Ressonância magnética com contraste: como é feita, doenças e riscos

Por Dr. José Aldair Morsch, 9 de janeiro de 2019

A ressonância magnética com contraste é um importante instrumento de avaliação médica de órgãos e vasos sanguíneos.

Bastante moderno, esse exame melhora a qualidade das imagens obtidas de partes internas do corpo.

Mas o uso de meios de contraste ainda gera dúvidas e receio na comunidade médica e em pacientes, pois pode haver efeitos colaterais.

Neste artigo, você vai conhecer as principais indicações da RM contrastada, como é feita, além de informações sobre riscos e contraindicações.

Vamos começar pela definição do teste e contraste utilizado.

Boa leitura!

O que é ressonância magnética com contraste?

O que é ressonância magnética com contraste?

O que é ressonância magnética com contraste?

Ressonância magnética com contraste é um exame de diagnóstico por imagem que usa um campo magnético e uma substância para observar e realçar estruturas anatômicas.

Para explicar melhor, vamos desmembrar a ressonância (RM) do meio de contraste.

A ressonância magnética é o teste não invasivo que registra as imagens internas mais nítidas do organismo.

Como utiliza um campo magnético, e não radiação ionizante, a RM tem poucas contraindicações.

Nos próximos tópicos, vou detalhar esse assunto.

A ressonância magnética colhe imagens de alta resolução, favorecendo diagnósticos mais precisos, principalmente no caso de estruturas pequenas.

Como exemplo, podemos pensar em uma uma microcalcificação, que pode ser o início de um câncer de mama, por exemplo.

Nesse caso, uma RM das mamas pode mostrar a estrutura em detalhes, possibilitando a descoberta precoce e o tratamento mais efetivo.

Já o contraste é uma substância que confere destaque para determinadas partes durante o exame.

Para que serve o contraste na ressonância magnética?

Para que serve o contraste na ressonância magnética?

Para que serve o contraste na ressonância magnética?

Assim como em outros exames, o contraste serve para melhorar a qualidade das imagens, realçando estruturas anatômicas.

Se já observou as imagens obtidas por uma ressonância magnética, você deve ter reparado que, em geral, elas são escuras.

Em alguns casos, isso pode impactar no diagnóstico, prejudicando a diferenciação de órgãos, vasos sanguíneos e outras áreas.

Como resposta, o médico pede que a RM seja feita com o auxílio do contraste, a fim de afastar dúvidas.

Portanto, a administração de contraste aumenta a acurácia do exame.

Principais doenças investigadas pela ressonância magnética com contraste

Principais doenças investigadas pela ressonância magnética com contraste

Principais doenças investigadas pela ressonância magnética com contraste

A RM com contraste pode apoiar o diagnóstico de diversas patologias, com destaque para câncer, doenças neurológicas e nos vasos sanguíneos.

Tumores em partes moles do corpo, como órgãos, ganham destaque com o uso do contraste, e aparecem em evidência.

Outros males investigados pelo exame são:

  • Doença arterial coronariana, que atinge as artérias da região cardíaca
  • Isquemia
  • Acidente vascular cerebral (AVC) – danos às células cerebrais após a falta de oxigênio e nutrientes
  • Processos infecciosos, como a encefalite (inflamação do cérebro)
  • Doença de Alzheimer – mal degenerativo que compromete as funções cerebrais
  • Esclerose múltipla – patologia autoimune que ataca cérebro e medula espinhal
  • Aneurisma – região dilatada e enfraquecida numa artéria
  • Coágulos
  • Microcalcificações.

As imagens da RM contribuem de forma importante para a pesquisa clínica, assim como para a rotina cardiológica diária.

Na cardiologia, o exame é essencial na detecção de doenças nas veias e artérias, como na diminuição do fluxo sanguíneo (isquemia).

Quando a ressonância magnética estuda os vasos sanguíneos, pode ser chamada de angioressonância.

Esse teste é útil na avaliação de AVC, aneurisma, coágulos e outras anomalias.

Através do contraste, é possível observar não apenas malformações e obstruções nas veias e artérias, como também a direção e a velocidade com que o sangue circula.

Meio de contraste utilizado na ressonância magnética

A principal substância presente no contraste para RM é o gadolínio, um metal raro.

O gadolínio é reconhecido pela eficácia na identificação de lesões e tumores, além da baixa taxa de reações adversas.

Como funciona a ressonância magnética com uso do contraste?

Como funciona a ressonância magnética com uso do contraste?

Como funciona a ressonância magnética com uso do contraste?

Como citei acima, o exame emprega um campo magnético para gerar imagens de alta resolução de partes internas do corpo.

Podemos dizer que o aparelho de ressonância magnética gera um alinhamento em partículas (prótons) de átomos de hidrogênio.

Lembre que nosso organismo é feito por aproximadamente 70% de água.

Uma molécula de água tem dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, ou seja, o hidrogênio é o átomo mais comum no corpo humano.

O equipamento usado na RM reorganiza a maioria dos átomos de hidrogênio.

É a partir deles que a imagem será gerada, com o auxílio de ondas de rádio.

Quando o contraste é utilizado, ele altera o campo magnético do tecido examinado, que emite um sinal específico.

Áreas saudáveis emitem sinais diferentes de áreas afetadas por patologias.

Daí um dos motivos para a eficácia da ressonância na detecção de tumores e outras anomalias celulares.

Afinal, diferentes sinais formam diferentes imagens.

Como é feita a ressonância magnética com contraste

Como é feita a ressonância magnética com contraste

Como é feita a ressonância magnética com contraste

O exame contrastado exige jejum de pelo menos seis horas.

Antes de entrar na sala onde o teste será realizado, é preciso eliminar qualquer objeto metálico.

Isso porque o aparelho de ressonância magnética funciona como um grande ímã, tão poderoso que pode atrair até mesmo objetos em sua direção.

Por isso, normalmente, o paciente fica apenas com as roupas de baixo, e veste um avental fornecido pela clínica ou hospital.

Após os preparativos, ele deita sobre uma maca, que se move para dentro do equipamento.

É preciso que a pessoa permaneça parada durante o exame, pois qualquer movimento pode prejudicar as imagens.

O aparelho é ligado, gerando o campo magnético e colhendo os dados necessários para formar imagens sem contraste.

Em seguida, chega um ponto em que é preciso administrar o contraste para captar imagens mais nítidas.

Em geral, a substância é introduzida por via intravenosa e, assim que atinge a parte examinada, são registradas mais imagens.

Dessa forma, será possível comparar as imagens com e sem contraste, facilitando a identificação de anomalias.

Por fim, o equipamento de RM é desligado e o paciente é liberado para as suas atividades cotidianas.

O exame é indolor e não invasivo, e costuma durar entre 20 e 60 minutos, dependendo da região estudada.

Como é administrado o contraste da RM nos pacientes

O mais comum é que o contraste seja administrado por via intravenosa, ou seja, por meio de um vaso sanguíneo.

Mas existem outras possibilidades, dependendo do tipo de contraste e da recomendação médica.

Pode ser feita administração por via oral, no início ou em outros momentos do exame.

Formas menos comuns incluem a via endocavitária (através de orifícios naturais, como o reto) e a via intracavitária (através da parede da cavidade estudada).

Como saber se o paciente pode usar o contraste?

Como saber se o paciente pode usar o contraste?

Como saber se o paciente pode usar o contraste?

O contraste com gadolínio não costuma causar complicações.

No entanto, é preciso conhecer o histórico do paciente, que deve informar se possui alguma alergia a medicamentos, ou tem insuficiência renal.

Por isso, testes serão feitos antes da ressonância, e o médico pode recomendar a ingestão de antialérgicos para minimizar os efeitos do contraste.

Em caso de insuficiência renal, o exame é contraindicado.

Riscos da ressonância magnética com contraste

O exame de ressonância magnética praticamente não apresenta riscos.

No entanto, a utilização do contraste à base de gadolínio pode causar reações adversas em 2% a 4% dos pacientes.

Essa conclusão aparece em diferentes estudos, como no artigo Complicações do uso intravenoso de agentes de contraste à base de gadolínio para ressonância magnética.

Reações agudas, como laringoespasmo e choque anafilático, são raríssimas, mas causam grandes impactos à saúde, podendo ser fatais.

Laringoespasmo é a obstrução da glote, provocada pela contração na musculatura da laringe (parte interna do pescoço).

Choque anafilático é uma reação alérgica grave, que pode ocorrer se o paciente tiver alergia a um dos componentes do contraste, como o gadolínio.

A substância também é capaz de provocar complicações crônicas, principalmente em indivíduos com insuficiência renal.

Uma das mais perigosas é a fibrose nefrogênica sistêmica, doença progressiva que causa endurecimento da pele e fibrose (fibrose é o aumento de tecido conjuntivo numa área do corpo).

A eliminação do contraste, feita através da urina, pode, ainda, sobrecarregar os rins, piorando o estado de saúde de quem sofre com insuficiência renal.

Possíveis efeitos colaterais da ressonância magnética com contraste

Como vimos, riscos maiores são raros, mas outras reações podem incomodar os pacientes que se submetem à ressonância magnética com contraste.

Sensação de calor, dores de cabeça, urticária, gosto metálico na boca, náuseas e vômitos são as reações adversas mais comuns ao gadolínio.

Em geral, elas aparecem logo que a substância é administrada no organismo do paciente, e não representam grandes preocupações.

A maioria desaparece assim que o contraste é injetado, ou durante o exame.

Por quanto tempo o contraste permanece no organismo?

Por quanto tempo o contraste permanece no organismo?

Por quanto tempo o contraste permanece no organismo?

Após a ressonância magnética, a substância chega ao sistema urinário, sendo eliminada em até 24 horas.

O contraste à base de gadolínio é expelido pela urina do paciente.

Medidas de segurança médica na ressonância magnética com contraste

Para evitar complicações pelo uso de contraste, entidades médicas têm feito uma série de recomendações.

Uma das principais é a avaliação prévia e a administração somente da quantidade necessária de contraste para obtenção de imagens nítidas.

Nos Estados Unidos, a FDA, que regula o uso de medicamentos, contraindica a RM com contraste para pacientes com insuficiência renal.

O objetivo é prevenir que a doença seja agravada, além do desenvolvimento da fibrose nefrogênica sistêmica.

A ressonância magnética com contraste também não é indicada em gestantes.

Segundo este estudo recente, publicado no JAMA – Journal of the American Medical Association, o uso do gadolínio pode aumentar o risco de o feto desenvolver um raro problema de visão.

Por isso, mulheres grávidas não poderiam realizar a RM com contraste durante toda a gestação.

Outra medida de segurança envolve a restrição do contraste aos exames de ressonância magnética.

Em outras palavras, o gadolínio não deve substituir outros tipos de contraste, como o iodado, utilizados em radiografias e tomografias.

Apesar de apresentar chances menores de reações adversas, a substância não é natural do corpo humano, sendo tóxica quando não eliminada rapidamente.

Medidas antes do exame

Alguns tópicos acima, mencionei que, quando for preciso, pacientes alérgicos podem ser medicados para evitar reações ao contraste.

Outra complicação vem da estrutura do aparelho utilizado.

O equipamento de RM é composto por um grande tubo, no qual o paciente precisa permanecer imóvel durante o teste.

Isso não é problema para a maioria das pessoas, mas pode atrapalhar quando for uma criança ou um indivíduo claustrofóbico.

Por isso, esses pacientes costumam receber uma leve sedação antes de fazer a ressonância.

Dessa forma, conseguem se manter parados no decorrer da RM.

Caso contrário, as imagens poderiam ficar comprometidas, já que o exame é altamente sensível.

Situações que devem ser avisadas antes do exame de ressonância magnética

É portador de:

  • Marcapasso/válvula cardíaca
  • Aparelho de surdez
  • Implante de ouvido
  • Clipe de aneurisma cerebral
  • Fragmentos metálicos como pinos, placas, parafusos, estilhaços
  • Prótese dentária
  • Lentes de contato
  • Piercing
  • Prótese peniana
  • Tatuagem ou maquiagem definitiva
  • Insuficiência renal crônica
  • Faz diálise
  • Hipertensão
  • Diabético
  • Uso de medicações
  • Alergias
  • Gravidez
  • Amamentando
  • Trabalhou em indústria de metais com produção de serragem ou farpas

Modelo de termo de consentimento da RM

Na figura abaixo deixo um modelo de consentimento informado que o paciente deve preencher e assinar antes do exame de ressonância.

Termo de consentimento informado

Termo de consentimento informado para ser preenchido e assinado

Telemedicina na emissão de laudos a distância na Ressonância Magnética com contraste

Telemedicina na emissão de laudos a distância na Ressonância Magnética com contraste

Assim como a realização do teste, laudar uma ressonância magnética com contraste não é uma tarefa simples.

É preciso tempo, anos de estudo e dedicação para compreender o funcionamento do exame e a anatomia da área estudada.

Além disso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) exige que a RM seja laudada por um médico especialista.

O problema é que muitas regiões brasileiras são carentes de mão de obra especializada.

A situação se agrava com o alto custo da manutenção de um time de especialistas.

Esse é um dos motivos pelos quais clínicas e hospitais têm contratado serviços de laudos à distância.

Fornecidos por empresas de telemedicina, eles são uma opção acessível para oferecer laudos confiáveis com agilidade.

Graças à telerradiologia, regulamentada pelo CFM, é possível transmitir os resultados da RM contrastada e encomendar o documento facilmente.

O processo é simples.

Depois de realizar a ressonância, o médico ou técnico em radiologia envia os dados a um computador que possui software específico.

As informações são transformadas em imagem e compartilhadas via plataforma de telemedicina.

Em seguida, especialistas acessam os dados do exame e avaliam as imagens à luz da suspeita clínica e histórico do paciente.

Então, registram suas considerações no laudo médico, disponibilizado online assim que fica pronto.

O documento é assinado digitalmente.

Com login e senha na plataforma, profissionais da unidade de saúde podem acessar os resultados, de qualquer lugar do Brasil.

Essas informações também ficam armazenadas em nuvem, poupando espaço físico e evitando que os arquivos sejam perdidos.

Conclusão

Ressonância magnética com contraste: como é feita, doenças e riscos

Neste artigo, você conferiu as principais características da ressonância magnética com contraste.

Fica evidente que esse exame deve ser laudado por especialistas capacitados, seja in loco ou à distância.

Permita que a Telemedicina Morsch garanta laudos para sua clínica ou hospital, fornecendo documentos online com qualidade.

Você vai contar, ainda, com uma segunda opinião qualificada para auxiliar nas dúvidas da sua equipe.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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