Usando a telemedicina como uma central de laudos

Por Dr. José Aldair Morsch, 23 de maio de 2017
central de laudos

O crescimento da Telemedicina rompeu as fronteiras dos exames médicos e acabou criando uma central de laudos.

Seu alcance é tão amplo quanto o da web e da comunicação em geral; ou seja, atua qualquer parte do mundo.

Esta facilidade revoluciona a forma de atendimento médico a distância e transforma esta especialidade numa central de laudos médicos.

A ideia da Telemedicina é simples, atender o paciente à distância, com segurança e total sigilo profissional.

Sua primeira proposta foi servir de segunda opinião a respeito de laudos médicos e de exames, através de uma equipe altamente especializada e capaz de oferecer ao profissional e seu paciente um olhar mais aguçado sobre o assunto.

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Com o tempo se transformou numa ferramenta completa de atendimento ao paciente à distância.

História da Telemedicina

Há muitos conceitos que podem servir para definir a Telemedicina, mas o melhor e mais objetivo é o que fala sobre a medicina a distância.

A base da telemedicina é a telecomunicação, já que é através dela que os procedimentos são realizados.

O processo de telemedicina começou desde a descoberta da eletricidade, sendo beneficiada pela criação do telégrafo, depois da telefonia, até que chegou a era digital.

Em todas essas etapas, a medicina também esteve presente, como forma de fazer uma ligação entre médico e paciente, assim como troca de conhecimento.

Na Era Digital, o salto foi ainda maior, já que ela quebrou todas as fronteiras e distâncias, permitindo acesso a pessoas ao redor do mundo em questão de segundos, e cada vez com mais riqueza de detalhes, inclusive para realizar operações cirúrgicas a longa distância.

As primeiras referências concretas à Telemedicina datam do século XIX, onde era feita basicamente pelo correio.

Mas cientistas alegam que já havia Telemedicina quando aldeias comunicavam as outras sobre surtos de doenças, através de sinais de fumaça.

A Telemedicina começou a ganhar forma efetiva com a comercialização dos computadores e o início da rede de sistemas.

O início de seu progresso e desenvolvimento foi datado ainda nos anos 60 e 70, cujo marco foi a realização experimental de ligação do Hospital Geral de Massachusetts ao aeroporto de Boston, em 1967.

A troca de informações por videoconferência servia para fazer com que o Hospital pudesse encaminhar pacientes de emergência do o aeroporto, assim como prestar atendimento a algum paciente que estivesse em situação médica no local.

A Nasa e todos os sistemas militares do mundo foram os que mais desenvolveram a Telemedicina, e redefinindo dentro do novo perfil atual.

Mesmo sendo uma especialidade de muitos anos, ela vem se reinventando para usufruir da tecnologia e se adaptar às necessidades da humanidade atual.

Como todo processo tecnológico, a Telemedicina também participa da desigualdade social. Em lugares onde a comunicação é falha, praticamente não se sabe de sua existência e muito menos para que serve.

Mas em outros, onde há um processo evolutivo acelerado dos serviços tecnológicos, a Telemedicina é vital.

Nesse quadro estão a Groenlândia, país que depende completamente da Telemedicina, a Austrália, que é líder mundial em telepsicologia, e depois a Inglaterra, Alemanha, França, Escandinávia, Japão e Coréia.

A Extensão da Telemedicina como central de laudos

A Telemedicina se aplica desde uma ligação telefônica entre dois profissionais da medicina até o uso dos mais avançados recursos para chegar até um diagnóstico final.

A sua aplicação pode ser feita através de digitalizadores de imagens, sondas, palavra escrita ou falada e o uso de recursos de comunicação como e-mail, telefone fixo e celular, GSM, videoconferência, satélites e muitos outros.

Mas, naturalmente, pela facilidade e abrangência atual, a internet é a principal, mais rápida e mais barata via de comunicação.

Todos ganham com o uso contínuo e mais abrangente da Telemedicina. Os médicos podem trocar conhecimento e informação, falar com o seu paciente a qualquer distância e ter acesso ao seu laudo seja onde estiver.

O paciente pode ter atendimento médico mesmo sem contato físico, informações sobre seus laudos médicos e de exames, assim como sobre os procedimentos que deve tomar. E a comunidade pode usufruir de mais qualidade e rapidez no atendimento médico.

A invenção de aparelhos como o Raio X e o estetoscópio elétrico também ajudaram a fazer a Telemedicina mais eficiente. Os médicos começaram a avaliar exames a longa distância, para poderem mais rapidamente realizar um diagnóstico.

Esse procedimento foi estendido e melhor empregado nas guerras, em tripulantes de navios, prisões, cidades isoladas por algum problema natural e até mesmo os astronautas.

Naturalmente, pelos recursos da época o uso da Telemedicina era precário quando comparado à tecnologia atual. Ainda assim, ela foi muito utilizada e ajudou a salvar muitas vidas.

A Telemedicina hoje utiliza de todos os mais elaborados mecanismos para prestar o melhor atendimento. Está presente até nas ambulâncias; com o sistema de transmissão de ECG, o hospital pode prestar o atendimento emergencial ao paciente antes que ele chegue ao local.

Usa-se a Telerradiologia e a Telecardiologia para realizar exames de qualquer lugar do mundo, com análise dos melhores profissionais de centros de referência ligados ao médico e ao paciente.

Por se tratar de várias especialidades numa única plataforma, chamamos de central de laudos.

Apesar de todas as vantagens, a Telemedicina também possui suas desvantagens, como no caso da barreira ética, que surge da dificuldade em se manter níveis de responsabilidade no diagnóstico médico, de ter pouca informação e ainda assim emitir uma conclusão, em manter a privacidade e confidencialidade da consulta e ter o máximo de segurança possível sobre as informações ali empregadas.

Como o custo ainda é alto para a implantação de Telemedicina, os meios de comunicação precisam ser de qualidade, para que se possa realizar o atendimento de forma ampla e adequada. É preciso um acesso básico a tecnologia, o que nem sempre é possível para lugares mais afastados.

Esse tipo de relação pode ser mais fria entre médico e paciente, já que o acesso é por vias eletrônicas e não pessoais, como de praxe.

Aplicações da Telemedicina como central de laudos

O sistema atual de Telemedicina é dividido em quatro categorias:

  • A Teleconsulta: é a mais simples e usual, onde médico e paciente estabelecem uma comunicação direta através de telefone, videoconferência ou troca de e-mails ou mensagens instantâneas.
  • A Teleintervenção: onde o médico é capaz de fazer uma cirurgia à distância, através dos meios convencionais de comunicação e da robótica, que recebe todas as instruções fornecidas pelo cirurgião em tempo real.
  • A Telemonitoração: é quando o médico tem acesso a monitoração de um paciente, a partir de seus sinais vitais, incluindo alertas remotos. O paciente tem mais liberdade de ação e pode manter seus hábitos básicos.
  • A Teleformação: é um método usado para a formação de novos conceitos culturais a respeito da medicina. Inclui os profissionais de saúde e toda a população.

Os principais usos da Telemedicina como central de laudos são nas especialidades de cardiologia, psiquiatria, dermatologia, oncologia, oftalmologia, radiologia, enfermagem, nefrologia, patologia clínica, salvamento e primeiros socorros, investigação de saúde e educação.

A área administrativa médica também utiliza da Telemedicina para registrar o laudo dos pacientes e todo seu histórico médico, ter acesso às informações gerais e também tornar todos os processos de clínicas, consultórios e hospitais mais dinâmicos e eficientes.

Central de Laudos – Todas as especialidades num único lugar

Há dois tipos de laudos utilizados pela Telemedicina, a “Store and Forward” e a “Real Time”.

O paciente faz seu exame e ele é devidamente cadastrado em nuvem para que o médico, em qualquer lugar que esteja e que tenha acesso a internet, possa ver o resultado.

Esse cadastramento e o resultado também podem ser redirecionados a outros especialistas que fazem parte da plataforma escolhida, para que também emitam um diagnóstico detalhado sobre o paciente e o médico também tenha acesso a esse diagnóstico.

A “Store and Forward” é a tecnologia que armazena as informações do paciente e seu histórico à distância. É uma forma de utilizar os laudos do paciente quando não há urgência, e pode ajudar em atendimentos de Teleconsulta por telefone e e-mail.

A “Real Time” é uma tecnologia que permite a interatividade entre médico e paciente, através da visualização entre ambos. Embora cara, ela é o veículo de estreitamento para as longas distâncias, permitindo que haja até mesmo procedimentos remotos cirúrgicos.

As duas tecnologias são muito eficazes, mas nem sempre é possível utilizar seu máximo, em razão do preço e das condições técnicas dos locais.

Caso seja possível escolher apenas uma, deve-se avaliar a necessidade de uma interatividade mais elevada e real atendimento presencial, como no caso da Real Time, ou se a Stone Forward já é suficiente para atender corretamente.

Hospitais virtuais, sites especializados e softwares de Telemedicina disponibilizam não só o armazenamento e consulta do laudo do paciente, como também possuem especialistas no ramo desejado para emitir diagnósticos sobre exames usando a central de laudos.

Essas plataformas armazenam o perfil do paciente e aconselhamentos, como também dados sobre prevenção, novos procedimentos clínicos, normas, ética, casos clínicos e mais uma gama de informações que permitem ao médico um trabalho muito mais completo.

Para ilustrar esse processo, o paciente faz um exame de tomografia numa clínica especializada, e o seu resultado é direcionado a uma dessas plataformas onde há o laudo do paciente.

Com isso, o médico pode acessar o resultado desse exame, observando seus detalhes, e pode utilizar as informações para debater com outros especialistas sobre o diagnóstico correto.

Resumo sobre Telemedicina e central de laudos

A Telemedicina é uma especialização da medicina que remonta desde a antiguidade, ou seja, desde que se iniciou o processo de comunicação entre o médico e o paciente.

Sua formação atual começou a se definir ao fim dos anos 60, e foi cada vez mais ganhando forma e abrangendo ainda mais pessoas com sua agilidade.

Mesmo com a ainda precariedade dos sistemas de comunicação, a Telemedicina foi conquistando a confiança de todos, inclusive da comunidade.

Começou a abranger avaliações de exames clínicos através de especialistas ligados às plataformas, e a ser fonte de armazenamento dos dados do paciente pelo sistema de nuvem.

O médico tem acesso a Central de Laudos, onde visualiza o histórico do paciente e seus exames realizados.

Seu principal fundamento é a conquista de novos territórios, onde é possível algum tipo de comunicação.

Dessa forma, mesmo com a distância, todos possam ter acesso a medicina e a uma variedade de suas especialidades.

Os médicos também a utilizam entre si para trocar conhecimento e informações sobre casos clínicos e diagnósticos.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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