Quais são as doenças mentais mais comuns e suas causas?

Por Dr. José Aldair Morsch, 28 de março de 2022
Doenças mentais

Nunca se falou tanto de doenças mentais quanto nos últimos meses e anos. 

Por um lado, isso é positivo, porque significa que estamos prestando mais atenção aos sintomas e incentivando que se busque auxílio médico quando necessário.

Na outra ponta, esse é um sinal de que a rotina da vida moderna vem acompanhada de diversos efeitos colaterais negativos, como estresse, cansaço, insônia e fadiga.

Esses sintomas ficaram ainda mais comuns nos últimos anos, com a crise de saúde pública causada pela pandemia de Covid-19.

Mas o que é doença mental e o que é reflexo de um dia a dia de muita sobrecarga e problemas?

Entender quando o sinal de alerta se acende é fundamental.

E este artigo vai ajudar você nesse sentido.

A partir de agora, explico quais são os transtornos da mente mais comuns e como eles se manifestam.

Você também vai descobrir como cuidar melhor da saúde física e emocional sem sair de casa, a partir da teleconsulta.

Continue a leitura!

O que são doenças mentais?

Doenças mentais, como o nome sugere, são transtornos da mente – condições com repercussões de onde psicológica ou psiquiátrica, com causas e sintomas variados.

No dia a dia, no entanto, nem sempre essa é uma definição clara.

É comum confundirmos ansiedade (emoção) com transtorno de ansiedade (distúrbio) e melancolia (sentimento) com depressão (doença).

Ouça o conteúdo deste artigo sobre doenças mentais no formato de podcast no youtube.

Mas as doenças mentais têm condições específicas que as caracterizam como patologias.

Elas são definidas como alterações na química cerebral que geram particularidades intelectuais, emocionais e/ou comportamentais.

Para serem consideradas transtornos psíquicos, os sintomas devem trazer impactos significativos na vida da pessoa, segundo a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS).

Alterações nas relações sociais, pessoais e profissionais são comuns nesses casos, o que afeta negativamente a qualidade de vida. 

É importante entender que todos nós temos pensamentos, percepções, emoções e comportamentos incômodos de vez em quando, mas isso não significa uma doença psiquiátrica.

Exatamente por conta dessa confusão, o diagnóstico de doenças mentais é difícil. 

Para ajudar a solucionar esse problema, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) criou o DSM 5 ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

O material oferece informações padronizadas sobre sintomas e comportamentos comuns em males psíquicos, auxiliando o trabalho de especialistas em saúde mental.

É um documento que funciona como guia para a atuação de profissionais de saúde e, dessa forma, qualifica a assistência ao paciente.

Como as doenças mentais são classificadas?

Segundo o DSM 5, existem mais de 300 tipos de transtornos mentais catalogados.

Eles são classificados em grupos, como:

  • Transtornos neurocognitivos: Parkinson, Alzheimer ou outras demências
  • Transtornos do neurodesenvolvimento: autismo, déficit de atenção (TDAH)
  • Transtornos psicóticos: esquizofrenia, transtorno delirante
  • Transtornos ansiosos: fobias, Síndrome do Pânico, ansiedade generalizada
  • Transtornos depressivos: depressão maior, distimia
  • Transtornos de personalidade: anti social, borderline, transtorno bipolar
  • Transtornos relacionados ao uso de psicoativos: como álcool, cigarro e drogas ilícitas
  • Transtornos do sono: insônia, hipersonolência, entre outros.

 

Quais as causas das doenças mentais?

Entre os principais fatores de risco para transtornos mentais, estão: 

  • Fatores ambientais: estilo de vida estressante, condições de trabalho impróprias, hábitos alimentares inadequados
  • Fatores sócio-culturais: contexto político e econômico, problemas financeiros, questões religiosas
  • Fatores genéticos: histórico de doenças mentais na família
  • Fatores químicos: desequilíbrios químicos no cérebro, como baixa concentração de serotonina.

Muito importante também é a forma como cada pessoa reforça a sua capacidade de gerir pensamentos e emoções.

Mesmo quando estão em situações de risco, quem faz acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico tende a desenvolver uma maior habilidade de lidar com problemas potencialmente causadores de doenças mentais.

Transtornos mentais

Fatores ambientais, sócio-culturais, genéticos e químicos estão entre as causas de doenças da mente

Doenças mentais mais comuns no Brasil

Um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health destacou os impactos da pandemia de coronavírus por aqui.

Também trouxe que mais de 60% da população brasileira declarou possuir algum tipo de transtorno mental.

Dentre eles, vou destacar os transtornos mais comuns no Brasil.

Confira:

Transtornos de Ansiedade

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 9,3% da população brasileira sofre de ansiedade.

O índice nos coloca como um dos países mais ansiosos no mundo.

Esse tipo de doença mental é caracterizado pela preocupação e antecipação excessivas dos possíveis perigos, de modo a interferir na vida pessoal e social da pessoa.

Entre os principais transtornos de ansiedade, cada um com sintomas específicos, estão: 

  • Fobias
  • Síndrome do Pânico
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

 

Fobia específica

Nesse caso, a pessoa sente uma aversão intensa e irracional a algo.

Pode ser um animal, eventos naturais, situações que envolvam sangue ou agulhas, andar de avião, elevador, locais fechados (claustrofobia), dirigir, dentre outras fobias.

Fobia social

Outro tipo de fobia é a aversão à interação social, que é quando a pessoa tende a temer uma possível crítica, julgamento ou alguma forma de ser ridicularizada.

Estar em um ambiente com muitas pessoas pode ser aterrorizante para a pessoa que sofre desse transtorno.

Segundo dados divulgados no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, cerca de 13% da população brasileira sofre desse tipo de ansiedade.

Síndrome do Pânico

Ocorre quando uma pessoa é exposta a situações de estresse muito intenso, provocando medo exacerbado e afetando a realização de atividades rotineiras.

Dentre os tipos de estresse que podem gerar essa síndrome, estão a submissão excessiva, abusos morais e sexuais, carga exagerada de atividades e frustrações.

Quando em crise, a pessoa apresenta sintomas como falta de ar, dores no peito e sensação de morte iminente, mesmo que não haja perigo aparente. 

Segundo dados da OMS, mais de 280 milhões de pessoas no mundo sofrem desse transtorno, que chega a atingir de 2 a 4% da população brasileira.

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Diferente dos demais tipos de ansiedade que citei acima, a TAG se caracteriza por uma preocupação persistente e intensa sobre as situações do dia a dia, mesmo que não haja motivo real para isso.

Essa preocupação incontrolável pode ocorrer várias vezes ao dia, afetando a execução de tarefas rotineiras, e podendo interferir também nos relacionamentos interpessoais

Até mesmo situações que geram certa ansiedade naturalmente, como a chegada de uma data importante, podem desencadear uma crise de ansiedade na pessoa com TAG.

Esse estado de alerta constante gera um cansaço mental muito grande, porque, mesmo com bastante esforço, ela não consegue se libertar desse padrão de pensamento.

Os principais sintomas do Transtorno de Ansiedade Generalizada são tremores, sensação de sufocamento, mãos suadas, dor no peito e aceleração dos batimentos cardíacos

Depressão

Uma tristeza persistente, insônia, perda de apetite, dores no corpo inexplicáveis, apatia e irritabilidade são alguns dos sintomas comuns em pessoas com quadros depressivos.

Segundo a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira vivencia a depressão.

Além disso, 61% declaram sentir alguns sintomas depressivos, segundo estudo publicado no The Lancet Regional.

A falta de interesse em atividades do dia a dia, o pessimismo e a desesperança com tudo são outros sintomas emocionais manifestados pela pessoa com depressão.

Doenças mentais incapacitantes para o trabalho

Os transtornos psiquiátricos podem interferir também na rotina profissional, tornando a pessoa afetada incapaz de exercer suas atividades por um período.

Essas doenças têm maior incidência em pessoas inseridas em ambientes de trabalho estressantes e de alta competitividade.

Podem ocorrer também a partir de episódios de assédio moral e sexual, pressão excessiva, jornadas extensas e atividades abusivas.

Dentre as doenças incapacitantes para o trabalho, estão:

  • Depressão
  • Síndrome de Burnout
  • Transtornos de ansiedade
  • Transtorno bipolar
  • Transtorno de personalidade antissocial
  • Esquizofrenia
  • Transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas.

Para evitar e tratar as doenças que têm origem no contexto do trabalho, é fundamental a ajuda de um profissional de psicologia ocupacional.

Como diagnosticar doenças mentais

Ao identificar alguns dos sintomas citados acima, pode ser o momento de buscar um profissional especializado em saúde mental.

Vamos entender como o diagnóstico acontece?

Avaliação psiquiátrica

A psiquiatria é uma especialidade médica focada na saúde mental.

Na consulta, seja presencialmente ou pela telepsiquiatria, o médico busca entender o que pode estar ocasionando os sintomas de doenças mentais.

Além da anamnese para conhecer o histórico do paciente, o psiquiatra pode solicitar a realização de exames e ainda fazer a prescrição de medicamentos, se necessário.

Abaixo, listo alguns exames que podem ser solicitados e quais os objetivos de cada um deles.

Exames de tireoide

A desregulação da tireoide pode ocasionar sintomas semelhantes aos da depressão, ansiedade, Alzheimer, dentre outras doenças mentais. 

Exames de imagem do crânio

Esses exames podem auxiliar no diagnóstico de causas orgânicas das alterações emocionais.

Isso ocorre a partir da identificação de tumores, infecções e doenças autoimunes que afetam o sistema nervoso central.

Exames hormonais

Além da tireoide, os hormônios também têm forte poder de influência no nosso estado emocional, sendo importante eliminar a possibilidade de desregulação hormonal. 

Doença mental

Para o diagnóstico de doenças mentais, buscar a avaliação de um profissional da área é fundamental

Como prevenir doenças mentais

Quando falamos de transtornos mentais, é comum focarmos muito nos tratamentos e pouco na prevenção.

Mas a abordagem preventiva é sempre um caminho inteligente.

Vou passar algumas dicas que podem ajudar a manter a saúde mental em dia.

Busque uma alimentação mais saudável

Alimentos ricos em vitaminas, minerais e gorduras saudáveis são fundamentais para o bom funcionamento do cérebro.

Pratique atividades físicas 

Manter o corpo em movimento ajuda a aliviar o estresse, ansiedade e a tensão muscular. 

A prática regular libera hormônios que proporcionam prazer constante, prevenindo quadros depressivos.

Realize consultas de rotina com especialistas em saúde mental

Você pode, inclusive, fazer isso sem sair de casa, em um atendimento psiquiátrico online ou também em uma teleconsulta com psicólogo.

Tenha uma boa noite de sono

Uma rotina de sono adequada previne a exaustão mental, recarrega as energias física e mental, além de colocar os pensamentos em ordem.

Medite

Desligue sua mente por um breve período a partir dessa técnica oriental milenar.

A meditação proporciona alívio do estresse e tensões do dia a dia, gerando maior equilíbrio emocional.

Telemedicina na atenção às doenças da mente

Como vimos, a consulta com psiquiatra ou psicólogo é muito importante para o cuidado com a saúde mental.

Com o avanço da telemedicina é possível fazer não só consultas remotas, como também receber telediagnósticos tão bons quanto os presenciais.

Da mesma forma que na consulta presencial, o psiquiatra oferece um tratamento personalizado, prescrevendo ou não medicamentos, conforme a necessidade do paciente.

Em muitos casos, esse modelo de atendimento torna o tratamento muito mais viável, já que, como vimos, diversas doenças mentais podem ser incapacitantes.

Pacientes que têm dificuldade de convívio social, grande mal-estar e medos exacerbados sentem muita dificuldade em sair de casa para frequentar consultórios.

Nesse sentido, a consulta médica por videoconferência é uma inovação que facilita bastante a prevenção e o tratamento de transtornos mentais.

Além disso, a marcação da consulta online oferece uma experiência bem melhor. 

Com apenas alguns cliques, o paciente consegue marcar seu atendimento, a qualquer hora do dia ou da noite.

E tudo isso sem precisar enfrentar longas filas de espera presenciais ou por telefone. 

Como a Morsch ajuda você a cuidar da saúde mental?

A Telemedicina Morsch é a maior plataforma de teleconsulta do Brasil. 

Nela, é possível encontrar profissionais altamente qualificados, marcar consultas facilmente e receber laudos à distância

Achou interessante e gostaria de marcar sua primeira consulta?

Basta seguir o passo a passo a seguir: 

  1. Acesse a página de agendamentos da Morsch
  2. Use o campo de buscas para selecionar a especialidade desejada e escolha o profissional de sua preferência
  3. Defina um horário de agendamento, ao lado da identificação do médico
  4. Você será redirecionado para uma página de login. Se não tiver cadastro, selecione “Criar conta”
  5. Preencha o formulário com informações de identificação e prossiga
  6. Crie uma senha e acesse o sistema
  7. Confirme o horário da teleconsulta e faça o pagamento
  8. Meia hora antes do atendimento, você vai receber o link de acesso à sala virtual via WhatsApp ou SMS.

 

Conclusão

Este texto trouxe informações valiosas sobre as doenças mentais, suas causas, sintomas e como tratar.

No entanto, ressalto que não é possível se basear apenas nessa leitura para identificar possíveis transtornos em você ou em familiares ou amigos.

Por isso, não hesite em procurar um médico especialista para obter o diagnóstico e, se for preciso, o tratamento correto.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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