Exame clínico: entenda qual a sua importância para um bom diagnóstico

Por Dr. José Aldair Morsch, 4 de maio de 2021
Exame clinico

Nas rotinas médicas, o exame clínico está entre os procedimentos mais importantes de acompanhamento dos pacientes.

Afinal, ele funciona como o ponto de partida para o diagnóstico adequado e, consequentemente, para um tratamento bem-sucedido.

Nos dias de hoje, a área da saúde é diretamente impactada pelo uso de novas tecnologias diagnósticas e por equipamentos de ponta para a realização de exames.

Com isso, há quem minimize a relevância do exame clínico por acreditar que a percepção e as análises iniciais dos especialistas podem se tornar obsoletas com o apoio de novos recursos digitais.

Contudo, mesmo os mais avançados aparelhos e sistemas podem ser irrelevantes caso o médico não oriente seus atendimentos corretamente, dentro das etapas previstas para compreender todas as demandas.

Nesse sentido, as rotinas clínicas são imprescindíveis, pois só elas permitem ter um contato minucioso e atendimento humanizado.

Assim, é possível entender as queixas, aspectos de sua rotina que podem influenciar o quadro analisado, identificar pormenores que passariam despercebidos em outras situações, e assim por diante.

Para esclarecer melhor o tema, vou tratar sobre a importância do exame clínico e suas principais etapas ao longo deste conteúdo.

O que é um exame clínico?

Exame clínico é um processo de avaliação diagnóstica via anamnese e exame físico.

Parte essencial do ato médico realizado durante a consulta médica, essa dinâmica permite construir uma ou mais hipóteses diagnósticas a partir da comunicação médico-paciente e da observação de anormalidades no funcionamento de órgãos e sistemas do organismo.

Tanto a entrevista com o paciente (anamnese) quanto a avaliação física dão base ao diagnóstico ou à solicitação de exames complementares, quando necessário.

Qual a diferença entre exame clínico e exames complementares?

O exame clínico compreende entrevista e avaliação física, dispensando o uso de equipamentos hospitalares, por exemplo.

Já os exames complementares aprofundam a investigação clínica, sendo pedidos em contextos específicos.

Eles dependem de aparelhos para gerar gráficos, imagens, apontar a dosagem de substâncias ou exibir alterações patológicas que contribuem para o fechamento do diagnóstico.

Exames de imagem e laboratoriais estão entre os procedimentos complementares mais populares e, embora ofereçam contribuições importantes em diversos contextos, não substituem um exame clínico de qualidade.

Até porque o contato direto com o paciente fornece muito mais dados do que ele relata, possibilitando a observação de sinais relacionados ao nível de consciência, dor, dificuldades na fala, marcas na pele e muito mais.

Avaliação clinica

O exame clínico funciona como ponto de partida para todo o diagnóstico e posterior tratamento

Qual é a importância do exame clínico?

Por meio do exame clínico, o médico pode compreender com precisão qual é a situação geral do paciente atendido e obter informações valiosas para orientar o melhor tratamento.

Isso porque o procedimento é dividido entre a anamnese médica e o exame físico, em que são identificadas as queixas e, a partir delas, são analisados os sinais e sintomas para definir possíveis exames complementares, uso de medicamentos, etc.

O uso da tecnologia não deve deixar o exame clínico de lado. 

Na verdade, ambos se complementam, pois o contato clínico é imprescindível para que sejam aplicadas as melhores tecnologias em prol do acompanhamento do caso.

O reconhecimento de sinais funciona como uma detecção de características físicas, como manchas na pele, por exemplo. 

Já os sintomas são indicadores mais subjetivos, como sonolência, tontura, entre outros semelhantes.

Sendo assim, dentro das rotinas clínicas, inúmeros fatores com influência direta nos tratamentos podem ser reconhecidos, o que não seria possível sem um contato mais pessoal junto ao paciente.

Por exemplo, durante a conversa com o médico, o indivíduo pode informar que possui histórico de doenças cardiovasculares em sua família. 

Isso abre possibilidades para novas investigações que, muitas vezes, passariam despercebidas caso a pessoa relatasse sintomas simples e fosse imediatamente direcionada a outras intervenções.

Ou seja, o exame clínico proporciona um maior vínculo entre os indivíduos atendidos e os médicos, em que o diagnóstico é apoiado por aspectos do histórico do paciente e por um entendimento mais profundo do caso.

Com que frequência o exame clínico deve ser realizado?

De maneira geral, adultos saudáveis devem passar por exame clínico uma vez por ano.

Isso pode ser feito durante o check-up médico anual, por exemplo, que tem como objetivo prevenir agravos à saúde.

Mas o intervalo é menor caso o paciente sofra com doenças crônicas como diabetes, asma e hipertensão arterial, que exigem acompanhamento médico periódico.

Nesses cenários, é preciso seguir a recomendação profissional, respeitando o tempo para retorno de consulta e continuidade do tratamento.

O exame clínico também tem intervalos menores para crianças pequenas, que podem passar em consulta com pediatra a cada poucos meses, dependendo da idade.

O mesmo vale para pessoas de grupos sensíveis, como idosos e gestantes – que recebem monitoramento pré-natal para preservar a saúde da mãe e do bebê em formação.

Como é composto o exame clínico?

A primeira etapa do exame clínico é a anamnese, em que o médico faz uma espécie de entrevista com o paciente durante a consulta.

A partir dela, é possível compreender:

  • A situação atual do indivíduo
  • Seu histórico pregresso, que é de suma importância para reconhecer a patologia a ser tratada
  • Possíveis abordagens terapêuticas disponíveis.

Feita a anamnese, muitas vezes o exame clínico prossegue com a avaliação física.

Ela se baseia em palpação, inspeção, ausculta e percussão, que consistem em manobras com a finalidade de reconhecer as manifestações que algumas doenças deixam no corpo.

Em certos casos, o exame físico não é necessário, e cabe ao médico determinar se precisa realizá-lo ou não.

Inclusive, durante a realização de teleconsultas e outras práticas de telemedicina, em que as pessoas são atendidas à distância, não há a presença de contato físico – embora seja feita uma inspeção online.

Isso demonstra como a anamnese e a análise visual podem ser suficientes em parte dos casos, com o apoio de outras técnicas como os exames complementares.

Contudo, se o médico perceber que o exame físico é imprescindível para o caso em questão durante uma consulta remota, cabe a ele encaminhar o indivíduo para uma unidade presencial.

Dito isso, veja quais são os procedimentos inerentes a cada etapa do exame clínico:

Anamnese

De maneira geral, a anamnese é composta pelas seguintes etapas:

  • Identificação do paciente, com o registro de informações básicas do indivíduo, como seu nome, idade, profissão, gênero, estado civil, endereço, entre outras
  • Análise da queixa principal, em que a pessoa explica o motivo que a levou a procurar pelo atendimento e o profissional de saúde analisa os fatores que podem ter levado ao quadro em questão
  • Histórico recente, para compreender como a evolução da queixa principal ocorreu, ou seja, quando os sintomas começaram a aparecer, quanto tempo eles duram, como eles progrediram, quais são as suas características
  • Histórico pregresso, em que o médico vai além da queixa principal e procura entender doenças passadas e características da pessoa que podem, ou não, estar relacionadas ao caso. Por exemplo, saber se o paciente é cardíaco ou hipertenso, mesmo que isso não tenha relação com a patologia atual, é importante para evitar certos medicamentos ou práticas que possam levar ao agravamento das comorbidades presentes
  • Levantamento de hábitos e características, que serve para agregar mais informações que podem influenciar o desenvolvimento de doenças ou influenciar os tratamentos, como alergias a medicamentos, prática (ou não) de atividades físicas, sedentarismo, alcoolismo, tabagismo, entre outros.

A próxima etapa é o exame físico.

Exame físico

Já no exame físico, são previstas as seguintes práticas:

  • Inspeção, em que o médico procura por alterações decorrentes de doenças apenas pela observação visual do paciente. Inclusive, essa é uma prática que pode ser feita à distância quando o atendimento for por telemedicina, conforme expliquei acima
  • Palpação, que consiste no tato do médico para reconhecer se existem alterações de forma e outros aspectos físicos que podem indicar a presença de certas patologias
  • Percussão, que é parecida com a palpação, mas consiste em pequenos toques e leves “golpes” no corpo do paciente, que emitem sons próprios e podem apontar alterações específicas 
  • Ausculta, em que o médico escuta os sons produzidos pelo organismo, geralmente com o auxílio de um estetoscópio. Diferentemente da percussão, a ausculta não envolve a produção de sons por meio de toques no corpo, mas a escuta de sons corporais, como os cardíacos, respiratórios e intestinais. 

Importante esclarecer que esse tipo de exame também influencia na atuação de enfermeiros, como explico a seguir.

Exame médico clínico

Exame clínico é um processo de avaliação diagnóstica via anamnese e exame físico

Quais são as implicações do exame clínico na enfermagem?

Além de ser uma prática inerente aos consultórios e atendimentos médicos, o exame clínico é de suma relevância na rotina dos enfermeiros.

Isso porque a atuação desses profissionais é guiada pelo método conhecido como processo de enfermagem (PE), que sistematiza toda a atenção prestada aos pacientes.

Por meio desse processo, os enfermeiros podem acompanhar a evolução dos indivíduos em tratamento e propor as intervenções mais adequadas para sua assistência.

As etapas previstas no PE, relacionadas e, ao mesmo tempo, interdependentes, são:

Evidentemente, todas as informações levantadas inicialmente na investigação são imprescindíveis para que as demais etapas sejam feitas com excelência.

Ou seja, os enfermeiros também devem realizar exames clínicos criteriosos e registrar suas conclusões de forma clara para que possam dar seguimento às suas rotinas nas unidades de saúde.

Assim, a investigação clínica é um recurso imprescindível para identificar os diagnósticos de enfermagem e garantir o devido andamento das demais práticas da área.

A partir desse entendimento, é fundamental que os enfermeiros também tenham competência técnica, habilidades, conhecimentos científicos e capacidade de relacionamento interpessoal para realizar exames clínicos, além das condições de trabalho adequadas para isso.

Qual é o resultado do exame clínico?

O exame clínico funciona como ponto de partida para todo o diagnóstico e posterior tratamento.

Ao interpretar as condições atuais do paciente e correlacioná-las ao seu histórico e demais fatores pessoais, é possível dar um norte mais preciso para a conduta médica.

Inclusive, existem muitas situações em que essa dinâmica é suficiente para a definição do diagnóstico clínico e encaminhamento das intervenções.

Enxaqueca, doenças virais como a catapora e distúrbios mentais como depressão e ansiedade são exemplos de patologias identificadas por meio da combinação entre anamnese, exame físico e raciocínio clínico.

Vale ressaltar que os exames complementares, como os de imagem ou laboratoriais, têm relevância em vários quadros para garantir uma definição diagnóstica sólida e precisa.

Contudo, é fundamental evitar que o paciente passe por procedimentos desnecessários, e o exame clínico ajuda a guiar o seguimento de cada caso.

Nesse contexto, cabe ao médico oferecer um atendimento personalizado, observando os relatos do paciente, histórico de saúde e sintomas para definir pela necessidade, ou não, de pedir mais exames.

A obrigatoriedade do exame clínico e sua inserção no prontuário

De acordo com o Código de Ética Médica, a elaboração de um prontuário legível para cada paciente é obrigatória entre os médicos, tanto em instituições hospitalares quanto em consultórios, clínicas e unidades de saúde em geral.

Já a Resolução CFM 1.638/2002 obriga que os prontuários contenham:

  • Identificação completa dos pacientes
  • Anamnese
  • Exame físico
  • Exames complementares e resultados
  • Evolução diária, entre outros pontos semelhantes.

Ou seja, os procedimentos ligados ao exame clínico devem constar obrigatoriamente nos prontuários, que por sua vez, também são obrigatórios para qualquer atendimento médico.

Mais que garantir a devida realização desses procedimentos, os trabalhadores da área da saúde ainda devem assegurar a segurança dos registros e o sigilo profissional.

Essa proteção é prevista no Capítulo IX do Código de Ética Médica e ainda é exigida pelo Artigo 448 do Código de Processo Civil, 207 do Código de Processo Penal e 154 do Código Penal.

Inclusive, vale mencionar a recente Lei Geral de Proteção de Dados, que reforçou ainda mais a necessidade de proteger os dados relativos a exames clínicos e outras informações dos pacientes.

Esse tipo de segurança não deve ser apenas passiva, mas também ativa. 

Ou seja, não basta somente não compartilhar os dados dos pacientes, mas é necessário agir para que eles não fiquem sujeitos a vazamentos, roubos ou perdas.

Esse cuidado ligado aos exames clínicos se tornou especialmente importante com o crescimento da telemedicina, com as informações do prontuário eletrônico armazenadas e compartilhadas via internet.

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Para respeitar as exigências legais citadas acima, facilitar os registros e garantir a devida proteção aos dados de exames clínicos dos pacientes, é imprescindível contar com uma boa plataforma de telemedicina.

Esse tipo de sistema é desenvolvido especialmente para lidar com ferramentas como o prontuário online, que torna os registros mais práticos, acessíveis, integrados e protegidos por meio de sólidos protocolos de segurança.

Além disso, a medicina remota viabiliza a obtenção de laudos à distância, que ajudam os especialistas a obter os melhores diagnósticos e a ampliar sua oferta de exames sem que isso represente maiores gastos às suas empresas.

Nessa modalidade, os exames clínicos podem ser feitos normalmente nos consultórios ou, quando for o caso, durante a consulta online.

Sempre que o médico julgar necessária a realização de exames complementares, eles podem ser feitos em aparelhos conectados à própria plataforma de telemedicina, que envia automaticamente os dados coletados a uma central de especialistas.

Em seguida, um desses médicos elabora o laudo em poucos minutos e o disponibiliza via sistema de telemedicina online.

Além de poupar tempo, esforços e investimentos com um corpo clínico maior, é possível aderir ao aluguel em comodato, em que a empresa de telemedicina fornece os equipamentos sem custos junto aos telelaudos.

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Perguntas frequentes sobre exame clínico

Esclareço mais dúvidas comuns entre pacientes a seguir.

Qual a diferença entre exame clínico e exame físico?

O exame físico é uma das etapas do exame clínico, que também compreende a entrevista com o paciente ou anamnese.

O que é feito no exame clínico?

Basicamente, a dinâmica é composta por entrevista e avaliação física do paciente.

Quais são os tipos de exames clínicos?

Entrevista roteirizada, técnicas de inspeção, palpação, percussão e ausculta estão entre as rotinas empregadas durante a avaliação clínica em consultório.

Conclusão

O exame clínico é o ponto de partida para uma atenção em saúde de excelência, e cabe aos médicos assegurar-se de que ele ocorra da forma mais adequada, completa e humanizada possível.

Normalmente, é baseado em anamnese e exame físico, que podem ter o apoio de procedimentos complementares e ainda de outros profissionais envolvidos nos tratamentos, como enfermeiros.

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Referências bibliográficas

https://portal.cfm.org.br/images/stories/biblioteca/codigo%20de%20etica%20medica.pdf 

https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/processo_de_enfermagem.pdf

https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2002/1638

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm

https://revistas.usp.br/revistadc/pt_BR/article/view/85896

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin