A Telemedicina e Telessaúde são vitais na reforma da saúde no Brasil

Por Dr. José Aldair Morsch, 17 de julho de 2017
telemedicina e Telessaúde

A Telemedicina e Telessaúde são vitais no aperfeiçoamento da saúde pública e privada em todo o Planeta.

Essas duas especialidades tomaram proporções globais e para isso devemos esclarecer as diferenças e suas implicações.

A Telemedicina e Telessaúde originadas no uso da Tecnologia

Quem viveu a década de 90 no Brasil, quando a informática começou a se transformar em realidade dentro do ambiente corporativo, a tecnologia da informação começou a se expandir até as empresas médias e pequenas, e os softwares de gestão ganharam versões mais sofisticadas, você deve se lembrar dos rumores que assombravam as pessoas, o desemprego.

Naquela ocasião, o maior temor era de que a informatização das empresas traria como consequência o fechamento de postos de trabalho, gerando uma crise de desemprego.

A verdade é que a tecnologia da informação prosperou, os equipamentos evoluíram, a internet surgiu e se popularizou, veio a tecnologia digital e novas soluções dia após dia e, no início da década atual, o Brasil vivia um quadro de plena geração de empregos.

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Essa introdução se torna importante na medida em que a abordagem do tema se inicia pelos obstáculos que se colocam no caminho da evolução tecnológica. Apesar da resistência inclusive por parte dos médicos, a Telemedicina e Telessaúde iniciaram um movimento revolucionário na atenção á saúde em todo o Planeta. 

A experiência humana comprova que as novas tecnologias são degraus oferecidos à sociedade, em suas diversas manifestações, para a conquista de novos espaços e benefícios.

Ainda que algumas forças prefiram a disputa de uma competição de cabo de guerra é o tempo que mostrará, como no caso superficialmente descrito acima, os caminhos a serem seguidos.

Nem toda novidade é solução, mas nada se conclui sem uma avaliação criteriosa. Será que já podemos admitir que neste ano de 2017 em que reescrevo este artigo, essas especialidades realmente fazem parte de nossas vidas?

Qual a diferença entre Telemedicina e Telesaúde?

Primeiramente, é preciso tentar estabelecer uma linha que separe os conceitos de Telemedicina e Telessaúde, e saiba que isso é realmente possível, pois são especialidades muito diferentes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a Telemedicina se caracteriza por atendimento remoto para clientes que realizam exames médicos e não tem especialistas para fornecer os laudos médicos á partir desses exames.

Uma situação em que os fatores tempo e distância são críticos, razão pela qual a solução é a combinação de profissionais de saúde com tecnologias de comunicação e informação.

Essa definição é interessante porque praticamente define, também, o que é Telessaúde. Dentro da esfera governamental, por exemplo, os programas públicos de Telessaúde têm como principal finalidade a prestação de serviço médico à distância a populações isoladas.

Nesse caso, a distância também é um fator crítico, assim como o tempo, uma vez que um atendimento presencial demandaria longos deslocamentos tanto por parte do paciente quanto pelo profissional de saúde. 

Quando falamos em atendimento ao paciente, com rotinas de consulta, monitorização, prescrição eletrônica, uso de aplicativos móveis, prontuários em nuvem e reabilitação, tudo isso está dentro da Telessaúde.

Quando falamos em exames e laudos médicos, estamos tratando da Telemedicina como exclusiva para isso, com estrutura própria e com suas diretrizes exclusivas.

A Telemedicina e Telessaúde segundo o Conselho Federal de Medicina

Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina adota uma linha diferente, tirando do núcleo da abordagem os fatores “tempo” e “distância”, para colocar “metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados”.

Na Telessaúde, sai de cena a variável “emergencial” para dar lugar, na ótica do CFM, à educação e à pesquisa.

Numa terceira linha, há quem restrinja a Telemedicina ao processo que envolve o diagnóstico, esteja ou não presente o caráter emergencial.

Pode-se dizer, então, que a Telemedicina é a tecnologia a serviço do diagnóstico, combinando TI, telecomunicações e tecnologia digital, de modo a gerar melhores resultados que digam respeito à precisão, agilidade e menor custo para o paciente e para os profissionais de saúde;

já a Telessaúde é o conjunto de serviços usando das diversas tecnologias disponíveis para superar a distância, com atendimento integral ao paciente por equipes multidisciplinares.

O mais importante é observar que há conceitos que devem ser superados, enquanto outros devem ser reforçados, para que essa nova disciplina possa ser explorada em todas as suas possibilidades.

Os obstáculos para a Telemedicina e Telesaúde

Primeiramente, a definição da OMS não traz em si qualquer equívoco. Ela está impregnada das primeiras experiências de vulto em Telessaúde, como o sistema com base em videoconferência que ligou o Massachusetts General Hospital ao aeroporto internacional de Boston para atendimentos de emergência à distância.

A demanda inicial consistia, realmente, em encurtar distâncias através da tecnologia e tornar possível o atendimento por parte de um profissional a um paciente que estivesse distante.

Do ponto de vista do desenvolvimento da Telemedicina e Telessaúde, o conceito expresso na definição da OMS do que é Telemedicina é limitador, no sentido que estabelece um escopo bem definido para a aplicação e para o alcance daquelas disciplinas no âmbito dos exames com laudo a distância.

A própria legislação está impregnada por essa visão, que impõe limites às iniciativas voltadas para a Telemedicina e Telessaúde. O Código de Ética Médica, de 8 de janeiro de 1988, diz, por exemplo, em seu Artigo 62, que é proibido ao profissional da medicina indicar tratamento ou qualquer outro tipo de procedimento sem a realização de exame, com exceção em situações de urgência ou que não seja possível realizar qualquer exame.

Algumas questões devem ser colocadas, sem que se busque aqui uma resposta definitiva. A primeira é que, se em alguns casos o diagnóstico com laudo a distância é considerado válido partindo da premissa que, igualmente, é uma vida que pode estar em jogo, significa que há como fazê-lo de forma segura.

A questão é estabelecer até que ponto é seguro e até que ponto as circunstâncias ditam a solução.

Uma oportunidade real para a humanidade

A grande questão é que existe uma oportunidade real de aprimoramento dos serviços de saúde através da Telemedicina e  Telessaúde.

Dentro da esfera pública existem projetos como o “Telessaúde na Escola”, criado em 2011, desenvolvido pelo Laboratório de Telessaúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e tantas outras iniciativas no ramo educacional.

Os projetos orientados para o ensino da medicina, os programas de videoconferências e as plataformas digitais de Telemedicina em nuvem são provas inequívocas de que essas disciplinas superaram as expectativas e foram muito além de atender a demandas emergenciais ou contingenciais.

Possuem atributos capazes de mudar a forma como a sociedade lida com a medicina, sem negligenciar a demanda por segurança, mas sem abrir mão, por outro lado, de pesquisar, experimentar e explorar ao máximo soluções que atendam ao setor público e ao setor privado.

A Telemedicina Morsch como empresa prestadora de serviços

Plataformas digitais de Telemedicina, como a Telemedicina Morsch, uma iniciativa privada, são prova de que há outros fatores em jogo. Estes têm “tempo” e “distância” não como condicionantes, mas como obstáculos a serem transpostos no sentido de gerar maior valor para os pacientes e diferenciais competitivos. Isso, claro, no âmbito da iniciativa privada.

O serviço oferecido inclui equipar profissionais e estabelecimentos de saúde com equipamentos leves e de alta performance para a realização de exames, transmissão remota do exame digitalizado para a plataforma, análise feita por especialistas e entrega dos laudos médicos. Tudo isso pode ser feito em questão de minutos, rapidamente disponibilizando informações para os profissionais autorizados.

O custo por trás da Tecnologia da Telemedicina e Telessaúde

É claro que, em se tratando de tecnologia, o custo financeiro não é tão palatável. É preciso, no entanto, avaliar os benefícios, sobretudo quando se leva em alta conta a qualidade dos serviços prestados à população.

A criação do ambiente virtual para as especialidades é sem dúvida de alto custo, pois envolve desenvolvimento, servidores dedicados, especialistas, funcionários altamente capacitados para um suporte efetivo, médicos sendo remunerados de forma digna pelo serviço prestado.

O retorno do investimento compensa. Apesar de todo o investimento, o resultado final é um serviço mais barato que o presencial. Podemos até arriscar que é superior a muitos que temos no sistema público de saúde do Brasil.

É preciso compreender que o uso da Telemedicina e Telessaúde, segue o mesmo roteiro de toda inovação tecnológica em qualquer segmento da economia ou da sociedade como um todo. A dificuldade maior se impõe por uma causa óbvia, que é haver natural desconfiança quanto à confiabilidade dos processos devido ao fator “vida humana”. Por causa dele, o tema tem de ser tratado com cuidado redobrado.

Não se pode, entretanto, ignorar que o teleatendimento feito por especialistas pode ser suficiente para um diagnóstico, até porque gera relatório de acompanhamento imediato e o paciente poderá ter acesso ao médico mais rápido e mais vezes, e vice-versa.

Exceto em casos crônicos, há a possibilidade de evitar internações e exposição a infecções hospitalares, superlotação, filas e tudo que envolve as falhas no serviço público  e, por vezes, o privado  de saúde.

AS resoluções dos Conselhos de Medicina estão a favor das especialidades

A Telemedicina e  Telessaúde são especialidades que devem ser avaliadas segundo as inúmeras oportunidades que oferecem e seus riscos, que devem ser escalonados, classificados e neutralizados, por meio da legislação e/ou de restrições.

É o caso, por exemplo, da Resolução 427, que propõe regulamentar o uso da Telemedicina na Fonoaudiologia.

O Conselho Federal de Psicologia, desde fevereiro de 1995, possui a Resolução 02/95, que dispõe sobre a prática do atendimento psicológico por telefone, e a Resolução 003/2000 regulamenta o atendimento psicoterapêutico com uso de computador.

Neste ano de 2017 finalmente o Conselho de Psicologia libera psicoterapia utilizando a Telessaúde, sem prejuízo para o paciente.

Finalmente, é preciso reiterar que nenhum avanço produtivo e duradouro se faz na sociedade sem debate, sem saber o que pensam as pessoas envolvidas e até aquelas a quem se destinam os serviços.

Por outro lado a Telemedicina e  Telessaúde, sem dúvida alguma, apresentam oportunidades reais e visíveis para otimizar, tanto no âmbito público quanto privado, os processos de atendimento médico.

As especialidades surgiram para melhorar a distribuição do serviço e até baratear o custo, com redimensionamento da estrutura física de atendimento, qualificação do atendimento presencial, aumento da satisfação dos pacientes e, no caso da saúde privada, aumento da lucratividade.

No caso da saúde pública, que não visa lucro, é, sem dúvida, uma oportunidade de melhorar os gastos e investir em qualidade.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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