Como é um laudo de eletroencefalograma normal?

Por Dr. José Aldair Morsch, 30 de abril de 2024
Laudo de Eletroencefalograma normal

Um laudo de eletroencefalograma normal, sem dúvidas, é o resultado desejado pelo paciente que se submete ao exame.

Mas o que ele precisa ter para ser assim considerado? 

Essa é uma questão importante, de grande interesse de profissionais que atuam na neurologia e suas diferentes áreas, como neuropediatria, neurofisiologia e neurorradiologia.

Seja normal ou alterado, é imprescindível que o laudo tenha clareza e qualidade.

Afinal, os resultados são decisivos para determinar a necessidade de tratamento para doenças e mesmo a conduta médica adequada para cada caso.

Avance na leitura para aprofundar seus conhecimentos.

Aproveite para conhecer as vantagens do laudo de EEG a distância, emitido via telemedicina.

O que é laudo de eletroencefalograma?

Laudo de eletroencefalograma é o documento que formaliza o resultado desse procedimento.

Nele, consta uma descrição em linguagem técnica sobre o que motivou a solicitação do exame, técnicas empregadas, achados e conclusão.

O laudo do EEG só pode ser elaborado e assinado por neurologistas especializados na área do exame, conforme exige o Conselho Federal de Medicina.

O que faz todo o sentido, uma vez que a interpretação do EEG é uma tarefa complexa, que requer saberes profundos sobre a anatomia e funcionamento do sistema nervoso central.

Além de uma compreensão avançada sobre a lógica do exame, que mostra um gráfico formado por ondas mentais.

O que é laudo de eletroencefalograma normal?

Laudo de eletroencefalograma normal é o resultado que se enquadra nos padrões de normalidade, considerando fatores como as técnicas utilizadas e a condição clínica do paciente.

Muitas vezes, o resultado normal pode indicar a ausência de patologias capazes de alterar o funcionamento do SNC.

Contudo, é preciso considerar, ainda, outros fatores, a exemplo da hipótese diagnóstica e a presença de sintomas para formular o diagnóstico correto.

Já quando o laudo do EEG aponta anormalidades, significa que as respostas a estímulos ao SNC não ocorreram conforme o esperado nas condições do paciente.

Nesse caso, é preciso entender melhor o diagnóstico, a fim de recomendar o tratamento necessário para o paciente.

Tipos de laudo de eletroencefalograma

Existem diferentes modalidades de eletroencefalograma, o que varia de acordo com a suspeita clínica e indicação do médico solicitante.

Naturalmente, as características do exame interferem no resultado esperado, o que pode resultar em diferentes tipos de laudo para o EEG.

Vale lembrar, porém, que a estrutura básica do laudo permanecerá a mesma. O que poderá mudar será a descrição das etapas realizadas.

Laudo de eletroencefalograma ocupacional

O EEG ocupacional é a versão mais simples do exame.

É solicitado para atestar a saúde neurológica de trabalhadores que vão atuar ou atuam em atividades com alto grau de risco tanto para si, quanto para outras pessoas que dependem do seu serviço.

Costuma ser exigido para a contratação de pilotos de avião, motoristas, alpinistas industriais e outros profissionais do trabalho em altura.

A fim de evitar problemas como perda súbita da consciência e quedas de altura, esses trabalhadores passam pelo exame ocupacional periodicamente.

Essa é uma avaliação formada pela anamnese ocupacional, avaliação física e exames complementares, incluindo o eletroencefalograma.

Após a realização do procedimento, cabe ao médico do trabalho responsável pela avaliação emitir um atestado de saúde ocupacional (ASO).

O documento informa se o profissional está apto ou inapto a exercer suas atividades laborais.

Laudo de eletroencefalograma clínico

Já o eletroencefalograma clínico é usado rotineiramente para investigar doenças em pacientes que apresentam algum sintoma neurológico específico.

Seu objetivo é identificar alterações das atividades cerebrais e correlacioná-las à manifestação clínica, a fim de afastar ou confirmar um diagnóstico.

Geralmente, é formado pelas fases de sono e vigília, permitindo uma avaliação completa do funcionamento do SNC durante o estado de vigília, sonolência e sono.

Cada uma dessas etapas é descrita no laudo, que ganha maior aprofundamento quando comparado ao resultado do EEG ocupacional.

EEG normal

O laudo do EEG só pode ser elaborado e assinado por neurologistas especializados na área do exame

Laudo de eletroencefalograma com mapeamento cerebral

No entanto, a modalidade mais detalhada é o EEG com mapeamento cerebral.

Seus registros produzem um desenho com cores e sinais, baseado na atividade do cérebro e usado para a investigação de regiões cerebrais que apresentam descargas elétricas irregulares.

Costuma ser mais demorado e reunir diversas manobras, a exemplo de:

  • Olhos fechados
  • Olhos abertos
  • Hiperventilação
  • Uso de foto-estímulo.

Todas elas são detalhadas no laudo do EEG com mapeamento cerebral, que se torna ainda mais complexo e extenso que os demais.

Como ler um eletroencefalograma?

Depois da realização do exame, um laudo neurológico deve ser emitido por profissional especializado.

O técnico de enfermagem, que pode acompanhar o paciente durante o EEG, não é responsável por laudá-lo.

Como mencionei acima, a tarefa compete a um profissional médico neurologista ou especialista em uma de suas áreas de atuação, que compreende a neuropediatria e eletrofisiologia, entre outras.

A partir do traçado do EEG e das reações do paciente, esse profissional aponta se os resultados foram normais ou anormais.

De maneira geral, ele informa sobre os padrões das ondas mentais, que mudam de acordo com cada fase do exame.

O que deve constar no laudo de eletroencefalograma?

Agora, vamos nos aprofundar sobre a análise e interpretação dos resultados de um EEG.

Um laudo de eletroencefalograma normal é composto por uma série de informações, geralmente registradas em tópicos.

O documento reúne dados do paciente, do médico solicitante, características do exame, detalhamento das ações realizadas durante o procedimento, conclusão e hipótese clínica.

Saiba mais sobre os principais campos de um laudo de encefalograma:

Identificação

Informações básicas sobre o paciente, laboratório ou clínica onde o exame foi realizado e também dados do médico solicitante.

Características técnicas

Dados como detalhes sobre o aparelho de EEG, o posicionamento dos eletrodos e duração do exame.

Corpo do laudo

Descreve de que maneira o exame foi conduzido, relatando pontos como atividades cerebrais, anormalidades, procedimentos e mudanças nas frequências das ondas cerebrais.

Conclusão

Esta é a parte que mais interessa ao médico que solicitou o exame, pois indica se o eletroencefalograma foi normal ou anormal, e por quê.

Correlação eletroclínica

Neste trecho, o responsável pelo exame comenta a hipótese clínica, de acordo com os resultados do EEG.

Como é o laudo do eletroencefalograma normal?

Um laudo de eletroencefalograma normal, como o nome sugere, traz resultados que seguem o padrão de registro de atividade cerebral.

Se o paciente for adulto, por exemplo, o exame em vigília deve mostrar ondas de alta frequência e baixa amplitude (alfa e beta).

Nesse caso, não deve haver alterações fora de padrão na frequência e amplitude das ondas mentais.

Já quando o indivíduo está dormindo, as ondas podem variar bastante, tanto em frequência quanto em amplitude. 

Tudo depende do estágio do sono.

Como é um laudo de eletroencefalograma anormal?

Se o resultado do laudo for anormal, significa que ocorreram alterações na amplitude e frequência das ondas mentais durante a vigília.

O mesmo pode ser registrado durante o sono.

Essas alterações, chamadas de picos, podem indicar doenças como epilepsia, acidente vascular cerebral (AVC), tumores ou lesões cerebrais.

Outro sinal de alerta ocorre se o exame mostrar padrões de atividade distintos nos dois lados do cérebro. 

Se for o caso, um deles pode estar prejudicado.

O registro de ondas delta e teta em adultos durante a vigília pode indicar doenças, ou simplesmente apontar para o uso de alguns medicamentos.

O efeito de drogas sedativas pode levar à inatividade elétrica do cérebro, que aparece como uma linha reta no resultado do EEG. 

O mesmo acontece diante de estado vegetativo, coma, falta de oxigênio ou fluxo sanguíneo.

Exemplo de um laudo de eletroencefalograma normal

Veja, agora, um exemplo com os tópicos de um laudo de EEG com resultado normal:

1. Características técnicas do exame

Eletroencefalograma digital, realizado durante a vigília, em condições técnicas satisfatórias.

2. Descrição dos achados

Ritmo dominante alfa, 09 Hz, posterior, contínuo, irradiando-se para as regiões centrais, bem modulado em amplitude e em frequência, sincrônico, simétrico, sinusoidal e organizado.

Ritmo beta presente, na frequência de 18 a 25 Hz, baixa amplitude, simétrico.

Durante o decorrer do exame, manobras de ativação realizadas como olhos abertos, olhos fechados, hiperventilação e foto-estímulo intermitente, não alteraram o traçado ou precipitaram descargas epileptiformes – não registrando com isso, grafoelementos patológicos.

3. Conclusão sobre o exame

Eletroencefalograma dentro dos limites da normalidade na presente data.

Touca de EEG infantil

Laudo de eletroencefalograma normal é o resultado que se enquadra nos padrões de normalidade

O que pode ser detectado no eletroencefalograma?

Diante de EEG anormal, um dos diagnósticos mais frequentes é a epilepsia.

Essa é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro caracterizada pela presença de convulsões.

Um exemplo clássico é a crise convulsiva tônico-clônica ou disritmia tipo grande mal. Ela é identificada no EEG através de descargas de ondas rápidas (frequências de 15 a 40 c/s.) e de elevado potencial (75 a 300 microvolts).

Mas há outras patologias diagnosticadas com o suporte do eletroencefalograma, a exemplo de: 

  • AVC (Acidente Vascular Cerebral) do tipo isquêmico ou hemorrágico
  • Edema cerebral
  • Distúrbios do sono (como narcolepsia)
  • Tumores e estruturas anormais
  • Coma
  • Morte encefálica
  • Intoxicações por álcool ou drogas
  • Encefalites
  • Síndromes demenciais
  • Crises não epilépticas devido a distúrbios metabólicos
  • Cefaleias (como a enxaqueca).

Lembrando que a indicação do eletroencefalograma é uma decisão médica.

O que pode alterar o resultado do laudo de eletroencefalograma normal?

Como acabei de citar, alguns comportamentos do paciente podem interferir nos resultados, a exemplo do uso de medicamentos, álcool e outras drogas.

Por isso, o profissional responsável pelo eletroencefalograma deve colher informações antes de começar o procedimento.

Se o couro cabeludo estiver oleoso ou com algum produto cosmético, isso pode atrapalhar a fixação da pasta condutora de eletricidade.

Portanto, no dia do exame, o paciente deve lavar o cabelo apenas com xampu, sem aplicar condicionador, creme para pentear, finalizador ou qualquer outro cosmético.

Também ferimentos e infecções nessa região do corpo podem atrapalhar o EEG.

Até mesmo o excesso de exercícios físicos é capaz de interferir nos resultados obtidos, assim como o jejum ou a ingestão de alimentos com cafeína.

Todos esses esclarecimentos devem ser prestados ao paciente antes da realização do exame, de modo a evitar que um laudo de eletroencefalograma normal seja comprometido.

Quanto tempo demora para sair o resultado do eletroencefalograma?

É comum que os resultados sejam apresentados em até um dia.

Mas esse tempo de espera depende da estrutura da clínica ou hospital, principalmente, se há ou não neurologistas aptos para a emissão do laudo médico.

Graças ao avanço da telemedicina na neurologia, contudo, o EEG tem sido interpretado com maior qualidade e agilidade.

É possível até mesmo receber resultados em tempo real nas urgências ou em 30 minutos nas demais situações, sendo parceiro da Morsch.

No próximo tópico, vou trazer mais detalhes sobre como a tecnologia tem transformado mais essa importante área da medicina.

Vantagens do laudo de eletroencefalograma via telemedicina

Para entender melhor as contribuições da telemedicina à neurologia, é preciso fazer uma rápida contextualização.

Atualmente, é notória a escassez de médicos especialistas, em especial nas cidades mais afastadas dos grandes centros, mas não somente nelas.

Lembrando que, no caso de um laudo de eletroencefalograma normal ou anormal, a sua elaboração compete exclusivamente ao neurologista.

Desse modo, clínicas pequenas nem sempre conseguem oferecer o exame ao público, pois carecem de estrutura para a sua realização e de recursos para a contratação do profissional.

Já em unidades de saúde maiores, os maiores problemas costumam ocorrer em feriados, plantões e épocas de férias dos especialistas.

Tudo isso impacta no tempo de espera para ter o laudo do EEG disponível.

E quando se fala em saúde, você sabe bem: tempo é um recurso extremamente valioso.

Nesse contexto, a tecnologia vem apresentando soluções inovadoras, como a telemedicina e laudo a distância, que dá suporte ao compartilhamento de dados do exame, laudos médicos e outras informações importantes.

Através dela, especialistas de qualquer região no Brasil ou no mundo conseguem visualizar os resultados de um EEG – basta que tenham acesso à internet.

Por meio de um software de telemedicina em nuvem, é possível enviar registros de exames a especialistas logados em tempo real, que analisam e liberam os laudos online em poucos minutos.

Ao permitir o compartilhamento de informações sobre o procedimento, a tecnologia também ampliou os locais que podem oferecer o eletroencefalograma.

E a economia com o aparelho de EEG é mais um diferencial dessa inovação.

Empresas como a Telemedicina Morsch permitem que, junto ao serviço de emissão de laudos eletrônicos, sejam cedidos os equipamentos necessários para a realização do exame em regime de comodato (sem custos durante o período de contratação).

Além disso, é oferecido um treinamento para o profissional que irá operar o aparelho, o que resulta em maior segurança e qualidade para o EEG, apoiando o diagnóstico correto.

Acesse esta página para conhecer todas as vantagens da telemedicina neurológica!

Conclusão

Você conferiu, neste artigo, as informações que constam em um laudo de eletroencefalograma normal ou anormal, detalhes sobre o exame e suas aplicações.

Para quem tem uma clínica de exames, o EEG é um exame importante e de grande procura pelo público.

O problema, muitas vezes, passa justamente pela exigência de neurologistas para laudar os resultados e também pelo investimento exigido na sua apuração.

Tudo isso pode ser superado com a ajuda da plataforma Morsch, que viabiliza o telediagnóstico 24 horas por dia, 7 dias por semana, colocando centenas de médicos especialistas a distância de poucos cliques!

Visite o site para saber mais e solicite um orçamento.

Se achou o conteúdo interessante, veja mais artigos sobre neurologia em nosso blog.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin