IoT na Medicina: 9 Exemplos de como a Internet das Coisas avança na saúde

Por Dr. José Aldair Morsch, 29 de abril de 2019
IoT Medicina: 9 Exemplos de como a Internet das Coisas avança na saúde

São diversas as aplicações da IoT na medicina, com benefícios para pacientes, pesquisadores, unidades e profissionais de saúde.

Todos ganham a partir de um dos serviços possíveis graças aos avanços em Internet das Coisas – a coleta de dados de forma autônoma e contínua.

Embora a IoT na saúde combinada à saúde pareça parte de um futuro distante, ela já é realidade para hospitais, indústrias e empresas de tecnologia, que têm se unido para desenvolver dispositivos socialmente relevantes.

Falarei sobre as principais descobertas neste artigo, que preparei para quem deseja se atualizar sobre as inovações na medicina.

Se esse é o seu caso, continue a leitura até o final.

Solicite um orçamento

Além da IoT na medicina, IoS (inteligência artificial nos serviços) , você vai ficar por dentro de outras tecnologias cada vez mais acessíveis para consultórios e clínicas, como a telemedicina.

Vamos lá?

IoT Medicina: o que significa?

O termo IoT na medicina se refere ao uso da Internet das Coisas na área da saúde.

Para explicar melhor, vamos começar falando da IoT, abreviação de Internet of Things, que é a expressão original, em inglês.

Esse conceito descreve o universo de objetos conectados à internet e suas atribuições.

Como é de se imaginar, tudo começou com a invenção dos computadores que, no início, chegavam a ocupar uma sala inteira e não tinham uma interface amigável, sendo manipulados apenas por programadores.

Em 1984, a Apple deu um salto rumo à popularização dos computadores pessoais (personal computer ou PC), lançando o primeiro Macintosh, ou Mac.

Décadas mais tarde, o acesso à internet seria agregado a celulares, transformando-os em smartphones.

Desde então, pesquisadores e empresas de todo o mundo perceberam que a web poderia ser acessada por outros dispositivos inteligentes, levando ao conceito de IoT.

Atualmente, pequenas caixas de assistentes virtuais, como Cortana e Alexa, são representantes emblemáticas do potencial da Internet das Coisas.

Na medicina, wearables (dispositivos vestíveis) e equipamentos médicos conectados são alguns exemplos do uso de IoT para captar dados e otimizar a rotina de profissionais e pacientes.

Vantagens da Internet das Coisas na Medicina

Vantagens da IoT na Medicina

Vantagens da Internet das Coisas na Medicina

Contar com dispositivos conectados reúne várias vantagens.

Entre elas, destaco as seguintes:

  • Registro autônomo de informações
  • Monitoramento contínuo do paciente
  • Facilidade no compartilhamento de dados
  • Maior acesso às informações sobre saúde
  • Armazenamento automático na nuvem
  • Histórico médico mais completo, com apoio a diagnósticos assertivos
  • Empoderamento do paciente
  • Fortalecimento de ações preventivas e de autocuidado.

Desafios da Iot na Medicina

Desafios da Iot na Medicina

Desafios da Iot na Medicina

Um dos maiores desafios está na segurança dos dados, tanto durante sua transmissão quanto no armazenamento e compartilhamento.

Cabe lembrar que as informações sobre a saúde dos pacientes são sigilosas.

No Brasil, o sigilo médico-paciente está previsto no Código de Ética Médica.

No entanto, garantir sua proteção na internet exige uma série de medidas, começando por estabelecer limites, o que pode ser feito através de regulamentação.

Porém, a legislação está longe de acompanhar a velocidade dos progressos tecnológicos.

Por outro lado, a variedade de normas criadas por diferentes países para reger o uso de dados em saúde pode dificultar a globalização de inovações.

O desenvolvimento e integração de sistemas é outra barreira que impede a popularização da IoT na saúde, uma vez que é necessário que diferentes dispositivos sejam capazes de trocar informações entre si.

Os custos envolvidos na implantação e adoção da IoT na medicina também representam um desafio, mas ele deve ser superado após alguns anos.

Afinal, conforme uma solução tecnológica avança e se populariza, ela se torna mais barata.

Exemplos de IoT na medicina

Exemplos de IoT na medicina

Exemplos de IoT na medicina

As inovações em IoT na saúde vão muito além dos aplicativos em celulares e wearables, chegando a equipamentos médicos e outros produtos de saúde.

A seguir, vamos conhecer algumas dessas invenções da IoT medicina:

1. Registros digitais de exames

Atualmente, existem aparelhos digitais para exames de diagnóstico – como raio X, tomografia e eletrocardiograma -, capazes de gerar e armazenar dados digitalmente, eliminando o uso de papel.

Essa possibilidade preserva o meio ambiente, reduz a necessidade por espaço físico para arquivos e garante a conservação dos documentos, sem qualquer cuidado adicional como no manuseio de filmes radiográficos, que poderiam ser facilmente danificados.

Arquivadas digitalmente, as informações permitem maior simplicidade no compartilhamento, que pode ser feito via e-mail ou aplicativos de mensagens.

2. Marcapassos cardíacos com dispositivo IoT

Alguns aparelhos conectados podem ser implantados no paciente.

É o caso de marcapassos inteligentes, que facilitam o acompanhamento de milhares de pessoas nos Estados Unidos.

Assim como os wearables, esses dispositivos coletam, armazenam e enviam informações em tempo real sobre o sistema cardiovascular do paciente.

Dessa forma, o cardiologista e outros profissionais podem monitorar as condições de saúde do indivíduo à distância, intervindo quando necessário.

O próprio paciente também pode tomar decisões para melhorar sua qualidade de vida.

3. Monitoramento contínuo inteligente de glicose (CGM)

CGM é a sigla para Continuous Glucose Monitor, ou Monitor Contínuo de Glicose.

O primeiro dispositivo desse tipo foi aprovado pela FDA (agência que regula alimentos e drogas nos Estados Unidos) em 1999, mas ainda não era capaz de enviar dados a outro aparelho, como um smartphone, tablet ou Apple Watch.

Atualmente, os equipamentos que monitoram os níveis de glicose de diabéticos podem ser bastante úteis para essas pessoas, seus médicos e cuidadores, pois eles registram padrões e apontam anormalidades.

Os CGM permitem que o diabetes, doença crônica que precisa ser acompanhada diariamente, seja avaliado através de dados instantâneos e precisos.

4. Sensores ingeríveis

Pílulas do tamanho de suplementos vitamínicos podem substituir procedimentos invasivos, monitorar sinais vitais e até detectar precocemente o câncer colorretal.

Um exemplo é a PillCam COLON, criada por uma companhia israelense e aprovada em 2017 pela FDA como uma alternativa à colonoscopia.

A pílula capta e transmite imagens do trato gastrointestinal e do cólon.

Outra empresa, chamada Scripps Health, desenvolveu nanosensores que são ingeridos e vão para a corrente sanguínea, de onde enviam informações sobre o sistema cardiovascular.

5. Lentes de contato médicas inteligentes

Lentes de contato médicas inteligentes

Outra opção para medir o nível de açúcar no sangue são lentes que analisam o fluido das lágrimas.

Esse item seria lançado em 2020 pela farmacêutica suíça Novartis e o braço do Google voltado a produtos médicos, a Verity.

Entretanto, o projeto foi considerado inviável recentemente, pois não apresentou a eficácia esperada nas medições.

Simultaneamente, uma iniciativa parecida vem tomando forma.

Um dispositivo criado pela empresa holandesa Noviosense promete resultados promissores no acompanhamento dos níveis de glicose.

O aparelho é colocado na pálpebra inferior do paciente, de onde mede a glicose através das lágrimas.

6. Tecnologia digital em pacientes com depressão

Equipados com aplicativos e outros sistemas, wearables, como o Apple Watch, podem monitorar sintomas e comportamentos de pessoas com depressão.

Um estudo da farmacêutica Takeda utilizou o relógio inteligente para aplicar testes junto a pacientes diagnosticados com depressão leve a moderada.

As avaliações de humor e cognição tiveram mais de 90% de eficácia, enquanto avaliações diárias feitas a partir de questionários e outros dados corresponderam aos resultados de testes desenvolvidos na Universidade de Cambridge.

7. Instalação de leitos hospitalares inteligentes

Localizada em Toronto, Canadá, a Mackenzie Health implantou uma tecnologia diferenciada para auxiliar enfermeiros e outros profissionais na acomodação e segurança de pacientes com risco de queda de suas camas.

Os leitos inteligentes informam os profissionais sobre a melhor posição para acomodar o paciente, colaborando para que fique confortável e se recupere rapidamente.

Além disso, os leitos enviam mensagens caso não tenham sido reposicionados adequadamente após a alimentação ou higienização do paciente, por exemplo.

8. Monitoramento da evolução dos sintomas de Parkinson

Uma solução da IBM utiliza um raciocínio similar ao empregado para acompanhar pacientes com depressão, mas voltado à evolução dos sintomas de Parkinson.

Através de um dispositivo vestível, pacientes têm seus dados coletados enquanto realizam tarefas rotineiras e, em seguida, essas informações são analisadas por médicos e outros especialistas.

Esses profissionais podem, com base nas informações registradas, optar por tratamentos mais assertivos e que melhorem a qualidade de vida de quem sofre com a doença degenerativa.

9. Monitorando a higiene das mãos

Já existem sistemas que, acoplados a dispositivos conectados, avaliam se as mãos de profissionais de saúde estão sujas ou contaminadas.

Dessa forma, é possível evitar o agravo à saúde ou a transmissão de doenças a pacientes que se encontram em um estado vulnerável, internados ou em tratamento.

IoT nos hospitais

IoT nos hospitais

IoT nos hospitais

Uma série de dispositivos podem estar conectados à rede de Wi-Fi ou outras em um hospital, gerando grande quantidade de dados e permitindo o rastreamento de informações.

Profissionais, equipes e pacientes podem se beneficiar da IoT, tendo suas atividades e condições de saúde monitoradas.

No caso dos profissionais, seus níveis de estresse podem ser acompanhados, visando reduzir fatores como pressão e sobrecarga de trabalho, além de sugerir momentos propícios para a tomada de decisões importantes, aumentando a segurança dessas ações.

Já os pacientes podem ser monitorados através de equipamentos médicos que enviam mensagens à equipe de enfermagem ou especialistas de plantão quando necessário.

Isso é útil em todos os departamentos de um hospital.

No pronto-socorro, por exemplo, dados como tipo sanguíneo, histórico de saúde e idade do paciente servem para orientar quanto a possíveis diagnósticos e tratamentos.

A IoT na saúde também impacta positivamente na gestão, permitindo o rastreamento de medicamentos e outros produtos, que podem ser remanejados para evitar desperdícios.

Aparelhos com alta tecnologia podem ser analisados diariamente, a fim de que atividades de manutenção preventiva sejam realizadas no período correto, o que evita consertos e troca constante desses aparelhos.

IoT e Telemedicina

IoT e Telemedicina

IoT e Telemedicina

IoT e telemedicina nasceram do uso de tecnologias da informação e comunicação.

Utilizar a telemedicina como prestadora de serviços de interpretação de exames a distância é uma modalidade de IoS.

Ambas podem trabalhar em conjunto, potencializando os resultados para médicos, unidades de saúde e paciente.

Um exemplo é o compartilhamento de dados captados por aparelhos digitais durante exames de diagnóstico, realizado via plataforma de telemedicina.

Essas informações são agregadas automaticamente ao prontuário do paciente, e ficam disponíveis para a interpretação por parte de especialistas.

O processo viabiliza a emissão de laudos a distância com qualidade e eficiência.

Internet das Coisas no futuro da medicina

Internet das Coisas no futuro da medicina

Internet das Coisas no futuro da medicina

Avanços como a democratização da internet, aumento no número de pesquisas e interação de sistemas embasam a aplicação da IoT na medicina.

Com a adesão crescente em relação aos dispositivos conectados, seja nas casas, empresas ou estabelecimentos de saúde, a Internet das Coisas se torna uma grande tendência para a medicina do futuro.

As expectativas incluem novas tecnologias e o aprimoramento daquelas que já existem, como a evolução de sensores ingeríveis para que tenham abordagem terapêutica.

Assim, eles liberariam medicamentos direto na região a ser tratada, e monitorariam seus resultados.

Também podemos esperar um reforço na personalização dos tratamentos, levando em conta a análise de diversos dados do paciente.

Como citei no início deste artigo, o autocuidado e a crescente autonomia do paciente são esperados, devido à maior conscientização sobre seu estado de saúde.

Sobre a Telemedicina Morsch

Por meio de uma plataforma moderna e intuitiva, a Morsch registra e armazena informações transmitidas por dispositivos conectados, aproveitando o potencial da IoT para ampliar o portfólio e reduzir custos de parceiros.

Basta que clínicas e hospitais utilizem equipamentos digitais em seus exames de diagnóstico, que podem ser conduzidos por técnicos em radiologia ou enfermagem.

Em seguida, os dados são compartilhados na plataforma, que é acessada por especialistas qualificados, responsáveis pela interpretação dos registros.

Com o apoio das informações disponíveis no prontuário do paciente, os especialistas avaliam os exames e produzem o laudo a distância, assinado digitalmente.

Assim, resultados dos testes ficam prontos em até 30 minutos.

Pedidos urgentes são liberados em tempo real, apoiando a escolha do melhor tratamento mediante eventos adversos, como o infarto do miocárdio.

Caso não disponha de aparelhos digitais, seu estabelecimento pode contratar o aluguel em comodato, dispondo gratuitamente de dispositivos modernos ao contratar uma quantidade de laudos por mês.

Conclusão

Aprendemos, neste artigo, sobre as vantagens, desafios e exemplos da IoT na medicina.

Um dos principais benefícios disponíveis atualmente é a integração com a telemedicina, possibilitando a emissão de laudos médicos a distância.

Essa opção reduz custos com a contratação de especialistas e ainda agrega agilidade aos resultados de exames.

Permita que a Telemedicina Morsch seja sua parceira na modernização do seu negócio.

Entre em contato para saber mais, e teste grátis nossa plataforma.

Se este conteúdo foi relevante para você, compartilhe.

Referências Bibliográficas

Como a IoT está mudando os hospitais e o mercado de saúde. Instituto Information Management. Revista 81. Março 2017.

How IoT Is Changing The Science Of Medicine – Revista Forbes. Setembro 2018.

Internet of things in healthcare: applications, benefits, and challenges. Peerbits.

ZHANG, Leona. Applications of the Internet of Things in the Medical Industry (Part 1): Digital Hospitals. Junho 2014.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

COMPARTILHE

Entre em contato por WhatsApp
Enviar mensagem pelo WhatsApp