Por que a telemedicina virou disciplina e especialidade?

Por Dr. José Aldair Morsch, 11 de julho de 2016
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A telemedicina virou disciplina nas maiores universidades, não só do Brasil como no mundo, afinal, a possibilidade de proporcionar atendimento médico de qualidade e com rapidez à distância é um dos maiores avanços da ciência, da comunicação, e especialmente da telessaúde.

A Telemedicina no mundo e Universidade

A telemedicina virou disciplina e especialidade recentemente em todo o mundo, o que, infelizmente, ainda torna a prática desigual: enquanto algumas nações já dependem da especialidade médica, outras ainda não tiveram a oportunidade de conhecê-la.

O motivo principal de levar a Telemedicina para a Universidade seria a inclusão digital dos próprios profissionais de saúde. Estamos numa fase de transformação digital e muitos médicos da época anterior ainda tem receio de aceitar esta ferramenta.

Considerando que a telemedicina se destaca como a especialidade médica que mais cresce em proporção em todo o mundo, torná-la conhecida e utilizada em âmbito global é uma das razões pelas quais o Brasil vem incluindo-a cada vez mais não só em sua rotina médica, como especialmente acadêmica, abrindo espaço para a disciplina em seus departamentos.  

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Quando a telemedicina virou disciplina?

No ano de 1985, a primeira disciplina relacionada à área surgiu na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo): Foi chamada de Informática Médica.

Mas, entre os anos de 1994 e 2000, as iniciativas no setor foram praticamente isoladas, já que o governo não demonstrava interesse na revolução digital no setor médico.

Neste período, a USP passou a realizar teleconferências médicas para o exterior e  tele-eletrocardiogramas por fax e finalmente, pela internet. Os estados brasileiros que mais se engajaram na realização desses exames foram: São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Pernambuco.

No ano de 1994, uma instituição privada deu início à realização de diagnósticos de eletrocardiografia (via fax). Posteriormente, algumas redes de hospitais começaram a fazer o mesmo, investindo na telemedicina tanto no sentido de teleconferência como de telediagnóstico.

Incentivos para a pesquisa em Universidades

A telemedicina virou disciplina nas universidades um pouco mais tarde. Nomeada ‘telemedicina’, a USP foi uma das primeiras universidades a empregar a matéria nestes moldes, já em 1997.

Neste mesmo ano, o CNPq (centro de pesquisa acadêmica brasileira) criou um programa para estimular universidades brasileiras no desenvolvimento científico nesta área.

A partir de então, a telemedicina virou disciplina em outras universidades e começou a se desenvolver no âmbito Nacional. O renomado Hospital Sírio Libanês, em 1999, deu início à realização de teleconferências para discussão de casos complicados; a UNIFESP.

No mesmo ano, inaugurou um departamento exclusivo para telemedicina e Informática e, entre os anos de 2000 e 2003, o interesse sobre a área começou a se espalhar ainda mais por todo o território brasileiro.

A criação dos Conselhos de Telemedicina e Telessaúde

Em 2002, foi criado o Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde (falaremos um pouco mais sobre ele a seguir). Já em 2005, o Brasil foi palco pela primeira vez do congresso internacional na área, o “10º Congresso da Society for Telemedicine and Health”.

Além do “2º Congresso do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde”. No ano de 2015 novamente o Brasil sediou o Congresso Mundial de Telemedicina e Telessaúde, com congressistas do mundo inteiro.

Maior pesquisa já realizada em Telemedicina

No ano de 2004, o pesquisador Moser se tornou responsável por uma pesquisa científica que analisava, entre os anos de 1964 e 2003, todas as menções sobre telemedicina publicadas na Medline (Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica dos Estados Unidos da América).

Ao todo, Moser conseguiu resgatar 5911 publicações sobre o assunto. A conclusão foi de que 97% das publicações foram originadas no continente europeu ou na América do Norte, deixando quase todo o resto do mundo de fora das principais tendências e novidades sobre a telesaúde.

E considerando a importância do tema, notou-se a necessidade de trazê-la o quanto antes para a sala de aula dos acadêmicos da área da saúde, especialmente, para a realidade dos futuros médicos.

Na EPM (Escola Paulista de Medicina) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), um setor exclusivo foi criado para pesquisas na área, o SET – Setor de Telemedicina, que faz parte do Departamento de Informática em Saúde.

Objetivo principal da Telemedicina

A telemedicina virou disciplina com o principal objetivo de mostrar:

  • A importância de tais conceitos no suporte de serviços,
  • Informações na área de saúde
  • Treinamentos para aqueles que atuam na promoção e assistência a saúde dos pacientes.

Principais vantagens da Telemedicina

A Telessaúde visa tornar possível a oferta de informações e serviços de saúde à distância, tanto para médicos, quanto para profissionais da área da saúde e pacientes monitorados em casa.

A telemedicina é a ferramenta usada para comunicar os dois lados, usando normalmente uma plataforma em nuvem online ou um software de comunicação em nuvem.

A telemedicina virou disciplina nas universidades com o objetivo principal de estudar essa ferramenta brilhante para acabar com qualquer tipo de barreira socioeconômica, cultural ou geográfica no quesito saúde.

A razão é simples: quanto mais disseminada ela for, maiores serão as informações e serviços na área de saúde chegando a comunidades ou bairros carentes, centros urbanos independentes e assim por diante.

A telessaúde é praticada principalmente em instituições como hospitais e clínicas que buscam outras organizações de referência antes da conclusão de um procedimento médico, visando à troca ou a consulta de informações.

A telemedicina também é aplicada no sentido de possibilitar que médicos que trabalham em locais remotos, possam buscar uma ‘segunda opinião do especialista’’ antes de tomar uma conduta, como indicar uma cirurgia, medicação ou realizar um exame mais complexo.

Essa segunda opinião também pode ser importante para a assistência de indivíduos com doenças crônicas; acompanhamento de gestações de risco; avaliação da condição de idosos e até mesmo assistência voltada para o paciente sem que ele precise sair de sua casa.

Acredita-se que a telemedicina seja o setor que irá revolucionar a atuação dos profissionais médicos, uma vez que, se bem implantada, ela possibilitará a integração de serviços médicos locais em pequenas comunidades com centros e hospitais de referência.

A telemedicina também se destaca uma vez que se torna eficaz desde a prevenção, passando pelo diagnóstico e tratamento, até o acompanhamento do paciente sem que uma visita pessoal seja necessária.

Presente nas maiores universidades do país e de toda a América Latina, a telemedicina virou disciplina oficial e obrigatória na grade de futuros formandos em Medicina e em outros cursos na área de saúde, reforçando a sua importância em todo o Brasil.

Depois que a  telemedicina virou disciplina, ela passou a ser uma das áreas mais estudadas em teses de mestrado e doutorado, já que muitos são os esforços acadêmicos para tornar a matéria cada vez mais reconhecida em âmbito global.

A disciplina, em ampla expansão, promete revolucionar o setor da saúde mundial dentro de poucos anos, afinal, os futuros formandos em medicina já estão se familiarizando com a temática.

O Conselho Brasileiro de Telemedicina

O Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde foi criado no ano de 2002 com a missão de possibilitar o compartilhamento de experiências e aprendizados sobre o segmento – seja entre comunidades científicas, universidades, entidades privadas, instituições públicas e assim por diante.

As 9 ações primordias do conselho de telemedicina:

1- Fortalecer a pesquisa e o ensino acadêmico na área de telemedicina.

2- Unir profissionais da área de saúde, médicos, organizações, hospitais, clínicas e demais entidades que tenham interesse nos avanços da telemedicina e telessaúde;

3- Estimular estudos científicos, pesquisas acadêmicas, cursos para a sociedade em geral e especialmente cursos de extensão e de pós-graduação para universitários ligados a saúde;

4- Analisar, estimular e definir propostas para criação de regras éticas, técnicas e especialistas que regularizem a atuação dos profissionais da saúde que usam a  telessaúde e telemedicina como ferramenta em todo o Brasil;

5- Realizar simpósios, conferências, congressos, jornadas, reuniões e outros, a fim de divulgar a temática e aproximar cada vez mais indivíduos que se interessem pela mesma;

6- Estimular o interesse de entidades públicas e instituições governamentais acerca da telemedicina e telessaúde;

7- Estabelecer parcerias com instituições estrangeiras que tenham interesse em representar os avanços da telessaúde e telemedicina brasileira mundo a fora;

8- Desenvolver ações em conjunto com órgãos ou entidades do governo (sejam eles nacionais ou internacionais) para promoção de melhorias na saúde (principalmente em comunidades carentes);

9- Estimular ações e atividades científicas voltadas ao estudo da telemedicina.

Como os médicos antigos enxergam a especialidade

A postura de profissionais da saúde que se formaram antes da era da Telesaúde é muito clássica, todos desconfiam e não aceitam em seu trabalho essa ferramenta fantástica.

O motivo principal é a falta de conhecimento sobre a especialidade e o pouco engajamento com a tecnologia. Partindo deste cenário, a solução para o problema foi encontrada quando a telemedicina virou disciplina nas universidades.

Com isso os novos profissionais terão outra postura no momento de utilizar a especialidade no seu trabalho, divulgarão com mais segurança os serviços disponibilizados e mais pessoas poderão usufruir dessa tecnologia.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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