Medicina integrativa: de que modo ela beneficia médicos e pacientes?

Por Dr. José Aldair Morsch, 25 de setembro de 2020
O objetivo da medicina integrativa é melhorara a saúde do paciente como um todo

A medicina integrativa vem ganhando força em um cenário em que as pessoas estão buscando alternativas de tratamento mais humanizados e eficientes.

Mas o que é medicina integrativa? É uma prática que reforça a importância da relação entre paciente e profissional de saúde e que pensa o indivíduo de forma integral.

O seu conceito surgiu nos Estados Unidos, com o intuito de aliar métodos tradicionais e complementares de tratamento, utilizando abordagens terapêuticas que de fato possuam evidências comprovadas.

A ideia não é apenas promover a cura de doença, mas sim melhorar a saúde e qualidade de vida como um todo.

Os princípios da medicina integrativa envolvem a noção de parceria entre paciente e profissional de saúde e a consideração de todos os fatores que podem influenciar no estado de saúde, sejam eles físicos, mentais ou espirituais.

A medicina integrada, porém, não veio para substituir as técnicas convencionais, mas sim agregar métodos que potencializam a capacidade natural de cura do paciente, reduzindo a necessidade de intervenções invasivas.

Neste artigo, vou explicar o que é medicina integrativa, sua importância, seu objetivo e princípios que regem a sua atuação.

Mostrarei também as práticas mais adotadas seguindo essa metodologia e as vantagens que a sua difusão oferece para médicos e pacientes.

Boa leitura!

A massagem é uma das práticas utilizadas

Além da massagem (como na foto), meditação e alongamento também são práticas comuns na medicina integrativa.

O que é medicina integrativa?

Trata-se de uma prática médica que visa oferecer um tratamento eficiente não apenas para uma doença específica, mas para o paciente como um todo.

Como o próprio nome diz, ela busca integrar todos os aspectos do indivíduo, ou seja, aspectos físicos, emocionais, sociais, espirituais e mentais.

Sua intenção é descobrir a origem de certos distúrbios e a melhor terapia visando a cura, tudo a partir de uma análise mais ampla da saúde da pessoa.

Para que isso seja possível, a medicina integrativa reforça a importância do relacionamento entre médico e paciente, uma vez que o tratamento é indicado de forma individualizada, baseando-se, inclusive, no seu estilo de vida.

Logo, o paciente é colocado como ator principal do processo, sendo considerado seu próprio agente de saúde.

Afinal, a saúde também é uma responsabilidade individual e, portanto, cada um deve participar ativamente na sua promoção.

Um ponto importante sobre a medicina integrativa é que ela defende a interdisciplinaridade, ou seja, ela reúne profissionais de diferentes áreas e formações.

Isso significa que a medicina convencional passa a ser aliada a práticas como:

  • Meditação;
  • Relaxamento;
  • Alongamento;
  • Massagens leves;
  • Técnicas de respiração;
  • Uso de fitoterápicos;
  • Atenção plena.

O que se assemelha em todas as técnicas utilizadas na medicina integrada é o fato de não ser invasiva, ser isenta de qualquer base religiosa e ser adaptadas às necessidades de cada indivíduo.

Além disso, sempre é baseado em evidências quanto à segurança e eficácia.

Qual o objetivo da medicina integrativa?

O objetivo dessa modalidade é proporcionar momentos de relaxamento e bem-estar ao paciente, minimizando não apenas sintomas relacionados a doenças, mas a ansiedade e o estresse – seja este emocional, físico ou mental.

A base do seu trabalho gira em torno de exercícios de atenção plena, criando esse estado de bem-estar, harmonia e profundo relaxamento.

No momento em que promove esse estado positivo, permite que os pacientes comecem a identificar suas necessidades, relatando com mais clareza os sintomas e desconfortos pelos quais está sendo afetado.

Qual a importância da medicina integrativa para médicos e pacientes?

Por ser pensado de forma individualizada, baseando-se não apenas na sua doença, mas na sua vida, a medicina integrativa proporciona ao paciente que ele tenha muito mais qualidade de vida.

Os tratamentos não reconhecem apenas os sintomas, mas aspectos como situações que desencadeiam em estresse, alimentação, entre outros.

E mais: cada técnica adotada proporciona benefícios diferentes, seja a melhora na respiração, o relaxamento mental e corporal ou a sensação de maior bem-estar.

O paciente deixa de ser um receptor de remédios e exames, agindo como um agente promotor da sua saúde.

Para os médicos, essa proximidade maior com as pessoas permite entender melhor os sintomas, tornando mais fácil a promoção da cura.

Além disso, a responsabilidade passa a ser compartilhada com outros profissionais e com o próprio paciente, criando uma aliança com intuito de curar e prevenir doenças, proporcionando maior qualidade de vida.

Quais são as principais práticas adotadas de acordo com essa metodologia?

Com o intuito de oferecer uma terapia integrada e holística ao paciente, a medicina integrativa pode ser composta por uma série de técnicas, que podem ser aplicadas nos níveis de atenção primária, secundária ou terciária.

As principais práticas utilizadas são:

Acupuntura

A medicina tradicional chinesa como um todo utiliza a teoria do yin-yang para analisar o estado energético do paciente para, a partir disso, tratar os desequilíbrios que possam estar causando os problemas clínicos.

A acupuntura é uma das estratégias utilizadas pelos chineses e se baseia na estimulação de pontos específicos do corpo para a regulação dos problemas identificados.

Aromaterapia

Consiste no uso do poder terapêutico proveniente de óleos essenciais, sendo que cada um possui ações específicas.

Esses óleos podem ser aplicados diretamente na pele ou no ambiente, pois os benefícios passam a ser percebidos após a inalação dos princípios ativos presentes nas formulações.

Essa prática é comum de ser utilizado por profissionais como psicólogos, psiquiatras e fisioterapeutas, principalmente durante intervenções indicadas para doenças pré-existentes.

Também é frequente que ela seja associada a outras condutas, a exemplo da cromoterapia e terapia com florais, visando potencializar o efeito terapêutico.

Fitoterapia

As plantas medicinais possuem poder curativo comprovado por pesquisas científicas, independentemente se utilizadas como chá ou em cápsulas manipuladas.

A fitoterapia costuma ser um aliado em tratamentos diversos e controle de distúrbios clínicos.

Porém, a questão da dosagem e efeitos adversos ainda é algo que carece de informações.

Por isso, requer indicação, prescrição e acompanhamento médico ou farmacêutico apropriado para que ofereça, de fato, benefícios clínicos.

Homeopatia

Trata-se de uma prática milenar em que medicamentos homeopáticos são prescritos com doses centesimais de princípios ativos, fazendo com que o próprio corpo passe a combater os males externos.

Seguindo o conceito central da medicina integrativa, a homeopatia é centrada no indivíduo que busca a cura natural do corpo, uma vez que utiliza compostos que estimulam os pontos centrais da doença.

Isso significa que, para tratar problemas estomacais, por exemplo, são prescritos medicamentos que podem irritar o órgão para, assim, aperfeiçoar a cura pelo próprio indivíduo.

Práticas de expressão corporal

O intuito dessas práticas é promover bem-estar e equilíbrio para que o organismo se mantenha saudável.

Entre essas práticas, destacam-se:

  1. Biodança: São exercícios praticados com música para aumentar a resistência ao estresse e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho físico;
  2. Dança circular: Composta por coreografias e ritmos que proporcionam bem-estar físico, mental e social, também promove o equilíbrio energético e espiritual do indivíduo.

Como a medicina integrativa funciona?

Ela avalia o paciente como um todo, diferentemente das demais abordagens da medicina, centradas no problema de saúde e baseadas em estratégias medicamentosas e cirúrgicas.

Isso representa uma evolução no sentido de acolhimento humanizado, uma vez que são considerados todos os conceitos, opiniões e experiências prévias dos pacientes sobre o problema.

Além do mais, o indivíduo é incentivado a ser um participante ativo do processo de cura ou controle da doença, ampliando, inclusive, o conhecimento que ele tem sobre si.

Para desenvolver a medicina integrativa, há 2 passos essenciais:

1. Anamnese do paciente

É semelhante à etapa realizada na medicina tradicional, em que o profissional de saúde verifica o histórico clínico, medicamentoso e cirúrgico, além de tratamentos complementares, que já foram adotados pelo paciente.

Após, são solicitados exames complementares, como físicos e laboratoriais, para confirmar a hipótese diagnóstica desenvolvida por ele, mediante a análise das queixas apresentadas pela pessoa.

2. Implantação de intervenções

Após a confirmação do diagnóstico, o médico prescreve o tratamento mais adequado para melhorar a condição clínica.

Além de medicamentos, ele pode recomendar as terapias preconizadas pela medicina integrativa, conforme necessidade individual.

É importante destacar que a medicina integrada é considerada complementar pelo Ministério da Saúde e, portanto, é implementada de forma simultânea ao tratamento convencional.

Conheça as bases de atuação da medicina integrativa.

Na medicina integrativa, o paciente faz parte do processo quanto ao melhor tratamento para melhorar sua saúde.

Quais são os princípios que regem a atuação dessa abordagem terapêutica?

A medicina integrativa possui princípios claros, que devem ser seguidos pelos profissionais que desejam praticá-la:

  • A saúde é vista como um estado vital de bem-estar físico, mental, emocional, social e espiritual que capacita a pessoa a se engajar na sua vida;
  • O médico é visto como parceiro no processo de cura e na saúde;
  • As intervenções são dirigidas para tratar a doença, bem como para assistir a pessoa como um todo, abordando, portanto, todos os aspectos que influenciam no processo da doença e da cura;
  • Os pacientes são orientados a reconhecer, administrar e minimizar os fatores estressantes que afetam na sua qualidade de vida;
  • Os pacientes devem receber orientações nutricionais, uma vez que os alimentos são agentes fundamentais para a promoção de doença e saúde;
  • O impacto das influências sociais no processo de adoecimento e na saúde é levado em consideração, bem como incluído no plano de tratamento;
  • Devem ser abordadas e investigadas as influências ambientais no processo de cura e na saúde, sendo consideradas também no plano de tratamento;
  • As terapias baseadas na medicina tradicionais são essenciais para o processo de cura, se utilizadas de forma adequada;
  • O plano de tratamento deve ser compartilhado entre todos os profissionais de saúde envolvidos, permitindo que todas as especialidades sejam integradas no atendimento, bem como suas abordagens terapêuticas;
  • Cada paciente recebe uma estratégia de tratamento personalizada e individualizada, baseada em suas necessidades e modo de vida;
  • A promoção de saúde e a prevenção são enfatizadas no plano de tratamento;
  • Todas as abordagens terapêuticas, profissionais de saúde e disciplinas são considerados, sendo que os métodos naturais devem ser priorizados sempre;
  • Deve ser adotada uma abordagem transcultural e interdisciplinar para estabelecer o processo de autoconhecimento e desenvolvimento do indivíduo;
  • Aplicar na medicina uma abordagem aberta à investigação e novos paradigmas.

Como a medicina integrativa pode ser aplicada em clínicas e hospitais?

Como a modalidade apenas funciona quando profissionais de áreas distintas atuam de forma alinhada, focados no paciente, uma maneira de aplicar a medicina integrativa é contando com profissionais de várias especialidades atuando na clínica.

Isso permite que o paciente possa centralizar todas as suas consultas em um único local, tornando o tratamento de fato mais abrangente.

Você pode contar, por exemplo, com fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo atuando no estabelecimento para que juntos, possam indicar terapia que melhorem a saúde e qualidade de vida das pessoas.

Além de facilitar a vida do paciente, isso promove a fidelização, pois ele passa a se relacionar com todos os profissionais que atuam no local.

Caso isso não seja possível, uma alternativa é estabelecer parcerias com profissionais de outras clínicas, criando uma rede de confiança que pode ser indicada para seus pacientes – o que permitirá que elas façam o mesmo.

Como a telemedicina pode ajudar na aplicação da medicina integrativa?

Outra alternativa para quem não pode contar com profissionais de diversas áreas na própria clínica é aderir à chamada telemedicina, que consiste no atendimento médico online.

A Telemedicina Morsch oferece acesso à distância a profissionais das principais especialidades médicas.

Basta acessar a plataforma, escolher a especialidade e agendar o horário da consulta.

A consulta é online, permitindo que pacientes de qualquer cidade possam usufruir desse atendimento.

Além do mais, os dados são todos registrados em um prontuário eletrônico, que pode ser acessado, mediante liberação prévia, por todos os profissionais que estiverem inseridos no tratamento via medicina integrativa.

Tratamentos complementares e o bem-estar do paciente

A medicina integrativa vem sendo tema de uma série de pesquisas e utilizada por instituições renomadas, tudo graças às comprovações quanto ao seu papel na geração de bem-estar.

Centros acadêmicos norte-americanos, como a Universidade de Harvard, são exemplos de onde o tema está sendo abordado em suas pesquisas.

No Brasil, ela vem sendo implementada pelos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, assim como no Sistema Único de Saúde (SUS), após a criação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PIC), em 2006.

Desde então, os pacientes passaram a ter acesso a práticas de terapias integrativas, como acupuntura e fitoterapia, na própria rede pública.

Apesar de comprovadamente benéficas, é importante destacar que a medicina integrativa não substitui o tratamento tradicional, mas sim o complementa.

Vantagens da implementação da medicina integrativa

A redução na quantidade de medicamentos e no uso de ferramentas intervencionistas são duas vantagens importantes que a medicina integral oferece.

Junto a isso, permite uma recuperação mais rápida e uma melhora da qualidade de vida, uma vez que trata todos os aspectos que influenciam na saúde do corpo humano.

Outras vantagens de adotar suas práticas médicas são:

Atendimento humanizado

O paciente não é visto através dos sintomas e doenças que possui, mas sim como um todo.

Isso significa que o profissional precisa ter um olhar mais humanizado, escutando o paciente e construindo uma relação de confiança.

Além disso, é preciso entender a rotina da pessoa, a situação econômica e vida social, uma vez que tudo isso influencia na sua qualidade de vida.

Prevenção de doenças

Como a medicina integrativa não visa a doença, mas sim cuidar do paciente, uma série de aspectos são trabalhados, mesmo aqueles que não têm ligação com a doença em si.

Com isso, é possível não apenas melhorar o quadro clínico atual, mas também prevenir futuros problemas e intervenções que podem vir a ser necessários.

Aumento da qualidade de vida dos pacientes

Essa possivelmente é o benefício mais importante, já que o tratamento adotado é capaz de melhorar uma série de aspectos e, com isso, oferecer resultados ainda mais satisfatórios, proporcionando maior qualidade de vida para a pessoa.

Conclusão

Ao optar pela medicina integrativa na sua clínica, você estará proporcionando uma melhor experiência ao seu paciente, assim como aumentando as chances de o tratamento ser bem-sucedido.

Para colocá-lo em prática, o primeiro passo consiste na contratação de profissionais de áreas diversas, para que seja possível oferecer esse atendimento multidisciplinar.

Quando isso não é viável, uma opção é aderir à telemedicina, para garantir esse atendimento especializado à distância.

Nesse cenário, a Telemedicina Morsch pode ser uma aliada para oferecer medicina integrativa para os seus pacientes.

Esse conteúdo foi útil para você? Aproveite e baixe agora mesmo o nosso infográfico “Como abrir seu consultório”. É gratuito!

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

COMPARTILHE