Quais os sintomas de colesterol alto e o que fazer para controlar

Por Dr. José Aldair Morsch, 11 de fevereiro de 2022
Colesterol alto

O colesterol alto é um daqueles inimigos silenciosos da saúde que, quando se manifestam, causam graves complicações.

Surpreendentemente, de acordo com uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), 67% dos brasileiros desconhecem sua própria taxa de colesterol.

Ignorar esse importante indicador é um risco, tendo em vista que o colesterol elevado avança sem dar sinais, embora até possa apresentar sintomas em certos casos.

Como veremos ao longo deste conteúdo, a forma mais inteligente de evitar os males associados a esse fator de risco é a prevenção.

Não deixe de ler atentamente, pois sua saúde e a das pessoas que você mais ama podem depender dessas informações.

O que é colesterol alto?

Que fique claro que o colesterol, em si, não é um problema. 

Pelo contrário, trata-se de um composto indispensável para a saúde, tendo em vista sua participação em diversos processos orgânicos.

Um deles é o transporte de gordura do fígado para o restante do corpo, evitando assim o acúmulo nesse órgão.

Esse é um dos papéis do chamado “colesterol ruim” ou LDL, ainda que ele não seja “mau” propriamente. 

É o excesso desse tipo de nas artérias que causa os problemas de saúde a ele associados, principalmente doenças e complicações cardiovasculares.

Já o outro tipo, o HDL, chamado de “colesterol bom”, faz o caminho inverso, levando gordura do sangue e artérias para o fígado, onde é eliminada. 

Não se conhecem problemas de saúde associados a esse colesterol, ainda que existam taxas máximas a serem respeitadas, como veremos a seguir.

Quando o colesterol é considerado muito alto?

As taxas ideais de colesterol podem sofrer ligeiras variações de um indivíduo para outro

Mas, para pessoas consideradas saudáveis, ou seja, que não fazem parte do grupo de risco, as taxas consideradas seguras são:

  • Colesterol total < 190 mg/dl
  • Colesterol HDL  >45 mg/dl em mulheres e >40 mg/dl em homens
  • Colesterol LDL <115mg/dl.

Por sua vez, pessoas portadoras de insuficiência renal, cardiopatas e diabéticas, por estarem no grupo de risco, devem observar os seguintes níveis:

Risco elevado:

  • Colesterol LDL < 100mg/dl.

Risco muito elevado:

  • Colesterol total <175 mg/dl
  • Colesterol LDL < 70mg/dl.

Tendo em conta que os níveis de colesterol sofrem variações constantes em razão da alimentação e do estilo de vida, é fundamental fazer exames de sangue periódicos, além de exames do coração para efeito de controle.

O que o colesterol elevado pode causar no corpo?

Ter o colesterol elevado é como “dormir com o inimigo”. 

Cedo ou tarde ele vai se manifestar, causando danos para a saúde.

Como vimos, o colesterol é um composto que carrega a gordura pelo corpo e, sendo assim, quando em excesso, ela passa a se acumular nas veias e artérias, inclusive as cardíacas.

Dessa forma, o maior de todos os riscos associados são as complicações cardiovasculares, como o infarto e a insuficiência cardíaca.

Outra grave complicação causada pelo excesso de colesterol LDL é o Acidente Vascular Cerebral (AVC), quando o fluxo sanguíneo no cérebro é interrompido.

Riscos da hipercolesterolemia em crianças

Engana-se quem pensa que o colesterol é assunto exclusivamente de adultos.

Isso porque esse é um fator de risco que pode se apresentar ainda na infância, aumentando em muito as chances de, na idade adulta, surgirem as complicações associadas.

Nesse caso, é fundamental observar um outro fator de risco para o colesterol infantil: a genética

Logo, filhos de pais com histórico de colesterol elevado muito provavelmente desenvolverão essa condição se não tomarem os devidos cuidados.

É o que acontece quando se diagnostica a chamada hipercolesterolemia familiar (HF), em que o colesterol LDL se apresenta em níveis elevados já na infância.

Na sua vertente heterozigótica, considerada mais branda, apresenta uma prevalência de uma em cada 200 a 500 crianças, nas quais os níveis de colesterol são de 350 e 550 mg/dl. 

Para essas crianças, o risco de doenças cardiovasculares antes dos 50 anos é maior, caso não recebam o tratamento adequado.

 LDL e HDL

Exames de rotina previnem avanço do colesterol, inclusive em crianças, reduzindo as chances de doenças futuras

Quais os sintomas de colesterol elevado?

Como já destaquei, o colesterol alto é um fator de risco silencioso, não apresentando por si só nenhum sintoma, até que chegam as complicações.

Por sua vez, o aumento nos níveis de LDL no sangue levam também ao depósito de gordura no fígado, esse sim, um fator de risco sintomático.

Inchaço abdominal

Ao provocar o acúmulo de gordura no fígado e no baço, o excesso de colesterol leva ao aumento da circunferência na região da cintura e abdômen.

Esse é um sintoma típico, observado quando as concentrações de triglicerídeos no sangue chegam perto de 800 mg/dl.

Com um acúmulo tão grande, a pessoa pode sentir outros sintomas, tais como náuseas e dor abdominal intensa.

Esse é um sinal a ser observado com máxima atenção, já que é um indicador de que a taxa de colesterol se encontra em níveis de alerta.

Portanto, se você ou alguma pessoa conhecida apresenta inchaço abdominal sem uma razão aparente, procure seu médico assim que possível para a realização de exames.

Sensibilidade na barriga 

Quando o abdômen incha em razão do acúmulo de gordura no fígado e baço, leva ao aumento da sensibilidade na região. 

Assim sendo, todo toque na região da barriga provoca certo incômodo que, normalmente, não aconteceria.

Esse é mais um sintoma de taxas elevadas de colesterol ruim, pois sinaliza que aqueles dois importantes órgãos de “limpeza” não estão em suas condições normais.

Normalmente, essa sensibilidade está associada ao inchaço, mas, de qualquer forma, esse é um sintoma que deve ser investigado cuidadosamente com orientação médica.

Nódulos de gordura na pele 

Talvez o mais inequívoco dos sintomas associados ao aumento na taxa de colesterol seja a presença de nódulos de gordura na pele, especialmente na região das pálpebras.

Conhecido como xantelasma, caracteriza-se por um tipo de protuberância amarelada, em relevo e plana, normalmente ao redor dos olhos ou nos antebraços.

Ainda que não provoque complicações de saúde, o xantelasma causa um incômodo estético, prejudicando a qualidade de vida.

Além disso, sua remoção só pode ser feita cirurgicamente e, sendo assim, é inevitável que o procedimento deixe cicatrizes.

Vale ressaltar que, mesmo depois de removido, o xantelasma pode voltar, o que reforça ainda mais a importância da prevenção ao excesso de colesterol.

Ouça este conteúdo no formato de podcast Morsch.

Arco juvenil

Pessoas idosas, em geral, podem apresentar um tipo de depósito de gordura na região em volta da íris, chamada de arco senil, cuja coloração pode ser cinza, branca ou azul.

No entanto, em pessoas jovens, esse é um fenômeno não tão frequente, sendo por isso chamado de arco juvenil.

Embora não afete a visão, esse é um indicador de dislipidemias, sendo comumente associado às taxas de colesterol elevadas.

Por essa razão, esse é um sintoma que inspira cuidados, principalmente em pessoas adultas e adolescentes.

Até mesmo nas pessoas idosas, o arco senil pode ser um sinal de colesterol alto, demandando por isso os mesmos cuidados, a fim de detectar suas reais causas.

O que causa colesterol alto?

Com exceção da hipercolesterolemia familiar, todo aumento na taxa de colesterol tem como causa fatores exógenos, ou seja, é um problema causado pelos hábitos de cada pessoa.

Vale destacar um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais a respeito da prevalência do colesterol alto. 

De acordo com os autores:

“A prevalência de colesterol total ≥ 200mg/dL na população foi de 32,7%, mais elevada em mulheres (35,1%). A prevalência de HDL alterado foi de 31,8%, sendo de 42,8% no sexo masculino e 22,0% no feminino. O LDL≥ 130 mg/dL foi observado em 18,6%, com prevalência mais elevada em mulheres (19,9%). A população com idade de 45 anos ou mais e com baixa escolaridade apresentou maiores prevalências de colesterol com alterações”.

Para essas pessoas, é fundamental adotar uma postura preventiva, especialmente em relação aos fatores de risco para o excesso de colesterol. 

Confira quais são a seguir.

Má alimentação 

O aumento na taxa de colesterol nem sempre está associado ao ganho de peso, embora esse seja um fator de risco.

Estima-se que 20% dos casos esteja associado à dieta, independentemente do Índice de Massa Corporal (IMC) da pessoa.

É um percentual relativamente elevado, considerando que uma em cada cinco pessoas que se alimenta mal desenvolve colesterol em níveis elevados.

Dessa forma, é preciso evitar alimentos ricos em gorduras saturadas, carnes com capa de gordura, frituras, embutidos e açúcares em geral.

Além disso, é importante estipular horários para se alimentar, a fim de evitar rompantes de fome, principalmente durante a noite.

Lembrando que o médico nutrólogo ou nutricionista são os únicos especialista

s capazes de prescrever uma dieta segura.

Sedentarismo 

Outro fator de risco para desenvolver colesterol alto é o sedentarismo.

Estima-se que meia hora por dia de atividade física moderada é suficiente para afastá-lo, desde que seja prescrita por um profissional de Educação Física, contando com a liberação do seu médico.

Tabagismo 

Fumar aumenta a liberação de adrenalina, que por sua vez leva à redução no consumo de oxigênio, fazendo com que o corpo passe a reter mais colesterol.

Assim sendo, o ato de fumar deve ser evitado, até porque aumenta substancialmente o risco de uma série de doenças cardiovasculares e do pulmão.

Consumo excessivo de álcool 

Outra substância que pode gerar complicações cardiovasculares e elevar o colesterol é o álcool.

Ainda que haja estudos associando o consumo moderado ao aumento do colesterol HDL, vale adotar cautela, uma vez que nem todos conseguem moderar sua forma de beber.

Se é o seu caso, então, o melhor a fazer é evitar o álcool, independentemente do tipo de bebida.

Colesterol ruim

Colesterol em níveis elevados, se não observado e controlado, pode levar a sérias complicações cardiovasculares

Como é uma dieta para colesterol alto

Já vimos que certos tipos de alimentos devem ser evitados para frear o acúmulo de colesterol no organismo. 

No entanto, essa medida não seria suficiente, se em paralelo não buscássemos comer bem.

Veja então que alimentos e medidas devem estar presentes em uma dieta visando o controle do colesterol:

  • Use adoçantes, de preferência Stevia
  • Carnes sem gordura, preparando-as cozidas, assadas ou grelhadas
  • Leite desnatado
  • Pão de centeio
  • Legumes, frutas e verduras em geral
  • Procure se alimentar em intervalos regulares, fazendo cerca de 5 a 6 refeições diárias.

 

Tratamentos para colesterol alto

Além dos cuidados com a alimentação e a prática de exercícios, o controle do colesterol pode ser feito por medicamentos, como a sinvastatina.

Lembre que todo e qualquer medicamento só deve ser administrado com prescrição médica, seja por um clínico geral ou por um especialista.

Então, marcar uma consulta é sempre o primeiro passo. 

Médico que trata colesterol alto

O médico que orienta os tratamentos contra o colesterol é o cardiologista

No entanto, antes de uma consulta com esse especialista, o clínico geral pode ajudar, orientando nos primeiros cuidados e encaminhando o paciente.

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Conclusão

Colesterol alto é coisa muito séria.

Na plataforma de teleconsulta Morsch, você tem acesso aos melhores cuidados para evitar esse mal silencioso, seja com ajuda de um especialista ou de um clínico geral.

Outra maneira de evitá-lo é continuar bem informado. 

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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