Esclerose múltipla: entenda as causas, sintomas e tratamento

Por Dr. José Aldair Morsch, 16 de março de 2026
Esclerose múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune que compromete o sistema nervoso central, atingindo principalmente cérebro, medula espinhal e nervos ópticos.

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem com a patologia no mundo.

Isso representa 1 a cada 3.000 pessoas. Além do mais, um indivíduo recebe o diagnóstico de EM a cada 5 minutos. 

Mas afinal, o que é esclerose múltipla exatamente? Como seus sintomas se manifestam? Quais os meios de combatê-la? Ela tem cura? É possível preveni-la?

Continue lendo para tirar todas as suas dúvidas sobre a doença.

O que é esclerose múltipla?

Esclerose múltipla é uma doença que ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, uma estrutura do próprio organismo.

Trata-se de uma espécie de proteção que reveste os neurônios e que, quando é danificada, acaba destruindo ou prejudicando severamente os nervos.

Como resultado, a comunicação entre cérebro e o restante do corpo é comprometida, gerando sintomas variáveis, que mudam conforme o volume e os tipos de nervos afetados. 

Os alvos mais comuns desta condição, chamada de desmielinização, incluem o tronco cerebral, a medula espinhal e os nervos ópticos.

Já os sintomas da EM incluem tremores, fraqueza muscular, fadiga excessiva e perda do controle dos movimentos e da fala

A principal faixa etária sujeita à esclerose múltipla é a de adultos jovens, dos 20 aos 50 anos, com pico aos 30 anos, de acordo com protocolo divulgado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC).

Importante ressaltar que a EM não é contagiosa, não pode ser prevenida e não consiste em uma doença mental

Tipos de esclerose múltipla

Ao todo, existem quatro tipos de esclerose múltipla. São eles:

Esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR)

Essa é a manifestação mais comum da doença, responsável por mais de 80% dos casos.

Tende a ocorrer nos primeiros anos do primeiro diagnóstico de EM, e os pacientes geralmente se recuperam sem sequelas. 

Contudo, cerca de metade das pessoas com EMRR desenvolvem o segundo tipo de esclerose (descrito abaixo) em um período de 10 anos.

Esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP)

Quem sofre com EMSP não se recupera totalmente das crises, passando a acumular sequelas com o passar dos anos

É comum que ocorram problemas para andar, perda visual definitiva e outras condições incapacitantes.

Esclerose múltipla primária progressiva (EMPP)

Neste caso, as crises são seguidas umas das outras e vão apresentando pioras gradativas, agravando a incapacidade neurológica progressivamente.

Costuma ter início tardio, após os 40 anos, e velocidade de progressão variável.

Esclerose múltipla progressiva com surtos (EMPS)

A EMPS é semelhante à EMPP, mas ocorre de maneira mais agressiva.

Ou seja, os surtos vão comprometendo as estruturas do cérebro rapidamente.

O que causa esclerose múltipla?

A resposta autoimune de desmielinização ocorre por uma falha no sistema imunológico.

Responsável pelo combate de infecções, as células de defesa agem de maneira equivocada e passam a reconhecer a mielina como uma ameaça, o que leva ao seu ataque.

Apesar de ser um processo já conhecido, a esclerose múltipla tem causas incertas, mas é consenso entre os especialistas que alguns fatores estão diretamente associados à sua ocorrência. 

São eles:

Fatores genéticos

Há pessoas com predisposição para a doença

Além disso, 15% dos pacientes têm parente próximo e 5%, um irmão com EM, segundo dados publicados no UOL.

Fatores ambientais

Baixos índices de vitamina D contribuem para o surgimento da EM, e isso faz com que locais com menor incidência de sol tenham mais casos da doença. 

A exposição à fumaça do cigarro também favorece o desenvolvimento da doença.

Fatores alimentares

Ainda que não seja um consenso entre a comunidade científica, existem sinais de que dietas pobres em ômega 3 e com alto teor de sódio contribuem para o surgimento da EM.

Fatores desencadeantes

Quando interagem entre si, os fatores descritos acima contribuem para que a esclerose múltipla se manifeste no paciente, mas ainda é preciso que exista um fator desencadeante.

Segundo a comunidade científica, a primeira resposta imunológica que leva à desmielinização pode ser gerada pela infecção de um vírus ou bactéria

Ou seja, a doença é “ativada” quando as células de defesa começam a combater um invasor.

Quando isso ocorre, o sistema imune primeiro ataca o agente infeccioso normalmente, mas com o passar do tempo, o alvo deixa de ser ele e passa a ser a mielina. 

Isso acontece como uma resposta hiperativa das defesas imunológicas, identificando a mielina como um elemento externo e combatendo-o. 

O mais comum é que o agente desencadeante (trigger) seja viral. 

Os vírus mais relacionados a esse processo são o citomegalovírus e o Epstein-Barr.

Quais são os sintomas da esclerose múltipla?

Os sintomas da esclerose múltipla são muitos e podem variar de acordo com a área afetada do sistema nervoso central. 

Os sinais podem aparecer e desaparecer por certos períodos e depois apresentar quadros de piora, de acordo com sua manifestação. 

Abaixo, apresento alguns dos sintomas e consequências clássicas da doença.

Fadiga excessiva

Trata-se de um dos sintomas mais comuns da EM. 

O paciente sente um cansaço excessivo e que não corresponde à atividade que está realizando. 

Essa fadiga tende a ser intensa e incapacitante em certos momentos, principalmente quando a pessoa realiza algum tipo de esforço ou é exposta ao calor.

Alterações visuais

No campo visual, os pacientes podem inicialmente apresentar visão dupla ou embaçada

Com a progressão da esclerose, pode ocorrer perda permanente da visão. 

Transtornos fonoaudiológicos

Problemas na fala e na deglutição também são comuns, seja no início da EM ou com o passar dos anos. 

O paciente pode ter a voz trêmula, palavras arrastadas, pronúncia hesitante e dificuldade para engolir. 

Espasticidade

A espasticidade diz respeito à rigidez de um membro, que normalmente atinge os membros inferiores. 

Ela ocorre quando o paciente se movimenta e é acompanhada de parestesia, que afeta o senso tátil. 

A parestesia surge como uma sensação de formigamento, queimação ou mesmo de forma dolorosa.

Tipos de esclerose múltipla

A comunicação entre cérebro e o restante do corpo é comprometida, gerando sintomas variáveis

Coordenação e equilíbrio comprometidos

Em pessoas com EM, o corpo apresenta fraqueza geral, debilidade nas pernas, situações de náuseas e vertigem, falta de coordenação, tremores, perda de equilíbrio e instabilidade para caminhar.

Disfunções cognitivas

Em qualquer fase da doença, e independentemente dos sintomas físicos, pode ocorrer comprometimento das funções cognitivas, como aquelas ligadas à execução de tarefas ou à memória. 

Problemas sexuais

Nos homens, a EM pode causar disfunção erétil

Já nas mulheres, há diminuição na lubrificação vaginal. 

Além disso, a EM afeta a sensibilidade do períneo, comprometendo o desempenho sexual.

Transtornos emocionais

É bastante comum que a esclerose múltipla inclua sintomas emocionais, como ansiedade, depressão, irritação e alterações de humor.

Como diagnosticar a esclerose múltipla?

Sempre que algum sintoma for identificado ou que exista suspeita de EM, o paciente deve marcar uma consulta médica para verificar seu quadro de saúde. 

A doença tem diagnóstico clínico, baseado no histórico do paciente e na análise dos sinais relatados

O médico responsável por essa avaliação é o neurologista, que também deve fazer a solicitação de exames de sangue para descartar a hipótese de outras doenças. 

Outros procedimentos também são importantes para confirmar o diagnóstico, como os exames de imagem

É o caso da ressonância magnética, que permite verificar a degradação da mielina

Em algumas situações, ainda pode-se realizar a análise do líquido cefalorraquidiano, que aponta anormalidades nos anticorpos. O líquido é extraído através de punção lombar.

Há ainda a possibilidade de realizar o estudo dos potenciais evocados, que registra os sinais elétricos dos nervos e serve para determinar a resposta deles a certos estímulos. 

Como a incapacidade progride na esclerose múltipla?

A esclerose múltipla faz com que as células imunes atuem de maneira invertida, passando a atacar o organismo ao invés de protegê-lo.

Em síntese, isso gera inflamações que prejudicam a bainha de mielina, que reveste e protege os neurônios responsáveis pela condução dos impulsos elétricos do sistema nervoso central para o corpo. 

Com a mielina afetada, as funções coordenadas pelo cérebro, medula espinhal, tronco encefálico e cerebelo são prejudicadas. 

Nos estágios iniciais, isso faz alguns sintomas comuns da doença surgirem, como alterações na sensibilidade, visão e força dos membros e no equilíbrio. 

A partir desse ponto, o paciente começa a ter seu cotidiano afetado, com menor capacidade de mobilidade e locomoção. 

Sempre que um novo sintoma neurológico surge, ou que um sintoma já existente piora, um surto de desmielinização ocorre. Sua duração mínima é de 24 horas. 

O quadro apresentado em cada surto pode variar bastante e ser caracterizado por mais de um sintoma. 

Para que um novo surto seja considerado, é preciso que exista um intervalo de 30 dias. Em períodos menores, caracteriza-se um sintoma do mesmo surto em andamento.

Após a ocorrência dos surtos de desmielinização, o paciente pode ter recuperação total ou parcial do processo inflamatório. 

Os sintomas podem piorar significativamente se o paciente tiver febre, for exposto a infecções, ao calor, frio intenso, fadiga, desidratação, estresse ou variações hormonais. 

A depender do tipo de EM, as consequências podem piorar e se acumular ao longo dos surtos

Além disso, pacientes que se recuperam totalmente da EMRR podem apresentar quadros progressivos após cerca de 10 anos.

Qual o tratamento para a esclerose múltipla?

A esclerose múltipla possui tratamento focado no controle de seu agravamento e no impedimento de sua evolução.

As medidas adotadas variam de acordo com o tipo da doença e com o quadro do paciente, sendo que toda intervenção deve ser personalizada. 

De maneira geral, o combate da patologia é feito por meio de remédios para esclerose múltipla. 

Os mais comuns são: 

  • Medicamentos para controlar o sistema imune, que dificultam o ataque das células de defesa na mielina e previnem novas crises
  • Corticoides, que agem inibindo a ação imunológica, sendo normalmente utilizados para amenizar sintomas por um curto período. Eles podem ser orais ou injetáveis. 

Vale ressaltar que o paciente deve ser acompanhado por toda a vida por um neurologista. 

Somente o especialista pode determinar o tipo de tratamento ideal para cada paciente, e a automedicação jamais deve ser considerada. 

Em certos casos, os pacientes se queixam do excesso de dor de cabeça gerado pelos medicamentos. 

Isso pode exigir mudanças nas intervenções, o que só reforça a importância de um acompanhamento médico contínuo e regrado. 

Esclerose múltipla tem cura?

A esclerose múltipla não tem cura, mas tem tratamento

As medidas terapêuticas são imprescindíveis para que o paciente tenha mais qualidade de vida e previna-se contra agravamentos e novas crises.

Vale ressaltar que, quanto mais cedo as intervenções começarem, melhor será a evolução e menores serão as consequências da doença na vida da pessoa. 

Além do acompanhamento médico e medicamentos, é direito do paciente receber recomendações de hábitos para evitar a evolução da EM e para controlar seus sintomas, tais como:

  • Praticar exercícios recomendados pelo neurologista
  • Ter bons hábitos de sono, dormindo pelo menos 8 horas por noite
  • Adotar medidas para reduzir e prevenir o estresse
  • Evitar a exposição ao calor e prezar por temperaturas amenas
  • Realizar fisioterapia para melhorar a mobilidade
  • Prezar por uma dieta equilibrada e rica em vitamina D.

Mais do que pensar em cura, portanto, é fundamental projetar a qualidade de vida, como explico a seguir.

Qual o impacto da esclerose múltipla na vida cotidiana?

A EM gera impacto físico, psicológico e social na vida dos pacientes.

Muitas vezes, eles precisam deixar o trabalho devido a incapacidades físicas e cognitivas, com destaque para a fadiga intensa.

A pesquisa “As Múltiplas Faces da Esclerose Múltipla”, realizada pela Revista Saúde e pelo Grupo Abril, revelou que 91% dos brasileiros com esclerose múltipla convivem com o cansaço extremo.

Algumas vezes, é possível fazer adaptações para que o indivíduo com EM continue trabalhando, mas o isolamento social é frequente.

Colegas de trabalho podem não compreender as limitações impostas pela doença, enquanto amigos e familiares podem se sentir incomodados pela falta de energia para atividades sociais, por exemplo.

Quadros com sintomas severos impedem a execução de atividades de rotina, como caminhar, se vestir ou manter a própria higiene, pedindo o auxílio permanente de um cuidador.

Além das alterações motoras e cognitivas, estados emocionais de depressão, medo e ansiedade podem comprometer a saúde mental, o que pede apoio psicológico constante.

Importância do suporte familiar e comunitário para pacientes com esclerose múltipla

Comentei, acima, sobre a necessidade de suporte para atividades diárias nas fases avançadas da esclerose múltipla.

Mas contar com pessoas próximas é fundamental desde o diagnóstico da doença, influenciando na percepção e na motivação para superar os desafios diários.

Tanto que o apoio de familiares e amigos foi o principal fator na busca por qualidade de vida para 43% dos participantes da pesquisa “As Múltiplas Faces da Esclerose Múltipla”.

Nesse cenário, manter uma comunicação aberta sobre os impactos da EM, com validação das emoções sentidas e trabalho em conjunto para encontrar soluções viáveis é fundamental para aumentar o bem-estar do paciente.

E para uma maior aceitação da doença e suas consequências por parte dos familiares e amigos.

Doença esclerose múltipla

Os sintomas da esclerose múltipla são diversos e podem variar de acordo com a área afetada

Qual médico trata esclerose múltipla?

O diagnóstico e tratamento da EM cabem ao neurologista.

Especializado em condições e doenças do sistema nervoso, esse médico identifica o tipo de esclerose múltipla e orienta o paciente a respeito do tratamento.

O acompanhamento é feito tanto de maneira presencial como por meio da teleconsulta e telemonitoramento, que viabilizam receber assistência médica sem sair de casa.

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Perguntas frequentes sobre esclerose múltipla

Abaixo, trago respostas rápidas para dúvidas comuns sobre a EM.

Siga acompanhando.

Como saber se tenho esclerose múltipla?

Somente um médico pode diagnosticar a EM, o que costuma ser feito na consulta com neurologista. Geralmente, os primeiros sintomas duram pelo menos 24 horas, e podem incluir visão dupla ou embaçada, fraqueza, fadiga intensa, perda da sensibilidade, formigamento ou dormência de pernas, braços ou tronco.

Quanto tempo vive uma pessoa com esclerose múltipla?

A EM não é uma doença terminal, portanto, pacientes têm uma expectativa de vida semelhante à da população geral. Inclusive, os tratamentos muitas vezes ajudam a levar uma rotina produtiva e satisfatória.

Como prevenir esclerose múltipla?

Não há consenso sobre a possibilidade de prevenir a doença. Contudo, alguns hábitos parecem diminuir o risco de agravamentos, como adotar uma dieta saudável, evitando itens ultraprocessados, leite e derivados, doces e outros carboidratos simples. 

Também vale incluir mais fontes de ômega 3 na alimentação, além de manter os níveis adequados de vitamina D, tomando sol regularmente e suplementando, quando indicado pelo médico. Outra dica é parar de fumar.

Como fica uma pessoa com esclerose múltipla?

O paciente pode sofrer com uma variedade de sintomas neurológicos, como visão embaçada, tremores, fraqueza muscular, fadiga excessiva e perda do controle dos movimentos e da fala. Sua intensidade e consequências dependem da fase e tipo de EM.

Como se pega esclerose múltipla?

A esclerose múltipla não é uma doença contagiosa e não é transmitida de pessoa para pessoa. Ela surge a partir de uma combinação entre fatores genéticos, ambientais, alimentares e desencadeantes.

Conclusão

Ao longo deste artigo, expliquei o que é esclerose múltipla, como ela afeta os pacientes, quais processos a desencadeiam e como são os seus tipos de manifestação.

Ainda que a doença não tenha cura, o diagnóstico precoce é fundamental para acelerar o tratamento, minimizar crises e efeitos debilitantes no sistema nervoso central, garantindo mais qualidade de vida.

Se você gostou de saber mais sobre esclerose múltipla e quer ficar por dentro de outros temas importantes, leia mais conteúdos de saúde e bem-estar aqui no blog.

 

Referências bibliográficas

https://abem.org.br/atlas-da-esclerose-multipla-3/

http://antigo-conitec.saude.gov.br/images/Relatorios/2022/20220203_Relatorio_680_PCDT_EMRR_final.pdf

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/07/28/esclerose-multipla-diagnostico-precoce-e-novos-remedios-ajudam-a-lidar.htm

https://saude.abril.com.br/medicina/pesquisa-mapeia-os-impactos-da-esclerose-multipla/

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin