Hiperpneia: o que é, causas, sintomas e como tratar

Por Dr. José Aldair Morsch, 27 de outubro de 2022
Hiperpneia

A hiperpneia está entre os possíveis sintomas inespecíficos observados durante o exame físico do aparelho respiratório.

Essa alteração do ritmo respiratório pode indicar condições graves como a acidose metabólica, pedindo um rápido manejo por parte da equipe médica.

Porém, há outras causas para o sintoma, a exemplo de transtornos mentais como a síndrome do pânico.

Nesses casos, pode haver hiperventilação, com redução na oferta de dióxido de carbono, afetando o equilíbrio respiratório.

Neste artigo, apresento sintomas, possíveis causas e a diferença entre hiperpneia e taquipneia.

Mostro ainda como a telemedicina auxilia no diagnóstico da hiperpneia.

Acompanhe até o fim!

O que é hiperpneia?

Hiperpneia é uma alteração do ritmo respiratório padrão, caracterizada por respirações rápidas e profundas.

Conforme define este artigo técnico sobre dispneia:

“Hiperpnéia é um termo, geralmente, usado para designar a elevação da ventilação alveolar secundária, não apenas ao aumento da frequência respiratória, como, também, ao aumento da amplitude dos movimentos respiratórios”.

Ou seja, nesse quadro, é observado aumento da FR associado a movimentos torácicos mais amplos.

Lembrando que, para um adulto em repouso, a frequência respiratória normal fica entre 12 e 20 mrm (movimentos respiratórios por minuto).

Além da quantidade de incursões por minuto, a respiração normal segue um padrão quanto ao ritmo, profundidade e expansão torácica.

O ritmo é influenciado tanto pelo número de movimentos respiratórios quanto pelo ciclo que possibilita as trocas gasosas indispensáveis para o bom funcionamento de todo o corpo.

Tudo começa com a inspiração, que tem por objetivo aspirar o ar, que depois é aquecido nas vias aéreas superiores e enviado aos pulmões.

Ali, as pequenas bolsas pulmonares ou alvéolos são responsáveis pelo fornecimento do oxigênio, componente fundamental para levar energia às células.

Seu transporte é feito pelo sangue que circula nas artérias, retornando pelas veias para eliminar o gás carbônico através da expiração e ser reabastecido com oxigênio.

Em seguida, há uma breve pausa antes de o ciclo reiniciar com uma nova inspiração.

Quando o ritmo é normal, inspiração e expiração têm profundidade semelhante e levam à expansão regular e simultânea de ambos os lados do tórax.

Esse padrão demonstra equilíbrio na contração dos músculos intercostais e do diafragma.

Qual a diferença entre hiperpneia e taquipneia?

A hiperpneia está longe de ser a única alteração no ritmo respiratório.

Existem pelo menos outros oito ritmos que destoam do padrão, com o potencial de causar danos mais ou menos intensos ao paciente.

Um deles é a taquipneia, definida pelo aumento da quantidade de movimentos respiratórios por minuto.

Num adulto em repouso, esse ritmo é observado quando a FR supera 20 mrm.

Outro detalhe a se comentar é que, na taquipneia, há redução na amplitude das incursões respiratórias.

Essa é a principal diferença em relação à hiperpneia, que costuma aumentar a amplitude desses movimentos.

Em outras palavras, a hiperpneia torna a respiração mais profunda, enquanto a taquipneia torna-a superficial.

Nesse contexto, a hiperpneia resulta num aumento do volume corrente, que circula pelo aparelho respiratório.

Já a taquipneia faz com o que o volume diminua.

O que é hiperpneia

A hiperpneia, em si, pode ser sintoma de algumas patologias, mas nem sempre essa alteração sinaliza doenças

O que é hiperpneia cerebral?

Hiperpneia cerebral é um termo relacionado à realização do eletroencefalograma (EEG).

As palavras se referem à resposta dos neurônios diante de uma das provas de estimulação do exame, que consiste em hiperpneia forçada.

Está aí a diferença na comparação com casos de hiperpneia espontânea, que surge como manifestação clínica de certas doenças e agravos à saúde.

Como parte do EEG, a hiperpneia forçada deve provocar estímulos a um grupo de neurônios, possibilitando o registro dessas reações em forma de um gráfico.

Porque o eletroencefalograma avalia a atividade neuronal, demonstrando impulsos elétricos emitidos pelo cérebro através das diferentes ondas mentais.

Para tanto, o exame usa eletrodos fixados no couro cabeludo do paciente para captar e amplificar esses impulsos, que são traduzidos em gráficos de linha.

Ao longo do processo, o médico ou técnico de enfermagem responsável pelo EEG solicita que o paciente execute alguns movimentos, incluindo a hiperpneia.

Outra prova de ativação é a fotoestimulação intermitente, na qual o indivíduo deve abrir e fechar os olhos em frente a uma lâmpada que produz flashes luminosos.

Quando o resultado do EEG é normal, são formadas ondas características do estado de vigília diante das luzes, por exemplo.

Sintomas da hiperpneia

Como mencionei acima, a hiperpneia, em si, pode ser sintoma de algumas patologias.

No entanto, nem sempre essa alteração sinaliza doenças.

Principalmente quando há um episódio isolado, com recuperação espontânea, num paciente saudável.

Caso ele tenha realizado esforço físico intenso, como correr ou subir as escadas rapidamente, pode sofrer uma alteração momentânea no ritmo respiratório.

Nesse cenário, tanto a taquipneia quanto a hiperpneia podem surgir.

Contudo, é preciso ficar atento se esses sintomas apareceram de maneira abrupta, com o paciente em repouso, e se mantiveram ou agravaram após alguns minutos.

Vale redobrar a atenção diante da associação a outros sintomas, como febre e dispneia.

Porque nem sempre a hiperpneia provoca desconforto respiratório, sendo esse um indicativo de patologia na origem dos sintomas.

A realização do exame clínico completo, com anamnese e avaliação física, é importante para verificar a gravidade do quadro.

Por vezes, também será preciso investigar a condição por meio de exames complementares como oximetria de pulso, gasometria arterial e raio X de tórax.

Ritmo de hiperpneia

O tratamento da hiperpneia depende da origem do sintoma e as abordagens terapêuticas podem ser diversas

Como é feita a prova de hiperpneia?

Geralmente, a hiperpneia é detectada durante a realização do exame clínico, composto por anamnese e exame físico.

O esforço respiratório fica evidente mesmo durante a entrevista com o paciente, que terá dificuldade para responder questões básicas.

Mas a hiperpneia é confirmada na etapa de inspeção dinâmica do exame físico, a partir de características específicas.

É nessa fase que são observados os sinais vitais, a exemplo da pulsação e frequência respiratória.

O ideal é medir a FR de modo discreto, sem que o paciente perceba, para evitar sensações que possam elevar a frequência momentaneamente, como ansiedade e nervosismo.

Você pode ainda contar as incursões respiratórias logo depois de medir a frequência cardíaca no pulso ou artéria carótida.

Assim, dará tempo para diminuir o nervosismo do paciente, reduzindo as chances de distorção no resultado.

Lembrando que é preciso contar os movimentos respiratórios por pelo menos 30 segundos consecutivos.

Na presença de hiperpneia, será possível notar:

  • FR aumentada em repouso, acima de 20 mrm
  • Inspiração e expiração profundas
  • Em casos mais graves, podem surgir sintomas associados como dispneia e febre.

Na sequência, explico quais são as causas da hiperpneia.

Quais são as causas da hiperpneia?

A detecção de hiperpneia deve motivar uma investigação para conhecer sua origem.

Uma série de condições podem estar por trás do sintoma, desde aquelas desencadeadas pelo uso de substâncias estimulantes até patologias graves.

A ingestão de drogas lícitas e ilícitas tem o potencial de alterar o ritmo respiratório, mas mesmo energéticos podem provocar esse impacto.

Daí a necessidade de fazer uma anamnese completa, a fim de saber quando a hiperpneia teve início e quais as atividades antes de surgir o sintoma.

Por vezes, a respiração acelerada e profunda tem raiz em doenças que acometem o aparelho respiratório, metabólicas ou com efeito sistêmico.

Discorro sobre algumas delas a seguir.

Doenças respiratórias

Patologias de caráter restritivo ou obstrutivo das vias aéreas podem desencadear ritmos respiratórios incomuns, incluindo a hiperpneia.

Uma das mais conhecidas é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que combina bronquite crônica e enfisema pulmonar.

Dispneia e tosse persistente com muco estão entre os sintomas da DPOC.

Já a associação entre hiperpneia e febre, por exemplo, pode sugerir infecções respiratórias, a exemplo da pneumonia.

Acidose metabólica

O acúmulo de ácidos ou redução de bicarbonato no sangue reduzem o pH, elevando os níveis de acidez.

Hiperpneia é um dos sintomas dessa condição, junto a dispneia, hipotensão, dor de cabeça, confusão e sonolência excessiva.

Aqui, mais uma vez é relevante conhecer o histórico do paciente, pois um dos tipos de acidose metabólica mais comuns é a cetoacidose diabética.

A patologia é desencadeada por taxas altas de glicose no sangue que, devido à carência de insulina, não são absorvidas pelas células para gerar energia.

Num esforço para normalizar a situação, o organismo, então, recorre aos estoques de gordura, gerando níveis aumentados de cetonas.

Síndrome de hiperventilação

É uma síndrome causada pelo desequilíbrio entre os níveis de oxigênio e gás carbônico, devido à queda nas taxas de CO2.

Quem sofre com hiperventilação experimenta crises agudas ou crônicas em que se torna difícil inspirar a quantidade de ar suficiente para compensar as expirações, que são rápidas.

Surgem, assim, sinais como hiperpneia, arritmias de padrão rápido, palpitações, tontura, dor torácica e rigidez nas extremidades do corpo.

Algumas vezes, a dispneia é muito intensa e o paciente pode chegar a desmaiar.

A síndrome da hiperventilação está frequentemente relacionada a distúrbios psíquicos como ansiedade e síndrome do pânico.

Tanto que as crises costumam ocorrer após gatilhos emocionais, a exemplo de notícias ruins, traumas e emoções fortes.

Hiperpneia é grave?

Depende da causa, pois a hiperpneia consiste numa manifestação clínica que pode ser decorrente de doenças ou não.

A acidose metabólica que comentei acima, por exemplo, precisa de internação e tratamento hospitalar para evitar efeitos severos, a exemplo de coma.

Outro sinal de alerta é a alternância entre períodos de hiperpneia e apneia – interrupção prolongada das incursões respiratórias.

Esse padrão caracteriza o Ritmo de Cheynes-Stokes que, segundo explica o já citado artigo sobre Dispneia:

“Esse ritmo respiratório ocorre mais comumente em pacientes com insuficiência cardíaca, congestiva, grave, podendo também estar presente em vigência de lesões do sistema nervoso central e hipertensão intracraniana. Nos casos de insuficiência cardíaca, sua gênese é explicada pelo aumento do retardo circulatório dos pulmões para o cérebro. Nessa situação, ocorre uma dissociação entre os valores de pH e PaCO2 no nível pulmonar e no nível dos quimiorreceptores centrais, levando ao surgimento da respiração periódica”.

Como tratar a hiperpneia?

O tratamento adequado também depende da origem do sintoma.

As possíveis abordagens terapêuticas são tão variadas quanto as doenças de fundo.

Na síndrome da hiperventilação, por exemplo, é realizado tratamento de suporte, com medidas de relaxamento junto à avaliação psicológica e/ou psiquiátrica.

Por outro lado, quadros de hipertensão intracraniana exigem internação e ações como a administração de medicamentos corticoides e até barbitúricos para reverter a condição.

Patologias respiratórias como a DPOC se beneficiam da prescrição de fármacos broncodilatadores, mas algumas vezes, precisam de suplementação de oxigênio para aliviar a sensação de falta de ar.

Como a telemedicina ajuda a diagnosticar e tratar a hiperpneia?

Mencionei antes que há diversos exames empregados para diagnosticar a causa da hiperpneia.

O raio X torácico, por exemplo, revela anormalidades nos pulmões, contribuindo para detectar patologias como a pneumonia.

Enquanto as doenças que afetam a capacidade respiratória podem ser identificadas com o auxílio da espirometria.

Esses e outros exames são interpretados a distância com o suporte da plataforma de telemedicina Morsch.

Nosso sistema é intuitivo e fica hospedado na nuvem, permitindo o acesso de pessoas autorizadas a partir de qualquer dispositivo conectado à internet.

Basta utilizar seu login e senha para compartilhar imagens, gráficos e outros registros de exames com o time de especialistas que coordeno.

Um dos médicos de plantão irá avaliar os achados, considerando informações prévias sobre a suspeita clínica e histórico do paciente, e compor o laudo médico.

Depois de inserir sua assinatura digital, o especialista libera o laudo online em minutos na plataforma.

Assim, a telemedicina confere agilidade ao diagnóstico e tomada de decisão a respeito do melhor tratamento.

Doentes crônicos podem ser acompanhados via teleconsulta e telemonitoramento, contribuindo para uma recuperação rápida.

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Conclusão

Como eu disse, nem sempre a hiperpneia vem associada a esforços respiratórios, contudo, não se pode desprezar esse sintoma.

Muitas vezes, existe uma doença importante de fundo, pedindo avaliação médica, investigação sobre as causas e início da terapia adequada.

Conte com a Telemedicina Morsch para otimizar a emissão de laudos de exames pneumológicos e radiológicos, colaborando com um diagnóstico ágil.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin