Paciente morre depois que médico não aceita laudo da Telemedicina

Por Dr. José Aldair Morsch, 29 de janeiro de 2018
laudo da telemedicina

A notícia de que um paciente morreu porque o médico não acreditou no resultado do laudo da Telemedicina não é um fato isolado.

Ao longo dos últimos doze anos em que estamos á frente  nos serviços de interpretação de exames com laudos a distância, encontramos casos muito similares.

Neste artigo vou abordar como é a realidade do atendimento médico em alguns setores da saúde e as repercussões negativas causadas por esses atos e consequentemente o resultado mais triste, a morte do paciente.

Nos primeiros capítulos eu atualizo os conceitos de Telemedicina e laudo a distância para que você leitor possa entender mais profundamente sobre esta especialidade.

Na sequência eu descrevo exatamente como tudo aconteceu, assim você pode formular suas próprias conclusões.

O laudo da Telemedicina feito a distância

Junto com os avanços tecnológicos e internet, a medicina teve o seu lugar com a implantação de atendimento dos pacientes em locais distantes sem especialistas.

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Esse atendimento é realizado através de uma plataforma de Telemedicina em nuvem que recebe os arquivos dos exames enviados pelas clínicas e os especialistas logados interpretam e liberam os resultados, tudo de forma instantânea. Esses laudos ficam disponíveis na internet para as clínicas e os pacientes acessarem.

Como isso se tornou popular, esses laudos foram incorporados na rotina de atendimento das clínicas e hospitais e por serem acessados de qualquer lugar, levaram o nome de laudos a distância.

A estrutura de atendimento público no Brasil

O poder público já não pode mais dar desculpas de que não tem condições de arcar com especialistas em todos os postos de saúde.

Com a Telemedicina é o especialista que está presente virtualmente em todos os postos através de um sistema de Telemedicina em nuvem.

Este software de telemedicina em nuvem pode ser acessado a qualquer momento tanto pelo técnico em enfermagem que envia os arquivos dos exames para serem analisados, quanto o próprio clínico geral que está na cidade pode consultar o especialista na mesma plataforma.

Se a qualquer momento houver alguma dúvida sobre o resultados do laudo da telemedicina ou mesmo o clínico geral sentir a necessidade de pedir uma segunda opinião, basta acessar a plataforma e discutir diretamente com o Especialista.

As campanhas de prevenção de doenças

A divulgação de condutas para a população como:

  •   Vacinação para crianças e idosos
  •   Prevenção e acompanhamento de diabetes tipo I ou tipo II
  •   Hipertensão em jovens e adultos
  •   Parar de fumar
  •   Dor no peito indicativo de isquemia ou infarto agudo
  •   Paralisias temporárias indicativos de AVC
  •   Auxilio na tomada de medicamentos

Muito presente em aplicativos nos smartphones evoluiu para situações mais rotineiras e fez com que a população busque recursos médicos mais cedo, muito antes das complicações.

Como funciona exatamente o atendimento com laudo da Telemedicina?

A dificuldade enfrentada por regiões distantes dos centros populacionais que disponibilizam uma estrutura de saúde mais diferenciada trouxe a oportunidade da criação de empresas médicas de Telemedicina.

Com o desenvolvimento de software em nuvem, é possível que o clientes dessas regiões distantes, sejam médicos, clínicas, hospitais, realizem os exames mesmo sem ter nenhum especialista atendendo naquela cidade.

O técnico em enfermagem que trabalha para o cliente que contratou os serviços de Telemedicina é treinado pela equipe de suporte e após estar apto em desenvolver essa função, realiza o exame no paciente e envia o arquivo do exame usando essa plataforma.

Os especialistas logados acessam o arquivo de onde estiverem e interpretam o exame, liberando o laudo da telemedicina em 30 minutos para que a clínica possa imprimir o resultado e entregar para o médico do paciente.

Essa especialidade é reconhecida pelos Conselhos de Medicina e curiosamente só tem nomes de especialistas famosos no seu corpo clínico.

São profissionais experientes que optaram em ter uma vida mais livre, deixando seus afazeres em suas clínicas e hospitais para se dedicar exclusivamente a laudar exames na plataforma de Telemedicina.

Imagine que vida esse profissional pode ter, pode morar onde quiser e trabalhar somente laudando exames.

A visão de médicos que desconhecem o valor do laudo da telemedicina

Como em qualquer profissão existem aqueles profissionais que não se atualizam, que não conseguem acompanhar os avanços naturais de sua profissão, muito menos a parte tecnológica comum na sociedade.

O ser humano é receoso com o novo, precisa de provas físicas que comprovem os benefícios. 

Para médicos da fase anterior a internet e tecnologias que possuímos hoje, aceitar que sua profissão teoricamente estaria ameaçada pela Telemedicina traz uma postura de negação.

Para assegurar que a Especialidade de Telemedicina é segura, foram seguidos todos os protocolos exigidos pelos Conselhos, com normas e diretrizes claras, basta acessar os documentos protocolados nas sociedades e se interagir do assunto.

Um caso real de morte quando o médico não acredita no laudo da telemedicina. Vou contar aqui a história exatamente como aconteceu, lembro que este não é um caso isolado, é frequente essa postura de muitos médicos no interior do nosso País.

A Telemedicina Morsch é natural do sul do País, mas atende a todo Território Nacional.

Nossa presença é de longe focada em regiões desprovidas de especialistas.

Uma cidade de um desses locais de difícil acesso recebe nossos serviços há pelo menos 5 anos e a qualidade de vida daquela população melhorou de forma significativa.

Rapidamente nestes 5 anos várias cidades vizinhas aproveitaram a novidade e a solução trazida para os pacientes e também contrataram os serviços de interpretação de exames com laudo a distância.

Era um início de noite quando a esposa comenta com o marido que iniciou com uma dor meio do peito.

Tinha apenas 48 anos e teve um dia de trabalho cansativo e estressante.

Inicialmente todos pensamos que se trata de mau jeito, dor no estômago, dor muscular. O marido faz um chá e oferece para a esposa.

Ela toma o chá e percebe que nada muda, os minutos vão passando e a dor passa para o pescoço e para o braço esquerdo.

Diante disso o marido decide levar para o hospital da cidade.

A cidade é pequena, tem menos de 3 mil habitantes e o hospital é do tamanho de um posto de saúde, bem humilde.

Logicamente não tem médico de plantão como observamos em cidades maiores.

Ao chegar no hospital, encontra apenas os atendentes e enfermeiros, o médico de sobreaviso está em outra cidade atendendo.

A enfermeira liga para o médico e passa as condições da paciente. O médico logo percebe que deve ficar atento ao risco de doença cardíaca.

Como ele está por dentro da política de saúde, sabe muito bem que foi disponibilizado um aparelho de eletrocardiograma com laudos rápidos naquele hospital.

O médico pede para a enfermeira realizar o eletrocardiograma e passar o resultado para ele por whatsapp assim que tivesse liberado o laudo da Telemedicina.

A enfermeira que já tinha sido treinada pelo suporte da Telemedicina e sabia muito bem como executar o exame, rapidamente passou para a sala de exame e realizou o exame em menos de 10 minutos.

Ao final do exame já transmitiu o arquivo para a plataforma de Telemedicina em nuvem e em exatos 18 minutos recebeu o resultado.

Já eram 22 horas e 30 minutos e com o laudo na mão, decidiu ler de curiosidade e percebeu que a conclusão do exame era que se tratava de um infarto do miocárdio em andamento e que era necessário encaminhar urgente para um hospital que tivesse recursos para o tratamento.

A enfermeira rapidamente passou o resultado para o médico de sobreaviso que autorizou o transporte para uma cidade maior imediatamente.

Até aquele momento a paciente estava lúcida, com dor, mas caminhava, conversava, a pressão estava boa, os batimentos regulares e era possível aguentar uma viagem de duas horas até a outra cidade.

Ao chegar no outro hospital, encontram um médico de plantão que recebe a paciente e atende normalmente o caso, escuta suas queixas, examina, percebe novamente que os sinais vitais estão normais, ainda com dor.

Plantonista analisa o ECG que foi levado e não valoriza as informações contidas no laudo da telemedicina.

As palavras do médico de plantão são muito confortadoras.

Olha minha senhora, eu não acho que a senhora está tendo um infarto, é muito jovem para isso, esse exame não é confiável.

Minha experiência diz que se trata de um problema digestivo. Vou lhe medicar e liberar para sua casa.

Não vejo necessidade de ficar internada.

Por volta do início da madrugada a paciente é liberada sem dor. Sente-se melhor e fica feliz em ira para casa.

Chega em casa tarde, toma um banho e vai repousar.

Na manhã seguinte ela acorda com dor mais intensa, volta com o seu marido ao hospital de sua cidade e não tem nem tempo de repetir o eletrocardiograma. Sofre uma parada cardíaca fulminante e acaba em óbito.

A enfermeira do pequeno hospital comunica a empresa de Telemedicina sobre o ocorrido, percebe-se como ela estava abalada e sem entender exatamente o que aconteceu.

A visão do Cardiologista sobre o laudo da telemedicina

Existem vários tipos de infarto do miocárdio.

Podem atingir a parte da frente, de lado, e debaixo do coração que está em contato com o estômago. 

O clínico geral que não conhecimento aprofundado da especialidade não sabe detalhadamente sobre isso, muito menos de analisar um eletrocardiograma e afirmar com toda a certeza o local do infarto.

Sendo um infarto da parte debaixo do coração, as evidências da doença se baseiam no eletrocardiograma que foi claro na ocasião e nos exames de sangue que confirmam a gravidade da doença.

Incrivelmente os sintomas iniciais são mais brandos, onde até muitos pacientes sofrem pequenos infartos nessa região que passam por congestão.

Quando fazem um eletrocardiograma de rotina o médico diz que já sofreram um pequeno infarto e isso é recebido como espanto.

Como o médico de plantão não valorizou o eletrocardiograma e não medicou de forma adequada a paciente, o estômago melhorou, mas o coração aguentou apenas mais algumas horas.

Quando um infarto pega a parte debaixo do coração e o entupimento é mais na origem da artéria coronária direita, ocorre complicação do batimento e o paciente acaba morrendo de arritmia junto com o infarto.

Tudo isso pode ser evitado com um diagnóstico correto da condição de doença do paciente.

As consequências para o hospital, médico e sociedade

Quando aparecem casos como esse de uma paciente jovem que procura atendimento e morre por negligência de algum integrante do processo de atendimento na saúde, tudo vem á tona, críticas sobre o atendimento, ações judiciais comprometendo o médico e o hospital.

A postura de todos deve ser sempre defensiva, ou seja, faça mais do que deveria, assim conseguimos minimizar os prejuízos. Assim quem ganha é a sociedade.

A frase de que somos humanos e passíveis de erro é verdadeira, porém, negligenciar um resultado de exame por desconhecer sua procedência é algo que não podemos admitir.

Precisamos difundir ao máximo os benefícios que as empresas de Telemedicina proporcionam em prol da melhora da saúde da população.

É possível aprender com esse erro?

Acredito que o erro sempre ensina. Saímos sempre fortalecidos e imunizados para que nunca isso volte a acontecer. 

Os profissionais da saúde precisam assumir o compromisso de manter anualmente algum contato com novidades na sua área de atuação. 

Ao mesmo tempo, devem acompanhar todo o processo de inovações tecnológicas pelas quais estamos passando.

A internet mudou o mundo de forma nunca antes vista, isso requer aceitar o novo, aprender com o contato frequente com conteúdos disponibilizados no nosso blog.  

Basta assinar nossa newsletter e ter o conforto de mensalmente receber no seu e-mail todas as novidades.

A Telemedicina é uma especialidade séria e veio para ficar

Quando nos referimos a Telemedicina e Telessaúde, devemos levar em conta que os profissionais envolvidos nessas especialidades tiveram a coragem de ir contra todas as resistências impostas pelo sistema e colocaram sua reputação e formação á prova de todos, entrando no meio digital.

Quem está por trás de toda a estrutura tecnológica adquiriu conhecimento ao longo de mais de 25 anos de trabalhos, estudos, aperfeiçoamentos para poder oferecer isso a nível global.

A seleção dos profissionais das diferentes áreas de atuação, tais como Cardiologia, Neurologia, Pneumologia, Radiologia é extremamente rigorosa.

Só são aceitos profissionais que tenham especialização em suas áreas e com registros provados nos Conselhos correspondentes.

Tudo para trazer excelência nos laudos médicos online e ainda proporcionar um ambiente educacional através da Telessaúde, disponibilizando além de cursos gratuitos, uma segunda opinião para os médicos de áreas remotas terem a opção de dividir a responsabilidade da conduta ideal para cada problema enfrentado onde os recursos médicos são limitados.

Sua região já tem algum serviço que usa a Telemedicina?

Esta pergunta é um tanto óbvia, já que a minoria conhece essa especialidade. O que procuro despertar aqui é a consciência coletiva. 

Se sua cidade tem internet, logicamente poderá ter um serviço de Telemedicina. 

Todos temos contatos com órgãos públicos, médicos, clínicas em nossas cidades e não custa nada perguntar se conhecem ou usam a Telemedicina em sua rotina de atendimento.

Seja um divulgador deste projeto, ajude a salvar mais vidas!

Aproveite seu tempo livre para avaliar como andam os serviços de saúde de sua cidade, seu bairro, seu posto de saúde.

Se eles não conhecem essa especialidade, procure disponibilizar o acesso ao nosso site e convide para assinarem nosso blog e aprenderem com nossos materiais que são enviados regularmente para todos.

Você fará parte de uma parcela da população que fez a diferença em sua região.

Todos ganham com isso, inclusive você que um dia poderá precisar de atendimento de urgência e não terá tempo suficiente para ser transferido para outra cidade para receber atendimento.

Imagine as chances que seus familiares mais velhos terão de sobreviver com o serviço na sua cidade, sem precisar usar uma ambulância e torcer que chegue vivo na outra cidade.

Conclusão

É muito triste aprender com erros quando se trata de vidas humanas são perdidas em fase ainda produtiva. 

Precisamos assumir nosso compromisso com a sociedade e averiguar como andam os sistemas de saúde da nossa região.

Aproveitem as reuniões da comunidade, fale com os vereadores, secretários de saúde e indiquem o uso da Telemedicina. 

É um serviço de saúde de alto valor agregado, barato, que pode muito bem substituir a falta de especialistas em várias regiões carentes deste nosso Brasil.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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