Como interpretar um eletroencefalograma: o que pode ser detectado?

Por Dr. José Aldair Morsch, 2 de novembro de 2018
como interpretar um eletroencefalograma

Unidades de saúde que ofereçam o exame EEG precisam contar com profissionais que saibam como interpretar um eletroencefalograma.

Mas a tarefa não é tão simples, pois vários são os detalhes a observar na análise dos resultados.

Há, por exemplo, diferentes versões do exame, como o eletroencefalograma em vigília e com mapeamento cerebral.

A sua complexidade só não é maior do que a importância para os cuidados com a saúde.

É por isso que saber como interpretar um eletroencefalograma é fundamental para alcançar um laudo assertivo, oferecendo suporte ao diagnóstico de problemas neurológicos, distúrbios do sono e demências.

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Neste artigo, vou apresentar informações completas sobre o chamado exame de cabeça.

Você vai aprender o que é eletroencefalograma e para que serve, como ele é realizado e que resultados podem ser observados.

Também vou explicar as diferenças entre um laudo de eletroencefalograma normal e um eletroencefalograma alterado, além de destacar as contribuições da telemedicina para a interpretação do exame.

Boa leitura!

O que é eletroencefalograma?

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Eletroencefalograma é um exame que avalia a atividade elétrica do cérebro.

O procedimento é rápido, seguro, indolor e não invasivo.

Conhecido também como eletroencefalografia ou EEG, ele amplifica os impulsos elétricos cerebrais e os registra de forma gráfica.

Esses impulsos são os responsáveis pelas atividades realizadas pelo corpo humano, transmitidos como comandos cerebrais através de células chamadas neurônios.

Por meio de eletrodos, então, o eletroencefalograma capta e registra as atividades dos neurônios.

Para que serve o eletroencefalograma?

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O eletroencefalograma serve para investigar anormalidades na atividade elétrica cerebral, por meio da análise de sua frequência.

No EEG, a frequência corresponde ao número de vezes que um mesmo sinal se repete a cada segundo.

Mesmo em pessoas saudáveis, ela costuma sofrer variações de acordo com o estado do organismo.

Isso acontece porque o cérebro funciona de modo diferente quando estamos acordados, concentrados, sonolentos ou em sono profundo.

A idade, nível de atividade física e outros fatores também interferem no padrão e nas variações da frequência cerebral.

Desde o final da década de 1920, o eletroencefalograma tem auxiliado neurologistas, clínicos e outros profissionais de saúde na compreensão da fisiologia elétrica do cérebro e neurônios, e de sua relação com patologias.

O EEG é essencial para o diagnóstico e acompanhamento de distúrbios da consciência e doenças como a epilepsia, patologia que provoca perturbação nos neurônios, com a presença, ou não, de convulsões.

Ele costuma ser utilizado para a investigação de sintomas como convulsões, cefaleias (dores de cabeça), problemas de memória e distúrbios do sono, como a narcolepsia, uma doença que causa sonolência de forma abrupta e incontrolável, várias vezes ao dia.

Como funciona um aparelho de eletroencefalograma?

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O aparelho utilizado no eletroencefalograma é formado por um conjunto de eletrodos conectados a um computador.

Durante o exame, os eletrodos são fixados em diferentes áreas da cabeça do paciente, a fim de captar a atividade das células nervosas do cérebro.

Como expliquei acima, a frequência cerebral sofre variações.

Os neurônios que vibram na mesma frequência tendem a se juntar e formar grupos.

Durante o EEG, são provocados estímulos luminosos em determinadas frequências, para receber respostas dos neurônios que vibram nelas.

Então, os eletrodos coletam essas respostas e levam os dados até um computador, onde um software é capaz de transformá-los em traçados distintos, formando um gráfico visível na tela (no caso do EEG digital) ou registrado em papel.

Tipos de eletroencefalograma

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Como já destacado, o funcionamento do cérebro pode mudar de acordo com o estado do indivíduo.

Isso deu margem para a realização do EEG em diferentes condições.

A ideia é comparar e avaliar melhor os padrões, a fim de identificar alterações nos impulsos elétricos.

Os principais tipos de eletroencefalograma atualmente são: EEG em vigília, em sono e com mapeamento cerebral.

Vamos ver detalhes sobre eles agora.

Eletroencefalograma em vigília

Serve para mostrar a atividade espontânea do cérebro enquanto o paciente está acordado.

Dependendo da recomendação médica ou da suspeita clínica, ele pode ser solicitado a realizar atividades simples, como abrir e fechar os olhos, ou respirar rapidamente durante alguns instantes.

Eletroencefalograma em sono

Esta modalidade de EEG compreende o estudo cerebral enquanto a pessoa dorme, a fim de detectar distúrbios do sono.

Em geral, o paciente passa a noite no hospital para colher os dados necessários.

Pode ser que o indivíduo precise se privar do sono ou até receber sedação leve, de modo a garantir que durma tempo suficiente para gerar registros dos impulsos elétricos cerebrais.

Eletroencefalograma com mapeamento cerebral

Este tipo de EEG se tornou possível graças ao uso de novas tecnologias, como aparelhos digitais.

O mapeamento cerebral é feito depois do registro do eletroencefalograma digital, a partir da escolha de momentos do exame para estudo mais detalhado de áreas ou reações do cérebro.

O material coletado é convertido é convertido em um mapa no computador com sinais e cores, sendo capaz de apontar as regiões afetadas por alterações durante o exame.

Preparo para o eletroencefalograma

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A atividade do cérebro pode sofrer alterações pelo consumo de algumas substâncias, como a cafeína.

Por isso, é recomendado não ingerir alimentos que tenham essa substância nas 12 horas anteriores ao EEG.

O mesmo vale para componentes de algumas classes de medicamentos, como antidepressivos, anticonvulsivantes ou estimulantes.

Caso o paciente tome algum deles, deve procurar orientação médica para saber se precisará realizar uma pausa.

Para que os eletrodos sejam fixados sem problemas, é indicado que o paciente esteja com o couro cabeludo limpo e seco.

Se tiver prótese capilar, usar tinturas, estiver com algum curativo ou alergia na cabeça, pode haver dificuldade para a fixação dos eletrodos e registro dos impulsos elétricos.

Também é importante seguir outras recomendações do médico solicitante.

Durante a privação de sono para realização do EEG em sono, por exemplo, o paciente não deve dirigir.

Como é feito o exame eletroencefalograma

Após seguir o preparo necessário, o paciente deita numa maca ou senta em uma cadeira de forma que fique confortável.

Antes de iniciar, o médico ou técnico responsável pelo exame segue as recomendações do solicitante e posiciona os eletrodos com determinadas distâncias.

Eles recebem uma pasta que facilita a coleta de sinais elétricos e a aderência ao couro cabeludo.

Após  fixados na cabeça do paciente, o aparelho de EEG é ligado.

Como expliquei antes, pode ser solicitado que o paciente realize algumas ações, como respirar rapidamente, abrir e fechar os olhos ou observar uma luz brilhante que pisca – método conhecido como estimulação intermitente com luz estroboscópica.

Essas ações integram as provas de ativação do exame, que o tornam mais sensível ao registrar a reação dos neurônios diante de estímulos diferentes.

O que pode ser detectado no eletroencefalograma?

O EEG pode indicar uma série de desordens neurológicas, doenças degenerativas do sistema nervoso, tumores e demências.

Esse exame é solicitado para investigar causas de coma, complicações após concussão na cabeça e diagnóstico de males graves, como o acidente vascular cerebral (AVC).

Inflamações no cérebro (encefalites), lesões, hemorragias e inchaços (edemas) também podem ser observados a partir do EEG.

Sua indicação mais comum, entretanto, é para o diagnóstico e acompanhamento da epilepsia, ou de outras causas de convulsão.

Como interpretar um eletroencefalograma

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Como interpretar um eletroencefalograma? Dada a importância do exame, fica clara a necessidade de aprender como interpretar um eletroencefalograma com qualidade, o que exige conhecimentos sobre os padrões cerebrais, tipos de onda e alterações na frequência.

Por isso, a responsabilidade de avaliar os resultados é dos médicos neurofisiologistas clínicos (eletroencefalografistas).

Relacionadas a padrões específicos do ritmo cerebral, as ondas mentais estão presentes nos laudos de todos os tipos de eletroencefalograma.

Elas possuem amplitude e frequência, que pode ser medida em Hertz (HZ).

A amplitude pode ser definida como a distância entre o eixo e a crista (ponto mais alto) de uma onda.

Os quatro tipos principais de onda cerebral são: alfa, beta, teta e delta.

As ondas alfa (7-13 HZ) estão relacionadas a um estado de relaxamento e redução da ansiedade durante a vigília.

Também observadas enquanto o indivíduo está acordado, as ondas beta (13 -30 HZ) indicam concentração e estado de alerta.

A sonolência costuma apresentar ondas teta (4-7 HZ), que mostram uma atividade cerebral reduzida.

Já as ondas delta (4-0 HZ) têm relação com o sono profundo.

Como interpretar um eletroencefalograma normal

Quando o exame é normal, significa que a atividade elétrica cerebral está dentro dos padrões que se espera, considerando fatores como a idade e estímulos realizados durante o EEG.

Ou seja, em um adulto saudável, ondas alfa e beta são registradas durante a vigília, ondas teta enquanto ele está sonolento, e ondas delta nos estágios avançados do sono.

Como interpretar um eletroencefalograma alterado

Por sua vez, entender como interpretar um eletroencefalograma alterado exige mais do especialista.

A presença de ritmos alterados pode sinalizar distúrbios, uso de drogas ou presença de substâncias estimulantes, como a cafeína.

Ao avaliar os registros de um exame, o médico compara os resultados a padrões de frequência e amplitude das ondas.

Amplitude

Amplitudes podem ser consideradas baixas, médias ou altas após a avaliação do traçado do EEG.

O ponto de atenção é com amplitudes baixas, que podem sinalizar ansiedade, dor e até lesões cerebrais.

Frequência

Resultados fora dos padrões de frequência também podem indicar patologias.

O ritmo alfa, por exemplo, normalmente é interrompido durante ações como abertura dos olhos, influxo de luz e atividade mental (concentração).

No estado de sonolência, é comum aparecerem apenas pequenos surtos de ondas alfa, em intervalos cada vez maiores.

É importante ressaltar que essas ondas podem sofrer variações peculiares, não necessariamente causadas por doenças.

Por exemplo, o ciclo menstrual pode provocar esse efeito em algumas mulheres.

Já determinados medicamentos e distúrbios psiquiátricos tendem a aumentar a quantidade de ondas beta, registradas em alta frequência.

Quando assimétrico e constante, o ritmo teta pode sugerir disfunções em alguma parte do cérebro.

Doenças inflamatórias, infecciosas e intoxicações por drogas podem ser evidenciadas por registros de atividade delta em surtos, desorganizando o traçado de base do EEG.

Duração do exame de eletroencefalograma

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A maioria dos eletroencefalogramas (EEG de rotina) dura entre 20 e 40 minutos.

Já o EEG que une estados de sono e vigília costuma durar entre 8 e 12 horas.

Dependendo da suspeita clínica, recomendação do médico solicitante e resultados observados durante o exame, o exame pode se estender por mais horas e até dias.

Riscos do eletroencefalograma

Por não ser invasivo e nem aplicar qualquer corrente elétrica no corpo do paciente, o EEG pode ser realizado por qualquer pessoa, inclusive por crianças e gestantes.

Mas há pontos a observar com maior atenção.

Se o paciente tiver epilepsia ou convulsões de causas diversas, essas crises podem ocorrer durante algum estímulo.

Nesses casos, técnicos e outros profissionais de saúde treinados estarão disponíveis para oferecer auxílio.

A retirada dos eletrodos, realizada logo depois do exame, é um procedimento que não causa dor, mas pode provocar incômodo devido à pasta usada para fixação.

Basta lavar os cabelos para retirar restos do produto.

Médicos também recomendam que, após o EEG, o paciente vá para casa repousar.

Pessoas que precisaram de sedação leve para dormir durante o teste devem ser acompanhadas até a residência, evitando dirigir.

Por fim, quem teve necessidade de interromper o uso de medicamentos deve aguardar orientação médica para retomar o tratamento.

A Telemedicina na emissão de laudos a distância e na interpretação do eletroencefalograma

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Não é novidade que, no Brasil, exista desigualdade na distribuição de médicos, incluindo a carência de especialistas qualificados para interpretar o EEG.

Esses profissionais, conhecidos como neurofisiologistas clínicos ou eletroencefalografistas, unem conhecimentos em neurologia, psiquiatria, padrões e variações registradas durante o eletroencefalograma.

São, portanto, médicos altamente especializados, nem sempre disponíveis, especialmente em locais remotos ou pequenas cidades no interior.

Foi para suprir lacunas como essas que a telemedicina surgiu, oferecendo laudos à distância.

A partir da tecnologia, não é mais necessário contar com eletroencefalografistas em todas as unidades de saúde que realizam o EEG.

Nesses casos, como de costume, um técnico pode ser capacitado para fazer o procedimento com um aparelho digital.

É a partir daí que o procedimento muda.

Os dados colhidos vão para um computador, são transformados em gráficos e compartilhados via plataforma de telemedicina.

Em seguida, um especialista pode acessar os dados do exame e as informações clínicas do paciente armazenadas em nuvem, de qualquer lugar do Brasil.

Para isso, basta que use um dispositivo conectado à internet, tenha login e senha.

Após interpretar o exame, o especialista anota suas impressões e conclusões em um laudo online, e o assina digitalmente.

Esse documento pode ficar disponível em apenas 30 minutos na plataforma.

A partir daí, pode ser impresso, acessado por pacientes e funcionários da unidade de saúde.

Por tudo isso, se não há como interpretar um eletroencefalograma na sua clínica, a análise do EEG através da telemedicina é uma excelente solução.

Conclusão

Neste artigo, você conferiu como interpretar um eletroencefalograma e todos os detalhes envolvidos na análise dos resultados do exame.

Fica claro que essa é uma tarefa complexa, que cabe apenas a especialistas.

Mas, com o suporte da telemedicina, é possível realizar EEGs e contar com laudos confiáveis, mesmo em lugares remotos ou em momentos nos quais a unidade de saúde enfrenta carência de profissionais, como em férias, feriados e plantões.

Deixe que a Telemedicina Morsch auxilie você e sua equipe, disponibilizando um serviço de qualidade por um preço que cabe no seu orçamento.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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