Guia sobre ecg: definição, quem deve fazer? O que avalia?

Por Dr. José Aldair Morsch, 30 de maio de 2018
Paciente deitado numa maca onde estão sendo colocados os eletrodos de holter no peito e gravador na cintura

A busca por informações sobre ecg na internet esbarra em conteúdos espalhados em sites e blogs que dificultam o entendimento de sua relação com as doenças cardiovasculares.

Este artigo traz informações  sobre o exame de ecg na forma de um guia completo para pesquisa e orientação.

A melhor definição de ecg

É um dos tipos de exames cardiológicos feito para avaliar a condição de saúde do coração durante uma consulta ou nos casos de urgências em que o paciente tem dor no peito.

Quem precisa fazer ecg?

Para quem procura um médico para um exame de rotina, o eletrocardiograma de repouso deve ser realizado á partir dos 30 anos.

Já nos casos em que existe qualquer sintoma que possa indicar sofrimento cardíaco, o eletrocardiograma digital deve ser realizado o quanto antes.

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Para pacientes que já tiveram diagnóstico de alguma doença cardíaca, recomenda-se repetir o ecg anualmente.

Para pessoas saudáveis, que fazem exames de rotina, até os 50 anos pode realizar a cada 2 anos e depois disso também anualmente.

CUIDADO!

ENTUPIMENTOS LEVES das coronárias não aparecem no ecg!

Se o paciente tem dor no peito com exame normal, deve realizar um teste ergométrico para complementar a investigação.

Para que serve o ecg digital?

O exame avalia o funcionamento do coração, como ritmo, válvulas cardíacas, crescimento dos átrios e ventrículos, até a condução elétrica nos seus nervos.

E o que isso importa?

A busca por problemas cardiovasculares é uma constante nos serviços de saúde, visto que é a segunda maior causa de morte nas estatísticas.

Para quem se perguntou qual é a primeira, é o derrame cerebral, também chamado de AVC (acidente vascular cerebral).

Vou descrever uma situação real de um paciente:

O senhor João de 50 anos, fumante, colesterol elevado, pressão alta sem tratamento está vendo um jogo no domingo e tomando sua cerveja.

Fica indignado com seu time e durante um xingamento começa com dor no meio do peito.

Vai até a emergência e ao ser atendido, o médico suspeita de infarto agudo do miocárdio.

Se ele realizar o eletrocardiograma de urgência imediatamente e constatar a doença, o tratamento rápido vai salvar sua vida.

As horas que passam até que se confirme um diagnóstico de infarto vão reduzindo o tempo de vida de um ser humano de maneira brutal.

Se ficarmos 6 horas ou mais com um infarto sem tratamento, teremos morte de mais da metade do coração, sem nenhuma possibilidade de recuperação.

Como é realizado o eletrocardiograma?

Os 7 passos são sempre os mesmos em qualquer lugar:

  1. Na hora marcada o paciente é chamado para a sala de exame.
  2. É feito o cadastro com os dados no software que realiza o eletrocardiograma,
  3. O profissional de enfermagem pede para o paciente tirar a roupa da parte de cima do corpo,
  4. Em seguida, deve deitar numa maca de barriga para cima,
  5. O técnico em enfermagem coloca os eletros nos tornozelos, punhos e no peito do paciente,
  6. Em um minuto ele realiza a gravação dos registros no computador
  7. É solicitado que o paciente se vista e combine com a secretária o dia de retirada do exame.

Qualquer pessoa pode realizar o eletrocardiograma de repouso, desde crianças até gestantes.

Não existe preparo para realizar exame e não há riscos ou qualquer contra-indicações mesmo para crianças ou mulheres grávidas.

Como é o aparelho de eletrocardiograma?

O aparelho de eletrocardiograma utilizado no exame é chamado de eletrocardiógrafo digital.

Se trata de um aparelho compacto, também chamado de eletrocardiógrafo digital e ao ser conectado ao notebook, aproveita a bateria sem necessidade de ir na tomada.

O eletrocardiógrafo digital é único, mudando somente a qualidade do material utilizado na fabricação do aparelho e o tipo de software utilizado no computador.

Poderíamos comparar o software de ecg ao sistema android e IOS dos smartphones.

Sabemos que na prática os dois fazem as mesmas funções.

Doenças vistas no ecg

Apesar da lista abaixo ser grande, ainda sobram muitas doenças que não aparecem no eletrocardiograma de repouso.

1-Arritmias ou disritmias cardíacas

Quando falamos arritmia cardíaca, podemos descrever vários tipos:

  • Arritmia ventricular do tipo Extra-sístole, taquicardia ventricular, fibrilação ventricular,
  • Arritmia supraventricular,
  • Fibrilação atrial,
  • Flutter atrial,
  • Bradicardia sinusal,
  • Taquicardia sinusal

2-Doença arterial coronariana (DAC)

Dentre as doenças cardiovasculares, a DAC ( doença arterial coronariana) é a mais ingrata.

Normalmente o paciente não sente nada e do nada tem uma parada cardíaca por infarto fulminante.

Isso não é tudo,

Outras vezes o paciente foi diagnosticado com entupimento leve das coronárias e acaba tendo toda sua vida mudada para evitar um infarto.

Nestes casos o eletrocardiograma traz o laudo de isquemia miocárdica.

Sim, te respondo o que é isquemia:

Uma coronária entupida faz o coração não receber o suprimento necessário e com isso acaba sofrendo pela falta de oxigênio e nutrientes.

O sofrimento de uma parede do coração sem sangue é chamado de isquemia miocárdica.

O infarto agudo do miocárdio é a complicação de quem tem uma doença arterial coronariana e é nessa hora que um eletrocardiograma bem executado faz toda a diferença.

3-Doença das válvula cardíacas (valvulopatias)

Nos estreitamento ou dilatações das válvulas cardíacas, o ecg avalia as complicações como aumento de cavidades ou arritmias que acompanham a doença.

4-Distúrbios de condução (bloqueios cardíacos)

Estas alterações são as mais comuns e vistas rotineiramente no eletrocardiograma.

Quem nunca fez um eletrocardiograma e teve como resultado um distúrbio de condução pelo ramo direito ou bloqueio de ramo esquerdo?

5-Crescimento de cavidades (sobrecargas)

Conclusões no laudo como crescimento ventricular esquerdo, sobrecarga ventricular, hipertrofia ventricular também são comuns e acompanham pacientes hipertensos ou com doença nas válvulas.

O eletrocardiograma digital não é definitivo no diagnóstico e sempre está indicado confirmar com uma ecografia.

Quando realizamos uma ecografia do coração, chamamos de ecocardiografia com doppler e fluxo em cores.

Quantos tipos de eletro existem?

Grande parte dos exames cardiológicos utilizam o ecg para acompanhar o ritmo cardíaco e avaliar se o paciente desenvolve isquemia miocárdica.

Como entender isso?

Muito simples,

Ao investigar a possibilidade de entupimento de uma coronária, o que buscamos é a isquemia causada pelo entupimento.

Os exames procuram “produzir” artificialmente a isquemia e um dos métodos para registrar é o ecg.

Então vamos lá, segue a lista dos exames:

1-Eletrocardiografia

É outro nome dado ao exame de eletrocardiograma em repouso

2-Teste ergométrico em esteira

O paciente realiza um esforço na esteira ou bicicleta e registra o exame no ecg digital que acompanha a esteira

3-Holter de ecg digital 24 horas (ECG de longa duração)

O exame holter de ecg 24 horas utiliza o ecg para registrar o batimento de 24 horas com o aparelho preso na cintura da pessoa.

Ideal para registrar arritmias.

4-Ecocardiografia com doppler e fluxo em cores

O ecocardiograma precisa do ecg digital para acompanhar o ritmo cardíaco durante a avaliação das válvulas cardíacas.

5-Cintilografia Miocárdica de repouso e esforço

Complicando um pouco mais, a cintilografia miocárdica de repouso e esforço também utiliza o ecg.

O paciente vai pra esteira ou se não pode caminhar, injetamos um acelerador do batimento cardíaco na veia para atingir o pico de maior batimento no esforço.

Novamente injetamos um contraste radioativo que é captado numa câmara semelhante a uma tomografia e se houver isquemia, aparece nas imagens formadas e no ecg que também acompanha o método.

6-Tomografia Computadorizada

Uma tomografia cardiovascular que também avalia as coronárias, válvulas e câmaras cardíacas também utiliza o ecg para acompanhamento do ritmo cardíaco.

7-Ressonância Nuclear Magnética

Não estranhe, até uma ressonância magnética cardiovascular precisa de um ecg acoplado para acompanhar ritmos, isquemias que podem aparecer durante o exame.

8-Cateterismo Cardíaco

O cateterismo cardíaco é o exame mais interessante na utilização da eletrocardiografia.

O paciente já está infartado, ou seja, com um entupimento de uma coronária.

O exame serve para mostrar o local do entupimento e então, ao realizar a angioplastia, é possível desobstruir a coronária para facilitar a passagem de sangue para a área infartada.

E se durante o procedimento o paciente tiver outro infarto?

Não adianta pensar que o exame está vendo as coronárias em toda a sua extensão.

O catéter é colocado em uma coronária de cada vez, e temos mais de uma, na verdade de duas a três principais com seus ramos.

Como o ecg digital consegue acompanhar todas ao mesmo tempo, fica muito seguro manter monitorado para acompanhar piora do infarto, novos ritmos patológicos ou até mesmo novos infartos.

Como entender o laudo de ecg?

Esta tarefa é exclusiva do cardiologista!

Nem mesmo um médico de outra especialidade tem a competência de interpretar um ecg.

Para ter acesso a um ecg com laudo é necessário obrigatoriamente enviar o registro do ecg, também chamado de traçado de ecg para o cardiologista.

Para interpretar o ecg exame de forma segura, ou o cardiologista lê e interpreta de forma presencial ou a clínica envia o registro para ser laudado a distância.

Ter acesso a um ecg normal é direito de todo o paciente e a tecnologia permite isso, disponibilizando a internet para essa finalidade.

Interpretação de ecg a distância

O laudo a distância é uma realidade no Brasil e no mundo há pelo menos 15 anos.

É possível contratar uma empresa de Telemedicina que disponibiliza uma plataforma de telessaúde em nuvem para receber os registros enviados pela internet.

O técnico que realiza o ecg digital envia o arquivo para a plataforma de telemedicina no momento que finalizou o exame no paciente.

Os cardiologistas logados no sistema de telemedicina online, interpretam e devolvem o laudo de ecg em 30 minutos com assinatura digital.

Enfim, ter acesso a informações claras e objetivas sobre o ecg digital vai fazer com que mais pessoas possam realizar o exame de forma rápida e ter o laudo do ecg em minutos usando o laudo a distância.

Isso é possível com o uso da Telemedicina para interpretação segura dos registros e com isso o médico do paciente com infarto agudo do miocárdio pode agir rapidamente e evitar complicações irreversíveis pela espera do exame.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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