Repolarização ventricular: o que é e quais os riscos da sua alteração

Por Dr. José Aldair Morsch, 8 de novembro de 2021
Repolarização ventricular

Receber o diagnóstico de alteração da repolarização ventricular pode gerar preocupação.

Mas não deveria, pois, muitas vezes, esse é um achado comum do eletrocardiograma, sem qualquer implicação clínica para o paciente.

Principalmente quando vem isolado, sem associação a outros sintomas.

Contudo, casos raros sinalizam doença cardíaca crônica ou até eventos graves como o infarto.

Daí o interesse nesse assunto, que vou explicar melhor nas próximas linhas.

Continue lendo para saber mais sobre a repolarização ventricular e quando mudanças em seu padrão pedem avaliação médica.

Nesse contexto, vale a pena conciliar consultas convencionais e teleconsultas para reforçar o monitoramento e evitar complicações.

O que é repolarização ventricular?

Repolarização ventricular é um movimento que faz parte do batimento cardíaco normal.

Mais especificamente, corresponde ao momento em que são liberados íons de potássio e o músculo cardíaco relaxa.

Esse fenômeno aparece no traçado do eletrocardiograma como o trecho entre o complexo QRS e o fim da onda T.

Para deixar o tema mais claro, vamos voltar um passo e falar sobre as batidas do coração.

O órgão funciona como uma bomba natural que se move a partir da emissão de impulsos elétricos.

Cada impulso percorre um caminho padrão para formar o batimento, enviando sangue para as artérias que o levarão a todas as células do organismo.

Quando o ritmo cardíaco é normal, o caminho é o seguinte:

  1. O impulso nasce no nó sinusal, localizado acima da câmara superior direita – o átrio direito
  2. Segue, então, para o átrio direito, átrio esquerdo, nó atrioventricular e ventrículos (câmaras cardíacas inferiores)
  3. A passagem da corrente elétrica faz com que íons de cálcio sejam atraídos para dentro das células do coração, resultando em contração
  4. Esse processo se chama despolarização elétrica
  5. Ao fim do batimento, a repolarização culmina em um instante de repouso antes da próxima batida.

 

Alteração eletrocardiográfica

A alteração da repolarização ventricular normalmente não é grave e pode variar conforme histórico do paciente

Alteração da repolarização ventricular

Quando há mudanças na forma ou duração da repolarização ventricular, dizemos que existe uma alteração.

Esse conceito é bastante amplo e, na maioria das vezes, descreve uma modificação que não tem impacto sobre a saúde do paciente.

Portanto, se você não tem sintomas, patologias cardiovasculares nem histórico desses males na família, é provável que a alteração seja benigna.

Nesses casos, o médico não recomenda qualquer tratamento.

Apenas continua acompanhando a saúde cardíaca por meio de consultas e exames de rotina.

Até porque simples testes como o ECG de repouso são capazes de evidenciar anormalidades que merecem atenção.

Um exemplo são as alterações isquêmicas do segmento ST e da onda T, que descrevem a redução do volume sanguíneo no coração.

Também chamadas de angina, elas podem evoluir para infarto do miocárdio, que ocorre quando o fluxo de sangue é interrompido.

Um dos indícios de angina ou lesões importantes no músculo cardíaco é uma letra T apiculada, em vez do tradicional formato arredondado.

Confira, a seguir, duas descrições comuns de alterações da repolarização ventricular.

Alteração inespecífica da repolarização ventricular (AIRV)

Embora o nome possa assustar, significa apenas que o ECG mostrou uma alteração não relacionada a qualquer doença ou diagnóstico.

Conforme orienta este material do Ministério da Saúde:

“O termo é geralmente aplicado a um discreto infradesnivelamento ou retificação do segmento ST, e à inversão ou achatamento da onda T, de caráter difuso, sem causa evidente. Como a própria expressão enuncia tais alterações não são diagnósticas e, isoladamente, não devem ser supervalorizadas pelo clínico.”

Alteração difusa da repolarização ventricular (ADRV)

Essa nomenclatura sinaliza que a alteração é difusa, ou seja, não localizada, sendo vista em todo o traçado do eletrocardiograma.

Mais uma vez, não há implicação clínica para o achado isoladamente, sendo necessárias novas avaliações.

O que causa alterações na repolarização ventricular?

Nem sempre existe uma causa específica, como descrevi acima.

Mas, quando há, uma série de doenças cardiovasculares podem estar por trás da condição.

Por exemplo:

  • Hipertensão arterial
  • Hipertrofia ventricular esquerda (aumento no tamanho do coração)
  • Arritmias
  • Dislipidemias
  • Hiperglicemia
  • Hipoglicemia
  • Doença coronariana
  • Valvulopatias, que são problemas nas válvulas cardíacas
  • Insuficiência cardíaca
  • Neuropatia
  • Nefropatia
  • Complicação pós infarto do miocárdio.

 

Ansiedade causa repolarização ventricular?

A verdade é que não há registro de relação direta entre ansiedade e alterações no repolarização ventricular.

Porém, sabe-se que crises de ansiedade podem desencadear palpitações ou arritmias de padrão rápido – as taquicardias.

Alteração nos ventrículos

Acompanhamento da saúde cardíaca pode ser feito à distância, em consultas online com o médico de sua preferência

Quais os sintomas da repolarização ventricular?

Geralmente, a alteração não apresenta sintomas, podendo se manifestar até em pacientes saudáveis.

Tanto que o fato de haver sintomas aponta para a existência de uma patologia cardiovascular.

E, quando isolada, uma alteração da repolarização ventricular não é considerada doença.

Alteração da repolarização ventricular é grave?

Cabe reforçar: normalmente, não é grave.

No entanto, depende de fatores como o risco cardiovascular e o histórico do paciente.

Quando aparece no ECG de pessoas saudáveis e sem familiares com males cardíacos, não indica problemas.

Já quem tem doenças cardíacas, história familiar ou fatores de risco precisa de uma avaliação complementar para descartar agravos à saúde.

Dentre os fatores de risco, vale citar:

  • Hipertensão
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Diabetes
  • Colesterol alto
  • Sedentarismo.

 

A importância da consulta cardiológica

A consulta com cardiologista deve fazer parte do seu checkup anual, pois ajuda a prevenir patologias.

Também auxilia no diagnóstico precoce, que aumenta as chances de cura e sucesso do tratamento.

Durante o atendimento, o médico solicita testes como o eletrocardiograma para conferir se há irregularidades no sistema cardiovascular.

Diante de sintomas, essa avaliação se torna ainda mais necessária.

A boa notícia é que você não precisa mais se deslocar até o consultório ou clínica para receber assistência desse especialista.

Basta ter um dispositivo conectado à internet para passar por consulta online.

No sistema da Morsch, o processo de marcação de teleconsultas pede apenas alguns passos:

  • Acesse a página de agendamento
  • Selecione a especialidade desejada
  • Confira uma lista com cardiologistas e horários disponíveis para atendimento
  • Escolha o profissional de sua preferência e clique sobre a melhor data e hora
  • Faça seu login. Se não tiver cadastro, clique em “Criar Conta” e informe alguns dados para se registrar
  • Prossiga para a página de pagamento e confirme o agendamento
  • No dia marcado, você vai receber lembretes e um link de acesso para a sala virtual de teleconsulta.

 

Conclusão

Neste texto, espero ter tirado suas dúvidas sobre a repolarização ventricular e suas alterações.

Se ficou alguma dúvida, escreva um comentário a seguir ou esclareça diretamente com o cardiologista, agendando sua consulta a distância na plataforma Morsch.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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