Paciente oncológico: o que cabe ao médico para qualificar o atendimento?

Por Dr. José Aldair Morsch, 24 de janeiro de 2022
Paciente oncológico

O paciente oncológico não é um paciente comum, afinal, o câncer é uma enfermidade singular.

Talvez por isso exista todo um estigma associado à doença, a qual, quando anunciada pelo paciente, provoca uma grande comoção.

Embora seja uma doença com características únicas, o câncer está longe de ser uma condição rara.

Por exemplo, de acordo com o Real Instituto de Oncologia e Hematologia, em 2020, foram registrados 522.212 novos casos, com 260 mil pessoas indo a óbito, perfazendo 49,7% do total.

Considerando a alta taxa de mortalidade, é dever de todo médico e profissional de saúde buscar não só o melhor tratamento.

Ele também deve oferecer apoio e suporte emocional.

Isso, claro, sempre respeitando a vontade do paciente.

Neste texto, vou indicar como pode ser feita uma abordagem profissional e compreensiva.

E já adianto que ela vai além dos protocolos convencionais ao tratar pacientes oncológicos.

Acompanhe o texto até o final!

Paciente oncológico e o papel do médico

O maior desafio para o paciente e para o médico oncologista em um tratamento é encontrar formas de levar uma vida com qualidade enquanto a doença é tratada.

Nesse sentido, vale mais uma abordagem simples, buscando aproximar-se da pessoa portadora de câncer para que ela sinta que não está só.

Afinal, uma parte do sucesso do tratamento pode ser creditada à postura do paciente ao enfrentar a situação e, para isso, é essencial uma atitude positiva.

9 ações de atenção ao paciente oncológico

Toda pessoa submetida à terapia (ou quimioterapia) precisa de máxima atenção.

Vale destacar que pacientes com câncer não devem ser tratados com condescendência, mas com respeito e empatia.

Ou seja, são pessoas que precisam de um suporte firme em que possam se apoiar ao longo da jornada de recuperação.

Sendo assim, destaco 9 tipos de abordagens e posturas esperadas para médicos e profissionais de saúde envolvidos no tratamento.

1. Acolhimento sempre

Já falei aqui anteriormente sobre acolhimento, um aspecto do atendimento fundamental para qualificar o serviço prestado pelo médico.

No caso dos pacientes oncológicos, acolher é sem dúvida uma parte indispensável dos cuidados com fins terapêuticos.

É preciso desconstruir a ideia de que o câncer é apenas uma doença celular.

Do contrário, não existiriam casos em que ela se revela uma enfermidade psicossomática.

2. Foco na qualidade de vida

O câncer tem diversos tipos e estágios e, muitas vezes, focar em aumentar a qualidade de vida durante o tratamento acaba ajudando bastante.

Dessa forma, médico, paciente e familiares devem buscar juntos meios para garantir que a pessoa enferma leve uma vida tão normal quanto for possível, considerando possíveis limitações.

Essa abordagem ajuda, inclusive, a acelerar a volta às rotinas diárias quando a doença entrar em remissão ou for considerada extinta, razão pela qual trabalhamos.

3. Comunicação clara

Como destaquei no primeiro ponto de atenção, a pessoa com câncer não deve ser tratada de forma excessivamente benevolente.

Ela não é alguém que tenha dificuldades em se comunicar, mas um ser humano que, como tal, precisa conhecer a verdade sobre os fatos.

Assim sendo, é dever do médico oferecer apoio, suporte e ajuda, mas sem deixar de observar a clareza e transparência sempre que se dirigir ao seu paciente.

4. Seja um bom ouvinte

Ouvir o paciente é parte da ação médica em qualquer situação, mas o atendimento a uma pessoa com câncer tem suas especificidades.

Em muitos casos, o paciente passa a ser confrontado com muitos dos seus medos, expectativas e aspirações, o que o faz repensar seu modo de ser, pensar e agir.

Naturalmente, alguém que se encontra nessa situação precisará muito mais falar do que ouvir.

Logo, o médico precisa estar preparado para escutar com atenção genuína tudo o que o paciente oncológico disser, opinando sempre que solicitado.

Paciente oncológico

Seja na consulta presencial ou online, paciente oncológico deve ser acolhido por toda a equipe médica

5. Saiba o que perguntar

Perguntar o que está incomodando o paciente abre espaço para ele falar e revelar sintomas de problemas relacionados à doença.

Essa é uma parte importante da anamnese, que vai ajudar a identificar possíveis hábitos e comportamentos que possam ter levado a desenvolver uma neoplasia.

Não se pode jamais esquecer que o câncer é uma das doenças mais complexas de se tratar.

Portanto, toda informação que venha do paciente é valiosa.

6. Identificar e atacar sintomas

O diálogo com o paciente é fundamental para identificar sintomas que prejudicam a qualidade de vida e que abram caminho para outras doenças.

É dever do médico perguntar, diagnosticar e tratar de todos os sintomas relacionados ao câncer.

Sempre considerando para isso os impactos de cada proposta de tratamento na qualidade de vida.

Em certos casos, por exemplo, o paciente é relutante em se alimentar por sondas, o que é perfeitamente compreensível. 

Cabe ao médico esclarecer sobre a importância dele estar bem nutrido, a fim de ter forças para enfrentar as fases mais duras do tratamento.

7. Indicação de métodos alternativos

Nem só de medicamentos pesados vivem as pessoas em tratamento contra o câncer.

Em certos casos, vale apostar em paralelo em métodos alternativos de baixo impacto, como a prática de exercícios (sempre assistidos por um profissional) ou mesmo acupuntura.

Como já destaquei, o foco deve ser não só no tratamento da doença, mas em oferecer ao paciente condições para que consiga manter uma vida tão próxima do normal quanto possível.

8. Conte com o suporte familiar

Não tenho dúvidas de que o apoio dos familiares representa chances maiores de sucesso no tratamento oncológico.

Quanto mais cuidados e ajuda o paciente receber dos seus entes queridos, mais acolhido e amado ele vai se sentir, o que exerce um poderoso e necessário efeito estimulante.

9. Tenha uma rede de apoio

O tratamento contra o câncer é, via de regra, multidisciplinar.

Nesse aspecto, um verdadeiro pool de profissionais deve estar alinhado com o médico, compartilhando a mesma empatia e cuidado com o paciente. Alguns desses especialistas são:

 

Como a Morsch pode ajudar você e o paciente

Médicos e profissionais de saúde precisam contar com todos os recursos disponíveis para tratar de pacientes oncológicos.

Afinal, como vimos, o tratamento demanda abordagem multidisciplinar.

Para isso, a plataforma de telemedicina da Morsch é a solução para oferecer consultas médicas, utilizando nossa base de mais de 300 especialistas. 

Use-a para conversar com outros profissionais, obtendo assim opiniões que vão ajudá-lo a oferecer o melhor para os seus pacientes.

Contamos com serviços de laudos à distância, comodato de equipamentos médicos, prontuário eletrônico e segunda opinião qualificada, além de teleconsulta e telemonitoramento.

São soluções que qualificam a atenção médica ao paciente oncológico e a própria atuação do profissional de saúde.

Conclusão

O tratamento contra o câncer não se resume à quimioterapia.

Para que ele seja completo, é fundamental que médico e paciente oncológico se comuniquem livremente e, para isso, a internet é uma aliada imprescindível.

A plataforma Morsch ajuda você, médico, a oferecer soluções para os seus pacientes na hora e no local em que ele estiver.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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