Forner, Carlos J. Rodriguez-Ortiz, Amanda McQuade, Emma Danhash, Jimmy Phan, Dominic Javonillo, Jordan-Vu Ha, Melanie Tram, Laura Trujillo-Estrada, Celia da Cunha, Rahasson R. Ager, Jose C. Davila, Masashi Kitazawa, Mathew Blurton-Jones, Antonia Gutierrez, David Baglietto-Vargas, Rodrigo Medeiros, Frank M. LaFerla
Publicação: Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: 15;116(42):21198-21206
DOI: 10.1073/pnas.1914088116

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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